Ciências sociais

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    • Raízes Históricas da Relação entre Universidade e Setor Produtivo no Brasil

      O relacionamento estreito entre Universidades, a pesquisa científica e o setor produtivo é um dos fatos mais marcantes das economias modernas neste fim de século, e é natural que a Universidade Federal de São Carlos, que tem um feito um esforço importante no estabelecimento de pontes com o setor produtivo, se preocupe em saber como este relacionamento se deu, ou deixou de se dar, na história de nosso país. O meu conhecimento a respeito deste tema é limitado. Coordenei, há alguns anos atrás, um estudo sobre o desenvolvimento da comunidade científica no Brasil, no qual o tema da pesquisa básica e da pesquisa aplicada, da pesquisa universitária e da pesquisa dos institutos de pesquisa governamentais, ocupou naturalmente uma posição central. No entanto, aquele estudo se voltou, principalmente, para as ciências básicas, e não tivemos ocasião de nos aprofundar no conhecimento das experiências de trabalho de desenvolvimento tecnológico de nossas principais escolas de engenharia, a Politécnica do Rio de Janeiro e a Politécnica de São Paulo, ambas habitadas, desde o século passado, por engenheiros ilustres que combinavam o ensino de sua profissão com intenso trabalho na construção de estradas, na modernização das cidades, na construção de barragens, e assim por diante.

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    • Relações centro-periferia: o caso da autonomia universitária

      As relações entre o centro e a periferia de grandes sistemas organizacionais, como é o sistema de Universidades federais brasileiras, podem ser vistas a partir de dois modelos extremos e alternativos: no primeiro caso, a direção do fluxo de decisões, informações e controle fica centralizada; no outro, os órgãos periféricos são muito mais do que agentes, delegados ou instituições de base: eles, de fato, adquirem capacidades de auto-regulação, auto-controle e uma apreciável dose de autonomia e adquirem condições mesmo de se opor às diretrizes do centro.

      (Adicionado: 2ªf Out 30 2006 | Visitas: 195 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
    • Universidade, Ideologia e Poder

      A participação política dos universitários não é, como muitos pensam, um fenômeno novo. Na América Latina, ela data pelo menos do famoso movimento da Reforma de Córdoba, Que deu a muitas universidades latino-americanas seu poder de autogestão e sua vinculação com movimentos políticos da época; de fato, ela vem de muito antes, como atesta, por exemplo no Brasil, a história da Faculdade de Direito de São Paulo, com a famosa e mal conhecida organização estudantil denominada "bucha" nos moldes das fraternidades secretas européias.

      (Adicionado: 2ªf Out 30 2006 | Visitas: 200 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
    • A Profissao academica no Brasil

      O impacto da reforma de 1968 sobre o sistema de ensino superior brasileiro tem sido objeto de muitos estudos, que realçam, entre outros aspectos, as mudanças nas estruturas organizacionais das universidades, com a criação de institutos e departamentos, o estabelecimento da pós-graduação e da pesquisa, os contrastes entre o modelo de ensino-pesquisa das universidades e a proliferação de escolas isoladas de baixa qualidade. Todavia, uma das facetas menos estudadas dos efeitos da reforma diz respeito à criação de uma "profissão acadêmica" no Brasil.

      (Adicionado: 3ªf Out 17 2006 | Visitas: 177 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
    • A Redescoberta da Cultura. Os Paradoxos da Ciência e da Tecnologia

      A ciência e a tecnologia contemporâneas passam por mudanças rápidas e paradoxais, difíceis de explicar em termos simples. Estão se tornando mais globais, mas também mais concentradas; exigem mão-de-obra mais educada, mas substituem os homens pelas máquinas; tornam-se mais aplicadas, mas também mais básicas; estão mais ligadas do que nunca à iniciativa privada, mas continuam dependentes de políticas públicas e apoio governamental. No texto que se segue, tentarei detalhar algumas dessas tendências aparentemente contraditórias e as implicações que acarretam, do ponto de vista de políticas para o setor.

      (Adicionado: 3ªf Out 17 2006 | Visitas: 162 | Colocação: 8.00 | Votos: 1) Avaliar
    • Notas sobre o paradoxo da desigualdade no Brasil

      "As causas da pobreza", dizia meu antigo professor de direito, "são duas: as voluntárias e as involuntárias". Para nós, estudantes de ciências sociais, as causas da pobreza não podiam ser individuais, mas estruturais: a exploração do trabalho pelo capital, o poder das elites que parasitavam o trabalho alheio e saqueavam os recursos públicos, e a alienação das pessoas, criada pelo sistema de exploração, que impedia que elas tivessem consciência de seus próprios problemas e necessidades. Quando a TV ainda engatinhava em Belo Horizonte, participei de um programa ao vivo com uma senhora da tradicional família mineira que organizava bailes beneficentes, e fiquei chocado quando percebi que não conseguiria convencer ao apresentador, e muito menos ao público, que o que ela fazia era cínico e nocivo, mantendo os pobres iludidos pelas migalhas que sobravam das festas da alta sociedade. Como ousava este garoto, de mineiridade incerta, duvidar do espírito caridoso da elegante dama? Falar com os pobres não adiantava muito. Visitando um barraco de favela, comentei com o morador sobre as péssimas condições em que ele vivia, tentando estimular sua consciência de classe. A resposta foi de indignação. Ele era pobre, sim, mas tinha orgulho de seu barraco limpo e arrumado. Que direito tinha eu de dizer que ele vivia uma vida miserável?.

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    • A Igreja e o Estado Novo: O Estatuto da Família

      Em fevereiro de 1940, Getúlio vargas assina o decreto-lei n 2024, tendo como tema a ""coordenação das atividades relativas à proteção à maternidade, à infância e a adolescência""; seu principal objetivo é a criação de mais um órgão da burocracia federal, o Departamento Nacional da criança, subordinado ao Ministério da Educação e Saúde. Em sua aparência modesta, o decreto é o resultado, no entanto, de um projeto muito mais ambicioso que, a pretexto de dar proteção à família brasileira, teria profundas conseqüências em relação à política de previdência social, ao papel da mulher na sociedade, à educação e até, eventualmente, em relação à política populacional do país. É este projeto, e a discussão por ele gerada, que nos interessa examinar. Ele nos permite uma visão bastante rica das mentalidades que circulavam nos altos escalões do governo brasileiro de então, assim como algo do processo decisório pelo qual projetos deste tipo eram tratados.

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    • Introdução ao Pensamento de Georges Gurvitch

      Georges Gurvitch é, possivelmente, um dos últimos pensadores sociais que tiveram a audácia de propor um sistema próprio de compreensão global do fenômeno humano, buscando uma união entre uma filosofia pluralista, de origem fichteana, uma formação fenomenológica e as aquisições da ciência social de inspiração mais positivista. A abrangência dos temas que aborda, o papel de introdutor do pensamento fenomenológico na França (com Tendances Actuelles de la Philosophie Allemande, publicado por J. Vrin em 1930), sua preocupação com a sociologia em uma época em que a escola de Durkheim havia sido cortada pela guerra, nos anos 40, tudo isso o colocou em uma posição de extremo destaque no sistema acadêmico francês como professor da Sorbonne, diretor do Cahiers Internationaux de Sociologie e da Bibliothèque de Sociologie Contemporaine, a mais importante coleção de obras sociológicas publicadas em França.

      (Adicionado: 4ªf Out 11 2006 | Visitas: 164 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
    • Legitimidade, Controvérsias e Traduções em Estatísticas Públicas

      "Estatística pública", ou "estatística oficial", refere-se à informação estatística produzida pelas agências estatísticas do governo – órgãos de recenseamento, departamentos de estatística e instituições semelhantes. Elas são de especial interesse para o sociólogo de ciência porque elas são produzidas em instituições que são, simultaneamente, centros de pesquisa, envolvendo, portanto, valores científicos e tecnológicos, além de perspectivas e abordagens típicas dos seus campos de investigação – e instituições públicas ou oficiais sujeitas às regras, valores e restrições do serviço público. Os seus produtos – números relativos a população, renda, produto nacional, urbanização, emprego, natalidade, e muitos outros – são publicados na imprensa, utilizados para apoiar políticas governamentais e avaliar os seus resultados, e podem criar ou limitar direitos e benefícios legais e financeiras para grupos, instituições e pessoas específicas. Essa pluralidade de papéis, contextos e perspectivas associadas às estatísticas públicas está na própria origem deste campo.

      (Adicionado: 4ªf Out 11 2006 | Visitas: 162 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
    • Estatísticas da Pobreza

      O IBGE e a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina (CEPAL) realizaram uma reunião em Santiago do Chile no início de maio de 1997 para examinar o estado da arte na produção de estatísticas sobre pobreza em diversas partes do mundo, e dar início a um "Grupo de Especialistas" (Expert Group(1)) que deverá dar continuidade a este trabalho, preparando recomendações que possam ser de utilidade para os institutos de estatística e demais interessados na produção, análise e uso de informações estatísticas a este respeito.

      (Adicionado: 2ªf Out 09 2006 | Visitas: 158 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
    • Estudo Comparado de Sistemas Burocráticos: Conceitos e Perspectivas

      O estudo comparado de sistemas burocráticos nacionais é um campo relativamente novo, promissor e em rápida expansão nas ciências sociais contemporâneas. É um campo que ganha importância, na área da ciência política, na medida em que as estruturas burocráticas governamentais adquirem cada vez maior peso na determinação dos processos políticos dos diversos países.

      (Adicionado: 2ªf Out 09 2006 | Visitas: 152 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
    • Fora de foco: diversidade e identidades étnicas no Brasil

      O tema da cor ou raça tem sido pesquisado recentemente pelo IBGE em termos da "cor" das pessoas, com as alternativas de "branco", "preto," "pardo" e "amarelo," e mais a categoria de "indígena". Esta pergunta é feita nos recenseamentos decenais, e também na pesquisa nacional por amostra de Domicílios (PNAD), realizada anualmente. São as próprias pessoas que devem se colocar nestas categorias, ainda que não se possa ter certeza de que os entrevistadores não exerçam influência nas respostas. As motivações para o levantamento desta informação têm certamente variado através do tempo. Até o século XIX, a informação relevante era a classificação da população em termos de sua condição civil, entre "livres" e escravos, e os recenseamentos de 1872 e 1890 já introduziam as questões de raça ou cor. Ao longo do século XX, é provável que as idéias racistas e as preocupações então existentes com o "melhoramento da raça" brasileira tenham influido na reintrodução do ítem de raça no recenseamento de 1940, da mesma maneira com que a noção de que no Brasil "não existe problema de raça" parece ter levado à exclusão do tema no censo de 1970. Hoje, parece claro que o objetivo não é tentar medir ou quantificar as características biológicas da população, e sim sua diversidade social, cultural e histórica, que, como é sabido, está relacionada a diferenças importantes de condições de vida, oportunidade e eventuais problemas de discriminação e preconceito.

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    • O Espelho do Brasil

      Instituições que produzem estatísticas básicas e informações geográficas são o espelho de seus países, não somente pelos dados e informações que produzem e disseminam, como também pelo que estes dados expressam em termos do que preocupa estas sociedades, e do elas gostariam de ser. A maneira pela qual estas instituições funcionam, seus acertos e desacertos, as críticas e o apoio de recebem, também são reflexos deste espelho, indicações da capacidade que têm os países de se organizar para conhecer sua própria realidade, e utilizar estes conhecimentos para buscar novos caminhos.

      (Adicionado: 2ªf Out 09 2006 | Visitas: 158 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
    • Os estudantes de ciencias sociais

      Durante o primeiro semestre de 1991 o Núcleo de Pesquisas sobre Ensino Superior da Universidade de São Paulo entrevistou cerca de três mil pessoas, entre ex-alunos e alunos de graduação e pós-graduação da USP, com o objetivo de conhecer suas trajetórias universitárias e educacionais. Este trabalho tem por objetivo apresentar, de forma sumária, os principais resultados relacionados para o curso de Ciências Sociais.

      (Adicionado: 2ªf Out 09 2006 | Visitas: 155 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
    • As ciências sociais brasileiras no século 20

      Celso Furtado, com a Formação Econômica do Brasil (1954), e Gilberto Freyre, com Casa Grande e Senzala (1933) e Sobrados e Mocambos (1936), são os autores brasileiros mais importantes do século 20, conforme o resultado de enquete feita com cerca de 50 cientistas sociais brasileiros em atividade. Logo a seguir, surgem Raymundo Faoro, com Os Donos do Poder (1958), Sérgio Buarque de Holanda, com Raízes do Brasil (1936), Victor Nunes Leal, com Coronelismo, Enxada e Voto (1948), e Caio Prado Júnior, com Formação do Brasil Contemporâneo (1942) e Evolução Política do Brasil (1933).

      (Adicionado: 6ªf Out 06 2006 | Visitas: 164 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
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