A palavra “conte”, na terminologia de Jolles (1972), possui um significado muito concreto, pois refere-se ao conto que se escreve à maneira dos irmãos Grimm, ao “fairy tale”. Trata-se de um conto popular onde predomina a visão espontânea própria da “morale naïve” que não tem nada a ver com o conceito ético do bem ou do mal, como princípios absolutos.
A satisfação do conto popular reside não na “éthique de l' agissement”, isto é, na conduta moral da personagem, mas na “éthique de l' événement”, ou a recompensa da vítima.
O conto é um tipo de narrativa que se opõe, pela extensão, quer à novela, quer ao romance.
De facto, é sempre uma narrativa pouco extensa e a sua brevidade tem implicações estruturais: reduzido número de personagens; concentração do espaço e do tempo, acção simples e decorrendo de forma mais ou menos linear.
Embora o conto seja hoje uma forma literária reconhecida e utilizada por inúmeros escritores, a sua origem é muito mais humilde.
O interesse dos intelectuais pelo conto popular surgiu no século XVII, quando, em 1697, Charles Perraut publicou a primeira recolha de contos populares franceses, que incluía histórias tão conhecidas como "A Gata Borralheira", "O Capuchinho Vermelho" e "O Gato das Botas".
Esse interesse pela literatura popular acentuou-se no século XIX, com os trabalhos dos irmãos Grimm, na Alemanha, e Hans Christian Andersen, na Dinamarca.
No conto popular, o acontecimento real não é apresentado de uma maneira trágica. É substituído por um mundo que responde às exigências da moral ingénua.
Susana Quesado
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