A comunicação das informações contábeis aos tomadores de decisão:
a gestão do conhecimento dos indicadores financeiros
da Companhia Vale do Rio Doce após a Privatização

 

ABSTRACT

As decisões organizacionais devem ser tomadas com rapidez e qualidade. Para isso acontecer, a empresa necessita de um sistema de comunicação de suas informações. Este artigo tem por objetivo apresentar a análise dos indicadores financeiros da Companhia Vale do Rio Doce, demonstrando um estudo de uma estatal que foi privatizada em 1997 utilizando como base as demonstrações contábeis divulgadas pela empresa. Através desta análise foi possível chegar à conclusão que a empresa estudada obteve resultados favoráveis aos acionistas depois de sua privatização, conseguindo aumentar, com base no crescimento sustentável, sua competitividade e produtividade, utilizando-se de técnicas atualizadas na gestão estratégica, comprovadas através dos indicadores financeiros demonstrados, dando sustentação às decisões tomadas pelos usuários dessas informações.

Palabras clave:
 
· comunicación
 
· economía
 
· empresa
 
· gestión del conocimiento
 
· información

 

INTRODUÇÃO

Atualmente, o mundo passa por diversas mudanças e o ambiente empresarial é um dos que mais são atingidos, por diversos motivos: concorrência, globalização, tecnologia, conhecimento, entre outros. As inter-relações neste ambiente são constantes e a informação, aliada à comunicação, trazem os diferenciais competitivos nesse ambiente. Com isso, as organizações necessitam de sistemas de informações que ordenem e gerenciem as informações necessárias aos usuários para subsidiar o processo decisório. Os fatos contábeis registrados devidamente constituem em um rico banco de dados que geram informações importantes aos usuários internos e externos da empresa.

O sistema de informação contábil geram as demonstrações financeiras que serão divulgadas aos usuários interessados. No Brasil, as empresas de capital aberto, regidas pela lei 6.404/76 são obrigadas a publicar suas demonstrações financeiras e evidenciar nas notas explicativas, também se faz necessário a auditoria independente dessas informações prestadas à comunidade.

Muitos são os interessados nessas informações que deverão dar suporte informativo adequado para sua correta utilização e que sustentarão as decisões tomadas. Com isso, verificamos a importância da informação como fator fundamental, para que os fatos evidenciados sejam explicados de forma clara, segura e confiável.

A comunicação é função básica da atividade contábil, na medida em que se reconhece que sua missão é identificar, mensurar e comunicar os eventos que afetam o patrimônio das organizações, a linguagem utilizada na evidenciação contábil permite uma compreensão satisfatória dos elementos que podem afetar as decisões econômico-financeiras dos usuários da Contabilidade.

Um dos principais objetivos da análise financeira, segundo Silva (2004: 68) é o fornecimento de subsídios para a tomada racional de decisão de concessão de crédito e de investimento, a partir de informações de boa qualidade. Um dos métodos de análise financeira é através dos indicadores financeiros, que proporciona uma posição da empresa em relação à liquidez, endividamento, rentabilidade e solvência.

A partir de norteadores tais como os relatórios contábeis mais importantes como o Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício, juntamente com os Indicadores de Liquidez e Rentabilidade, de 1996 até 2002, da Companhia Vale do Rio Doce, efetuando-se uma análise das Demonstrações Financeiras, o que tornou possível identificar qual o cenário antes da privatização e depois dela, qual a tendência da empresa, em que situação se encontra atualmente, daí a importância deste trabalho em apresentar uma visão sobre o "modus operandi" no desenvolvimento dessas demonstrações para as organizações. O presente trabalho procura dar uma contribuição aos usuários das informações contábeis da Companhia Vale do Rio Doce com base nos dados das demonstrações financeiras extraídos do seu site dos principais indicadores financeiros utilizados para a tomada de decisão.

 

ANÁLISE FINANCEIRA

Fundamentando-nos em Silva (1999) podemos dizer que a análise financeira de uma empresa consiste num exame minucioso dos dados financeiros disponíveis sobre a empresa.

Para que possamos analisar uma empresa no seu aspecto financeiro, devemos levar em consideração os aspectos internos e externos que contribuem para a tomada de decisões na empresa.

"Os aspectos internos que devemos levar em consideração são a forma de organização interna da empresa, sua estrutura a nível gerencial e seus projetos para a permanência e evolução da organização. Como aspectos externos, o nível de economia, a política econômica do país e seus clientes, fornecedores e concorrentes". (SILVA, 1999: 21-22)

Por sua vez, as Demonstrações Financeiras mostram aos seus usuários as condições financeiras da empresa num determinado período e prestam grande contribuição na avaliação dos riscos e potencialidades de retorno da empresa. Podemos observar a quantidade de dados existentes nas Demonstrações Financeiras das sociedades anônimas, visto que elas são obrigadas por lei a publicar suas Demonstrações.

Na opinião de Silva (1999: 71), as Demonstrações Financeiras representam "um canal de comunicação da empresa com diversos usuários internos e externos. Um relacionamento sério e transparente, com os investidores, credores, analistas e demais interessados em conhecer a empresa, é parte do contexto que transcende a esfera contábil e fiscal e atinge uma dimensão ética. As empresas conscientes de seus papéis no relacionamento com acionistas, investidores, credores, fornecedores, clientes, governos e empregados têm procurado cada vez mais municiar esses interessados com informações que sejam facilitadoras de suas tomadas de decisões". (SILVA, 1999: 71)

Devemos, contudo, de acordo com esse autor, realizar as Demonstrações Financeiras de uma forma clara e objetiva, para que possamos manter e aumentar a quantidade de acionistas, mantendo boas relações com os demais usuários.

As sociedades anônimas fazem não somente as publicações das Demonstrações Financeiras exigidas pelo artigo 176 da Lei 6.404/76, mas também as Notas Explicativas, Parecer dos Auditores e outros quadros analíticos que se tornam necessários para o esclarecimento da situação patrimonial da empresa. Portanto, as empresas de capital aberto são aquelas que possuem ações negociadas na bolsa de valores, são regidas pela lei 6.404/76 e que são auditadas por auditores independentes, devendo publicar anualmente suas Demonstrações Contábeis.

 

BALANÇO PATRIMONIAL

Na opinião de Crepaldi (1999) o Balanço Patrimonial é um demonstrativo contábil que, em dado momento, apresenta de forma sintética e ordenada, as contas patrimoniais agrupadas de acordo com a natureza dos bens, direitos ou obrigações que representam e tem por finalidade apresentar a situação patrimonial em dado momento. Ele reflete, conforme Silva (1999) a posição financeira em determinado momento, normalmente no fim do ano ou de um período prefixado. É a demonstração que encerra a seqüência dos procedimentos contábeis, apresentando de forma ordenada os três elementos componentes do patrimônio de acordo com Marion (1998: 65): Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido.

A grande importância do Balanço reside na visão que ele dá das aplicações de recursos feitas pela empresa (Ativos) e quantos desses recursos são devidos a terceiros (Passivos). Isto evidencia o nível de entendimento, a liquidez da empresa, a proporção do capital próprio (Patrimônio Liquido) e outras análises a serem verificadas. A visão de dois ou mais balanços consecutivos mostra facilmente a movimentação ocorrida no período e como a estrutura patrimonial e financeira se modificou no mesmo. A apresentação dos elementos patrimoniais assume grande importância, pois se trata de peça contábil utilizada para revisão e análise dos negócios.

Com o propósito de reduzir excessos de heterogeneidades, caso os responsáveis pela empresa agissem livremente na preparação da demonstração, são estabelecidos certos princípios gerais sobre a forma de apresentação do Balanço, de acordo com a lei 6.404/76.

A classificação das contas depende da natureza da empresa e da função de cada uma no conjunto. A liquidez é comumente utilizada como parâmetro. A lei brasileira classifica os ativos dos mais líquidos aos menos líquidos. Os europeus costumam fazer o contrario. A adoção de agrupamentos padronizados e oficiais é útil, porque facilita a preparação das demonstrações, analises, interpretações, comparações e estudos estatísticos.

 

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE)

Essa demonstração, segundo Assaf (2003), tem como finalidade exclusiva apurar o lucro ou prejuízo de exercício; depois, esse resultado é transferido para lucros ou prejuízos acumulados. A DRE é, segundo Crepaldi, (1999), um resumo que apresenta, dentro de certa ordenação, os saldos finais dos movimentos das contas do sistema de resultado. Evidencia, conforme Iudícibus (1998), de uma forma estruturada, os componentes que provocaram a alteração na situação líquida patrimonial em determinado período, e mostra se a empresa auferiu lucros ou incorreu prejuízos em determinado período.

Iudícibus (1998: 145-146) afirma que:

"A contabilidade, com os dois relatórios, o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício, um completando o outro, atinge a finalidade de mostrar a situação patrimonial e econômico-financeira da empresa. Com os dois relatórios, qualquer pessoa interessada nos negócios da empresa tem condições de obter informações, fazer análises, estimar variações, tirar conclusões de ordem patrimonial e econômico-financeira e traçar novos rumos para futuras transações". (IUDÍCIBUS, 1998, p.145-146)

A DRE procura estruturar e ordenar a movimentação das contas de resultado que, transitoriamente, recebe, de acordo com Marion (1998), todas as receitas, custos/despesas da empresa. Esta Demonstração é obrigatória para as empresas que estão sob os critérios da lei 6.404/76 conforme determina o seu art. 175. Esta lei define o conteúdo da Demonstração do Resultado do Exercício, que deverá ser apresentado na forma dedutiva, com os detalhes necessários das receitas, despesas, ganhos e perdas e definindo claramente o lucro ou prejuízo líquido do exercício, e por ação.

 

A COMUNICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES CONTÁBEIS AOS USUÁRIOS: EVIDENCIAÇÕES E PUBLICAÇÕES

As evidenciações devem ser destacadas, de acordo com Marion (1998, p.435), no sentido de auxiliar o usuário das Demonstrações Financeiras a entendê-las melhor. Visam apresentar esclarecimentos necessários aos usuários.

Conforme fundamentado em Marion (1998, p.435-436):

"As evidenciações destacadas devem ser relevantes quantitativa e qualitativamente. Quando ocorre mudança nos procedimentos contábeis, de um ano para outro, deve ser destacada se a repercussão no resultado for relevante (significativa). Elas podem estar mencionadas na forma descritiva, na forma de quadros analíticos suplementares ou em outras formas. As principais evidenciações são as notas explicativas, quadros analíticos, informações entre parênteses, comentários do auditor, relatório da diretoria entre outras". (MARION, 1998: 345-346)

Utilizando-se das informações evidenciadas, os seus usuários terão mais segurança na tomada de decisões.

Conforme afirma Assaf (2003: 96):

"Todas as companhias abertas são obrigadas a publicar, com suas demonstrações financeiras, o parecer dos auditores independentes. Esse parecer procura dizer se foram ou não aplicadas as normas tradicionais da Auditoria Externa, que demonstrações foram auditadas e o Parecer dos Auditores quanto a estarem tais demonstrações dentro dos princípios contábeis em utilização e também quanto à prática uniforme, ou não , ao longo do tempo, dos mesmos critérios contábeis". (ASSAF, 2003: 96)

Normalmente ocorre que informações contidas nos comentários do auditor constam nas Notas Explicativas. Esta dupla evidenciação traz maior segurança para o usuário das Demonstrações Financeiras.

Contudo, a Análise Financeira vem sendo focalizada como de grande importância para o equilíbrio organizacional das empresas, sendo co-responsável pelo sucesso dos negócios. Dentro desta perspectiva que o estudo se apresenta. A seguir evidenciaremos os procedimentos metodológicos utilizados.

 

METODOLOGIA DE TRABALHO

Como procedimentos metodológicos de operacionalização dos objetivos propostos em razão da realização da pesquisa exploratório-descritiva, foram adotados, com base em Marconi; Lakatos (1999), Gil (1999) e Fachin (2003), os seguintes:

a) Definição do universo de pesquisa: a escolha do universo/realidade estudada recaiu na Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), considerando-se a sua privatização e enquanto empresa nacional de capital aberto, de alta influência no mercado brasileiro e internacional de exportação de minério de ferro, matéria-prima que está diretamente relacionada ao desenvolvimento sustentável. O nosso foco de observação na referida empresa foi definido mediante a identificação de indicadores de análise financeira, calculados com base nas demonstrações contábeis publicadas no site da empresa.

b) Métodos e técnicas utilizadas: como métodos utilizou-se a observação direta e indireta para levar a efeito os seguintes procedimentos citados a seguir.

c) Pesquisa/revisão bibliográfica: efetuada pesquisa junto à literatura nacional sobre o tema central "Análise das Demonstrações Financeiras", procurando construir um referencial de apoio ao desenvolvimento da pesquisa.

d) Pesquisa documental: desenvolvida a pesquisa documental junto ao site da Companhia Vale do Rio Doce (http://www.cvrd.com.br) para a identificação dos relatórios/demonstrações contábeis que foram utilizados no estudo de caso, efetuando o cálculo dos indicadores financeiros para comparação entre eles no período de 1996 até 2002.

 

ANÁLISE ATRAVÉS DOS INDICADORES DE LIQUIDEZ E RENTABILIDADE

Utilizou-se, como passo metodológico seguinte, a análise através dos indicadores financeiros identificados junto ao site da Companhia Vale do Rio Doce. Tal análise esteve apoiada no seguinte conceito de Assaf (2003: 97):

"A análise das demonstrações financeiras visa o estudo do desempenho econômico-financeiro de uma empresa em determinado período passado, para diagnosticar, em conseqüência, sua posição atual e produzir resultados que sirvam de base para a previsão de tendências futuras. O que se pretende avaliar na realidade são os reflexos que as decisões tomadas por uma empresa determinam sobre sua liquidez, estrutura patrimonial e rentabilidade". (ASSAF, 2003: 97)

A técnica mais empregada na análise de empresas baseia-se, segundo Assaf (2003) na apuração dos índices econômicos-financeiros, que são extraídos basicamente das demonstrações financeiras levantadas pelas empresas.

Ainda estivemos apoiados em Matarazzo (1998) que comentou ser o índice a relação entre contas ou grupo de contas das Demonstrações Financeiras, que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa. Os Indicadores Financeiros são ferramentas de comparação e investigação das relações entre as diferentes informações financeiras. É uma das formas mais importantes de análise das empresas pelos tomadores de decisões. Aos usuários externos das informações econômico-financeiras da empresa, estas técnicas de análise através dos indicadores são de grande utilidade para que possam conhecer a situação e a evolução previsível da empresa. Para os usuários internos, os dirigentes podem usar as informações para a tomada de decisões, buscando eliminar os pontos fracos e aproveitar os pontos fortes, para que os objetivos da empresa sejam alcançados. A análise através dos indicadores é uma parte da análise global que se pode fazer acerca de uma empresa.

Além disso, um outro conceito importante que auxiliou nossa pesquisa é de Silva (1999: 228), que indicou como medida relativa de grandeza, que o índice deve nos permitir:

Inicialmente, que compreendamos seu significado que é o ponto de partida para podemos analisar a relação das partes das demonstrações financeiras que ele apresenta; que possamos comparar sua evolução histórica numa mesma empresa, a partir da observação de seu comportamento ano a ano; que numa mesma época ou momento, possamos comparar o índice de uma empresa em particular com o mesmo índice relativo a outras empresas de mesma atividade, porte e região geográfica, para sabermos como está a empresa em relação às suas principais concorrentes ou mesmo em relação aos padrões do seu segmento de atuação. (SILVA, 1999: 228)

As demonstrações utilizadas, Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício da Companhia Vale do Rio Doce, objeto de estudo desta pesquisa, dos anos de 1996 até 2002 e, identificados mediante consulta junto ao site da empresa. As análises foram efetuadas mediante a aplicação dos seguintes grupos de indicadores:

  • Indicadores de Liquidez e
  • Indicadores de Rentabilidade.

 

RESULTADOS E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

Como produto da metodologia desenvolvida e descrita anteriormente, os seguintes resultados foram obtidos seguindo-se os comentários e interpretação a respeito.

 

INDICADORES DE LIQUIDEZ

Os Indicadores de Liquidez, como afirma Assaf (2003), proporcionam informações sobre a liquidez da empresa e consiste na capacidade da empresa de pagar suas contas no curto prazo. Estes indicadores são de grande interesse dos credores de curto prazo. Como os Administradores Financeiros operam constantemente com bancos e outros fornecedores de recursos a curto prazo, é essencial o conhecimento desses indicadores.

INDICES DE LIQUIDEZ DA CVRD DE 1996 ATÉ 2002

Fonte:
Companhia Vale do Rio Doce. Disponível em
http://www.cvrd.com.br. Acesso: maio 2003.

ÍNDICE DE LIQUIDEZ CORRENTE (ILC)

Assaf (2003) comenta que este índice refere-se à relação existente entre o ativo circulante e o passivo circulante. Indica quanto a empresa possui em Bens e Direitos realizáveis no curto prazo comparando com suas Obrigações a serem pagas no mesmo período. É obtido através do seguinte cálculo:

Onde:

  • ILC: Índice de Liquidez Corrente;
  • AC: Ativo Circulante;
  • PC: Passivo Circulante.

A companhia manteve o índice de liquidez corrente estável nos anos de 1996 até 1999, obtendo uma variação de 1,20 a 1,25 durante o período. No ano 2000, houve queda para 1,19 para cada real do ativo circulante, onde no ano seguinte, houve boa evolução para 1,36. em 2002, o aumento foi considerável e a companhia obteve o melhor resultado do período pesquisado, chegando a 1,60. isso mostra a capacidade da CVRD de saldar suas obrigações de curto prazo com os seus recursos disponíveis de mesmo prazo.

ÍNDICE DE LIQUIDEZ SECA (ILS)

Este índice é obtido, conforme afirma Assaf (2003), mediante o relacionamento dos ativos circulantes de maior liquidez com o total do passivo circulante, ou seja, extrai-se a conta estoques do ativo circulante. O Estoque muitas vezes é o ativo circulante menos líquido. Também é o ativo para o qual os valores contábeis são menos confiáveis como medidas de valor de mercado, pois a qualidade do estoque não é levada em conta. Parte do estoque pode acabar, na verdade, sendo representada por bens danificados, obsoletos ou pode haver alguma perda. Além disso, estoques relativamente grandes comumente sinalizam dificuldades próximas. A empresa pode ter superestimado suas vendas e comprado mercadorias ou produzido bens em quantidade excessiva. Nesse caso, uma parcela substancial da liquidez da empresa pode estar presa em estoques de giro muito lento. É obtido, segundo Assaf (2003), através do seguinte cálculo:

Onde:

  • ILS: Índice de Liquidez Seca;
  • AC: Ativo Circulante;
  • E: Estoques;
  • PC: Passivo Circulante

Podemos notar que no gráfico da variação do índice de liquidez seca do período pesquisado que houve leve variação durante os anos de 1996 a 2001. em 2002 identificamos o melhor resultado do período. Consideramos que a companhia controla adequadamente este índice, que retira os estoques do cálculo, como também busca melhorá-lo, comprovado com a evolução nos dois últimos anos pesquisados.

ÍNDICE DE LIQUIDEZ GERAL (ILG)

Este indicador financeiro, conforme afirma Assaf (2003), retrata a saúde financeira a longo prazo da empresa. Indica quanto a empresa possui em Bens e Direitos realizáveis a curto prazo e longo prazo comparando com suas Obrigações a serem pagas no mesmo período. É obtido através do seguinte cálculo:

Onde:

  • ILG: Índice de Liquidez Geral;
  • AC: Ativo Circulante;
  • RLP: Realizável a Longo Prazo;
  • PC: Passivo Circulante;
  • ELP: Exigível a Longo Prazo.

Comparamos com este indicador o controle das obrigações de curto e longo prazos face aos recursos de mesmo período. Percebemos uma evolução deste índice de 1996 até 1999, fato importante, onde o seu melhor resultado foi em 1999. em 2000, houve queda de 18,5% em relação ao ano anterior. Estabilizou-se e se manteve nos anos de 2000 a 2002. isso mostra que a empresa nos três últimos anos aumentou suas dívidas de curto e longo prazos.

ÍNDICE DE DISPONIBILIDADES (ID)

Demonstra, segundo Marion (1998), a capacidade de pagamento imediato da empresa. Expressa a fração de reais que a empresa dispõe de imediato na conta Caixa e Bancos para saldar suas dívidas. Um credor de prazo muito curto é interessado nessa informação. É obtido através do seguinte cálculo:

Onde:

  • ID: Índice de Disponibilidades (Caixa e Bancos)
  • PC: Passivo Circulante

Nos dois primeiros anos da pesquisa, notamos que o índice de disponibilidades da CVRD foi muito baixo, devido ao saldo disponível nas contas caixa e bancos serem baixos em relação as dívidas de curto prazo. A sua possibilidade de saldar as obrigações de curto prazo com as suas disponibilidades imediatas aumentaram consideravelmente no ano de 1998, comparado ao ano anterior, onde a variação foi de 5.000%. A partir de 1998 até 2002, houve uma estabilização deste indicador, onde notamos que a companhia pesquisada efetuou um bom controle deste indicador, obtendo um resultado em 2002 como o melhor do período pesquisado, idêntico também ao ano de 1999, conseguindo nestes anos ter disponível imediatamente 63% de recursos para saldar suas dívidas de curto prazo.

INDICADORES DE ENDIVIDAMENTO

Os Indicadores de Endividamento, conforme fundamentado em Assaf (2003), mede a capacidade da empresa de saldar as obrigações a longo prazo. As políticas operacionais e a capacidade de geração de lucro da empresa também afetam esta família de indicadores, que medem os níveis de imobilização de recursos próprios, relacionam a composição de Capital e buscam diversas relações na estrutura e na qualidade da dívida da empresa. São compostos pelos Índices de Endividamento Geral, Capital de Terceiros em Relação ao Capital Próprio, Cobertura de Despesas Financeiras e de Cobertura de Disponibilidades.

INDICADORES DE ENDIVIDAMENTO DA CVRD DE 1996 ATÉ 2002

<CENTER http://www.cvrd.com.br.

Acesso: maio 2003.

 

ÍNDICE DE CAPITAL DE TERCEIROS SOBRE OS RECURSOS TOTAIS

Hoji (2003) comenta que este indicador demonstra a quantidade de capital de terceiros utilizados pela empresa em relação ao total aplicado em Bens e Direitos no Ativo. É calculado de acordo com a fórmula abaixo:

Onde:

  • CTRT: Capital de Terceiros sobre os Recursos Totais
  • PC: Passivo Circulante
  • ELP: Exigível a Longo Prazo
  • PT: Passivo Total

Houve um aumento do índice de capital de terceiros sobre os recursos totais no ano de 1997 em comparação a 1996, onde a variação foi de 8,4%. Em 1998, houve queda desta participação em relação a 1997. Já em 1999, inicia-se uma progressão deste índice até 2002. Neste ano notamos que a participação de capital de terceiros na companhia foi de 60,9%.

ÍNDICE DE CAPITAL DE TERCEIROS EM RELAÇÃO AO CAPITAL PRÓPRIO

Outra análise interessante é quando comparamos o Capital de Terceiros com o Capital Próprio. Assaf (2003) comenta que esta relação é medida quando somamos o Passivo Circulante e o Exigível a Longo Prazo e dividimos este valor pelo Patrimônio Líquido. Utilizamos para obtermos este cálculo a seguinte fórmula:

Onde:

  • RCTCP: Relação Capital Terceiros e Capital Próprio
  • PC: Passivo Circulante
  • ELP: Exigível a Longo Prazo
  • PL: Patrimônio Líquido

Notamos que houve aumento da participação de capital de terceiros em relação ao capital próprio no período de 1996 a 2002, onde as maiores variações foram em 2000 em comparação com 1999 e em 2002 em relação a 2001. importante destacar que a empresa não pode se exceder na alavancagem em capital de terceiros, visto que pode comprometer a saúde financeira da empresa.

ÍNDICE DE COBERTURA DE DESPESAS FINANCEIRAS

Analisamos, conforme Silva (1999), a posição da empresa em relação à cobertura das obrigações com as Despesas Financeiras através deste indicador, onde este nos mostra se a empresa utiliza demasiadamente recursos de terceiros através de empréstimos, gerando com isso consideráveis aumentos das Despesas Financeiras pela obrigação do pagamento de juros dos empréstimos e ou financiamentos contraídos. Para calcularmos as condições que a empresa possui para saldar esta modalidade de Despesas utilizamos o cálculo a seguir:

Onde:

  • ICDF: Índice de Cobertura de Despesas Financeiras
  • LAJI: Lucro Antes dos Juros e Impostos
  • DF: Despesas Financeiras

O ICDF da CVRD nos anos de 1996 e 1997 foram baixos, porém, com resultados que cobrem parte destas despesas. De 1998 até 2002, a companhia aumenta suas despesas financeiras, fazendo com que este índice estivesse descoberto, alcançando um pico em 2001. Já em 2002, o resultado melhorou consideravelmente em relação a 2001, onde a melhoria da cobertura das despesas financeiras foi de 92%.

ÍNDICE DE COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO

Indica, segundo Silva (1999), quanto da dívida total da empresa deverá ser paga no curto prazo, comparada com as obrigações totais. É calculado através da seguinte fórmula:

Onde:

  • ICE: Índice de Composição do Endividamento
  • PC: Passivo Circulante
  • ELP: Exigível a Longo Prazo

Observamos que a companhia vem aumentando sua composição do endividamento analisando os anos de 1996 a 1999, ano este que obteve o pico de endividamento no curto prazo em relação ao endividamento total com terceiros, onde o aumento desta composição foi de 26,6% no período acima mencionado. Percebemos que a partir de 2000 até 2002 a companhia vem utilizando mais recursos de terceiros de longo prazo, fazendo com que este índice diminuísse e também o risco de liquidez de curto prazo, onde a queda da variação, de 1999 a 2002 foi de 33,3%.

INDICADORES DE RENTABILIDADE

Estes indicadores visam, segundo Assaf (2003), avaliar os resultados auferidos por uma empresa em relação as determinados parâmetros que melhor revelem suas dimensões. Eles mostram o grau de sucesso econômico da empresa. Associam as receitas, lucro líquido, ativo total, e patrimônio líquido. Este grupo é composto pelos Índices de Margem de Lucro, Rentabilidade do Ativo e Retorno do Patrimônio Líquido.

INDICADORES DE RENTABILIDADE DA CVRD DE 1997 ATÉ 2002

Fonte: Companhia Vale do Rio Doce. Disponível em http://www.cvrd.com.br
Acesso: maio 2003.

 

ÍNDICE DE MARGEM DE LUCRO

Este indicador analisa, segundo Assaf (2003), a relação do Lucro Líquido com a Receita Operacional Líquida. As empresas dão muita atenção às suas Margens de Lucro onde a maioria delas utiliza estes dados nos projetos orçamentários dos períodos seguintes. Obtemos este resultado através do seguinte cálculo:

Onde:

  • IML: Índice de Margem de Lucro
  • LL: Lucro Líquido
  • ROL: Receita Operacional Líquida

Podemos analisar que houve um aumento de 31,2% em 1997 comparando com 1996, ano este que obteve o menor resultado no período pesquisado. Também houve aumento de 42,6% da margem de lucro líquido em 1998 comparando com 1997. Já em 1999, a companhia incorreu em queda desta margem de 9%. Voltou a crescer em 2000, em relação ao ano anterior 24,8%. Em 2001, a companhia obteve a maior margem do período pesquisado, sendo esta de 28,85%, ocorrendo um aumento de 29% em comparação ao período anterior. Houve queda desta margem no ano de 2002 de 51,8% ocasionada principalmente pela diminuição do lucro líquido do período em relação ao ano anterior, onde, no mesmo período, houve aumento da receita operacional líquida.

ÍNDICE DE RENTABILIDADE DO ATIVO

Indica, conforme as afirmações de Matarazzo (1998), a lucratividade que a empresa propicia em relação aos investimentos totais. É uma medida de potencial de geração de lucro da empresa. Este conceito é muito utilizado na área de finanças onde o lucro é caracterizado como uma espécie de prêmio pelo risco do investimento na empresa. Podemos obter este resultado através do seguinte cálculo:

Onde:

  • RSA: Retorno Sobre o Ativo
  • LL: Lucro Líquido
  • AT: Ativo Total

Com a análise do índice de rentabilidade do ativo, percebemos um crescimento constante de 1996 até 2001, onde a seu aumento foi de 290,9% no período, onde em 1996 a companhia obteve seu menor resultado, e o melhor em 2001. Em 2002 houve queda do índice de 47,3% ocasionada principalmente pelo aumento do ativo total e pela queda do lucro líquido, comparando ambos com os resultados do período anterior.

ÍNDICE DE RETORNO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Este indicador segundo Matarazzo (1998) é uma medida de desempenho do investimento dos acionistas durante o ano. Como a empresa deve beneficiar os acionistas, o RSPL (Retorno Sobre o Patrimônio Líquido) é, num sentido contábil, a verdadeira medida de desempenho em termos de lucro, podendo ser comparada com os investimentos oferecidos pelo mercado financeiro.

Onde:

  • RSPL: Retorno Sobre o Patrimônio Líquido
  • LL: Lucro Líquido
  • PL: Patrimônio Líquido

A companhia obteve boa evolução deste indicador de 1996 até 2001, onde o menor resultado foi em 1996 e o melhor do período pesquisado foi em 2001. Comparando o menor resultado com o maior, obtemos um aumento de 413,5%. Em 2002 houve queda de 38,2% do indicador, ocasionada principalmente pela queda do lucro líquido e aumento do patrimônio líquido comparando com o período anterior.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na pesquisa desenvolvida, ficou evidenciada a importância das Demonstrações Financeiras para acompanhar o andamento das atividades das empresas em geral. Como principais finalidades das Demonstrações Financeiras, tem-se a de levar ao conhecimento dos sócios, acionistas, credores, investidores e os interessados em geral a situação patrimonial, situação econômica (resultados ou rentabilidade do negócio) e a situação financeira (liquidez, solvência, endividamento) da companhia em questão.

A Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) tornou obrigatória a divulgação das Demonstrações Financeiras, para as Companhias Abertas, ou seja, aquelas que tem ações negociadas na bolsa de valores. A referida Lei também dispôs sobre a atuação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), tudo visando proteger os acionistas em geral. Embora, aparente-se a necessidade de somente as S/As ou Cias. (Companhias) cumprir tal divulgação, na prática a referida Lei (6.404/76) também é aplicável às demais sociedades, também em relação as Sociedades por Quotas de Responsabilidade Limitada (Ltda.), pois essas sociedades (as limitadas) muitas vezes para obtenção de créditos ou financiamentos e estudos de viabilidade econômica são solicitadas, pelos Bancos, órgãos do governo ou investidores à apresentar suas Demonstrações Financeiras nos moldes exigidos pela Lei das S/As.

Portanto, a importância das Demonstrações Financeiras está intimamente ligada à sua divulgação junto aos sócios, acionistas, investidores, credores e interessados em geral para se ter o devido conhecimento da situação em que se encontra uma determinada sociedade e os riscos que essa possa oferecer, bem como transmitir de forma clara e objetiva as informações demonstradas nesses relatórios para o completo esclarecimento e entendimento, facilitando com isso a tomada de decisão, principalmente se estas informações tão úteis estiverem disponibilizadas em um meio de comunicação de fácil e rápido acesso, como a Web. Aos contabilistas em geral, cabe a responsabilidade de elaborar demonstrações financeiras fidedignas, ou seja, que expressem a verdadeira situação da empresa seja quanto aos seus lucros, sua situação financeira e situação patrimonial. A análise das Demonstrações Financeiras não pode ser tida como a solução dos problemas empresariais, haja vista, que no seu desenvolvimento a seleção de indicadores adotados poderá demonstrar mais problemas do que soluções, entretanto, se utilizado de forma consciente se transformará num verdadeiro painel de controle da administração de negócios para o acompanhamento gerencial e dos usuários externos.

 

BIBLIOGRAFIA

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"Este artículo es obra original de Carlos Eduardo Oliveira y su publicación inicial procede del II Congreso Online del Observatorio para la CiberSociedad: http://www.cibersociedad.net/congres2004/index_es.html"

Carlos Eduardo Oliveira
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