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Os Pós-Modernos. Etnografia Religiosa Afro-Brasileira. Conclusão: A Trajetória Do Texto Etnográfico Afro-Brasileiro - Da Ciência À Sagrada Apropriação. O pós-modernismo na Antropologia, segundo bibliografia recentemente produzida nos Estados Unidos, tem como característica principal formular uma crítica ao texto etnográfico clássico, considerando questões como suas condições de produção, o papel do autor, os recursos retóricos utilizados e a ausência, no texto, de uma perspectiva crítica mediando a cultura descrita (do informante) em função da cultura para qual se escreve (do autor). O contato com uma parcela dessa bibliografia da reflexão pós-moderna, apresentada em linhas gerais na primeira parte desse trabalho, sugeriu-me, então, a possibilidade de sua aplicação para alguns dos textos etnográficos da bibliografia religiosa afro-brasileira, com os quais venho trabalhando ultimamente na realização de projeto de dissertação de mestrado, que trata das transformações rituais e simbólicas no culto urbano aos orixás, na cidade de São Paulo. Alguns desses textos, como aqueles produzidos por Roger Bastide, Pierre Verger e Juana Elbein, entre outros, têm sido recentemente criticados em função dos modelos por demais idealizados que propõem para análise do material religioso afro-brasileiro. Além da presença ambígua do autor, que aparece como pesquisador para legitimar a sistematização proposta no texto, e como "iniciado" para garantir uma perspectiva "desde dentro". Contudo, essas críticas frequentemente não focalizam os artifícios da construção textual, os quais, conforme tentarei demonstrar na segunda parte desse trabalho, são elementos importantes (e elucidativos) do fazer etnográfico desses autores.
(Adicionado: 2ªf Dez 29 2008 | Visitas: 134 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarUm breve histórico dos fast-foods. As praças de alimentação: o comer sob vários ângulos. O tempo e suas percepções. Pessoalidade e impessoalidade: os segredos de uma boa comida. A crescente aquisição do hábito de "comer fora" no cotidiano dos moradores dos centros urbanos, sobretudo nas últimas décadas, tem produzido modificações nas formas como o ato de alimentar-se e o alimento são representados, em termos dos valores sociais a eles associados. Distinções do tipo "comer fora" e "comer em casa", "comida" e "refeição", "restaurantes tradicionais" e "fast-foods", enfim, estas e outras categorias nativas expressam importantes transformações nas representações produzidas pelas pessoas sobre a relação entre alimento e indivíduo, alimento e espaço, alimento e tempo, apenas para citarmos as mais evidentes. Este trabalho objetiva interpretar algumas dessas transformações, tendo como recorte empírico três praças de alimentação localizadas em shopping centers da cidade de São Paulo. A partir da dinâmica social notada entre os consumidores de fast-food desses espaços, pretende-se analisar as formas como as escolhas pessoais associadas ao ato de comer (expressas em termos de o que, onde, quando, como e com quem comer) referendam tendências mais gerais de uma sociabilidade urbana em constante transformação. Palavras-chave: antropologia do alimento, cidade, consumo, fast-food.
(Adicionado: 2ªf Dez 29 2008 | Visitas: 141 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarA Estrutura do Rito. A Estrutura Musical. A Música no Contexto Ritual. O candomblé, enquanto culto organizado. não remonta, em São Paulo, há mais de três ou quatro décadas. Marcado por um desenvolvimento particular, a partir dos processos migratórios ocorridos nesse período, o candomblé paulista surgiu como uma religião de possessão ao lado daquelas aqui já existentes, como o espiritismo Kardecista e as inúmeras variações da umbanda sulista.O processo de instalação e difusão do culto aos orixás na região de São Paulo caracterizou-se pelas influências e empréstimos entre as práticas espíritas em geral e da umbanda em particular, observável seja pelas semelhanças entre as estruturas rituais, seja pela visão mítica, formada por divindades comuns a ambos os cultos. Originou-se, assim, um culto cuja referência ás divindades africanas (os orixás) e ás divindades nacionais (caboclos, índios, boiadeiros, pretos-velhos), tornou-se comum, tanto nas regiões periféricas, as primeiras a localizarem os terreiros, como nas regiões mais centrais da área metropolitana.
(Adicionado: 4ªf Dez 24 2008 | Visitas: 146 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarDioniso: uma historiografia. Divino Dioniso. Psicologia do espírito dionisíaco. Os estudos históricos possibilitados por dados arqueológicos são dificultados por vivências transpostas em palavras escritas ou peças já sem sua utilidade originária. O contexto dos dados só faz sentido após um estudo antropológico da visada cultura ou de uma suposta relação com os "impulsos humanos universais". O presente estudo busca dar o entendimento de uma divindade estudada desde os inícios da sociedade moderna, constituindo uma das principais referências de autores contemporâneos à sociedade antiga. Dioniso, esta divindade conhecida como deus do vinho e do desejo, percorreu um grande caminho e se manifestou em várias civilizações sob vários nomes, sendo aqui abordado em três perspectivas, tentando a coesão dos vários escritos consultados, que por mais que variassem de visões e detalhes históricos, se referiam ao mesmo deus que conduzia comemorações extáticas despertadas por necessidades ainda hoje vigentes.
(Adicionado: 3ªf Jan 22 2008 | Visitas: 336 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarForam realizadas nove (9) entrevistas etnográficas em profundidade, explorando suas perturbações, estratégias de enfrentamento, noção de qualidade de vida e barreiras para atingi-la, além de aspectos relacionados às dores na coluna. Observou-se que a dor envolve problemas e soluções de ordem cultural, psicoespiritual, socioeconômica, política e educacional. Apesar de os informantes terem baixo nível de escolaridade, apresentaram uma visão holística de saúde, mecanismos de enfrentamento e busca da cura. Atividades relacionadas ao seu dia-a-dia podem ser traduzidas como risco cultural e por isso precisam ser consideradas. Conclui-se que há necessidade de rever o contexto sociocultural, econômico, político e ambiental para desenvolver ações educativas na promoção da saúde. Cultura, Dor nas costas, Mulher.
(Adicionado: 4ªf Nov 07 2007 | Visitas: 365 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarA sociologia francesa, inclusa a antropologia, esteve a partir de Durkheim e Mauss, envolvida com a formulação de teorias que dessem conta dos fundamentos da vida social, compreendendo-a como essencialmente simbólica. Da noção de "consciência coletiva", Durkheim chegou a noção de "representações sociais" – definidas como "elementos reais e atuantes" que, entretanto, "não são fatos puramente físicos (1994:38). As representações são consideradas por ele como a "trama" que tece o social e que se origina da associação entre os homens, sem dela ser uma decorrência direta, instantânea ou mecânica. Esse processo de surgimento das representações pela associação humana fica tão mais invisível quanto maior for a complexidade social que, para Durkheim, liga-se aos elementos morfológicos, tais como, as relações entre território, densidade populacional e comunicação.
(Adicionado: 2ªf Out 29 2007 | Visitas: 429 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarPelo menos desde a publicação do hoje clássico trabalho de Marshall (1976) o conceito de cidadania têm sido sistematicamente equacionado através da noção de direitos; sejam estes civis, políticos ou sociais. Da mesma forma, embora a noção de direitos seja uma categoria relacional, isto é, uma categoria cuja aplicação supõe necessariamente uma situação de interação que envolva pelo menos duas partes e um contexto determinado (veja Geertz 1983 e L. Cardoso de Oliveira 1989),2 no ocidente tem havido uma tendência à absolutização desta noção, onde freqüentemente se ouve falar nos direitos de cidadania como se estes fossem intrínsecos à pessoa do cidadão ou do indivíduo, enquanto sujeito normativo das instituições. Ao lado desta característica, e da articulação do conceito de cidadania com a noção de Estado-Nação, as democracias ocidentais também têm se pautado por uma preocupação com a universalização dos direitos de cidadania, entre seus concidadãos, ainda que esta preocupação seja, por vezes, meramente formal. Aliás, se levarmos em conta a atenção que tem sido dada ao tema dos direitos humanos nas últimas décadas, bem como o impacto que as organizações que atuam na defesa destes direitos vêm tendo em escala mundial (e.g., Anistia Internacional), hoje em dia talvez se pudesse falar num núcleo de direitos que estaria associado a uma idéia de cidadania planetária.
(Adicionado: 2ªf Abr 30 2007 | Visitas: 555 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarDesde os gregos a retórica tem sido caracterizada como um instrumento de persuasão e convencimento, onde as idéias de esclarecimento e de manipulação indicam duas dimensões opostas dos discursos retóricos. Neste contexto, os discursos políticos estão entre aqueles que despertam mais interesse e que ocupam maior espaço na nossa contemporaneidade. Na presente comunicação procurar-se-á explorar, através da análise de discursos políticos enunciados durante a campanha para o referendum sobre a soberania do Quebec, em outubro de 1995, a articulação entre o que gostaria de chamar de retórica do ressentimento e as demandas de reconhecimento da identidade quebequense. Dado que as demandas de reconhecimento estão freqüentemente associadas à afirmação de um direito moral, cuja percepção ou fundamentação não encontra respaldo adequado na linguagem jurídica, até que ponto a mobilização de sentimentos como o de ressentimento seria um instrumento legítimo e iluminador do insulto moral que se quer reparar? Ou, em que medida a retórica do ressentimento não correria riscos de provocar não apenas as emoções dos atores, com o objetivo de facilitar a percepção do insulto moral que teriam sofrido, mas também uma atitude passional e, portanto, inibidora da compreensão que estaria tentando viabilizar?.
(Adicionado: 2ªf Abr 30 2007 | Visitas: 474 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarA noção de categoria, inaugurada pela filosofia grega, é incorporada ao pensamento antropológico através da Escola Sociológica Francesa - sob a liderança de Durkheim e Mauss - num esforço de constituir uma antropologia (ou sociologia) que tinha como preocupação principal responder a duas perguntas: o que os homens pensam? e quem são aqueles que pensam? (Cardoso de Oliveira, 1979: 33). A nosso ver, aí tem início o que se poderia chamar de antropologia do conhecimento, que se propõe a investigar como a sociedade é pensada pelos atores, ou melhor, como a sociedade se pensa, e como são construídas as representações coletivas que dão sentido à sociedade e sem as quais a vida em grupo seria impossível. Neste pequeno ensaio tentaremos mostrar como a noção de categoria foi desenvolvida pela Escola Sociológica Francesa e indicaremos alguns de seus desdobramentos na antropologia inglesa através da análise do trabalho de Evans-Pritchard sobre as noções de tempo e espaço entre os Nuer.
(Adicionado: 2ªf Abr 30 2007 | Visitas: 482 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarDentre os clássicos da sociologia, Weber foi certamente aquele que mais contribuiu para a temática do racionalismo ocidental. Seja no plano dos processos de racionalização da organização ou do sistema social, seja no plano da racionalização das instituições ou das esferas culturais. Pode-se dizer que se, para Weber, o desenvolvimento de todas as formas de organização social estava associado a processos de racionalização, isto era verdade também para o que ele chamava de comunidades políticas, as quais, na nossa contemporaneidade, se expressam na forma do Estado-Nação. No ocidente, a racionalização das comunidades políticas veio desembocar nas democracias liberais modernas, as quais se caracterizam pela defesa de princípios de justiça que tem como foco os direitos individuais dos cidadãos, e são críticas a qualquer tentativa de se associar a identidade política da comunidade a valores não universalizáveis.
(Adicionado: 2ªf Abr 30 2007 | Visitas: 465 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarNos últimos anos a ética do Discurso (ou ética discursiva) tem suscitado vários debates interessantes em torno da possibilidade de fundamentação de questões de ordem ética e/ou moral, onde diferentes perspectivas ou posicionamentos filosóficos são confrontados (Kuhlmann, 1986; Benhabib & Dallmayr, 1990) e a relação entre ética e política é tematizada (Kelly, 1991). Entretanto, pouco tem sido feito no sentido de se articular esta discussão com o equacionamento de problemas de ordem empírica e, muito menos, pelo recurso ao método etnográfico. Pois é exatamente no âmbito deste tipo de articulação que o presente trabalho se insere.
(Adicionado: 2ªf Abr 30 2007 | Visitas: 499 | Colocação: 2.00 | Votos: 1) AvaliarA relação entre democracia e hierarquia tem sido objeto de reflexões de diversos matizes. Seja para tematizar desigualdades sociais em sentido estrito, como aquelas derivadas de diferenças no acesso à renda e à educação, ou para contrastar o ideal igualitário, característico das sociedades de ideologia individualista, com o princípio hierárquico, tomado como um valor que prevalece em sociedades de ideologia holista, tal como a Índia (Dumont: 1992). Por exemplo neste contexto, apesar do Brasil ser freqüentemente considerado um país injusto devido às diferenças sociais em sentido estrito, na medida em que exibe uma das piores distribuições de renda do planeta, vários autores têm chamado atenção para a importância da hierarquia e/ou do pessoalismo entre nós (DaMatta: 1979 e 1991), o que de certa maneira agravaria a situação de iniqüidade vigente.
(Adicionado: 2ªf Abr 30 2007 | Visitas: 471 | Colocação: 10.00 | Votos: 1) AvaliarComo sugere o tema deste painel, as discussões sobre direitos humanos costumam estar articuladas com debates relativos a questões de cidadania, especialmente se tomarmos como referencial privilegiado a versão moderna da discussão, a partir da "Bill of Rights" Inglesa de 1689, da Declaração da Independência dos EUA em 1776, da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão na França em 1789 ou da Declaração Universal dos Direitos do Homem proclamada pela Organização das Nações Unidas em 1948. Neste sentido a noção de direitos humanos remete a idéia de direitos civis que, por sua vez, está freqüentemente associada às idéias correlatas de direitos políticos e de direitos sociais.
(Adicionado: 2ªf Abr 30 2007 | Visitas: 484 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarO processo de redemocratização no Brasil, que desembocou na promulgação da nova Constituição em 1988, e as demandas por reconhecimento no Quebec trazem à luz questões interessantes para uma reflexão sobre a relação entre identidades coletivas e a definição de direitos de cidadania na esfera pública. Especialmente no que concerne à articulação ou intersecção entre direitos individuais e coletivos, ou direitos diferenciados por grupo para utilizar uma expressão de Kymlicka (1995). Estes direitos estão intimamente associados a identidades culturais e/ou sociais, o que coloca questões de difícil resposta para as teorias contemporâneas sobre democracia e cidadania, que têm como foco o indivíduo autônomo, sujeito normativo das instituições.
(Adicionado: 2ªf Abr 30 2007 | Visitas: 474 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarEm vista do título destas jornadas,1 não resisti a tentação de fazer uma provocação sobre a noção de violência: pode-se falar em violência quando não há agressão moral? Embora a violência física, ou aquilo que aparece sob este rótulo, tenha uma materialidade incontestável, e a dimensão moral das agressões (ou dos atos de desconsideração à pessoa) tenha um caráter essencialmente simbólico e imaterial, estou tentado a dizer que a objetividade do segundo aspecto ou tipo de violência encontra melhores possibilidades de fundamentação do que a do primeiro. Aliás, arriscaria dizer que na ausência do segundo (“violência moral”), a existência do primeiro (“violência física”) seria uma mera abstração. Sempre que fala-se em violência como um problema social tem-se como referência a idéia do uso ilegítimo da força, ainda que freqüentemente este aspecto seja tomado como dado, fazendo com que a dimensão moral da violência seja pouco elaborada e mal compreendida, mesmo quando esta constitui o cerne da agressão do ponto de vista dos atores que a sofrem. Pois é exatamente a esta dimensão do problema que vou dirigir minha atenção na discussão sobre a relação entre direitos, insulto e cidadania.
(Adicionado: 2ªf Abr 30 2007 | Visitas: 481 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
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