Página anterior Voltar ao início do trabalhoPágina seguinte 

Estudos Avançados em Saúde e Exercícios - Suplementos (página 2)

Paulo Gentil

Partes: 1, 2, 3

 

Referências bibliográficas 

  • ARA G, GRAVELIN LM, KADDURAH-DAOUK R, TEICHER BA Antitumor activity of creatine analogs produced by alterations in pancreatic hormones and glucose metabolism. In Vivo 1998 Mar-Apr;12(2):223-31 
  • BOEHM E, CHAN S, MONFARED M, WALLIMANN T, CLARKE K, AND NEUBAUER S. Creatine transporter activity and content in the rat heart supplemented by and depleted of creatine. Am J Physiol Endocrinol Metab 284: E399-E406, 2003
  • GRAHAM, A. S; HATTOM, S. C. Creatine a Review of Effcacy and Safety. Journal of the American Phamaceutical Association, 36(6), 1999.
  • GREEN A.L., E. SIMPSON, J. LITTLEWOOD, I. Macdonald, and P. GREENHAFF. Carbohydrate ingestion augments creatine retention during creatine feedings in humans. Acta Physiol Scand 1996;158:195-202
  • GREENHAFF, P.L. Creatine and Its Application as Ergegenic Aid. Int. Jour. Of Sport Nut. 5 S., 100-109, 1995. 
  • GUERRERO-ONTIVEROS, M.L. et. Al. Creatine Suplementation in health and disease. Effects of chronic creatine ingestion in vivo: Down-regulation of the expression of creatine transporter isoforms in skeletal muscle. Mol. And Cell. Biochem. 184: 427-437, 1998. 
  • HÄUSSINGER, D et al., "Cell Swelling Inhibits Proteolysis in Perfused Rat Liver," Biochem. J. 272.1 (1990) : 239-242. 
  • HÄUSSINGER, D; et al., "Cellular Hydration State: An Important Determinant of Protein Catabolism in Health and Disease," Lancet 341.8856 (1993) : 1330-1332. 
  • HULTMAN E; SÖDERLUND K; TIMMONS JA; CEDERBLAD G; GREENHAFF PL Muscle creatine loading in men. J Appl Physiol, 1996 Jul, 81:1, 232-7 
  • JEONG KS, PARK SJ, LEE CS, KIM TW, KIM SH, RYU SY, WILLIAMS BH, VEECH RL, LEE YS. Effects of cyclocreatine in rat hepatocarcinogenesis model. Anticancer Res 2000 May-Jun;20(3A):1627-33 
  • KAMBER, M, et al. Creatine supplementation - part 1: performance, clinical chemistry and muscle volume. Medicine & Science in Sports & Exercice, December, 1999.
  • KREIDER, R.B. Creatine supplementation: Analysis of ergogenic value, medical safety, and concerns. JEPonline Vol. 1, No. 1, 1998
  • KRISTENSEN CA, ASKENASY N, JAIN RK, KORETSKY AP. Creatine and cyclocreatine treatment of human colon adenocarcinoma xenografts: 31P and 1H magnetic resonance spectroscopic studies. Br J Cancer 1999 Jan;79(2):278-85 
  • LOUIS M, POORTMANS JR, FRANCAUX M, HULTMAN E, BERRÉ J, BOISSEAU N, YOUNG VR, SMITH K, MEIER-AUGENSTEIN W, BABRAJ JA, WADDELL T, & RENNIE MJ. Creatine supplementation has no effect on human muscle protein turnover at rest in the postabsorptive or fed states. Am J Physiol Endocrinol Metab 284: E764-E770, 2003. First published December 10, 2002 
  • McARDLE, W.D et al. Fisiologia do Exercício: Nutrição, Atividade física e Performance. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991 
  • MIHIC S; MACDONALD JR; MCKENZIE S; TARNOPOLSKY MA. Acute creatine loading increases fat-free mass, but does not affect blood pressure, plasma creatinine, or CK activity in men and women. Med Sci Sports Exerc, 2000 Feb, 32:2, 291-6 
  • MILLER EE, EVANS AE, COHN M. Inhibition of rate of tumor growth by creatine and cyclocreatine.Proc Natl Acad Sci U S A 1993 Apr 15;90(8):3304-8 
  • MILLWARD, D.J., "A Protein-Stat Mechanism for Regulation of Growth and Maintenance of the Lean Body Mass," Nutr. Res. Rev. 8 (1995) : 93-120. 
  • MOJICA, I e col. Creatine Suplementation does not improve sprint performance in competitive swimmers. Medicine and Science in Sports & Exercice, November, 1996.
  • MOSS, F.P.; "The Relationship Between the Dimension of the Fibers and the Number of Nuclei During Normal Growth of Skeletal Muscle in the Domestic Fowl," Am. J. Anat. 122 (1968) :
  • PAÚS, V.et al. Administracion de Creatina Monohidrato en co suplemento energético en Jogadores de Futból Professional. Ass. de Traum. Del Desporte, 9, 1998.
  • POORTMANS, J.R. at. Al. Long-term oral creatine supplementation does not impair renal function in healthy athletes. Medicine & Science in Sport & Exercise, 1108-1110, 1999. 
  • SCHIFFENBAUER YS, MEIR G, COHN M, NEEMAN M. Cyclocreatine transport and cytotoxicity in rat glioma and human ovarian carcinoma cells: 31P-NMR spectroscopy. Am J Physiol 1996 Jan;270(1 Pt 1):C160-9 
  • STONE, M.H. et. al. Effects of in-season (5 weeks) Creatine and Pyruvate Supplementation on Anaerobic Performance and Body Composition in American Football Players. Int. Journal of Sport. Nut. 9, 146-165, 1999. 
  • URBANSKI, R.L. et. Al. Creatine Supplementation Differentially Affects Maximal Isometric Strength and Time to Fatigue in Large and Small Muscle Groups. Int. Journal of Sport Nut. 9, 136-145, 1999. 
  • VANDEBUERIE F; e col. Effect of creatine loading on endurance capacity and sprint power in cyclists. Int J Sports Med, 1998 Oct, 19:7, 490-5 
  • VANDENBERGHE K; GORIS M; VAN HECKE P; VAN LEEMPUTTE M; VANGERVEN L; HESPEL P Long-term creatine intake is beneficial to muscle performance during resistance training. J Appl Physiol, 1997 Dec, 83:6, 2055-63 
  • VOLEK, J.S. et. Al. Performance and muscle fiber adaptations to creatine supplementation and heavy resistance training. Med. & Scie. In Sport & Exerc. 1147-1156, 1999. 
  • VOLEK, J.S., KRAMER W.J. Creatine supplementation: It's effects on human muscular performance and body composition, Jounal of Strenght and Condition Research, 1996
  • WYSS, M. et. Al. I-4 Creatine metabolism and the consequences of creatine depletion in muscle. Mol. And Cellu. Biochem. 133/134:51-66, 1994 
  • ZIEGENFUSS, T. N., LOWERY L. M., & LEMON, P. W.R.. Acute fluid volume changes in men during three days of creatine supplementation. JEPonlineVol 1 No 3 1998.

 

Glutamina

A glutamina é o aminoácido mais abundante no corpo humano, presente em grandes quantidades tanto no sangue quanto nos músculos e considerada essencial para o bom funcionamento do sistema imunológico.

Dentre os supostos efeitos da glutamina no músculo está a estimulação da síntese protéica, efeito potencializado pela presença de insulina.(RENNIE et al, 1994). 

Outro efeito alardeado é a estimulação do hormônio do crescimento. Existem estudos onde apenas 2 gramas de glutamina elevaram as concentrações plasmáticas deste hormônio (WELBOURNE, 1995). Porém isto não significa muito, tendo em vista que os efeitos do hormônio do crescimento na hipertrofia muscular ainda são contestados e dada a pulsatilidade de sua liberação é extremamente fácil conseguir picos, até mesmo segurar a respiração pode produzir aumentos nas quantidades deste hormônio (MATVEEV et al, 1986).

Sabe-se que exercícios intensos e prolongados causam diminuição na quantidade de glutamina. Ao final de uma prova de triathlon, por exemplo, a concentração plasmática deste AA cai cerca de 22,8%, sendo tal queda relacionada com maiores riscos de infecções, segundo alguns autores (NIEMAN et al, 1991, HACK et al, 1997, PYNE et al, 1998, BASSIT et al, 2000). Porém, há quem descorde destas idéias, como HOOPER et al (1996), ROHDE et al (1998) e ROHDE et al, (1999), autores de experimentos onde as concentrações baixas de glutamina não são relacionadas com riscos de infecções induzidos pelos exercícios. 

A maioria das pesquisas se preocupou com atividades cíclicas, com relação ao treino de força, os dados são menos animadores, pois apesar da concentração de glutamina ser reduzida após o treino de força, a queda não se relaciona com os danos nas fibras musculares, conforme concluíram MILES et al (1999) e GLEESON et al (1999).

Apesar de ter se mostrado eficiente em animais e pacientes debilitados (queimaduras, inanição, cirurgias...), a glutamina não é indiscutivelmente eficiente na melhora da atividade imunológica em indivíduos submetidos a exercícios (WALSH et al, 2000). Assim como não há evidências que possam levar a conclusões positivas quanto aos seus efeitos ergogênicos (HAUB et al, 1998).

Há um estudo de VARNIER et al (1995) onde foi utilizada infusão de glutamina após atividades de longa duração (90 minutos de bicicleta) e verificou-se que a disponibilidade deste aminoácido estimulou a síntese de glicogênio, no entanto, isto pode ser atribuído à possível conversão metabólica de glutamina em glicose. Nesse caso, se o objetivo for repor as reservas de glicose seria melhor poupar dinheiro e tomar apenas carboidratos, conforme verificado em 1999 por BOWTELL et al. Uma dieta equilibrada sempre é uma boa idéia e parece ser apoiada pelas conclusões de GLEESON et al (1998) e ZANKER et al (1997), para quem dietas ricas em carboidratos podem atenuar os efeitos do exercício na quantidade de glutamina e fatores imunológicos, sem haver, portanto, necessidade da suplementação.

Muitas vezes há furor em torno de determinados suplementos a partir de conclusões equivocadas manipulados por interesses econômicos. Quando vendedores se referem a glutamina, dizem que é o aminoácido mais abundante no músculo, que atua no sistema imunológico, pode auxiliar o processo de regeneração da fibra muscular e que é depletado após atividades físicas, o que podemos concluir? Nada do que parece. Podemos concluir apenas que a suplementação de glutamina pode auxiliar em estados crônicos como patologias e possivelmente no excesso de treinamento, porém sua atividade em organismos humanos normais submetidos ao treinamento físico ainda é duvidosa e certamente não trará os benefícios prometidos. Não podemos nos esquecer dos possíveis prejuízos (além dos financeiros), visto que a ingestão desequilibrada de um aminoácido pode levar ao desequilíbrio na absorção dos demais.

Referências bibliográficas

  • BASSIT RA, SAWADA LA, BACURAU RF, NAVARRO F, COSTA ROSA LF. The effect of BCAA supplementation upon the immune response of triathletes. Med Sci Sports Exerc 2000 Jul;32(7):1214
  • PYNE DB, GLEESON M.Effects of intensive exercise training on immunity in athletes. Int J Sports Med 1998 Jul;19 Suppl 3:S183-91; discussion S191-4. 
  • NIEMAN DC, NEHLSEN-CANNARELLA SL. The effects of acute and chronic exercise of immunoglobulins. Sports Med 1991 Mar;11(3):183-201 
  • RENNIE MJ, TADROS L, KHOGALI S, AHMED A, TAYLOR PM. Glutamine transport and its metabolic effects. J Nutr 1994 Aug;124(8 Suppl):1503S-1508S 
  • WELBOURNE TC. Increased plasma bicarbonate and growth hormone after an oral glutamine load. Am J Clin Nutr 1995 May;61(5):1058-6.1 
  • VARNIER M, LEESE GP, THOMPSON J, RENNIE MJ. Stimulatory effect of glutamine on glycogen accumulation in human skeletal muscle. Am J Physiol 1995 Aug;269(2 Pt 1):E309-15 
  • MATEEV G, DJAROVA T, ILKOV A, VARBANOVA A, NIKIFOROVA A. Human growth hormone, cortisol, and acid-base balance changes after hyperventilation and breath-holding. Int J Sports Med 1986 Dec 7:6 311-5 
  • HACK V, WEISS C, FRIEDMANN B, SUTTNER S, SCHYKOWSKI M, ERBE N, BENNER A, BARTSCH P, DROGE W. Decreased plasma glutamine level and CD4+ T cell number in response to 8 wk of anaerobic training. Am J Physiol 1997 May;272(5 Pt 1):E788-95 
  • HOOPER SL, MACKINNON LT. Plasma glutamine and upper respiratory tract infection during intensified training in swimmers. Med Sci Sports Exerc 1996 Mar;28(3):285-90. 
  • WALSH NP, BLANNIN AK, BISHOP NC, ROBSON PJ, GLEESON M. Effect of oral glutamine supplementation on human neutrophil lipopolysaccharide-stimulated degranulation following prolonged exercise. Int J Sport Nutr Exerc Metab 2000 Mar;10(1):39-50 
  • BOWTELL JL, GELLY K, JACKMAN ML, PATEL A, SIMEONI M, RENNIE MJ. Effect of oral glutamine on whole body carbohydrate storage during recovery from exhaustive exercise. J Appl Physiol 1999 Jun;86(6):1770-7. 
  • HAUB MD, POTTEIGER JA, NAU KL, WEBSTER MJ, ZEBAS CJ. Acute L-glutamine ingestion does not improve maximal effort exercise. J Sports Med Phys Fitness 1998 Sep;38(3):240-4. 
  • ROHDE T, ASP S, MACLEAN DA, PEDERSEN BK Competitive sustained exercise in humans, lymphokine activated killer cell activity, and glutamine--an intervention study. Eur J Appl Physiol Occup Physiol 1998 Oct;78(5):448-53. 
  • GLEESON M, WALSH NP, BLANNIN AK, ROBSON PJ, COOK L, DONNELLY AE, DAY SH. The effect of severe eccentric exercise-induced muscle damage on plasma elastase, glutamine and zinc concentrations. Eur J Appl Physiol Occup Physiol 1998 May;77(6):543-6 
  • ROHDE T, MACLEAN DA, PEDERSEN BK. Effect of glutamine supplementation on changes in the immune system induced by repeated exercise. Med Sci Sports Exerc 1998 Jun;30(6):856-62 
  • GLEESON M, BLANNIN AK, WALSH NP, BISHOP NC, CLARK AM. Effect of low- and high-carbohydrate diets on the plasma glutamine and circulating leukocyte responses to exercise. Int J Sport Nutr 1998 Mar;8(1):49-59 
  • ZANKER CL, SWAINE IL, CASTELL LM, NEWSHOLME EA. Responses of plasma glutamine, free tryptophan and branched-chain amino acids to prolonged exercise after a regime designed to reduce muscle glycogen. Eur J Appl Physiol Occup Physiol 1997;75(6):543-8

 

Suplementos para emagrecer

Muitas células do nosso corpo (incluindo a fibra muscular e os adipócitos) possuem receptores beta em suas superfícies, esses receptores beta têm alta afinidade pelas substâncias denominadas beta-agonistas. Os principais beta-agonistas de nosso corpo são a adrenalina e a noradrenalina, em suplementos, o mais comum de ser encontrado é a efedrina. 

A união do beta agonista com seu receptor dá inicio a uma série de reações químicas mediadas pela ação da enzima adenilciclase. Estas reações estimulam a produção do mensageiro químico AMP-C, ativando enzimas fosforiladoras de proteínas. Muitas dessas proteínas também são enzimas, e a fosforilação pode tanto ativá-las quanto desativá-las. Nos adipócitos são ativadas as enzimas responsáveis pela "quebra" dos triacilgliceróis, nas células musculares ativa-se o metabolismo, e são causadas outras reações importantes. 

Através das reações descritas acima, se supõe que os beta-agonistas controlem as reservas de gordura do corpo, a hipertrofia muscular, a resposta ao treinamento e até mesmo a distribuição de fibras musculares, além de aumentar a freqüência cardíaca, a força de contração ventricular e o volume sistólico, melhorando o fluxo sangüíneo para o cérebro e músculos. Sem esquecer do relaxamento da musculatura dos brônquios, facilitando a ventilação, dentre outros efeitos.

Além da atuação direta nos receptores, foram feitos dois estudos onde o uso de efedrina se mostrou eficaz na preservação dos níveis do hormônio da tireóide T3 durante dietas com baixa ingestão calórica (PASQUALI et al, 1992 e ASTRUP et al 1985). Sabendo que este hormônio tem grande influência no metabolismo, sugere-se prevenção de queda das taxas metabólicas. Porém este efeito ainda é questionado em longo prazo no estudo de ASTRUP, por exemplo, em uma fase posterior os níveis de T3 caíram para abaixo do encontrado antes da administração da droga, o que manifesta um mecanismo de realimentação negativa que pode tornar o estágio pós-tratamento ainda pior que o pré-tratamento. Este é, aliás, um dos maiores problemas das drogas beta-agonistas: o inevitável mecanismo de realimentação negativa, que facilita em grande parte uma rápida reversão dos resultados positivos.

Em 1992, ASTRUP publicou um artigo onde se mostra que a combinação de efedrina e cafeína, pode atenuar a perda de massa muscular em períodos de restrição calórica. Neste estudo feito em mulheres obesas, o grupo experimental perdeu cerca de 90% do peso proveniente da gordura, enquanto no outro grupo a média foi de 53%. O estudo de PASQUALI (1989) reforça estes dados, mostrando que a efedrina se mostrou eficiente na retenção de nitrogênio em obesos. 

Apesar de mostrarem positivos há duas limitações nesses estudos: seu curto prazo e utilização de uma população específica (obesos).

Quanto a não obesos, tenho conhecimento de um estudo realizado em macacos, onde tanto os obesos quanto os magros tiveram a ingestão alimentar e o percentual de gordura reduzidos e seu metabolismo aumentado com a combinação de efedrina e cafeína (RAMSEY et al, 1998).

A partir destas pesquisas iniciais e suposições baseadas em mecanismos fisiológicos, se passou a usar de modo crescente drogas beta-agonistas. Atualmente estas substâncias são muito comercializadas nos chamados ECA, combinações de efedrina, cafeína e aspirina. Teoricamente, o papel de cada componente da combinação é o seguinte:

Efedrina - a efedrina aumenta a produção de ß-agonistas e atua ela própria como um ß-agonista. 

Cafeína - o AMP-C é degradado pela enzima 3',5'-nucleotídeo-fosfodieterase o que torna o efeito dos beta-agonistas menos potente, porém as metilxantinas - como cafeína e teofilina - inibem esta reação e elevam a ação da efedrina. De fato isto foi verificado por DULLOO (1986) ao ministrar efedrina, cafeína ou a combinação de ambas em ratos obesos. Os resultados foram os seguintes: 

- Sem redução ponderal com o uso de metilxantinas apenas. 

- Efedrina sozinha promoveu perda de peso de 14% sendo 42% de gordura, além de aumento de 10% no gasto energético. 

- A combinação de ambos levou a redução ponderal de 25% com 75% de perda de gordura 75% e aumento de 10% no gasto energético, 

Aspirina - supõe-se que a aspirina iniba a realimentação negativa (ou feedback negativo), evitando que os efeitos se estabilizem em longo prazo. Não há evidências científicas desta afirmação, no entanto, estudos em curto prazo mostram que a aspirina não potencializa o efeito termogênico dos componentes acima (HORTON et al, 1996).

Algumas pessoas parecem ser sensíveis a esses três componentes, sendo necessário consultar um médico antes de usá-los e suspendê-los imediatamente diante do surgimento de qualquer reação adversa. Não é recomendado para: diabéticos, pessoas com problemas na tireóide, cardiopatas, hipertensos, pessoas que estejam usado inibidores de apetite, pessoas com úlcera, nem portadores de distúrbios alimentares ou psicológicos...

Freqüentemente aparecem os seguintes efeitos colaterais: distúrbios psíquicos, elevação da pressão arterial, elevação da freqüência cardíaca, problemas cardiovasculares, agressividade, insônia, falta de concentração, náuseas, tremores, etc... 

Lembre-se que o corpo tenta manter um equilíbrio dinâmico, controlando as concentrações de hormônios e enzimas, desta forma, qualquer mecanismo exógeno que eleve a quantidade de alguma substância ou mimetize seus efeitos leva a adaptações que resultam em uma menor produção ou menor aproveitamento dos mesmos em longo prazo. Portanto, os efeitos tendem a se tornar menos evidentes com o tempo e é freqüente retornar ou até excede o peso anterior após a suspensão do tratamento. Outro fator a ser comentado é que os estudos que utilizavam beta-agonistas na redução ponderal foram realizados em sua maioria em obesos e não podem ser indiscriminadamente generalizados para pessoas com a composição corporal fora dos padrões de obesidade.

Há vários riscos de se usar estimulantes indiscriminadamente, portanto consulte um profissional especializado e veja se você realmente precisa destas substâncias e se pode usá-las com segurança. 

Referencias bibliográficas

  • ASTRUP, A. et al. Enhanced Thermogenic Responsiveness During Chronic Ephedrine Treatment in Man, The American Journal of Clinical Ntrition 42: July 1985, 83-94.
  • PASQUALI, R. et al. Effects of Chronic Administration of Ephedrine During Very-Low-Calorie Diets on Energy Expenditure, Protein Metabolism and Hormone Levels in Obese Subjects Clinical Science (1992) 82, 85-92
  • PASQUALI, R et al. Chronic Beta-receptor Stimulation Prevents Nitrogen Loss During Semistarvation in Obese Subjects Int. J. Obesity, 13.1 (1989): 151.
  • ASTRUP, A e col. .The effect and saffety of Ephedrine, caffeine and Placebo in obese subjects on energy restricted diet Int. Journal of Obesity 16.4 (1992), 269 277.
  • ASTRUP, A e col. Mistury on Energy Expenditure and Body Compostition in Obese Women. Metabolism: Clinical and experimental 41.7 (1992): 686 688.
  • ASTRUP, A, et al. The Effect of Ephedrine/Caffeine Mixture on nergy Expenditure and Body Composition in Obese Woman, Metabolism 1(7):686-8 1992
  • DULLOO, AG; MILLER DS. The thermogenic properties of ephedrine/methylxanthine mixtures: animal studies. American Journal of Clinical Nutrition, 1986 Vol 43, 388-394.
  • HORTON TJ; GEISSLER CA Post-prandial thermogenesis with ephedrine, caffeine and aspirin in lean, pre-disposed obese and obese women. Int J Obes Relat Metab Disord, 1996 Feb, 20:2, 91-7 
  • RAMSEY, JJ; et al. Energy expenditure, body composition, and glucose metabolism in lean and obese rhesus monkeys treated with ephedrine and caffeine. American Journal of Clinical Nutrition, 1998, Vol 68, 42-51.READING SA Chromium picolinate. J Fla Med Assoc, 1996 Jan, 83:1, 29-31

 

Óleo de semente de linhaça (Flaxseed oil)

Atualmente tem ocorrido grande interesse pelos potenciais benefícios dos óleos de sementes, o que se deve principalmente à sua grande quantidade de ácidos graxos poli-insaturados. 

O óleo de semente de linhaça (flaxseed) não foge à regra, ele contém grandes quantidades de ácido linoleico e alfa linoléico, este (um Omega-3) pode ser transformado em ácido eicosapentanóico, um ácido graxo encontrado nos peixes, que se converte em prostaglandinas benéficas. O óleo de semente de linhaça também tem algumas aplicações comprovadas, como: tratamento de colesterol alto (CHAN et al, 1991; DEMARK-WAHNFRIED et al, 2001), hipertensão (SINGER et al, 1990) e constipação. Porém, a semente de linhaça não se mostrou tão eficiente quanto os óleos de peixe, no tratamento das seguintes condições patológicas: inflamações, artrite (NORDSTROM et al, 1995), doenças cardíacas, altos níveis de triglicérides (KELLEY et al, 1993; ABBEY et al, 1990) e agregação plaquetária (WENSING et al, 1999).

Nas academias 

Muitos praticantes de musculação acrescentam óleo de semente de linhaça em sua dieta na esperança de elevar as concentrações de testosterona e aumentar seus resultados com o treinamento, fato ainda não comprovado em seres humanos. 

Em um estudo realizado na Universidade de Minnesota, o grupo liderado por HUTCHINS usou doses de até 10 gramas do óleo em mulheres pós-menopáusicas e não encontrou diferenças significativas nas concentrações de testosterona, nem em nenhum de seus precursores (HUTCHINS et al, 2001). No mesmo ano, DEMARK-WAHNFRIED et al, realizaram um estudo piloto com 25 homens portadores de câncer de próstata. A intervenção consistia em uma dieta baixa em gordura e suplementada com óleo de semente de linhaça (30 mg/dia) e as taxas de testosterona caíram para 85% dos valores pré-tratamento, ou seja, a suplementação promoveu queda no níveis do hormônio, um resultado inverso do pretendido pelos malhadores. O estudo de DEMARK-WAHNFRIED, porém, não trouxe somente más notícias, os autores verificaram alguns resultados positivos como: redução nos níveis de colesterol e tendência a atenuar a proliferação do tumor. 

Quando a amostra é composta de animais, os resultados ainda são controversos, um estudo em ratos mostrou que o uso de óleo de semente de linhaça, pode ter efeitos antagônicos, subindo ou descendo os níveis hormonais, dependendo do tempo de uso e da dose (TOU et al, 1999). 

Concluindo

O uso deste suplemento por praticantes de atividades físicas com o intuito de obter melhoras na performance e/ou estética é muito questionável, por mais que se consiga fazer suposições lineares, as substâncias produzem resultados inesperados e até antagônicos em seres vivos. Desta forma o uso do óleo de semente de linhaça não seria recomendado, pois além de não trazer resultados comprovados, pode prejudicar seu sistema endócrino.

Referencias bibliográficas

  • ABBEY M, CLIFTON P, KESTIN M, et al. Effect of fish oil on lipoproteins, lecithin: cholesterol acyltransferase, and lipid transfer protein activity in humans. Arterioscler 1990;10:85–94. 
  • CHAN JK, BRUCE VM, MCDONALD BE. Dietary a-linolenic acid is as effective as oleic acid and linoleic acid in lowering blood cholesterol in normolipidemic men. Am J Clin Nutr 1991;53:1230–4.
  • DEMARK-WAHNEFRIED W, PRICE DT, POLASCIK TJ, ROBERTSON CN, ANDERSON EE, PAULSON DF, WALTHER PJ, GANNON M, VOLLMER RT. Pilot study of dietary fat restriction and flaxseed supplementation in men with prostate cancer before surgery: exploring the effects on hormonal levels, prostate-specific antigen, and histopathologic features. Urology 2001 Jul;58(1):47-52. 
  • HUMFREY CD Phytoestrogens and human health effects: weighing up the current evidence. Nat Toxins 1998;6(2):51-9.
  • HUTCHINS AM, MARTINI MC, OLSON BA, THOMAS W, SLAVIN JL. Flaxseed consumption influences endogenous hormone concentrations in postmenopausal women. Nutr Cancer 2001;39(1):58-65. 
  • KELLEY DS, NELSON GJ, LOVE JE, et al. Dietary a-linolenic acid alters tissue fatty acid composition, but not blood lipids, lipoproteins or coagulation status in humans. Lipids 1993;28:533–7. 
  • NORDSTROM DC, HONKANEN VE, NASU Y, et al. Alpha-linolenic acid in the treatment of rheumatoid arthritis. A double-blind, placebo-controlled and randomized study: flaxseed vs. safflower seed. Rheumatol Int 1995;14:231–4. 
  • RICE RD. Mediterranean diet. Lancet 1994;344;893–4 [letter]. 
  • SINGER P, JAEGER W, BERGER I, et al. Effects of dietary oleic, linoleic and a-linolenic acids on blood pressure, serum lipids, lipoproteins and the formation of eicosanoid precursors in patients with mild essential hypertension. J Human Hypertension 1990;4:227–33. 
  • TOU JC, CHEN J, THOMPSON LU. Dose, timing, and duration of flaxseed exposure affect reproductive indices and sex hormone levels in rats. J Toxicol Environ Health A 1999 Apr 23;56(8):555-70. 
  • WENSING AGCL, MENSINK RP, HORNSTRA G. Effects of dietary n-3 polyunsaturated fatty acids from plant and marine origin on platelet aggregation in healthy elderly subjects. Br J Nutr 1999;82:183–91.

 

Pró-homonios I

Antes de iniciar a leitura, é bom lermos esta resumida seqüência de reações que levam a produção da testosterona:

Colesterol => Pregnenolona => DHEA => Androstenediona => Testosterona 

A partir deste quadro vemos que o processo de produção da testosterona começa com o colesterol, passando pela pregnolona, pelo DHEA (dehidroepiandrosterona) e por último androstenediona, ou seja, para que se chegue a produção do principal hormônio sexual masculino passamos por outros hormônios, chamados precursores. Recentemente houve uma redescoberta destes precursores da testosterona, notadamente o DHEA e a androstenediona, e passou-se a vende-los como alternativas aos esteróides anabólicos, prometendo efeitos positivos sem os temidos efeitos colaterais.

O que me impressiona é o fato disto ser apresentado como novidade. A androstenediona foi sintetizada pela primeira vez em 1935 e no ano seguinte Charles Kochakain revelou seus efeitos anabólicos e androgênicos em cachorros castrados, mas houve dois problemas com a pesquisa: os efeitos foram muito menores que os da testosterona, e ainda por cima foram temporários (além é claro de terem sido verificados em cachorros castrados). Parece que os atletas da antiga Alemanha Oriental, já usavam androstenediona nos anos 70, na forma de um spray nasal utilizado antes das competições, o que levaria as taxas de testosterona a cair rapidamente a níveis "seguros" nos testes anti-doping.

O mundo esportivo influenciou bastante o uso destas substância, talvez a grande procura atual pela androstenediona deva-se ao astro de beisebol Mark McGwire ter afirmado que a usou durante sua trajetória ao recorde de home-runs. (muitos de nós não sabemos quem é este atleta, muitos nem ao menos jogaram beisebol, mas como somos "colonizados" pelos americanos, sofremos a influência indireta que esta afirmação causou naquele país).

O problema do uso de precursores da testosterona é que a cascata de reações não é tão linear nem unidirecional como a do quadro, na "vida real" ela sofre influências de diversas enzimas que podem interromper seu andamento ou até mesmo mudar seu rumo, formando hormônios femininos. E mesmo que uma parte dos "pró-hormônios" seja convertida em testosterona, alguém já se perguntou o que aconteceria com o resto? Ou se esta pequena conversão em testosterona seria significativa para os resultados esperados? Outro problema é que os efeitos colaterais significativos dos esteróides androgênicos (alteração nas taxas de colesterol - alta no LDL e baixa de HDL - acne, ginecomastia...), também podem ser encontrados com estes suplementos, mesmo na ausência de resultados positivos.

Pesquisas

O primeiro hormônio precursor da testosterona a ganhar popularidade foi o DHEA, porém logo sua atenção foi retirada devido a ausência dos efeitos prometidos, mas ainda hoje você pode encontrar muitos potes dele em prateleiras de lojas "especializadas" e farmácias.

Realmente este hormônio se mostrou eficaz em pessoas com distúrbio hormonais, como em mulheres após a menopausa, conforme verificado por LABRIE et al (1998), RUBINO et al (1998) e STOMATI et al (1999). Em situações clínicas o DHEA pode ser usado também para combater acumulo excessivo de gordura e resistência insulina (HAN et al, 1997, HANSEN et al, 1997)

Mas em jovens saudáveis os resultados foram realmente desanimadores, sendo verificado há mais de uma década que o DHEA não é um fator importante no metabolismo protéico (WELLE et al, 1990). Em 1999, BROWN participou de um estudo que envolveu 10 jovens praticantes de musculação aos quais foram administradas 50 mg diárias de DHEA, como resultado as concentrações de andorstenediona aumentaram 150% dentro de uma hora, o que não se refletiu em aumento da quantidade de testosterona nem em adaptações positivas com treino de força.

No momento, o precursor da mais badalado é a androstenediona, que como vimos se encontram um passo a frente do DHEA na cadeia de produção de testosterona, mas ... (veja a segunda parte)

Referências Bibliográficas

  • BROWN GA, VUKOVICH MD, SHARP RL, REIFENRATH TA, PARSONS KA, KING DS. Effect of oral DHEA on serum testosterone and adaptations to resistance training in young men. J Appl Physiol 1999 Dec;87(6):2274-83. 
  • HAN DH, HANSEN PA, CHEN MM, HOLLOSZY JO. DHEA treatment reduces fat accumulation and protects against insulin resistance in male rats. J Gerontol A Biol Sci Med Sci 1998 Jan;53(1):B19-24. 
  • HANSEN PA, HAN DH, NOLTE LA, CHEN M, HOLLOSZY JO. DHEA protects against visceral obesity and muscle insulin resistance in rats fed a high-fat diet. Am J Physiol 1997 Nov;273(5 Pt 2):R1704-8. 
  • LABRIE F, BELANGER A, LUU-THE V, LABRIE C, SIMARD J, CUSAN L, GOMEZ JL, CANDAS B. DHEA and the intracrine formation of androgens and estrogens in peripheral target tissues: its role during aging. Steroids 1998 May-Jun;63(5-6):322-8 
  • RUBINO S, STOMATI M, BERSI C, CASAROSA E, LUISI M, PETRAGLIA F, GENAZZANI AR. Neuroendocrine effect of a short-term treatment with DHEA in postmenopausal women. Maturitas 1998 Jan 12;28(3):251-7.
  • STOMATI M, RUBINO S, SPINETTI A, PARRINI D, LUISI S, CASAROSA E, PETRAGLIA F, GENAZZANI AR. Endocrine, neuroendocrine and behavioral effects of oral dehydroepiandrosterone sulfate supplementation in postmenopausal women. Gynecol Endocrinol 1999 Feb;13(1):15-25 
  • WELLE S, JOZEFOWICZ R, STATT M. Failure of dehydroepiandrosterone to influence energy and protein metabolism in humans. J Clin Endocrinol Metab 1990 Nov;71(5):1259-64.

 

Pró-homonios II

(continuação de Pró-hormonios-I)

No momento, o precursor da testosterona mais badalado é a androstenediona, que como vimos (Alternativas para os esteróides anabólicos androgênicos(?)-I) se encontra um passo a frente do DHEA na cadeia de produção de testosterona, mas nenhum deles provou seus efeitos, há inclusive dois estudos onde usou-se tanto DHEA quanto androstenediona em homens jovens e não foram encontrados efeitos significativos nem na massa muscular, nem na força e muito menos nos níveis de testosterona (WALLACE et al, 1999; AHRENDT et al, 2001).

Talvez o estudo mais significativo sobre androstenediona tenha sido o realizado em 2000, no Laboratório de Performance Humana da East Tennessee State University, onde BROEDER e mais 13 pesquisadores, conduziram um extenso estudo que avaliou os efeitos de 200 mg diárias de androstenediona e androstenediol juntamente com a prática de musculação em homens entre 35 e 65 anos, em um projeto chamado "The Andro Project". No primeiro mês o grupo que recebeu androstenediol teve suas taxas de testosterona elevadas em 16%, mas logo em seguida as taxas voltaram aos valores pré-testes, o que pode ter sido causado tanto pela aromatização quanto pela queda no LH. Nenhum dos suplementos conseguiu promover ganhos de massa muscular nem melhoras na performance e ambos aromatizaram de maneira significativa, causando aumentos nas taxas de estrona e estradiol. Mas os problemas não param por aí, a relação de LDL/HDL (colesterol "ruim"/"bom") aumentou 5,2% para o androstenediol e 10,5% para a androstenediona, ocorrendo um aumento de 6,5% no risco de doenças coronárias.

Estes problemas também foram verificados por BROWN et al (2000) e BALLANTYNE et al (2000) que suplementaram 200 mg de andorstenediona em homens. As taxas de androstenediona e LH subiram cerca de 70%, porém não houve mudanças significativas na concentração de testosterona e o mais interessante: com a realização de treino com pesos as taxas de estradiol subiram 90%!

Realmente a andorstenediona comprovou que pode aumentar as taxas de hormônio sexuais importantes.......femininos. Doses variando de 100 a 300 mg não influenciam positivamente a síntese protéica, não aumentaram a massa muscular, não promoveram ganhos de força e não elevaram as concentrações de testosterona de maneira significativa. Além da ausência dos efeitos prometidos e a constante aromatização (transformação em hormônios femininos) ocorreram alterações negativas nos lipídeos sangüíneos (queda do HDL). (KING et al, 1999; LEDER et al, 2000; RASMUSSEN et al, 2000). No estudo de LEDER ocorreram elevações significativas nos níveis séricos de testosterona com a o uso de 300 mg de androstenediona, mas estes níveis não foram relevantes após 24 horas e novamente a quantidade de estradiol foi maior que o normal.

Outra mania recente e sem fundamentação séria é o uso de "ervas mágicas" que promoveriam estímulo à testosterona. Surgirão assim suplementos como o Tribulus Terrestris, uma erva popularmente (e empiricamente) usada para disfunções sexuais (impotência, infertilidade). Um dos componentes desta planta pode ser convertido em DHEA, mas, como vimos no artigo anterior este hormônio não é eficiente para praticantes de atividades físicas e, como era de se esperar, o Tribulus também não demonstrou eficiência, conforme os resultados da pesquisa de ANTONIO et al (2000) que administraram 3,21 mg/Kg de Tribulus Terrestris durante 8 semanas de treinamento com pesos periodizado. Os autores concluíram que o uso de Tribulus não melhora a composição corporal nem a performance de praticantes de musculação (ressaltando: não houve ganho de massa muscular)

Mas ainda restou uma tentativa, alguém se perguntou: que tal misturamos tudo isso (Androstenediona, DHEA, Tribulus e mais algumas coisas) num só composto? Surgiram, assim, inúmeros suplementos com a mistura de várias substâncias comprovadamente ineficientes. Para testar uma dessas fórmulas "mágicas", BROWN se juntou com outros pesquisadores e avaliaram o produto chamado ANDRO-6 (300 mg de androstenediona, 150 mg de DHEA, 750 mg de Tribulus terrestris, 625 mg de Crisina, 300 mg Indole-3-carbinol, e 540 mg de Saw palmetto). Adivinhe! Os resultados mostraram que a mistura não aumenta significativamente a concentração de testosterona, nem promove adaptações positivas ao treinamento com pesos.

Considerações finais

Os precursores de testosterona podem ter diversas aplicações clínicas: em pessoas com deficiência hormonais, como idosos e castrados, porém em homens saudáveis os efeitos positivos não foram verificados com fidedignidade. Além disso, existem pelo menos duas reações adversas que foram encontradas significativamente em diversos estudos:

1 - aumento da produção de hormônios femininos e;

2 - alterações nos níveis de HDL.

O primeiro efeito pode trazer consigo o conhecido problema da ginecomastia e outras alterações desagradáveis, mas o segundo é mais preocupante por oferecer um nítido risco a saúde de seus usuários, aumentando as chances de ocorrência de doenças cardiovasculares (assim como os esteróides anabólicos androgênicos).

O marketing exagerado sobre estas substâncias e seu consumo arbitrário por praticantes de atividades físicas são práticas irresponsáveis, ineficientes e perigosas, pois não há comprovação de efeitos positivos e foram verificadas em diversas ocasiões a ocorrência de efeitos colaterais.

Referências Bibliográficas 

  • AHRENDT DM. Ergogenic aids: counseling the athlete. Am Fam Physician 2001 Mar 1;63(5):913-22 
  • ANTONIO J, UELMEN J, RODRIGUEZ R, EARNEST C. The effects of Tribulus terrestris on body composition and exercise performance in resistance-trained males. Int J Sport Nutr Exerc Metab 2000 Jun;10(2):208-15. 
  • BALLANTYNE CS, PHILLIPS SM, MACDONALD JR, TARNOPOLSKY MA, MACDOUGALL JD. The acute effects of androstenedione supplementation in healthy young males. Can J Appl Physiol 2000 Feb;25(1):68-78. 
  • BROEDER CE, QUINDRY J, BRITTINGHAM K, PANTON L, THOMSON J, APPAKONDU S, BREUEL K, BYRD R, DOUGLAS J, EARNEST C, MITCHELL C, OLSON M, ROY T, YARLAGADDA C. The Andro Project: physiological and hormonal influences of androstenedione supplementation in men 35 to 65 years old participating in a high-intensity resistance training program. Arch Intern Med 2000 Nov 13;160(20):3093-104. 
  • BROWN GA, VUKOVICH MD, MARTINI ER, KOHUT ML, FRANKE WD, JACKSON DA, KING DS. Endocrine responses to chronic androstenedione intake in 30- to 56-year-old men. J Clin Endocrinol Metab 2000 Nov;85(11):4074-80. 
  • BROWN GA, VUKOVICH MD, REIFENRATH TA, UHL NL, PARSONS KA, SHARP RL, KING DS. Effects of anabolic precursors on serum testosterone concentrations and adaptations to resistance training in young men. Int J Sport Nutr Exerc Metab 2000 Sep;10(3):340-59. 
  • KING DS, SHARP RL, VUKOVICH MD, BROWN GA, REIFENRATH TA, UHL NL, PARSONS KA. Effect of oral androstenedione on serum testosterone and adaptations to resistance training in young men: a randomized controlled trial. JAMA 1999 Jun 2;281(21):2020-8. 
  • LEDER BZ, LONGCOPE C, CATLIN DH, AHRENS B, SCHOENFELD DA, FINKELSTEIN JS. Oral androstenedione administration and serum testosterone concentrations in young men. JAMA 2000 Feb 9;283(6):779-82 
  • MORALES AJ, HAUBRICH RH, HWANG JY, ASAKURA H, YEN SS. The effect of six months treatment with a 100 mg daily dose of dehydroepiandrosterone (DHEA) on circulating sex steroids, body composition and muscle strength in age-advanced men and women. Clin Endocrinol (Oxf) 1998 Oct;49(4):421-32 
  • NESTLER JE, BARLASCINI CO, CLORE JN, BLACKARD WG. Dehydroepiandrosterone reduces serum low density lipoprotein levels and body fat but does not alter insulin sensitivity in normal men. J Clin Endocrinol Metab 1988 Jan;66(1):57-61 
  • RASMUSSEN BB, VOLPI E, GORE DC, WOLFE RR. Androstenedione does not stimulate muscle protein anabolism in young healthy men. J Clin Endocrinol Metab 2000 Jan;85(1):55-9 
  • WALLACE MB, LIM J, CUTLER A, BUCCI L. Effects of dehydroepiandrosterone vs androstenedione supplementation in men. Med Sci Sports Exerc 1999 Dec;31(12):1788-92

Partes: 1, 2, 3


 Página anterior Voltar ao início do trabalhoPágina seguinte 


As opiniões expressas em todos os documentos publicados aqui neste site são de responsabilidade exclusiva dos autores e não de Monografias.com. O objetivo de Monografias.com é disponibilizar o conhecimento para toda a sua comunidade. É de responsabilidade de cada leitor o eventual uso que venha a fazer desta informação. Em qualquer caso é obrigatória a citação bibliográfica completa, incluindo o autor e o site Monografias.com.