Doenças de Origem Alimentar Causadas por Parasitas



  1. Resumo
  2. Cryptosporidium parvum. Características do microrganismo
  3. Epidemiologia
  4. Vigilância epidemiológica
  5. Toxoplasma gondii. Características do microrganismo
  6. Características da doença
  7. Epidemiologia
  8. Toxoplasmose congênita
  9. Toxoplasmose ocular
  10. Epidemiologia
  11. Testes de detecção de anticorpos
  12. Testes de detecção de antígeno viral
  13. Métodos de diretos
  14. Bibliografías consultadas

Criptosporidiose e Toxoplasmose

RESUMO

São denominadas de "foodborne" todas as doenças veiculadas por alimentos. Mais de 250 doenças são descritas nesse grupo, havendo uma variedade de agentes etiológicos, tais como: biológicos, físicos e químicos. Apesar de apresentar evolução favorável e auto-limitada, na grande maioria dos casos, pode representar importante causa de morbidade na infância.

O Toxoplasma gondii que é transmitido ao homem por diversas maneiras, sendo uma das mais importantes via alimento, através da ingestão de carne mal cozida contendo cistos de Toxoplasma; pela ingestão de oocistos provenientes de mão contaminada por fezes ou alimento e água. O Cryptospridium parvum é transmitido via Fecal-oral, de animais para o homem ou entre pessoas, pela ingestão de oocistos, que são formas infecciosas e esporuladas do protozoário, que contaminam reservatórios de água e alimentos.

De acordo com Weber e Rutala (2001), os profissionais que atuam com o controle de infecção cada vez mais terão contato com patógenos emergentes no ambiente hospitalar em decorrência da maior sobrevida de pacientes imunologicamente comprometidos, aquisição e disseminação de genes de resistência e virulência microbiana, capacidade de sobrevivência em novos nichos ecológicos, maior utilização de procedimentos invasivos, microrganismos com virulência desconhecida, e subnotificação decorrente de dificuldades técnicas para reconhecimento e classificação taxinomônica.

Cryptosporidium parvum

CARACTERÍSTICAS DO MICRORGANISMO

Cryptosporidium é um protozoário que infecta a região das microvilosidades das células do epitélio intestinal e/ou a árvore brônquica de mais de 150 espécies de vertebrados, é um parasita intracelular obrigatório e tem como forma infectante oocistos que são eliminados nas fezes do hospedeiro (Fayer et al., 2000). É um parasita não-específico; ou seja, se desenvolve satisfatoriamente em vários tipos de hospedeiros como bovinos, suínos, aves, ratos, e também o homem (MARTINS, 1995). Apresenta um ciclo monoxêmico, necessitando de somente um hospedeiro para viver. Por ser de ciclo monoxêmico os oocistos já são expelidos em forma ativa, não necessitando de nenhum outro evento para ser viável à infecção (COSTA&ACHÊ).

No período de 1990 a 2001 foram relatadas as seguintes espécies com seus respectivos hospedeiros: C. parvum e C. muris, em mamíferos e roedores, respectivamente; C. meleagridis e C. baileyi em aves; C. serpentis e C. saurophillum, em répteis; C. nasorum, em peixes; C. felis, em felinos; C. wairi, em porquinho da índia; e C. andersoni, em bovinos (Thompson, 2002). Mais recentemente, duas novas espécies foram descritas: C. canis, em cães e C. molnari, em peixes (Xiao et al., 2000; 2002).

Há alguns anos cresce de modo gritante as infecções em humanos, incluindo epidemias em várias cidades populosas dos Estados Unidos. Atualmente, a criptosporidíase é reconhecida como importante infecção oportunista, especialmente quando o hospedeiro é HIV-positivo. O primeiro caso, em seres humanos, foi reportado em 1976 (FRRANZEN, 1999; FRANCO, 2001; LABERGE, 1996)

O Criptosporídeo é um parasita mínimo que vive na superfície ou dentro do tecido que reveste internamente o intestino delgado; sua reprodução é assexuada e os oocistos saem nas fezes. A transmissão se dá quando o humano ingere água contaminada (inclusive de piscina) ou comida feita com ela. Uma pessoa infectada é capaz de eliminar pelas fezes até 20 bilhões de oocistos em 24 horas. Cada nova geração de parasitas leva apenas 12 horas para amadurecer, e poucos dias bastam para que o trato intestinal esteja inteiramente colonizado.

O Cryptosporidium é transmitido entre indivíduos por meio de oocistos que já são eliminados na forma infectante, sendo as principais vias de transmissão o contato direto (pessoa-a-pessoa) ou indiretamente pela ingestão de alimentos ou água contaminada; um outro meio de transmissão importante da criptosporidiose é pela relação sexual, tanto heterossexual quanto a homossexual (PEDERSEN, 1996).

Esse meio se torna viável por se tratar de uma protozoonose de propagação fecal-oral, e também por via aérea, responsável pela criptosporidiose do tipo respiratória (FAYER, 2000). A dose mínima infectante varia de 9 a 1042 oocistos, dependendo da amostra (Fayer et al., 2000), a dose necessária para infectar 50% dos expostos é 132 oocistos, mas já foi descrita a infecção pela ingestão de um único oocisto. A Transmissão hospitalar já foi relatada via mãos da equipe, contaminação da máquina de gelo e da água potável, esses dois últimos provocando surtos.

O oocisto de C. parvum sobrevive por longos períodos quando imerso na água. Em superfícies fixas pode sobreviver até quatro horas a temperatura ambiente. Porém, se for eliminado com fezes diarréicas este período pode se estender para acima de 72 horas. Ele é resistente à concentração de cloro empregada na cloração da água.

Também não é inativado pela maioria dos desinfetantes empregados em serviços de saúde (álcool, glutaraldeído, hipoclorito de sódio, ácido peracético, ortoftaldeído, fenóis e quaternário de amônia, Apenas o peróxido de hidrogênio de 6 a 7% por 20 minutos consegue reduzir substancialmente sua concentração e somente o emprego de autoclavação por óxido de etileno ou o sistema Sterrad® consegue inativá-lo completamente).

O comprometimento do sistema imunológico do hospedeiro é um fator fundamental na definição do curso clínico da criptosporidiose.

A importância da veiculação hídrica da criptosporidiose foi reconhecida a partir do grande surto de Milwaukee, Wisconsin, em 1993, onde 403.000 pessoas foram contaminadas e dessas, 4.400 foram hospitalizadas, havendo 1000 óbitos, 69 em pacientes HIV-positivos (Solo-Gabriele, Neumeister, 1996; Fayer et al., 2000). Desde então, numerosos surtos de criptosporidiose devido à ingestão de água contaminada foram relatados ao redor do mundo (Rose, 1997) e a proteção dos mananciais é considerado como o melhor método de controle da infecção por Cryptosporidium (Solo-Gabriele, Neumeister, 1996).

CARACTERÍSTICAS DA DOENÇA

Infecção causada por protozoário coccídeo, parasito reconhecido como patógeno animal. Atinge as células epiteliais das vias gastrintestinais, biliares e respiratórias do homem, de diversos animais vertebrados e grandes mamíferos. É responsável por diarréia esporádica em todas as idades, diarréia aguda em crianças e a diarréia dos viajantes. Em indivíduos imunocompetentes, esse quadro é auto-limitado, entre 1 e 20 dias, com duração média de 10 dias. Em imunodeprimidos, particularmente com infecção por HIV, ocasiona enterite grave, caracterizada por diarréia aquosa, acompanhada de dor abdominal, mal-estar, anorexia, náuseas, vômitos e febre. Esses pacientes podem desenvolver diarréia crônica e severa, acompanhada de desnutrição, desidratação e morte fulminante. Nessa situação, podem ser atingidos os pulmões, trato biliar ou surgir infecção disseminada.

Desta forma a gravidade da infecção varia de acordo com o estado imunológico da pessoa. Devido a grande maioria dos pacientes apresentarem diarréia moderada, aquosa, de curta duração, isso muitas vezes não preocupa o hospedeiro, que continua infectado e ignorando o fato. Ainda não existe tratamento contra a criptosporidiose; a única garantia é um sistema imunológico forte.

Nos últimos 20 anos, a criptosporidiose vem surgindo, com uma grande importância no meio médico, devido à gravidade da doença em portadores de imunodeficiências, como a Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida (SCHNEIDER, 2000; SCAGLIA, 1991; CHAPPEL, 1996) e também em imunodeficiências induzidas como em pacientes transplantados e que sofrem hemodiálise freqüentemente (CHIEFFI, 1998).


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