A epidemiologia da esquizofrenia

Enviado por Jair J. Mari


1. Abstract

A epidemiologia estuda a ocorrência e a distribuição de uma doença, ou condição relacionada à saúde, nos diversos grupos populacionais, procurando investigar os fatores determinantes em sua etiologia e prognóstico. Para o cálculo da freqüência da esquizofrenia na população, devem-se considerar o numerador (número de doentes) e a população (número de habitantes da área estudada) em determinada faixa etária. Em uma dada população, todos os casos devem ser incluídos no numerador. Alguns estudos epidemiológicos identificam seus casos a partir do contato com os serviços de atendimento, enquanto outros são desenvolvidos na comunidade, incluindo ou não os pacientes eventualmente institucionalizados.

2. Prevalência

A prevalência é a medida da proporção de indivíduos que apresentam um determinado transtorno no momento da avaliação (ponto-prevalência) ou em um período de tempo estabelecido (prevalência em um mês, no ano, na vida etc). Em uma revisão de vários estudos epidemiológicos conduzidos na Europa e nos Estados Unidos, Dohrenwend et al1 estimaram a prevalência de esquizofrenia com base na tendência central dos resultados (mediana) em 0,59%, com variação de 0,6% a 3%, dependendo dos critérios diagnósticos utilizados, não havendo evidência de diferença entre os sexos. Eaton2 revisou 25 estudos de prevalência de transtornos mentais realizados em diversos países a partir de 1960. Em cerca de 2 por 3 dos estudos analisados, a prevalência de esquizofrenia ficou entre 0,16% e 0,57%. Em revisão mais recente, Torrey (1987)3 analisou cerca de 70 estudos de prevalência publicados desde 1948, encontrando uma variação de 0,03% a 1,7%. Um estudo de prevalência de transtornos mentais foi conduzido por Santana4 no bairro do Ó, zona pobre da costa marítima de Salvador. A prevalência de esquizofrenia foi de 0,57% para os homens e de 0,36% para as mulheres (comunicação verbal da autora).

Trabalhos mais recentes, conduzidos com metodologia mais sofisticada, têm apresentado resultados acima desses valores, próximos a 1% da população.5 Em recente revisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o impacto mundial da doença, Murray & Lopez6 relataram uma taxa de prevalência de 0,92% para homens e 0,9% para mulheres. Taxas de prevalência mais elevadas (próximas a 1%) também têm sido relatadas em estudos recentes realizados na América Latina e no Brasil.7,8

3. Incidência

A incidência da esquizofrenia pode ser calculada diretamente em estudos populacionais do tipo corte transversal, ou por meio de dados sobre o contato de pacientes com unidades de serviços médicos e unidades psiquiátricas.

3.1 Primeira admissão hospitalar

A estimativa de incidência de uma doença pode ser obtida por intermédio de dados de primeira admissão hospitalar, geralmente no período de um ano. Walsh,9 por exemplo, estudou as primeiras internações psiquiátricas em Dublin durante o ano de 1962. A incidência da esquizofrenia foi de 5,7 por 10.000 habitantes nos homens e de 4,6 por 10.000 habitantes nas mulheres. Caetano10 calculou a taxa de primeira internação em hospitais brasileiros: a incidência da esquizofrenia variou de 1,9 a 3,9 por 10.000 habitantes na população masculina e de 1,8 a 3,2 por 10.000 na população feminina. Entretanto, esse tipo de coeficiente tende a dar um valor inferior ao real, pois nem todos os pacientes com esquizofrenia são tratados em hospitais psiquiátricos.


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