- Queremos um Outro Brasil?: nós também, mas sustentável... Algumas considerações sobre propostas econ
- As demandas efetuadas, atualmente e no passado recente, por grupos de parlamentares e de militantes do PT, bem como por representantes de outros movimentos sociais e políticos, em favor de mudanças na atual política econômica do governo Lula, apresentam sérias dificuldades para sua implementação prática, isto é, sem risco e a um menor custo do que a manutenção das linhas em vigor. Da mesma forma, as propostas do PMDB, emitidas em março de 2004, não apresentam a consistência necessária com o atual momento da conjuntura econômica e política.
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- Resoluções de Ano Novo - Uma nova “caixa de surpresas” para o ano que se inicia
- No mês de janeiro do ano da graça de 2005, publiquei o ensaio “Sete previsões imprevidentes”, apresentado como uma “caixa de surpresas” para o novo ano, cujas apostas provocadoras e visivelmente exageradas eram, resumidamente, as seguintes:
1. O governo decreta sua conversão ao capitalismo; 2. O Estado decide retirar-se parcialmente de cena; 3. Radical inversão das políticas sociais; 4. Concentração de recursos na educação fundamental; 5. Acaba a era Vargas: abolida a Justiça do Trabalho; 6. Decretado o fim da reforma agrária e; 7. Maior abertura e inserção econômica internacional.
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- Rumo a um novo apartheid? Sobre a ideologia afro-brasileira
- Um espectro parece rondar, atualmente, a sociedade brasileira: o do apartheid. Refiro-me à possibilidade de surgimento, disseminação e consolidação de uma nova forma, não menos insidiosa do que a tradicional (já suficientemente conhecida e combatida), de apartheid. Trata-se de um apartheid social – não necessariamente racial –, baseado numa nova separação cultural e ideológica, e portanto mental, dos brasileiros. Eles passariam a ser divididos em duas categorias fundamentais: a dos afrodescendentes, de um lado, a de todos os demais brasileiros, de outro.
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- Três vivas ao processo de globalização: crescimento, pobreza e desigualdade em escala mundial (I)
- No começo era a luz, depois fez-se o caos. Tal poderia ser a descrição da criação, em etapas, de um trabalho meu, redigido ao início de 2002, para tratar dos impactos da globalização no mundo contemporâneo. Ao concebê-lo originalmente, eu tinha como princípio organizador, até como dedução das tendências econômicas em curso, que o processo de globalização era eminentemente positivo para os indivíduos e os países, nos mais diversos quadrantes do globo. Depois, ao ler a literatura disponível sobre o assunto, fui “convencido”, por alguns estudos aparentemente sérios, de que esse processo poderia efetivamente acarretar alguns desequilíbrios sociais e econômicos, principalmente sob a forma de concentração da renda e de aumento das desigualdades, dentro e entre os países. Com base nesse quadro, compus o ensaio, que integrou uma compilação de trabalhos recentemente publicados. Continuando a aprofundar os estudos em torno do tema, como sempre faço, descobri que pelo menos duas afirmações minhas incluídas no ensaio era.
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- Preparado para o poder?: pense duas vezes antes de agir . As conseqüências econômicas da vitória, pa
- Nunca é demais lembrar uma frase sábia de um desses – mil perdões, mas o nome me escapa agora – técnicos de futebol, mais experientes do que diplomados, que não cansava de repetir a seus pupilos: “treino é treino, jogo é jogo”. Pois bem, isso se aplica, mutatis mutandis, à presente conjuntura de transição política, na qual uma velha maioria começa a ser substituída por uma nova, colocando a representação eleita da população em compasso mais afirmado com sua verdadeira maioria sociológica.
O exercício do poder, seja no Executivo, seja na Legislatura ou mesmo nas muitas instâncias estaduais e locais que passaram pelo terremoto da mudança paradigmática, exige uma série de qualidades administrativas que vão além da retórica eleitoral e muito além, isso também parece claro, das simulações mais ou menos impressionistas que são feitas nos programas de campanha e mesmo nas diretrizes programáticas para “uma nova realidade”. Como deve ser evidente a qualquer pessoa medianamente instruída, não basta proclamar que “um outro mundo é possível”, que “uma outra América idem” ou que “as mudanças estão ao alcance da mão”, para que esse mesmo mundo, como num passe de mágica, bata à porta no dia seguinte ao da posse. O papel aceita tudo, microfones idem, mas a realidade, esta é um pouquinho mais teimosa e renitente em se dobrar à nova vontade de poder das maiorias recém assumidas.
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- Sete Previsões Imprevidentes minha “caixa de surpresas” para o novo ano
- Todo final ou todo começo de ano é a mesma coisa: certos especialistas em prever o futuro fazem, pelos jornais e programas de rádio e TV, suas previsões sobre os fatos, processos, eventos, catástrofes (muitas), bondades (algumas) e outros cataclismos e fatalidades que devem ou podem ocorrer nos próximos doze meses. Dentre os especialistas convidados pelos meios de comunicação para antecipar o futuro que nos espera no ano que começa, há um pouco de todas as categorias: economistas, astrólogos, cientistas políticos, futurólogos, sociólogos, adivinhos, psicólogos, videntes, antropólogos, cartomantes, prospectólogos, pitonisas modernas, programadores de cenários, donas de bolas de cristal, estatísticos, jogadoras de búzios, meteorologistas, pais-de-santo, enfim, toda a gama de profissionais e de amadores que se dedicam de forma regular ou ocasional às artes científicas ou às práticas cabalísticas, segundo o gosto da clientela.
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- As novas teses de abril: sugestões para o próximo encontro nacional de um grande partido
- Não, não se trata de um conjunto de tarefas revolucionárias destinadas a enfrentar uma situação de guerra, de crise ou de transição entre regimes políticos opostos, como propunha, em abril de 1917, a um punhado de militantes minoritários – mas que tinham a pretensão de ser majoritários – um líder recém chegado do exílio. Ninguém no Brasil – salvo um pequeno bando de sonhadores neobolcheviques – está pensando em derrubar o capitalismo, nacionalizar os bancos, estatizar as propriedades fundiárias, dissolver o exército, expropriar a burguesia, abolir o regime parlamentar ou fundar uma nova Internacional.
(Adicionado: Lun Sep 18 2006 | Visitas: 100 | Colocação: 0.00 | Votos: 0)
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- O Plebiscito Impossível. Treze más razões para opor-se à Alca e uma boa para dizer não
- Circula na Internet um documento anônimo, mas cuja autoria fica evidente pelo seu conteúdo, intitulado “Plebiscito: Treze razões para dizer não à Alca”, que pretende oferecer argumentos para que o cidadão brasileiro recuse, num hipotético plebiscito nacional, um possível acordo hemisférico envolvendo 34 países das Américas, a Alca. Sua autoria é obviamente de opositores da Alca, cujo objetivo seria o de obter uma estrondosa rejeição, por parte do eleitorado brasileiro, desse ainda incerto acordo, mas a versão que recebi, transcrita in fine, não comporta assinatura dos responsáveis por sua redação ou responsabilidade intelectual por sua divulgação.
(Adicionado: Lun Sep 18 2006 | Visitas: 91 | Colocação: 0.00 | Votos: 0)
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- O Poder e a Glória: a questão das assimetrias no sistema internacional
- A noção pura de assimetria se refere a diferenças estruturais, que podem ser naturais ou adquiridas. No sistema internacional, o conceito aparece geralmente associado a conotações negativas, que se traduzem nos famosos diferenciais de poder político ou de poder econômico que separam os países do mundo. Essas assimetrias costumam dividir os países em um grupo restrito de nações poderosas – as superpotências –, um outro grupo intermediário de potências médias – que poderiam ser chamados de países emergentes, aqui com diversas qualificações – e, finalmente, o resto, isto é, países menores e sem grande peso na comunidade internacional, em termos políticos, econômicos ou demográficos.
(Adicionado: Lun Sep 18 2006 | Visitas: 89 | Colocação: 0.00 | Votos: 0)
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- Onde foram parar os manifestos econômicos de oposição?
- A frente de batalha está calma, a fumaça, o fragor e o cheiro de pólvora já se dispersaram, já não se vêem tantos mortos e feridos como anteriormente e os combatentes se retiraram por falta de munição ou, talvez, por falta de argumentos. Sim, estamos falando não de uma guerra verdadeira, não de um conflito bélico, ou sequer de uma contenda eleitoral, mas tão simplesmente de um enfrentamento ideológico, a formidável “batalha de idéias” que, durante praticamente dois anos, ocupou os corações e mentes de tantos militantes da causa, de tantos propugnadores de soluções fáceis para questões complexas, o combate em torno das posições de política econômica do governo atual.
(Adicionado: Lun Sep 18 2006 | Visitas: 85 | Colocação: 0.00 | Votos: 0)
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- A globalização e seus benefícios: um contraponto ao pessimismo
- O debate em torno do processo de globalização no Brasil (se de fato ele existe) tem sido singularmente marcado por uma espécie de unilateralismo conceitual, no qual o fenômeno tende a ser geralmente caracterizado de modo negativo, como se ele tivesse a capacidade de concentrar, de um lado, todos os vícios sociais e todas as torpezas morais do capitalismo realmente existente, sendo-lhe, na outra ponta, creditadas muito poucas virtudes econômicas, se alguma. Paradoxalmente, tudo se passa como se um pensamento único dominasse esse debate de idéias, impedindo de fato a expressão de argumentos não conformes a essa visão negativa do processo. Contrariamente ao que parece acreditar a coalizão dos altermundialistas – que poderiam ser identificados, à falta de melhor termo, como antiglobalizadores – não há, nem nunca houve, uma expressão uniforme e singular dos argumentos, forças ou grupos que se posicionam, de forma moderada ou aberta, em favor desse processo propriamente indomável e incontrolável (e que eles, de maneira errônea, identificam como representando um vago “consenso de Washington”).
(Adicionado: Mar Sep 05 2006 | Visitas: 99 | Colocação: 0.00 | Votos: 0)
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- A indiscutível leveza do neoliberalismo no Brasil: uma avaliação econômica e política da era neolibe
- Segundo vários críticos do “capitalismo realmente existente” no Brasil, o País estaria vivendo, desde o início dos anos 90, sob um regime “neoliberal”. Não partilho dessa opinião mas, para todos os efeitos práticos, vamos admitir que isso seja verdade. Em outros termos, teria ocorrido, na história econômica brasileira recente, um corte fundamental – epistemológico, diriam velhos adeptos do althusserianismo – entre, de um lado, o que vem sendo pregado, adotado e realizado em termos de políticas econômicas há aproximadamente uma década – ou seja, abertura econômica, liberalização comercial, privatizações, retirada do Estado de velhos monopólios (nem tão velhos assim, pois que criados, em sua maior parte, a partir dos anos 60), interdependência financeira, negociação de acordos comerciais, admissão de investimento estrangeiro em setores anteriormente reservados unicamente ao capital nacional etc. –, isto é, tudo o que se costuma designar por “políticas neoliberais”, e, de outro lado, o que se tinha e conhecia anteriormente como políticas e práticas do regime “normal” do capitalismo brasileiro no século XX: restrições comerciais e protecionismo, lei do similar nacional, lei de reserva do mercado para informática, ausência de patenteamento para medicamentos e biotecnologia de forma geral, impedimentos constitucionais ao investimento direto estrangeiro em vários setores, enfim, o que se conhece na literatura corrente como "desenvolvimento econômico com autonomia nacional e preservação da soberania".
(Adicionado: Mar Sep 05 2006 | Visitas: 92 | Colocação: 0.00 | Votos: 0)
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- Florestan Fernandes e a idéia de revolução burguesa no pensamento marxista brasileiro
- Itinerário teórico-prático da revolução burguesa no Brasil A idéia de revolução burguesa é consubstancial ao próprio desenvolvimento do marxismo no Brasil, conhecendo seus momentos de ascensão teórica ou de declínio prático, de projeção exclusiva no establishment intelectual ou de concorrência com outros modelos analíticos típicos da academia, pari-passu aos progressos teóricos ou percalços práticos da ideologia marxista no País. Essa noção perpassa grande parte da produção intelectual situada no campo teórico do marxismo, alcançando seu ponto máximo, enquanto “tipo-ideal” da conceitualização marxista sobre o desenvolvimento capitalista brasileiro, na obra do sociólogo Florestan Fernandes. O sociólogo paulista foi um dos mais brilhantes representantes do marxismo acadêmico no Brasil, elevando a interpretação marxista da história brasileira a um plano certamente elevado de conceitualização, sobretudo com o clássico A Revolução Burguesa no Brasil.
(Adicionado: Mar Sep 05 2006 | Visitas: 97 | Colocação: 0.00 | Votos: 0)
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- Ideologia da política externa: sete teses idealistas
- A reflexão irônica de Napoleão – já imperador, solidamente instalado no comando de seu império europeu e exercendo plenamente o poder – era dirigida, não sem ironia e desdém, contra aqueles que começavam a ser designados, segundo a expressão então cunhada por Destutt de Tracy, pelo conceito de ideólogos. Para Napoleão, esses litterati nouvelle manière – que de maneira otimista ou ingênua, acreditavam que poderiam influenciar a política dos príncipes – viviam concebendo grandes projetos de reforma da sociedade sem qualquer embasamento na realidade ou sem atender um mínimo compromisso com a coerência.
(Adicionado: Mar Sep 05 2006 | Visitas: 91 | Colocação: 0.00 | Votos: 0)
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- Um intercâmbio acadêmico: a cultura da esquerda em questão
- O debate acadêmico é sempre bem vindo, porque necessário à dimensão crítica do trabalho intelectual e mesmo indispensável para o avanço da racionalidade, stricto sensu, de todo e qualquer esforço analítico. A produção em circuito fechado é freqüentemente autista e auto-enganadora. Por isso, apenas posso saudar que este “espaço acadêmico” tenha, pela primeira vez, acolhido uma legítima resposta a um de meus artigos, no caso o texto de Robinson dos Santos, intitulado “‘Milk-shake’ indigesto ou sete equívocos de uma crítica à esquerda?: Réplica a Paulo de Almeida”, publicado no número 48, de maio de 2005. De fato não foi a primeira reação a texto meu – houve um caso anterior de comentários a minha dissecação da ideologia afro-brasileira, por acaso por um ítalo-brasileiro, como eu, o que certamente não diminuiu em nada o valor dos argumentos –, mas este foi o primeiro de modo explícito e direto. Como o editor ofereceu-me a possibilidade de réplica à réplica, pretendo nestes curtos parágrafos submeter o texto de meu comentarista a uma análise de forma e de substância.
(Adicionado: Mar Sep 05 2006 | Visitas: 104 | Colocação: 0.00 | Votos: 0)
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