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Herberto Helder é um poeta fascinado pelo poder encantatório da linguagem, decorrente do uso ritual da palavra. Disso dou conta no meu livro, "Herberto Helder, Poeta Obscuro" (1). Maria Lúcia dal Farra fá-lo também, no ensaio "A Alquimia da Linguagem (2). Tem de haver uma predisposição afectiva, uma conivência com o sagrado, ou o símbolo não passaria de cântaro vazio, incapaz de nos tocar. Porém não é obrigatório que esse mundo mágico decorra de uma opção religiosa do poeta ou da sua filiação em alguma sociedade iniciática. Como diz Alexandrian. "O pensamento mágico é inerente ao inconsciente, o pensamento pragmático resulta do consciente. A filosofia oculta é de todos os tempos porque ela sistematiza o pensamento mágico que cada um transporta em si, quer o aceite, quer o negue, quer o cultive, quer o reprima. Este pensamento mágico aparece sem entraves na fabulação infantil, no sonho e na neurose" (3). Alexandrian esquece-se, nesta passagem do seu ensaio, de dizer que o pensamento mágico também é inerente ás obras de arte, caso das aparecidas com o Surrealismo, movimento de que ele é um dos mais clássicos historiadores, e Herberto Helder um dos representantes. Di-lo-á sem dúvida noutros passos, a menos que entenda a arte como sócia da efabulação infantil, da neurose e do sonho, e neste caso é com toda a razão que entende, e nada de novo como o Surrealismo, para o comprovar.
(Adicionado: 3ªf Dez 30 2008 | Visitas: 127 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarPreâmbulo. O gaio método. Pesquisa bibliográfica. Comparação de textos e análise. Verificação de factos e reconstituição histórica. Errata. A pesquisa sobre o bloco de cobre insere-se no projecto de investigação dos dois autores, Ciência extraordinária: espécies críticas e supercríticas, de que já foram apresentados resultados (Guedes & Peiriço). O seu objecto é o discurso das gralhas, escrita híbrida ou gaia ciência, que corresponde a um registo criador no discurso científico, expresso através de gralhas, incongruências, etc., e não é mais do que a linguagem das aves alquimista. Se não existisse esse trabalho anterior, que exigiu o estabelecimento de um método analítico, a história do bloco de cobre seria para nós apenas um acervo de disparates, devidos á incompetência e ignorância dos pobres sábios do século XVIII e seguintes.
(Adicionado: 3ªf Dez 30 2008 | Visitas: 117 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarRichard Khaitzine, autor com ascendentes russo-judaicos, tem-se dedicado sobretudo á exegese de textos literários, na sua qualidade de iniciado e na qualidade iniciática desses textos. é o caso de livros sobre o Capuchinho Vermelho e Peter Pan, ou de La Langue des Oiseaux, em que vários escritores são analisados, entre eles Georges Perec, invocado abaixo no extracto que fazemos do livro "Da Palavra velada á Palavra perdida - Franco-Maçonaria e Alquimia". O autor estudou também Fulcanelli, alquimista com o qual revela afinidades. A principal é esta: Khaitzine e Fulcanelli são (para mim) os dois únicos alquimistas que escrevem de forma inteligível, mesmo usando a língua das aves ou quando discorrem sobre ela. O discurso alquímico é geralmente uma barragem intransponível de palavras, das quais nenhum eco de sentido nos chega ao ouvido, nenhum foco de referente nos ilumina o olhar, porque se exprime num código cerrado daquilo a que correntemente chamamos símbolos. Com a agravante de aquilo a que chamamos símbolos não apontar nunca para um referente só, sim para muitos, o que torna inviável a compreensão dos textos, mesmo quando estamos familiarizados com as palavras, caracteres, imagens ou sinais simbólicos. Uma coisa é o símbolo num dicionário deles, outra, muito diversa, o símbolo em acção num contexto literário ou laboratorial. Daí que vários laboratórios, e de mestres, não de aprendizes, tenham ido pelos ares, no curso de experiências levadas a termo infausto por má selecção dos referentes de símbolos análogos talvez a carvão, salitre e enxofre.
(Adicionado: 3ªf Dez 30 2008 | Visitas: 110 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarO pôr do sol. O sensível e o inteligível. Totemismo e pensamento selvagem. Mito e música. O poético. O ensaio analisa o papel da arte na abordagem de Lévi-Strauss da cultura, enfatizando o modo pelo qual um determinado tipo de expressão artística, a poesia, poderia ser colocada no conjunto das preocupações estruturalistas em antropologia. Palavras-chaves: estruturalismo, lingüística, literatura, cultura, arte, poesia. Pode parecer paradoxal afirmar que o homem que mais fez para transformar a antropologia numa ciência dedicada á busca de leis lógicas, racionais e universais, tenha tido igualmente uma grande sensibilidade para o universo da produção artística, suposto reino da subjetividade - império das emoções. Para dissipar esse paradoxo bastaria, entretanto, Olhar, escutar, ler, o mais recente livro de Lévi-Strauss sobre alguns dos principais artistas e intelectuais franceses dos últimos séculos. Neste livro, a dimensão estética da cultura (pintura, música, literatura, mitologia, arte primitiva etc.) ocupa o primeiro plano numa harmonia impecável com a teoria e método do estruturalismo que consagraram Lévi-Strauss ao longo de sua vigorosa carreira como etnólogo.
(Adicionado: 2ªf Dez 29 2008 | Visitas: 109 | Colocação: 9.00 | Votos: 1) AvaliarEm 1992 publiquei o meu primeiro trabalho de História das ciências, sobre uma espécie famosa de Cabo Verde: uns lagartos ainda hoje estudados por cientistas de todo o mundo. A história envolve celebridades em vários campos, basta mencionar Napoleão. Fiz um levantamento de textos que falavam dos lagartos, e dispunha assim de um corpus muito significativo. Apercebi-me da existência de contradições, incongruências, e em especial dei-me conta de que a nomenclatura científica variava e apresentava erros de ortografia. Concluí que os cientistas eram um bocado tontos, coitados, e além disso eram ignorantes, não sabiam latim.
(Adicionado: 4ªf Dez 24 2008 | Visitas: 116 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarGaetano Passarelli esteve em São Cristóvão, antes de publicar Irmã Dulce: o anjo bom da Bahia, em 2003. Na ocasião, garimpava informações sobre a estada da religiosa no Convento de Nossa Senhora do Carmo, entre fevereiro de 1933 e agosto de 1934. Lembro da entrevista concedida pela Irmã Hilária, da Santa Casa de Misericórdia, a respeito do seu convívio com a Irmã Dulce, quando ela ainda se chamava Maria Rita Lopes Pontes. Foi nesse momento que tomei conhecimento de que a Irmã Dulce escrevera cartas e memórias sobre a quarta cidade mais antiga do Brasil. Recentemente, recebi as transcrições que Adelita Pitanga executou a partir do epistolário de Irmã Dulce. Escrevo para compartilhar a descoberta e adiantar as primeiras impressões. Como dado geral, ou crítica externa, convém salientar que o epistolário é composto de três cartas manuscritas, arquivadas nas Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador. Dada sua importância, cópias escaneadas foram anexadas ao "Processo Histórico de Beatificação de Irmã Dulce", que tramita no Vaticano desde junho de 2001.
(Adicionado: 4ªf Dez 24 2008 | Visitas: 93 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarSegunda-feira, oito da noite. Os primeiros que chegavam iam juntando mesas e ordenando cadeiras em um grande círculo. Pouco tempo depois, cerca de 30 pessoas - homens e mulheres - se acomodavam em torno da mesa, abrindo seus livros de literaturas. Começava a Tertúlia Literária Dialógica da Escuela de Educación de Adultos La Verneda de San Martín. [1] Durante duas horas, este grupo formado por pessoas com idade variável entre 50 e os 85 anos entrecruzavam as idéias e narrativas expostas nas obras literárias de diferentes autores com as histórias de suas vivências e os acontecimentos cotidianos, materializando um processo de educação de adultos focalizado na participação, superação da desigualdade, inclusão e mudança, via aprendizagem dialógica[2]. Por seis meses participei, como voluntária, desses processos sócio-educativos. Tentei, de maneira plural, conciliar uma postura de pesquisadora/observadora participante, marcada pela objetividade e pela alteridade com a de "aprendiz", caracterizada por relações simbólicas e subjetivas, enunciadoras de uma nova identidade. Não tive pretensões de respostas precisas sobre as minhas questões de investigação: que aprendizagens ocorrem nos processos educativos promovidos pelas tertúlias literárias? será que os procedimentos adotados nessa atividade educativa possibilitam a transformação e a inclusão do indivíduo, previstas nos seus objetivos? A incerteza faz parte da trajetória de construção do objeto de investigação, do próprio objeto de conhecimento. (Fialho, 1983)
(Adicionado: 2ªf Nov 10 2008 | Visitas: 115 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarDentre as mais diferenciadas emoções humanas, o ciúme é uma emoção extremamente comum (Kingham & Gordon, 2004). Uma das definições mais aceitas para o entendimento desse tema é a de que ele é um "complexo de pensamentos, sentimentos e ações que se seguem ás ameaças para a existência ou a qualidade de um relacionamento, enquanto estas ameaças são geradas pela percepção de uma real ou potencial atração entre um parceiro e um (talvez imaginário) rival" (White, 1981c, p.129). Todos nós cultivamos certo grau de ciúme (Almeida, 2007). Afinal, quem ama cuida. Mas, como este desvelo pode variar na interpretação de uma pessoa para a outra, de forma análoga, o ciúme também o variará. Portanto, desenvolve-se quando sentimos que nosso parceiro não está tão estreitamente conectado conosco como gostaríamos (Rosset, 2004). Dessa forma, o ciúme surge quando um relacionamento diádico valorizado é ameaçado devido á interferência de um rival e pode envolver sentimentos como medo, suspeição, desconfiança, angústia, ansiedade, raiva, rejeição, indignação, constrangimento e solidão, dentre outras, dependendo de cada pessoa (Daly & Wilson, 1983; Haslam & Bornstein, 1996; Knobloch, Solomon, Haunani & Michael, 2001; Parrott, 2001). Assim, segundo Ramos (2000) é possível se ter ciúme até mesmo em relacionamentos platônicos, em que se há um amor unilateral não correspondido.
(Adicionado: 3ªf Out 28 2008 | Visitas: 105 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarCom a presente comunicação procurar-se-á articular o problema da referência sob o fundo da problemática filosófica da tradução. Em particular, tratar-se-á de mostrar como a distinção entre sentido e referência se repercute sob várias perspectivas nessa problemática: desde logo, na prática da tradução, quando ao tradutor se impõe optar entre a letra e o espírito; também na descrição, do ponto de vista teórico, do processo de tradução; e, finalmente, no que designaria por ontologia do objecto da tradução.
(Adicionado: 3ªf Out 28 2008 | Visitas: 92 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarLeia o livro "Una pedagogia de la Comunicación", de Mário Kaplun. Analise os diferentes modelos comunicativos que apresenta este autor. Reflexione e faça deduções sobre aquele que predomina em seu ambiente profissional. Proponha a maneira de melhorar a prática de comunicação deste ambiente. Em seu livro "Una pedagogia de la Comunicación", Kaplun (1) propõe que, para começar, deve-se falar de educação e não de comunicação. Afinal, quando fazemos comunicação educativa, estamos buscando de alguma maneira um resultado formativo. Isto fica claro ao explicitarmos que estamos produzindo nossas mensagens "para que os destinatários tomem consciência de sua realidade", ou "para provocar uma reflexão", ou ainda "para gerar uma discussão". Propõe, também, que se possa falar de tipos de educação, já que para cada tipo de educação corresponde uma determinada concepção e uma determinada prática de comunicação. Nesta linha de raciocínio, e, utilizando-se de categorias propostas por Días Bordenave, Kaplun insiste em que pode-se visualizar dois diferentes modelos: o modelo exógeno e o modelo endógeno. O modelo exógeno, compreende duas modalidades: a educação que enfatiza os conteúdos e a educação que enfatiza os resultados. Já o modelo endógeno, coloca ênfase no processo. Examinemos cada um deles, de forma separada, tomando como referencial alguns dos indicadores contidos em quadro demonstrativo elaborado de forma sintética pelo autor (conforme mencionado na página 56).
(Adicionado: 3ªf Out 28 2008 | Visitas: 102 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarNeste trabalho, analiso a produtividade de livros destinados à alfabetização na construção de identidades alfabetizandas ao final do século XIX e nas três primeiras décadas do século XX, no Estado do Rio Grande do Sul, com a instalação da Primeira República no Brasil. Tendo por referência os Estudos Culturais, inicialmente apresento a Cartilha maternal, cujo método do autor João de Deus foi adotado oficialmente no nosso Estado através de contrafação produzida pela Editora Selbach da obra lusa. Em seguida, apresento o primeiro livro Queres ler?, obra didática adaptada de obra original uruguaia. Este primeiro livro passou a ser adotado na Instrução Pública ao final da Primeira República. Após, apresento a trajetória da arte da escrita através das discussões e orientações que circulavam à época quanto ao uso da escrita inclinada ou da escrita direita, visibilizando-as nas duas obras didáticas examinadas. Concluo observando que interpretações circulantes à época sobre métodos de ensino da leitura e da escrita e deslocamentos nessas significações podem ser reconhecidos nas obras didáticas examinadas, sendo que tais discursos e as identidades alfabetizandas que constituem são marcados por uma interpretação moderna da infância, da leitura e da escrita.
(Adicionado: 2ªf Out 27 2008 | Visitas: 97 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarQuando na actualidade publicitária a retórica passa de um nível linguístico para um nível imagético, a metáfora constituise como uma possibilidade ao serviço desta. Isto acontece porque o discurso publicitário não se limita a exibir um sentido literal, e por este motivo terá interesse discernir a utilização da metáfora neste tipo de linguagem. Assumindo a importância da conexão entre retórica e publicidade no campo linguístico a nossa análise centra-se, no plano teórico, na explicitação de duas teorias acerca da metáfora: a concepção da metáfora de Paul Ricouer e a de Georges Lakoff. No campo prático, a nossa análise incidirá no spot televisivo “Butterfly”, em que a metáfora surge como uma possibilidade de abertura do mundo.
(Adicionado: 2ªf Out 27 2008 | Visitas: 83 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarA Hora da Estrela de Clarice Lispector, é um "romance" diferente de todos os já lidos, isso se deve ao fato de a escritora fazer um jogo de personagens, tentando até mesmo se excluir como narradora, mas que por fim, acaba por se contradizer mostrando realmente quem era, além de narradora, também personagem na figura de Rodrigo (narrador-personagem criado por Clarice); Rodrigo que também as vezes se confundia com Macabéa, personagem criada por ele (e consequentemente por Clarice), já que essa (Macabéa) é criada e levada a morte por essa descrição, descrição marcada com uma linguagem que a desfigura e a constrói ao mesmo tempo. Na verdade, a expressão "romance" supra citada, foi propositadamente posta entre aspas, pelo motivo de que a própria autora, não sabia, ou melhor, não queria, classificar sua obra como romance, ou como novela, enfim, pois para Clarice, não mais importava essa questão de classificação em gêneros, para ela o texto apenas existia, seu encaixe em determinado gênero não iria mudar nada, o que está escrito, está escrito e pronto, cada leitor é que deveria tirar suas próprias conclusões.
(Adicionado: 2ªf Out 27 2008 | Visitas: 79 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) AvaliarA dislexia no campo dos estudos lingüísticos. O que pensam os lingüistas sobre a dislexia. Dislexia e os estágios cognitivos de Piaget. Dislexia numa perspectiva cognitiva: o enfoque modular. Casos de relatos de dislexia e de outras disfunções da linguagem escrita. A questão da escolarização dos disléxicos: O GT - Transtornos Funcionais Específicos (SEESP/SEB). O atendimento educacional para os disléxicos a partir do Decreto nº 6.571, de 17 de setembro de 2008. Bibliografia Básica na área dislexiológica. Sondagem dos transtornos funcionais específicos.
(Adicionado: 3ªf Out 21 2008 | Visitas: 90 | Colocação: 10.00 | Votos: 2) AvaliarA meta do presente artigo é trazer à lembrança um assunto relacionado com a leitura e que já foi desenvolvido há alguns anos atrás. Há uma tentativa de recuperar e reforçar alguns pontos importantes tais como: o desenvolvimento do espírito crítico através da leitura e a constatação da realidade de que está muito difícil desenvolver um trabalho de aprendizado e de verdadeira cidadania no Ensino Superior porque os acadêmicos não sabem, não gostam e não querem ler.
(Adicionado: 3ªf Out 21 2008 | Visitas: 99 | Colocação: 0.00 | Votos: 0) Avaliar
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