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ABSTRACT
Desde o advento da teoria da informação, tomou-se consciência de que vivemos, hoje, num condicionamento diverso, num condicionamento sensorial simultâneo, que nos dá uma imagem da realidade que vai além do tridimensional. O visual vem sendo cada vez mais separado do verbal discursivo, para aliar-se num complexo inextrincável ao modo auditivo, e o tempo está chegando em que a ao mesmo complexo será agregado o modo olfativo. É importante destacar que no final do século passado delineou-se uma simbiose homem-máquina, e para este novo milênio anunciou-se uma situação em que será cada vez mais difícil discutir, ou melhor, distinguir a prótese do humano e a parte de carne da máquina. Neste contexto, apresentam-se algumas questões provocativas, consideradas relevantes para o tema proposto: Arte digital.
Palabras clave:
· adicción
· arte/bellas artes
· cultura
· globalización
· política
Atualmente a extrema complexidade da civilização moderna não permite a nenhuma atividade de ordem cientifica, cultural ou estética, desenrolar-se no isolamento. Impõe-se uma atividade globalizante em todos os sentidos, a tecnologia é condutora de todas as atividades e experiências operacionais e socializadora por excelência, determinando em grande parte os comportamentos e atitudes
Além de sua tendência globalizante, a época é típica de transformações técnicas e sociais que se sucedem dia a dia, recondicionando incessantemente a humanidade em todos os campos. Essa vertiginosa sucessão mudanicista é de tal ordem e se faz num tal ritmo que já se considera a taxa das mudanças técnicas como a medida do homem moderno.
Podemos considerar esta nova era como uma quarta fase evolutiva da humanidade, onde as condições sociais e culturais inteiramente inéditas e cumulativas acarretam um fenômeno de concentração sobre o presente de todas as energias criativas, que arranca os artistas de um isolacionismo individualista.
Desde o advento da teoria da informação, tomou-se consciência de que vivemos, hoje, num condicionamento diverso, num condicionamento sensorial simultâneo, que nos dá uma imagem da realidade que vai além do tridimensional. O visual vem sendo cada vez mais separado do verbal discursivo, para aliar-se num complexo inextrincável ao modo auditivo, e o tempo está chegando em que a ao mesmo complexo será agregado o modo olfativo.
Os estímulos dos meios de comunicação de massa, com a linguagem plurissensorial e fílmica, que não se afasta do concreto, têm sido um terrível acelerador das energias orgânicas exteriorizantes do sujeito. No plano psíquico-tecnológico está uma das chaves para a explicação dessa inquieta e quase neurótica obsessão da pesquisa, que domina os artistas mais audazes e criativos da época.
Nessa grave encruzilhada em que se encontra a arte, o artista é excitado por mil solicitações, vindas do mundo ambiente, cada vez mais amplo, mais complexo e surpreendente.
A posição do artista na contemporaneidade tende, assim, por um estranho retorno, a equiparar-se à do artista das cavernas do paleolítico, estigado, dia e noite, sensorial e magicamente pelas formidáveis excitações do seu mundo ambiente, enfim, permanentemente misteriosa, atuante, anímica como o Grande Ser, mas onde o artista caçador tinha de ir buscar as principais fontes de sua sobrevivência e de sua tecnologia.
No mundo aberto de hoje, trata-se ainda, e no fundo, de absorver, de abarcar campos cada vez mais vastos, na apreensão sensorial, e também substantiva, do mundo ou do universo, o que, afinal, desde a arte das cavernas, foi sempre a grande civilizadora da arte; do artista.
Uma outra questão de suma importância é que, perdido, com efeito, o contato com a Madre Natureza, esse homem vive em um mundo cada vez menos natural, ou cada vez mais artificial, quer dizer, em naturezas de 2o e 3o graus, onde sujeitos comuns se preparam para viver com corações transplantados, artificiais ou, como os primeiros argonautas poderão experimentar viver sem a linha da terra ou da gravidade debaixo dos pés.
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