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Efeito da densidade de criação e do sexo sobre o empenamento (página 2)

E. A. García; A. A. Mendes; C. C. Pizzolante; N. Veiga; T. K. Mattos

 

4. Material e métodos

O experimento foi realizado nas instalações experimentais da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp, Campus de Botucatu, SP, Brasil, durante o inverno, no período de 20 junho a 31 de julho de 2000. A temperatura mínima observada no período experimental foi de 7°C e a máxima de 32°C. A umidade relativa do ar mínima foi de 25% e a máxima de 98%.

Foram utilizados 1950 pintos de corte de um dia de idade, sexados, da linhagem Ross. O delineamento experimental adotado foi o inteiramente casualizado com esquema fatorial 3X2, ou seja, 3 densidades (10, 13 e 16 aves por m²) e 2 sexos, com 5 repetições, sendo que dessas repetições uma foi destinada somente à reserva. O número de aves variou de acordo com as densidades, sendo 50, 65 e 80 aves/boxe. Foram colocados dois comedouros e um bebedouro em todos os boxes, e a ração foi fornecida nos dois comedouros apenas nos boxes de 80 aves. O aquecimento inicial foi feito por meio de campânulas com lâmpadas de infravermelho.

A análise estatística dos resultados foi realizada através da ANOVA (análise de variância) com o auxílio do pacote estatístico SAEG, segundo Euclides (1983). Para a análise estatística da incidência de lesões nas carcaças, os dados foram expressos como "1" (presença de lesão) e "0" (ausência de lesão), sendo as médias submetidas à análise de variância ponderada, por meio do GLM - SAS, na qual os pesos foram os respectivos números de aves de cada tratamento.

As aves receberam ração e água à vontade durante todo o período de criação, que foi dividido em três fases. Na fase inicial (1 a 21 dias), as aves receberam ração inicial com 2950 kcal/kg de energia metabolizável, 21 % de proteína bruta, 1,20% de lisina, 0,55% de metionina, 0,95% de Ca e 0,48% de P total. As rações de crescimento (22 a 35 dias) continham 3150 kcal/kg de EM, 19% de PB, 1,00% de lisina, 0,46% de metionina, 0,90% de Ca e 0,60% de P total, enquanto que as rações de acabamento (35 a 42 dias) continham 3250 kcal/kg de EM, 19% de PB, 0,96% de lisina, 0,48% de metionina, 0,88% de Ca e 0,58% de P total . Os demais níveis nutricionais foram aqueles recomendados pelo NRC (1994).

A avaliação do empenamento por escore foi feita utilizando os padrões de escores fornecidos pela AGROCERES – Rio Claro, SP, Brasil. Foram retiradas amostras representativas de 10 aves por repetição, aos 28, 35 e 42 dias de idade e foi avaliado o empenamento do dorso e da coxa. Os escores encontrados foram avaliados através de notas que variaram entre 0 e 10 e dependeram do nível de empenamento apresentado pela ave nas duas regiões do corpo.

A avaliação do empenamento pela porcentagem das penas foi realizada de acordo com a metodologia proposta por Cooper et al. (1997) e Lowe et al. (1985). Para isso, foi reservada uma repetição de todos os tratamentos da qual aos 28, 35 e 42 dias de idade foram retiradas três aves de cada uma delas. Essas aves foram repostas por outras provenientes da reserva de modo a se manter a densidade populacional sempre constante. As aves de reposição foram marcadas com tinta especial no dorso para não participarem de nenhuma outra avaliação. As três aves destinadas à avaliação do empenamento foram identificadas através de anilhas numeradas e levadas para o Abatedouro Experimental de Aves da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia – UNESP, Campus de Botucatu, onde foram sacrificadas através de embolia, de modo a não perder sangue no momento da depenagem. Antes da depenagem, as aves já mortas foram pesadas, obtendo-se assim o peso da carcaça com penas. As aves foram escaldadas com água a 50°C, tomando-se o cuidado de não escaldar os pés para que a cutícula não saísse no momento da depenagem. Depois de saírem da depenadeira, as carcaças foram repassadas manualmente a fim de eliminar todo resíduo de penas, penduradas em ganchos próprios e enxugadas com papel absorvente. A carcaça foi então novamente pesada, obtendo-se o peso da carcaça sem penas. Por diferença dos dois pesos encontrados, obteve-se o peso da penas que foi utilizado na equação que determina a porcentagem das penas em relação ao peso da carcaça.

Aos 42 dias de idade, todas as aves foram anilhadas e enviadas para um abatedouro comercial para a avaliação da incidência de lesões na carcaça. Após saírem da depenadeira, as carcaças foram inspecionadas quanto à presença de hematomas, calos de peito, lesões no cochim plantar, arranhões e dermatite lombar.

Para as determinações do comprimento, largura e espessura do peito, foi utilizado o músculo pectoralis major. Essas medidas foram feitas com o auxílio de um paquímetro na parte mais espessa do músculo.

Para a determinação da perda de peso por cozimento e da força de cisalhamento foi utilizado o músculo peitoral esquerdo da ave, o qual foi embalado em papel laminado e mantido numa chapa elétrica de modelo comercial, com aquecimento nas duas faces, por aproximadamente oito minutos, a uma temperatura de 85°C. Depois de uma hora, a amostra de peito foi pesada, obtendo-se assim o peso uma hora após o cozimento. As amostras foram embaladas em papel absorvente e em sacos plásticos e armazenadas em geladeira a 2°C. Após 24 horas, as amostras foram desembaladas e novamente pesadas, obtendo-se o peso 24 horas após o cozimento. A diferença de peso entre o peito in natura e o cozido, com uma e 24 horas após o cozimento, corresponde à perda de peso por cozimento nos dois períodos (Honikel, 1987).

Para a determinação da força de cisalhamento (textura ou maciez) foram processadas as mesmas amostras usadas para a determinação da perda de peso por cozimento. Foram retiradas três amostras de cada peito na forma de paralelepípedos, com aproximadamente 2x2x1,13 cm, as quais foram colocadas com as fibras orientadas no sentido perpendicular às lâminas do aparelho Warner-Bratzler, acoplado ao aparelho Instron M2318, conforme a técnica descrita por Froning et al. (1978).

5. Resultados e discussão

5.1 Avaliação do empenamento por escore

Os valores médios de escores de empenamento de coxa são apresentados na Tabela 1. Aos 28 e 35 dias de idade, houve efeito significativo (p<0,05) para sexo, nos quais as fêmeas apresentaram maiores valores; e para densidade, onde as densidades de 10 e 13 aves/m² apresentaram maiores valores de escores de empenamento de coxa, não ocorrendo interação significativa (p>0,05) para densidades x sexos. Aos 42 dias de idade, houve efeito significativo (p<0,05) para a interação densidades x sexos, com piora no empenamento dos machos (p<0,05), mas não nas fêmeas (p>0,05), sendo que o maior valor na menor densidade (10 aves/m²).

Os valores médios de escores de empenamento de dorso são apresentados na Tabela 2. Aos 28 e 42 dias de idade, houve efeito significativo (p<0,05) da interação densidades x sexos, onde as fêmeas apresentaram maiores valores que os machos em todas as densidades. Aos 42 dias de idade, os machos apresentaram maiores valores na menor densidade (10 aves/m²). Aos 35 dias de idade, houve efeito significativo (p<0,05) para sexo, onde as fêmeas apresentaram maiores valores e para densidades, sendo os maiores valores observados na menor densidade (10 aves/m²).

Os menores valores para os escores observados para o empenamento de coxa e dorso na maior densidade estão de acordo com o que foi relatado por Coello (2000), que observou uma maior incidência do problema de empenamento quando se aumentou a densidade de criação das aves.

5.2 Avaliação do empenamento pela porcentagem de penas

Os valores médios da porcentagem de penas são apresentados na Tabela 3. Aos 35 e 42 dias de idade houve efeito significativo (p<0,05) para sexo, onde as fêmeas apresentaram os maiores valores; e para densidades, onde os maiores valores foram observados nas densidades de 10 e 13 aves/m². Entretanto, os valores observados nas densidades de 13 e 16 aves/m² não diferiram entre si. Esses resultados estão de acordo com os valores encontrados na avaliação do empenamento por escore. Ao aumentar a densidade de criação, ocorre um aumento na temperatura corporal da ave, o que, segundo Richards (1977), promove uma diminuição na velocidade de empenamento da ave.

5.3 Incidência de lesões nas carcaças

Os valores médios da porcentagem de incidência de lesões nas carcaças das aves são apresentados na Tabela 4. Para todos os tipos de lesões avaliadas houve efeito significativo (p<0,05) da densidade, sendo observado um aumento linear na incidência de lesões à medida que se aumentou a densidade de criação. Resultados semelhantes foram encontrados por Proudfoot & Hulan (1985) que relacionaram uma maior incidência de lesões na pele, principalmente dermatite lombar, quando se aumentou o número de aves por m².

5.4 Comprimento, largura e espessura do peito

Os valores médios do comprimento, largura e espessura do peito são apresentados na Tabela 5. Para a espessura direita e esquerda e comprimento direito, houve efeito significativo (p<0,05) apenas para sexo, onde os machos apresentaram maiores valores. Para comprimento esquerdo e largura direita e esquerda houve efeito significativo (p<0,05) da interação densidades x sexos. Para o comprimento esquerdo, os machos apresentaram maiores valores que as fêmeas em todas as densidades e valores maiores nas densidades de 10 e 13 aves/m². Para largura direita, houve interação sexo x densidade (p<0,05), em função de os machos terem maior valor na densidade de 13 aves/m² e menor valor na densidade de 16 aves/m². A interação na largura esquerda (p<0,05) é indicada pela diferença entre sexos na densidade de 16 aves/m², mas não nas demais. Essas diferenças encontradas estão de acordo com o que foi relatado por Lubritz (1997).

5.5 Perda de peso por cozimentoe força de cisalhamento

Os valores médios para a perda de peso (g) uma e 24 horas após o cozimento e a força de cisalhamento (kgf/cm²) são apresentadas na Tabela 6. Para a perda de peso uma e 24 horas após o cozimento houve efeito significativo (p<0,05) da interação densidades x sexos, onde as fêmeas apresentaram maiores valores que os machos nas densidades de 10 e 16 aves/m². Tanto os machos como as fêmeas apresentaram maiores valores para perda de peso uma e 24 horas após o cozimento na maior densidade (16 aves/m²). Bressan (1998), apesar de não ter avaliado o efeito de diferentes densidades, observou que peitos de aves mantidas em ambientes com temperatura de 30°C apresentaram maior perda de peso por cozimento quando comparados com os peitos de aves criadas em ambiente de conforto térmico. Como a alta densidade promove um aumento na temperatura ambiente, os resultados encontrados podem ser comparados. Não houve efeito significativo (p>0,05) das densidades e dos sexos sobre a força de cisalhamento

6. Conclusões

O aumento na densidade de criação das aves promove uma diminuição no empenamento das aves, o que foi observado pelos menores escores encontrados para coxa e dorso e pelo menor peso relativo das penas na maior densidade.

Com o aumento da densidade de criação, ocorre um aumento linear na incidência de lesões na pele das aves.

O comprimento, largura e espessura do peito não sofreram efeito significativo das densidades.

A perda de peso por cozimento foi maior para o peito das aves criadas na maior densidade.

7. Referências bibliográficas

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Garcia RG1 Mendes AA2 Garcia EA2 Nääs IA3 Moreira J1 Almeida ICL1 Takita TS4 - arielmendes[arroba]fca.unesp.br

1Aluno de Pós-Graduação em Zootecnia da FMVZ / UNESP, Botucatu

2Docentes do Depto. de Produção e Exploração Animal da FMVZ / UNESP, Botucatu

3Docente da Faculdade de Engenharia Agrícola / UNICAMP, Campinas 4- Aluna de Pós-Graduação em Genética do Instituto de Biociências da UNESP, Botucatu.



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