Programa GESAC:
Olhares e espaços sobre a inclusão digital no Espírito Santo

 

 

Abstract

O objetivo desse artigo é relatar experiências relacionadas à inclusão digital que estão ocorrendo no Estado do Espírito Santo (Brasil), a partir da implantação de programas governamentais voltados para a utilização dos recursos tecnológicos nas escolas, como a TV Escola, o ProInfo – Programa de Informática Educativa e o Programa GESAC – Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão, tecendo algumas considerações sobre a implantação desses programas no Estado.

Palabras clave:
 · alfabetismo/analfabetismo digital
 · brasil
 · brecha digital
 · cibercultura
 · ciberdemocracia

 

CENÁRIO DA INCLUSÃO DIGITAL

A sociedade atual, denominada por muitos como sociedade do conhecimento, sociedade da informação, sociedade do saber e outros adjetivos, baseia-se na rapidez e facilidade com que as informações são disponibilizadas, em função do desenvolvimento dos recursos tecnológicos e meios comunicacionais. Trata-se de um fenômeno global, com elevado potencial transformador das atividades sociais, políticas e econômicas, capazes de promover a integração entre pessoas, programas e projetos em diversos níveis.

No entanto, entramos no século XXI com um paradoxo, pois profundas desigualdades sociais existentes entre países e pessoas, acentuada pela emergência de uma nova ordem internacional - a globalização econômica, vem desvelando uma crise estrutural do sistema capitalista, trazendo, como conseqüência uma elevação no índice de desemprego e a perda dos direitos sociais. Por outro lado, o mercado de trabalho está exigindo uma mão de obra altamente preparada e flexível. Associadas ainda a esse fato, as mudanças tecnológicas fazem com que grande parte das qualificações exigidas para o mercado de trabalho se tornem rapidamente obsoletas, diante dos aparatos de informação que operam em tempo real.

Percebe-se que existe um descompasso entre o ritmo de desenvolvimento tecnológico e a movimentação teórica, científica e institucional na área da educação. Alheia a esse processo, a escola, principalmente a pública, vive uma profunda crise, que a torna ineficiente na sua função principal - a de sistematizar e de mediar o conhecimento científico, garantindo a construção de significados, a dotação de sentido, a compreensão das informações e a apreensão do conhecimento.

Esse fato fica evidente se analisarmos que das 184 mil escolas públicas do Brasil, apenas 19% possui computador, cerca de 35 mil escolas. Destas, só 16% (5.600) acessam a Internet. Das 34 mil escolas privadas, cerca de 66% possuem computador. Segundo dados do MEC, a média de alunos por computador é maior nas escolas particulares do que nas públicas, nessas existem 26 alunos por computador, enquanto nas escolas particulares a média é de 29 alunos por computador.

Se considerarmos o universo da rede estadual de ensino, veremos que existe, ainda, uma distância considerável entre o número de escolas que utilizam recursos tecnológicos e as que não os utilizam: das 1369 escolas estaduais (811 rurais e 558 urbanas), 112 possuem laboratórios de informática. Desse total, 54 escolas possuem conexão à internet, pelo Programa GESAC, com previsão de instalação, pelo governo federal, de mais 48 pontos. O governo estadual pretende instalar até o ano de 2006, 410 novos laboratórios de informática. Em relação à formação de professores foram capacitados 4618 para o uso dos diversos recursos tecnológicos na educação.

Relação das escolas atendidas pelo Proinfo, TV Escola e GESAC:

A Secretaria Estadual de Educação, por meio de Programas como ProInfo, TV Escola, e GESAC, vinculados à Secretaria de Educação a Distância (SEED/MEC), conta com infra-estrutura de conexão à rede internet e pessoal capacitado, nos quatro Núcleos de Tecnologia existentes no Estado, promovendo ações de formação de professores nas modalidades presencial e a distância, com a criação de ambientes voltados para a capacitação de professores, em serviço, por meio da utilização dos seguintes ambientes virtuais de aprendizagem: http://cursoead.proinfo.es.gov.br/ e http://eproinfo.proinfo.mec.gov.br .

Com o objetivo de promover a integração entre as tecnologias da TV Escola e as do Proinfo foi criada a TV Interativa, visando facilitar o acesso a Programas como "Salto para o Futuro" e outros, além do acesso a canais de televisão educativos. Na prática o televisor passa a reunir maior quantidade de informação: receptor de satélite inteligente, controle remoto interativo, textos complementares na tela, guia de programação, canais de transmissão simultânea e exercícios de avaliação.

A TV Escola Digital Interativa poderá se conectar aos computadores das escolas, permitindo a recepção de dados e conteúdos de áudio, vídeo e texto via satélite, permitindo o armazenamento dos conteúdos e acesso a videoconferências. O receptor de satélite digital que acompanha a antena, será atualizado ganhando recursos como: memória adicional, software de interatividade e capacidade de armazenar dados, que poderão ser salvos em CD.

O interesse pela Educação a Distância (EAD), em âmbito internacional e nacional, envolvendo tanto o sistema público como o privado de ensino superior, tem sido apontado como uma solução democrática, proporcionando condições de acesso à educação para todos aqueles que por algum motivo não estejam sendo atendidos satisfatoriamente pelos meios tradicionais de ensino, principalmente em um país com dimensões continentais como o Brasil.

A Secretaria de Educação a Distância (Seed/MEC), aprovou a abertura, em 2005, de 17.585 vagas em cursos de graduação a distância nas áreas de pedagogia, matemática, biologia, física e química. Os cursos serão oferecidos por instituições públicas federais, estaduais e municipais organizadas em oito consórcios, nas cinco regiões do País.

O anúncio dos consórcios vencedores é o resultado da chamada pública da Secretaria de Educação a Distância, que fixou critérios para a seleção de projetos de licenciatura a distância e dá partida para a solução do problema da falta de professores em cinco áreas, especialmente a das ciências exatas.

No que se refere ao espaço escolar, a introdução das tecnologias, ampliadas pela conexão em rede dos computadores, inaugura um formato próprio nas relações pessoais e no trato com as informações, exigindo de professores e alunos o desenvolvimento de habilidades e competências no sentido de desenvolver processos interativos e cooperativos de ensino e aprendizagem, priorizando o diálogo, a autonomia, o agir reflexivo e a abertura da escola afim de interagir com outras instituições sociais.

A Secretaria de Estado da Educação e Esportes do Espírito Santo, vem buscando integrar as ações pertinentes ao Programa de Informática Educativa (ProInfo), que teve início em 1997, a TV Escola, iniciada em 1995 e implementada a partir de 2003 com a TV Interativa, além do programa GESAC. Esses programas contam com recursos tecnológicos e infra-estrutura capazes de desencadear ações que possibilitem às escolas integrar os recursos tecnológicos e audiovisuais ao seu Projeto Político-Pedagógico, disseminando, assim, uma cultura tecnológica nas escolas, equipando-as para o desenvolvimento de projetos integrando escolas, comunidades e outras instituições sociais.

Durante o VIII Encontro Nacional da TV Escola, ocorrido em julho de 2002, representantes da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação, das Secretarias Estaduais de Educação e das Instituições Públicas de Ensino Superior conveniadas à Universidade Virtual Pública do Brasil – Uni-Rede, discutiram a integração de programas de educação a distância e a inclusão das novas tecnologias da informação e comunicação nos processos educativos escolares, com o propósito de consolidar uma política de educação a distância no país.

Desse encontro, resultou uma agenda de compromissos em que ficaram acertados 14 pontos, visando a institucionalização de uma política nacional de educação a distância e de inserção dessas tecnologias nas educação pública, entre os quais pode-se destacar questões relacionadas à expansão e modernização da infra-estrutura tecnológica nas instituições públicas de ensino, interligando-as em rede; envolvimento das instituições públicas (MEC, Ministério da Ciência e Tecnologia, Empresas de telecomunicações e Empresa de Correios e Telégrafos), além de outros órgãos governamentais, garantindo o acesso à internet e a redução das tarifas.

A oferta de cursos para formação de professores em nível superior, assegurando o domínio das novas linguagens e tecnologias, em cursos de formação inicial e continuada de docentes e gestores educacionais, bem como o desenvolvimento de um sistema integrado de acompanhamento e avaliação da educação a distância e uso das tecnologias educacionais, e, ainda, o estabelecimento de parcerias entre instituições públicas e privadas objetivando intensificar a colaboração e criar um fórum permanente de discussão, foram outros pontos importantes da agenda.

Os participantes desse encontro consideraram, ainda, que a inserção dos métodos, técnicas e tecnologias tanto na educação presencial como na educação a distância, contribuem para:

· Democratizar o acesso a níveis crescentes de escolaridade e de formação continuada;

· Contribuir para a elevação do padrão de qualidade da educação brasileira;

· Indicar perspectivas de trabalho educacional que combinem, de forma harmoniosa e intencional, presença e distância, mediadas por tecnologias cada vez mais interativas.

Novas concepções em relação ao processo educacional apontam para o fato de que este deve ser considerado em sua totalidade, como um fenômeno que acontece em todas as fases e situações da vida, constituindo um processo permanente, que leva o ser humano a comunicar-se com os outros e a questionar o mundo com base em experiências próprias, buscando sua realização. Além disso, as diversas modalidades de educação (formal, não-formal e, mesmo, informal) devem estar inter-relacionadas, completando-se mutuamente. Atividades como estudar, trabalhar e dispor de lazer devem permear-se umas às outras.

A democratização do ensino permanece, desse modo, como um direito do cidadão, visando à superação dos privilégios educacionais e oportunizando a todas as pessoas, de qualquer idade ou classe social a flexibilidade do processo de ensino-aprendizagem, possibilitado uma adaptação às mudanças sociais e a novas condições de vida e de trabalho.

 

O PROGRAMA GESAC

O Programa GESAC teve início em julho de 2003, quando foram estabelecidas parcerias entre órgãos do Governo Federal, tais como o Ministério das Comunicações (MC), Ministério do Planejamento (MP), Ministério da Educação (MEC), Ministério da Defesa (MD) e (Instituto de Tecnologia da Informação (ITI).

O principal objetivo do Programa é "promover a inclusão digital como alavanca para o desenvolvimento social auto-sustentável e promoção de cidadania" (1), principalmente de pessoas das classes C, D e E, que dificilmente teriam acesso aos serviços da chamada "sociedade da informação" (2). Esse Programa permite o acesso a Internet em alta velocidade (utilizando antenas VSAT e modens que permitem a conexão à Internet, via satélite) funcionando em escolas, unidades militares e telecentros, com uma média de conexão em sete computadores em cada ponto.

Os pontos de presença, como são denominados os locais que receberam a antena para a conexão via satélite, estão instalados em escolas públicas, que já possuíam laboratórios de informática montados e que estão situados em municípios com baixo índice de desenvolvimento humano – IDH , ou nas periferias das grandes cidades.

O Gesac está implementado em todos os Estados brasileiros, atendendo a comunidades indígenas, remanescentes de quilombolas, comunidades rurais e quartéis localizados nas fronteiras brasileiras e em regiões remotas.

Existem, atualmente, no Brasil, 3.200 pontos de presença instalados em mais de 2.500 municípios. De acordo com dados do Programa, isso permite que cerca de 28 mil computadores estejam em rede e conectados à internet, com perspectivas de atender a um número superior de 6,4 milhões de pessoas. (3)

A título de exemplificação esses pontos estão assim distribuídos pelo território nacional: em São Paulo foram instalados 382 pontos, Minas Gerais conta com 431 pontos, o Rio de Janeiro com 162 e o Espírito Santo com 69 pontos de presença, para citar exemplos da região sudeste. Na região norte, citando alguns Estados, temos o Amazonas com 81 antenas instaladas, o Pará com 166, Maranhão com 105 pontos e Roraima com 21 pontos, sendo que neste último Estado, a maioria dos pontos refere-se a áreas militares, sendo apenas 6 pontos instalados em escolas. Na região nordeste o Rio Grande do Norte possui 84 pontos instalados, Sergipe 28, Alagoas 36, Pernambuco 187 pontos e a Bahia, possui um número maior de pontos instalados, nessa região – 230. Na região sul temos o Paraná com 139, Santa Catarina com 84 pontos e o Rio Grande do Sul com 190 pontos, até o momento. Existe uma previsão de ampliação do Programa para a instalação de mais 1.200 pontos para próximo ano e outros 1.200 para 2006.

Considerando a Internet como um importante meio de comunicação e de cidadania, a justificativa do programa refere-se à importância de conhecer e utilizar as tecnologias, que devem "deixar de ser um privilégio de poucos para transformar-se em um extraordinário fator de promoção social, possibilitando, inclusive, abertura de oportunidades de trabalho para milhões de pessoas." (4)

Segundo pesquisa divulgada em setembro de 2003 pela ANATEL, somente 8% da população brasileira têm acesso à internet. Desse total, apenas 9,3% pertencem às classes C, D e E. Para se ter uma idéia sobre o atual quadro da exclusão digital brasileira, basta analisar o mapa da Exclusão Digital no Brasil.

MAPA DA EXCLUSÃO DIGITAL NO BRASIL

Fonte: Fundação Getúlio Vargas

O cenário de exclusão digital em que vive grande parte da população brasileira pode ser constatado pelo exame do mapa e pelos seguintes dados da Fundação Getúlio Vargas:

· A maioria dos incluídos digitais, (cerca de 97%), se concentra na área urbana, acentuando ainda mais o desnível e deixando as zonas rurais praticamente na escuridão digital.

· As regiões sul e sudeste do país são as que possuem menor porcentagem de excluídos.

· Existem apenas 27 milhões de brasileiros que são incluídos digital (15 % da população), sendo que apenas 13 % dos domicílios brasileiros tem computador e desses 9% acessam a internet.

· Cerca de 75% dos brasileiros nunca manusearam um computador e 89 % dos brasileiros nunca acessaram a Internet.

· Dos 5.561 municípios brasileiros, 350 não dispõem de provedores locais de acesso à rede

De acordo com o censo 2000 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas 10,6% dos domicílios brasileiros têm computadores. Desse total, 90% pertencem às classes A e B. Países com populações menores do que a brasileira registram, proporcionalmente, um percentual maior de pessoas com acesso à Internet, como é o caso do Chile, que possui 20,02% de sua população conectada à rede.

Pesquisa da E-Consulting revela que o Brasil tem atualmente 17,4 milhões de internautas, concentrados nas grandes capitais e grandes cidades do interior, principalmente nos municípios do sul e do sudeste, conforme se pode demonstrar pela análise do mapa.

O principal objetivo do programa é contribuir para mudar esta realidade. Esse programa prevê não apenas a facilidade de acesso à Internet, mas prover um conjunto de facilidades adicionais para que as comunidades explorem ao máximo todos os recursos informacionais, como por exemplo a transmissão de voz, vídeo e som por meio de videoconferências. Além disso, o programa prevê ainda, "acesso a serviços disponíveis em portais governamentais ou privados, produção e divulgação de valores culturais locais, ensino à distância e comércio eletrônico..."

Pretende ainda, contribuir para a "formação de uma rede horizontal solidária de cooperação, que possibilite maior intercâmbio de informações, oportunidades para melhoria da vida, geração de cultura e de negócios." (5) Como se pode perceber são objetivos amplos e de certa forma utópicos. Não me refiro à utopia irrealizável, idealista e abstrata, mas àquela utopia do "possível real", a

que se refere McLaren referindo-se a Bloch (2001), uma imaginação utópica que tem função emancipatória.

Após um ano de instalação da internet nas escolas, por meio desse Programa, o Ministério das comunicações criou um portal governamental – http://www.idbrasil.gov.br, onde se pode acessar as informações sobre o Programa GESAC, bem como notícias, divulgação de eventos e outros na área institucional e o portal http://www.idbrasil.org.br , com várias ferramentas disponíveis para o usuário, como cadastro de e-mail, lista de discussão, fóruns, sistemas de perguntas e respostas (uma espécie de tira-dúvidas), escritório, onde se pode compartilhar arquivos com outros usuários, HD virtual e outras facilidades.

A criação do portal, como uma infra-estrutura básica, visando incrementar as ações de inclusão digital, deverá contribuir para subsidiar a formação de uma rede capaz de disseminar a comunicação e a informação online, divulgar aspectos históricos, culturais, ambientais, turísticos, políticos e econômicos de cada região ou localidade brasileira, servindo como suporte de mediação e interação entre os participantes do Programa e demais pessoas interessadas. Sabe-se que não é suficiente apenas instalar computadores na escolas e provê-las de acesso à internet, sem realizar uma adequada formação de professores e outras pessoas envolvidas no processo como: diretores, pedagogos, técnicos e demais membros da comunidade.

Silva (2004) afirma que estar online não significa estar incluído na cibercultura,

"Internet na escola não é garantia de inserção crítica das novas gerações e dos professores na cibercultura, [pois], mesmo com a Internet na escola, a educação pode continuar a ser o que ela sempre foi: distribuição de conteúdos empacotados para assimilação e repetição."

Esse autor enfatiza o papel da interface online para a criação de desdobramentos (por meio da linguagem hipertextual), da arquitetura de criação de novos percursos (própria da rede), de novos agenciamentos e significações. E mais importante é que professores, alunos e demais membros da sociedade podem deixar de ser consumidores passivos das informações, para se tornarem produtores de informação e conhecimento, criando páginas web, para divulgarem seus produtos, seu município, sua escola, sua realidade, tornando-se participantes e construtores do ciberespaço e não apenas consumidores ou simples usuários.

Claro, que para tanto, necessitam estar preparados para transitarem nesse novo espaço virtual, dominando as ferramentas de acesso a esse novo espaço, assim como em qualquer outra atividade humana. Nesse sentido é que Silva propõe a distinção da palavra "ferramenta" para "interface", esclarecendo que "a ferramenta opera com o objeto material e a interface é um objeto virtual. A ferramenta está para a sociedade industrial como instrumento de fabricação, de manufatura. A interface está para a cibercultura como espaço online de encontro e de comunicação entre duas ou mais faces".

Ferramenta, seria, portanto, um termo inadequado para expressar o ambiente que caracteriza a infra-estrutura do espaço cultural e comunicacional da internet, rico em interações, associações, significações, trocas, autoria e co-autoria.

No sentido de capacitar professores e técnicos que atuam no ProInfo, além de membros da sociedade civil e militar como ONGs, comunidade de software livre, instituições militares e outros, para a utilização do portal idbrasil, teve início, em junho de 2004, o curso para o uso das "ferramentas" disponíveis no GESAC, com duração de 40 horas, ministrado por representantes do MC, MEC é técnicos da empresa responsável pela criação do portal.

O portal www.idbrasil.org.br utiliza as diversas ferramentas, tendo como base a utilização do software livre. Para participarem desse primeiro curso de capacitação, foram selecionados dois representantes de cada Estado – um técnico e um professor/multiplicador, de cada um dos Estados brasileiros, concentrados por região. Por exemplo, na região sudeste, esse primeiro curso envolveu os Estados de Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Em São Paulo, a capacitação envolveu apenas representantes desse Estado, em virtude do elevado número de municípios envolvidos. Na região sul o curso aconteceu em Curitiba, na região nordeste, em Fortaleza, na região norte, em Belém e por fim na região centro-oeste, em Brasília.

Os objetivos desse curso foram:

· Usar intensivamente as tecnologias da informação e comunicação disponibilizadas no portal;

· Produzir conteúdos escritos e visuais sobre temas relevantes e atuais de sua própria comunidade;

· Desenvolver conteúdos de forma cooperativa e a distância com outras comunidades;

· Interagir com a comunidade de software livre;

· Fomentar o desenvolvimento cultural e econômico local;

· Criar uma rede horizontal de conhecimento;

· Realizar o cadastramento dos administradores regionais.

Para um país continental e com grandes áreas sem acesso a qualquer tecnologia digital, a implementação de projetos e políticas públicas na área social podem, de acordo com documento disponibilizado no citado site, ser mais eficazes graças a esse canal de comunicação. Esse tipo de conexão permitiria interligar brasileiros de todas as partes do país sem as barreiras geográficas do território nacional, permitindo, ainda, a divulgação, por meio da criação de páginas web, dos aspectos culturais, sociais, econômicos de cada comunidade.

Por meio da parceria estabelecida entre o Ministério das Comunicações e o MEC 1.800 escolas públicas foram contempladas com a implantação do programa, em todo o território brasileiro. Estas escolas já dispunham de laboratório de informática, com pelo menos 5 computadores em rede local, mas sem acesso à Internet.

De acordo com dados encontrados no site, 72% dos serviços do governo federal estão disponibilizados na internet. O país conta com 737 domínios governamentais na internet e mais de onze mil domínios.org.

Dessa forma, a infra-estrutura encontra-se disponível para a formação de uma rede interativa e cooperativa de aprendizagem. Mas. Conforme Paiva (2003) para acabar com a exclusão é preciso que o usuário entenda que os recursos disponíveis constituem um meio de acesso à educação, ao trabalho, ao contato e troca com a comunidade, ao pensamento crítico e ao exercício pleno da cidadania.

 

GESAC NO ESPÍRITO SANTO

No Estado existem ao todo 69 pontos de presença instalados pelo Programa. Desses pontos, 54 são escolas atendidas pelo ProInfo e outras 9 escolas pertencentes às Prefeituras Municipais (sendo quatro da Prefeitura de Vitória, quatro da Prefeitura de Vila Velha e uma da Prefeitura da Serra), conectadas à Internet pelo programa GESAC.

Além das escolas existem outras instituições no Estado que também receberam a antena para conexão à internet via satélite, como o Destacamento de Telecomunicações de Controle do Espaço Aéreo, localizado no município de Santa Teresa e o CIDAP – Centro Integrado de Desenvolvimento dos Assentados e Pequenos Agricultores do Espírito Santo, localizado em São Mateus, além de três Núcleos de Tecnologia, existentes no Estado.

O Proinfo no Estado está estruturado a partir de quatro Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE), que encontram-se distribuídos em diferentes regiões do Estado: norte (NTE de São Mateus), noroeste (NTE de Colatina), sul (NTE de Cachoeiro de Itapemirim) e na região metropolitana (NTE Metropolitano de Vitória). Esses Núcleos são responsáveis pela capacitação, acompanhamento e avaliação do Programa nas escolas situadas nas áreas de abrangência de cada um dos citados núcleos.

O ProInfo é um programa educacional criado em 9 de abril de 1997 pelo Ministério da Educação para promover o uso da telemática como ferramenta de enriquecimento pedagógico no ensino público fundamental e médio. O Programa é desenvolvido pela Secretaria de Educação à Distância - SEED, por meio do Departamento de Informática na Educação a Distância - DEIED, em parceria com as Secretarias Estaduais e algumas Secretarias Municipais de Educação.

Cada Estado da Federação elaborou seu projeto, de acordo com as diretrizes do MEC. Os objetivos do ProInfo, no Estado, são:

  • Proporcionar uma educação preocupada com o desenvolvimento científico-tecnológico através da reorientação dos currículos da educação fundamental e média de forma a ultrapassar a transmissão de conhecimentos como função central da atividade educativa.
  • Oferecer aos alunos uma educação que possibilite o desenvolvimento de sua capacidade de aprender a aprender, estimulando sua autonomia através de projetos temáticos multidisciplinares que têm como fundamento o aprender fazendo, experimentando, criando e construindo estratégias.
  • Desenvolver o acompanhamento e a avaliação permanente das ações pedagógicas em geral, bem como aquelas desenvolvidas com os computadores, equipamentos correlatos, produtos e demais inovações no campo da informática educativa.
  • Incentivar o desenvolvimento de trabalhos e pesquisas que busquem a criação de novas formas de uso do computador como recurso pedagógico auxiliar no processo de ensino e aprendizagem.
  • Garantir a manutenção permanente dos equipamentos dos laboratórios de informática.
  • Consolidar um programa de formação e atualização de professores na informática educativa, aplicando os conhecimentos adquiridos nos procedimentos curriculares;
  • Buscar a participação efetiva das comunidades nas decisões e ações de expansão, melhoria e proteção de prédios e equipamentos escolares, construindo uma nova prática e uma nova consciência do público, não só como estatal, mas como espaço comunitário de direitos públicos e democráticos.

 

Como se pode observar, trata-se de objetivos bem amplos e ambiciosos, assim como os listados para o Programa GESAC, com a diferença de que esse último tem uma ação voltada, prioritariamente, para a inclusão da comunidade, além da clientela escolar.

Após o término do curso, realizado em Belo Horizonte e promovido pelo MEC e MC, planejamos os cursos para capacitar os professores que atuam nos pontos de presença do Estado do Espírito Santo, a serem realizados em cada um dos NTE existentes no Estado, com a participação de um professor responsável pelo laboratório de informática (LIED) das escolas e pontos de presença existentes no Estado. Para tanto, planejamos um primeiro curso, de 30 horas que aconteceu no NTE Metropolitano, para um professor de cada uma das 15 escolas da área de abrangência desse núcleo, contando, também, com a participação de um pedagogo de cada Superintendência Regional: de Vitória, Vila Velha e Cariacica, além de diretores das referidas escolas, e de dois professores/multiplicadores do NTE Noroeste, que possui o maior número de pontos de presença instalados nos 21 municípios que integram a área de abrangência desse Núcleo.

Em seguida, um segundo curso foi ministrado no NTE Norte, no período de 24 a 27 de agosto de 2004, para 14 professores, além de seis multiplicadores e dois técnicos do NTE. O terceiro curso ocorreu no NTE Sul, período de 14 a 17 de setembro, com a participação de 13 professores, 4 multiplicadores e um técnico. Finalmente no NTE Noroeste, ocorreu o quarto curso, no período de 29 de setembro a 01 de outubro de 2004, com a participação de 10 professores e dois multiplicadores em uma primeira etapa, estando previsto um outro curso, para outros 11 professores da rede municipal de educação.

Em cada um desse núcleos, o contato com professores que atuam nos laboratórios de informática das escolas, localizadas em diferentes municípios, representou uma oportunidade de contato com esses professores, conhecendo mais de perto o trabalho que vêm realizando, seus avanços, dúvidas e dificuldades. Representou, também, um desafio para que, além do contato com as ferramentas disponíveis no portal, pudessem compreender os objetivos do Programa e pensarem na metodologia de utilização desses recursos, não apenas visando o atendimento da comunidade escolar, como também o atendimento da comunidade extra-escolar, vivenciando estratégias para alcançar o objetivo fundamental do Programa que é incluir, no mundo digital, aquelas pessoas mais distantes desse universo informatizado.

O que se pode perceber, por meio das conversas informais, entrevistas e visitas à algumas das escolas beneficiadas pelo Programa é que o conceito de comunidade permanece restrito a pais de alunos, ex-alunos e alguns poucos indivíduo interessados em obter algumas facilidades de serviços online, como: cadastramento de CPF, envio de imposto de renda, consulta a sites para verificar resultados de exames em concursos públicos, e outros serviços.

O uso da internet para ações que promovam a interação entre as pessoas, publicação de páginas web, de jornais eletrônicos, participação em cursos online, em fóruns, lista de discussão, chats, bem como a realização de projetos cooperativos entre escolas, envolvendo professores, alunos e membros de comunidades situadas em diferentes localidades, é ainda muito restrito, com excessão de algumas escolas onde os professores já realizam essas e outras atividades, como blogs, flogs, e entrevistas online, por exemplo.

Quanto às facilidades que essas professoras e professores encontram para realizarem seu trabalho nos laboratórios, a maioria cita a oportunidade de acesso a novas tecnologias, de atualização do conhecimento, de interação com pessoas da escola e de fora da instituição, além do aumento no interesse e participação dos alunos pelas atividades propostas.

Em relação às dificuldades citaram o número insuficiente de máquinas em relação ao número de alunos (existem lieds com 11 micros e outros com 21 máquinas), o suporte técnico insatisfatório, a falta de tempo disponível para atender aos alunos, planejar, estudar; a falta de interesse e preparo (alguns citaram a resistência) de alguns professores da escola em desenvolverem projetos ou atividades para acompanharem os alunos nos lieds. Uma das professores assim se expressou:

"os professores nunca sentaram junto para fazer projetos. Eles querem ir ao lied sem planejamento, querem que a mediadora planeje tudo". Outros citaram ainda, a falta de material. Como máquina digital, filmadora, transcoder, webcam; a falta de alunos-técnicos (que auxiliam o trabalho do professor), e reduzida capacidade de memória das máquinas.

No que se refere às opiniões dos professores em relação ao lied da escola em que trabalham, essas variam desde descrições sobre a boa infra-estrutura da sala:

· "sala bem equipada, com condições plenas de levar o conhecimento ao aluno";

ou como um recurso didático: "é uma ferramenta que veio auxiliar o professor no processo de ensino-aprendizagem";

· com um sentido utilitarista: "O lied [laboratório de informática] é um espaço que deve ser usado de forma planejada, mas deve se tornar necessário a qualquer aula";

· referindo-se às potencialidade de uso: "Muito bom, ajuda na interação social, com alunos e professores contribuindo para a aprendizagem dos alunos";

· de forma prescritiva: "Muitas vezes não é usado do jeito que deveria ser, deixando de trazer benefícios para os usuários";

· de forma entusiástica: "É a melhor coisa que a educação já recebeu nos últimos tempos, e a educação da nossa escola é outra em relação à qualidade e quantidade de informações recebidas".

Em relação aos avanços trazidos pela internet, os professores apontam a melhoria no processo de ensino/aprendizagem, aulas mais práticas, acesso mais fácil à pesquisa e a comunicação, desenvolvimento da leitura e agilidade nos trabalhos escolares, a maior facilidade de acesso às fontes de pesquisa pelos alunos e professores, o intercâmbio com outras pessoas ou escolas, a possibilidade de diversificar as atividades pedagógicas, o "enriquecimento" dos projetos, aproximação entre escola e comunidade, inserção do aluno no mundo contemporâneo.

 

VIVENCIANDO ESPAÇOS DE INCLUSÃO SOCIAL/DIGITAL

Inclusão se torna atualmente um termo que precisa ser vivenciado, praticado e assegurado, fazendo parte de um contexto mais amplo que se refere à inclusão social. Segundo Gonçalves (2001, p.10), a educação inclusiva não é uma moda pedagógica, mas constitui-se em uma filosofia educacional e social, é "um movimento, uma prática que postula o enfrentamento a toda discriminação dentro e fora da escola".

Essa autora cita várias características da educação inclusiva, dentre elas a "oportunidade de dar vazão ao poder pessoal de cada aluno [indivíduo, cidadão], valorizando seu potencial para alcançar, dentro de seu ritmo, a aprendizagem"; além da necessidade de formação dos profissionais e de realização de pesquisa, troca de experiência e atuação conjunta com a comunidade.

Para o governo brasileiro inclusão digital é "garantir, à maior parte possível da população brasileira, a obtenção dos conhecimentos necessários para utilizar com proficiência os recursos de informática e telecomunicações existentes, o acesso físico regular a estes recursos e a capacidade de gerar ou receber conteúdo por estes meios".

O objetivo da inclusão digital é a inclusão social, pois o que o governo pretende é erradicar o chamado "analfabetismo digital", capacitando as pessoas para utilizarem os recursos da tecnologia da informação e comunicação, como estímulo para o exercício da cidadania

Visando garantir esses objetivos, deu-se início ao curso, realizado no NTE Metropolitano de Vitória, que representou uma oportunidade para conhecermos o trabalho realizado por outras escolas municipais, que não fazem parte do ProInfo, mas integram o GESAC, sendo beneficiadas com a conexão à internet, via satélite. Percebemos o total desconhecimento dessas escolas sobre o Programa, seus objetivos e em relação ao próprio funcionamento da conexão à rede via satélite. Muitos disseram que só sabiam que a escola possuía internet, e que teriam que "atender à comunidade". Esse atendimento é realizado pelas escolas municipais, geralmente, aos sábados e de forma precária.. O sentido da palavra comunidade fica, mais uma vez, restrito à comunidade escolar: alunos da própria escola e ex-alunos, que criam conta de e-mail e acessam sites infantis, jogos e realizam download de músicas.

O conceito de comunidade raramente possui uma visão ampliada, isto é, integrando o município, os bairros, as localidades vizinhas. O conceito de comunidade pode ser definido por parâmetros objetivos como por exemplo a divisão política (distrito, subdistrito, região), ou por formas de organização econômica, social ou cultural. Mas, a comunidade tem também uma dimensão subjetiva, ou seja, aquela em que as pessoas reconhecem um sentimento de pertinência, por compartilharem uma mesma realidade histórica, econômica, cultural ou sócio-ambiental.

No NTE norte, o curso envolveu professores dos municípios de Boa Esperança, Vila Pavão, Conceição da Barra, Rio Bananal, Jaguaré, Linhares e São Mateus. Esses municípios estão localizados na região norte do Estado que apresenta condições naturais mais desfavoráveis em relação às demais regiões do Estado.

Nos municípios de Boa Esperança e Vila Pavão as duas professoras que participaram do curso, trabalham em escolas rurais – os CEIER’s – Centros Estaduais Integrados de Educação Rural, que possuem uma proposta alternativa de educação para o meio rural. Os CEIER’s foram criados pela Secretaria de Estado da Educação e Cultura, em convênio com as Prefeituras Municipais e o MEC.

Essas escolas são de ensino fundamental – de 5ª a 8ª série, e se caracterizam por possuírem regime semi-internato e um calendário adaptado ã época de colheitas do município, além de possuírem um currículo adaptado à realidade agroecológica . O principal objetivo dessas escolas é contribuir para a melhoria das condições de trabalho e de vida da população do meio rural, através de um agricultura familiar e agroecológica.

Existem três escolas com essa proposta de educação rural no Estado:

· CEIER de Boa Esperança - criado em 1982

· CEIER de Vila Pavão - criado em 1983

· CEIER de Águia Branca - criado em 1983

Essas escolas possuem convênios com instituições como: INCAPER, APTA, Projeto Sementes, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Associação de Pequenos Agricultores, Secretaria Municipal de Agricultura e Educação, NTE/ProInfo, e outros

A estrutura curricular dessas escolas baseia-se em um conteúdo de base nacional comum (disciplinas básicas do currículo como português, história, geografia, ciencias, matemática...) e uma parte diversificada, com disciplinas como horticultura e minhocultura, viveiro e fruticultura; culturas perenes anuais e biofertilizantes; criação de animais; horta medicinal, além de fornecer alimentação, refeitório, oficinas artesanais e estudo de língua estrangeira.

Apesar de ambas as escolas – o CEIER de Águia Branca e o CEIER de Vila Pavão possuírem conexão com a internet e proposta de trabalho pedagógico semelhante, elas ainda não utilizam o potencial interativo da internet para a realização de projetos colaborativos, envolvendo os alunos, professores e a comunidade em geral. Com o acompanhamento pedagógico do NTE de São de Mateus e a capacitação do portal idbrasil espera-se que esses professores despertem o interesse por esse tipo de trabalho.

O CIDAP, não enviou um representante para participar do curso por falta de contato, uma vez que o telefone da instituição estava com defeito, na época do curso, uma das contradições da chamada era da informação, pois, apesar de ambos os espaços contarem com as facilidades de acesso à internet, não foi possível estabelecer a comunicação entre os interessados, devido ao desconhecimento do endereço eletrônico do CIDAP e do desconhecimento dessa instituição em relação à existência do programa GESAC.

Tendo em vista meu desejo de conhecer esse espaço, e como haviam duas pedagogas da superintendência regional de educação participando do curso, fui convidada por elas para ir até o local, na tarde do último dia do curso. A localidade, um distrito, distante cerca de 50 km de São Mateus, é rural, com acesso precário, por meio de uma estrada sem calçamento. Esperávamos encontrar uma escola rural, precária, que atendesse filhos de agricultores e assentados rurais. Qual não foi a nossa surpresa, ao chegar ao local, pois, apesar da simplicidade das instalações e do aspecto rústico da localidade, encontramos um Centro de Formação, atendendo pessoas de várias localidades, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e pessoas vindas de outros municípios do Estado, para participarem de cursos de formação profissionalizante na área de técnicas agrícolas.

Trata-se de um espaço simples, mas bem estruturado, contando com um laboratório de informática com 18 computadores, doados pelo Banco do Brasil, além de mais três micros novos, situados na secretaria e em outra sala, um micro ligado a uma impressora e máquina de xerox. Além disso, o local conta com um alojamento simples, para os cursistas, banheiros, cozinha e varanda.

Em outro espaço fica uma construção simples, uma casa que funciona como creche, para os filhos dos professores (as) que vêem participar dos curso. Um local simples, com quartos, cozinha, banheiro e varanda, onde dormia uma das crianças.

Uma espécie de um grande galpão à direita da edificação principal, onde se localiza o laboratório, o alojamento, a secretaria, a biblioteca e contíguo à varanda, a cozinha, encontra-se o local onde ocorrem as aulas. No momento em que chegamos à essa espécie de grande galpão, que em nada se assemelha a uma sala de aula tradicional, estava ocorrendo uma apresentação de capoeira. Os alunos em roda, tocavam os instrumentos típicos como o berimbau e participam ativamente daquela apresentação cultural.

Os coordenadores do CIDAP foram nos mostrando os diversos espaços e explicando o funcionamento do centro de formação. Os alunos têm atividades variadas, durante todo o dia, iniciando, em geral, às 5:30 horas da manhã, com o trabalho na horta, intercalando atividades teóricas e práticas que se prolongam até às 22:00 horas, tendo como metodologia de trabalho a "Pedagogia da Terra".

As perguntas e o desejo de conhecer mais sobre aquela realidade, aquele espaço tão diferenciado de aprendizagem e que nossos olhos urbanos, acostumados à mesmice de escolas que mais se assemelham às prisões, com suas grades por todos os lados e seus ambientes assépticos, nos deixaram uma sensação de surpresa e uma certa incredulidade diante de uma realidade tão distante de nossos padrões culturais. Essa região, situa-se em uma área rural onde as condições sócio-econômicas são desfavoráveis, tendo em vista que o IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) está em torno de 0,706, considerado abaixo da média estadual, que é de 0,767, sendo que o Estado do Espírito Santo classifica-se como o 10° Estado em qualidade de vida.

Saímos com a promessa de voltar, sabendo que ali, naquele distante local, a inclusão digital seria mais do que uma necessidade, uma conquista daqueles que se organizam em busca de alcançar um ideal de uma democracia mais justa, igualitária e includente.

No NTE de Colatina, participaram do curso, em uma primeira fase, 10 professores de escolas estaduais. Após a abertura do curso e as explicações do técnico sobre as diversas formas de conexão à internet, noções sobre software livre e software proprietário, bem como sobre a estrutura hierárquica de acesso e acompanhamento aos serviços disponibilizados pelo portal, passou-se, no segundo dia, para a parte prática do curso, ou seja configuração de e-mails no site idbrasil, inscrição na lista de discussão e nos fóruns. No terceiro dia aprenderam a gerenciar os arquivos, criando pastas no HD virtual, enviar mensagens para os colegas pela lista, e-mail ou nos pop-up (mensagens instantâneas) e criarem perfil, além de adicionarem amigos nos contatos do e-mail. O quarto dia, em geral é mais complexo, pois precisam fazer o download do software FTP comander, para enviarem as páginas web criadas por meio do software Open Office.

As professoras responsáveis pelo GESAC, no NTE de Colatina, demonstraram preocupação em relação à distribuição dos 30 pontos para a comunidade. Um artigo publicado em um dos jornais estaduais, comentava sobre a inauguração da "Casa do Artesão", uma iniciativa da presidente da Associação Colatinense de Artesanato e Culinária (Acolartec), que passou a ocupar um antigo vagão de trem, localizado em uma praça pública, por onde passava a Estrada de Ferro Vitória a Minas, e pertencente à Companhia Vale do Rio Doce, que passa diariamente pela cidade, transportando o minério de ferro do Estado vizinho – Minas Gerais, para ser processado pela empresa e exportado pelo porto de Vitória, a capital do Estado ou pelo porto de Ubu, situado em Anchieta, sul do Estado.

Esse espaço foi visitado pelos professores responsáveis pelo curso, juntamente com as multiplicadoras do NTE de Colatina, a fim de verificar o interesse dos artesãos em estabelecerem uma parceria com o NTE para participarem de cursos na área de informática e divulgarem seus trabalhos por meio da construção de uma página na internet e futuramente uma lojinha virtual.

O curso no NTE de Cachoeiro contou com a participação de treze professores, quatro multiplicadores e um técnico do NTE. Os municípios de origem desses professores são: Ibatiba, Marataízes, Muqui, Iconha, Mimoso do Sul, Bom Jesus do Norte, Bom Jesus de Itabapoana, Alegre, Atílio Vivacqua, Iúna, Apiacá e Castelo Os questionamentos dos professores, após a apresentação das diretrizes do Programa e informações sobre o curso, foram no sentido de buscar respostas para viabilizar o atendimento à comunidade, já que as escolas vinham realizando esse atendimento nos fins de semana, mas o governo estadual não autorizou a contratação de professores ou o pagamento de horas extras, com extensão da carga horária do professor.

Outro questionamento que foi comum nos cursos é o que se refere às dúvidas sobre a disponibilização dos 30 pontos que cada escola/ponto de presença pode oferecer . Em geral, essa dificuldade de identificar pessoas da comunidade, que possam utilizar as ferramentas do portal, deve-se à comentada dificuldade de ampliar os horizontes da escola para além de seus muros, abrindo as portas para a participação e a maior integração de pessoas da comunidade no envolvimento de ações da escola. A maioria dos professores via esse atendimento como simples cadastramento de CPF, criação de e-mails e demais serviços disponibilizados por sites governamentais.

Os fóruns criados no Portal idbrasil têm se mostrado importantes na discussão sobre a disponibilização desse pontos para a comunidade. Durante os cursos foram criados os fóruns, com temas diversos, à medida que as discussões e dúvidas iam surgindo. O título do fórum ficou sendo – "Inclusão digital – ES, e outros subfóruns foram sendo acrescentados, de acordo com sugestão dos cursistas. Um desses trata da questão específica sobre "O Portal idbrasil e o uso das suas ferramentas na inclusão digital".

Seguem algumas contribuições dos professores cursistas sobre o tema, postados nesse fórum:

Idéias para disponibilização dos pacotes

Aqui no NTE Sul, fizemos uma reunião, após o curso do Gesac, na 6ª feira, para juntarmos as idéias de cada um. Uma das idéias foi trabalhar com o grupo da 3ª idade e o grupo de deficientes visuais, além do pessoal da feira de artesanato, aqui de Cachoeiro, conversei com um casal, que faz parte da associação, que gostaram muito da idéia e se colocaram a disposição. Agora precisamos fechar essa questão, para nos reunirmos e partirmos para ação. Mais idéias estão surgindo a cada momento. Marília

Distribuição dos pontos –

Cláudia Brasil Lima.

Eu pensei que seria interessante também convidar proprietários de clubes, para divulgar eventos, convidar o secretário da cultura do município para divulgar os pontos turísticos, entre outras coisas e também convidar associação de moradores.

Idéias para os pontos

Maria Amelia Viana Schwan

Existe no meu município, apicultores, que poderiam estar divulgando seus produtos, grupo de jovens, comerciantes. já os convidei e demonstraram interesse em participar

Parabéns...

Angela Maria Prata

Eu sou mediadora da EEEFM "Eurico Salles" Itaguaçu e fiquei encantada com sua idéia. Estou também participando deste grupo. Um pouco perdida mas gostaria e quero que todo os participantes colaborem para que todos tenham muito sucesso. Vou convidar algumas pessoas da comunidade para colaborar e nos dar idéias. Sucesso! Bjs

 

 

MÚLTIPLOS OLHARES SOBRE A INCLUSÃO DIGITAL

O conceito de inclusão digital é abrangente e está intimamente ligado ao de inclusão social. Não basta apenas disponibilizar o acesso aos recursos tecnológicos e à internet para se considerar "incluído" na sociedade da informação. Promover a integração e interação das pessoas na sociedade representa um desafio para todos nós educadores, Significa, não apenas disponibilizar o acesso às fontes de informação e ao conhecimento, que, em uma sociedade democrática, devem estar acessíveis a todos os cidadãos, mas implica em um trabalho de conscientização e sensibilização das pessoas, em um trabalho voluntário e na união de esforços da sociedade como um todo.

Para Spagnolo (2003), a exclusão digital "é o termo utilizado para sintetizar todo um contexto que impede a maior parte das pessoas de participar dos benefícios das novas tecnologias de informação". As conseqüências da exclusão social acentuam a desigualdade tecnológica e o acesso ao conhecimento, aumentando o abismo entre ricos e pobres. Por isso o autor destaca a importância de uma política pública por parte dos governos, principalmente nos países subdesenvolvidos, visando diminuir o fosso existente entre aqueles que têm acesso (os infoincluídos) e os que não possuem acesso (os infoexcluídos) aos recursos da sociedade tecnológica.

O potencial de democratização desse Programa, visando o enriquecimento cultural, a divulgação das potencialidades turísticas locais, o desenvolvimento sócio-econômico das regiões mais remotas, tendo em vista o ideal de promoção social e de uma cidadania participativa, depende da criação de uma rede horizontal de comunicação e cooperação, entre todos os cidadãos, além de vontade política e envolvimento das instituições da sociedade civil, para a utilização igualitária dos recursos disponíveis visando o desenvolvimento de uma cidadania ativa, crítica e participativa.

O grande desafio das redes de comunicação para a educação é a promoção de um processo interativo entre as diversas escolas. O Programa GESAC pode vir a constituir uma "ponte" para a tão discutida e tão pouco efetivada integração entre a escola e a comunidade, facilitando a comunicação entre alunos e professores, entre esses e os pais, os vizinhos, o agricultor, o pescador, o artesão, o empresário, o médico, o prefeito...

A infra-estrutura tecnológica está disponível, para ser utilizada em todo o seu potencialidade de interação online para a realização de videoconferencias, cursos online, entrevistas e outros recursos que podem dinamizar e facilitar o acesso ao conhecimento e a troca de informações entre todos os membros da comunidade local e global, criando, dessa forma, o que Lévy (2000), denomina de inteligência coletiva ou árvore de conhecimento.

Há muito que a escola deixou de ser o único espaço de acesso ao saber. A disseminação da televisão, do rádio e outros meios de comunicação de massa, colocam as pessoas em contato com os acontecimentos mundiais e com novas formas de aprendizagem. Trata-se, nos dizeres de Martin-Barbero (2000), de um saber mosaico, que precisa ser sistematizado, discutido e organizado pela escola. Dessa forma, o conhecimento nas suas novas dimensões exige uma interação muito maior entre a escola e o seu espaço social.

De acordo com Imbernõn (2000, p.87), os desafios para a educação no século XXI são:

· Desenvolver uma escola democrática;

· Participar da educação do cidadão democrático;

· Envolver ideologicamente a comunidade no processo educativo.

Dowbor (2004, p.53), afirma que

"...a transformação dos espaços do conhecimento não pode se dar apenas de dentro dos espaços da educação: exige ampla participação e envolvimento de segmentos empresariais, dos sindicatos, dos meios de comunicação, das áreas acessíveis da política, dos movimentos comunitários, dos segmentos abertos das igrejas, etc., na gradual definição dos nossos caminhos para a sociedade do conhecimento".

 

Esses são alguns dos desafios postos ao Programa GESAC e que se pretende acompanhar, para fins de pesquisa, no intuito de verificar a eficácia de sua implementação pelas escolas e demais pontos de presença, analisando as interações nos fóruns, nas listas, o envio de mensagens, notícias e comentários nos blogs, criação de páginas web, de projetos comunitários e a utilização do portal para a efetivação de ações que venham possibilitar um canal democrático de comunicação bem como a criação de uma rede de conhecimentos e aprendizagens.

 

CONCLUSÃO

Os Programas governamentais voltados para a utilização dos recursos tecnológicos na escola, não são recentes, conforme descrito inicialmente, contando com 9 anos de existência do Programa TV Escola e 7 anos o ProInfo, e, apesar da reduzida abrangência desses programas nas escolas, pois de um universo de 1334 escolas públicas do Espírito Santo, apenas 112 possuem laboratórios de informática nas escolas, sendo 86 o total de escolas atendidas pelo ProInfo, 54 com conexão via satélite, pelo GESAC, e as demais possuem a conexão discada, por meio de parcerias com empresas de telecomunicações ou por iniciativa e ônus da própria administração da escola.

Entretanto, percebe-se uma preocupação, por parte dos governos federal e estadual, não apenas em equipar com recursos tecnológicos e implantar novos laboratórios de informática nas escolas, garantindo a conexão à rede internet e o acesso a programas veiculados por meio digital, mas, também, um interesse no sentido de atualizar os Programas voltados para o uso eficiente e adequado dos recursos tecnológicos na escola, promovendo cursos de formação inicial e continuada dos professores com essa finalidade.

Por meio dos programas como: ProInfo, TV Escola e GESAC, a Secretaria de Estado da Educação e Esportes do Espírito Santo tem promovido ações educacionais voltadas para a integração das mídias de comunicação e de informação nas escolas públicas estaduais e municipais, equipando-as com TV, vídeo, antenas analógicas e digitais, computadores ligados em rede interna e, gradativamente conectando-os à internet.

O trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas com as tecnologias tem evidenciado a importância da formação continuada e permanente para professores e gestores, objetivando não somente o domínio operacional e técnico, mas, primordialmente, o desenvolvimento de ações voltadas para a reflexão e o debate sobre a influência das transformações tecnológicas surgidas a partir de um novo entorno comunicacional e suas relações com o processo educacional.

Os desafios que se colocam para a educação, no contexto dos ecossistemas comunicativos referem-se, sobretudo, à necessidade de refletir sobre a integração entre tecnologia, sociedade e cultura, tendo em vista a necessidade de promover uma adequada formação de professores voltada para a ampliação de acesso às novas linguagens comunicacionais, utilizando os recursos tecnológicos a serviço da cidadania. A questão crucial que se coloca é: Como colocar o conhecimento a serviço dos excluídos?

Significa preparar os professores e cidadãos para o exercício consciente de um direito – participar de forma ativa, crítica e criativa, no contexto da sociedade da informação, negociando com os sentidos que dá aos meios e recursos tecnológicos, bem como os usos que faz desses recursos.

Martín-Barbero (2000), afirma que grande parte da população da América Latina tem acesso à modernidade não por meio da escola, mas sim a partir dos discursos, narrativas, saberes, linguagens, e experiência audiovisual. São os chamados "saberes mosaico", apropriados a partir da indústria dos meios de comunicação de massa.

O professor precisa se conscientizar de que não é a única fonte do saber, pois existe uma profusão de "canais" legitimados pela sociedade tecnológica que também geram informação e podem também produzir o conhecimento.

Se, até duas décadas atrás, podia-se contar com o cinema e, em menor escala, com a TV, como exemplo de linguagens audiovisuais a serem utilizados no processo educacional, hoje, além do fortalecimento da presença das mídias já citadas, a rede de computadores assume importância na construção do conhecimento, pela possibilidade de conexão, de trabalho em grupo e pela formação de uma "ecologia cognitiva", como prega Lévy (1999).

O consumo midiático, possibilitado pelo avanço e disseminação das tecnologias de comunicação e de informação, conduz a outra reflexão que deve estar presente no processo educacional: a identidade do aluno e da comunidade em que está inserido, o que possibilita a formação de uma educação cidadã, uma vez que a cultura e as informações trazidas pelo educando para a escola, não devem jamais ser desprezadas, pois constituem o tecido social do qual ele, o educando, faz parte.

Acrescenta-se a essas reflexões o fato de que o desenvolvimento dos recursos tecnológicos está permitindo o surgimento, no espaço virtual, de uma ampla e complexa cultura, onde agrupamentos sociais inimagináveis, até então, são formados e se apresentam com idéias, produção e publicação de conteúdos. A complexidade e pluralidade estão presentes na formação de ambientes sócio-virtuais, possibilitando o agrupamento das pessoas com interesse em discutir determinados temas, a formação de comunidades virtuais de aprendizagem; os fóruns de debates e listas de discussão, cujo objetivo é o de promover o agrupamento, o conhecimento e a sociabilidade entre aqueles que têm interesses afins, sejam eles científicos ou não.

Resta saber se o interesse do governo brasileiro em propor ações voltadas para a inclusão digital, visando gerar oportunidades na sociedade da informação, com a percepção de que muitos brasileiros não teriam condições de adquirir equipamentos e serviços para garantir esse acesso e consciente da importância dos modernos meios de comunicação, especialmente a internet, como propulsora de uma sociedade democrática e de um a aprendizagem emancipatório, é viável ou utópica, dadas as condições de um país periférico, cuja lógica baseia-se na sociedade capitalista e excludente.

 

BIBLIOGRAFIA

· DOWBOR, L. Tecnologias do conhecimento: os desafios da educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.

· GONÇALVES, A F. S. Educação inclusiva: moda pedagógica, filosofia educacional, o que é? P. 6-12. Revista Pró-Discente: PPGE/UFES, v. 7, n. 2, jul/dez, 2001.

· IMBERNÓN, F. Amplitude e profundidade do olhar: a educação ontem, hoje e amanhã. In: Imbernón (Org.), A educação no século XXI: os desafios do futuro imediato. Porto Alegre: Artmed, 2000.

· MARTIN-BARBERO, J. Novos regimes de visualidade e descentramentos culturais. P. 83- 113, In: FILÉ, V. (org.). Batuques, fragmentações e fluxos. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

· LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: 34, 1999(a).

· _________ As tecnologias da inteligência. São Paulo: 34, 1999(b).

· ________ As árvores de conhecimentos. São Paulo: Escuta. 2 ed. 2000.

· MACLAREN, P. A pedagogia da utopia. Conferencias realizadas na UNISC. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2001.

· MEC / SEED / TV ESCOLA / SALTO PARA O FUTURO. Pedagogia de Projetos e integração de mídias (vídeos e boletins) . Setembro de 2003.

· MEC / SEED / TV ESCOLA / SALTO PARA O FUTURO. Escola faz tecnologia faz escola, (vídeos e boletins). Setembro de 2004.

· PENTEADO, H. D.). Comunicação escolar: uma metodologia de ensino. São Paulo: Salesiana. 2002.

· SILVA, M. Sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quartet Editora & Comunicação Ltda. 2000.

· ______ (2004) Internet na escola e inclusão. MEC / SEED / TV ESCOLA / SALTO PARA O FUTURO. Escola faz tecnologia faz escola, (vídeos e boletins). Setembro de 2004.

SILVA, M.T. C & Silva C. A F. A dimensão sócio-espacial do ciberespaço – uma nota. In: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/geografia/geo07a.htm. Acesso em 22/08/03.

· SPAGNOLO, G. A exclusão digital. Fonte: Software Livre. In: http://www.infoinclusao.org.br/conteudo.asp?conteudo_id=293. Acesso em 07/12/2003.

 

NOTAS

[1] - http://www.idbrasil.gov.br/menu_interno/docs_prog_gesac/artigos_entrevistas/em_questao

[2] - De acordo com Dowbor (2004, p.30), a sociedade da informação é uma expressão utilizada para definir as transformações que estão afetando o planeta e as relações sociais. Passamos de uma sociedade agrária, onde a terra era a fonte de riquezas, para uma sociedade industrial onde a fonte de riquezas se baseava nos recursos minerais e atualmente vivemos em uma sociedade onde a informação e o conhecimento passaram a ser os elementos mais importantes para o desenvolvimento econômico.

[3] - Dados encontrados no site do Programa GESAC: http://www.idbrasil.gov.br

[4] - ibid

[5] - http://www.idbrasil.gov.br/

 

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"Este artículo es obra original de Helenice Barcellos y su publicación inicial procede del II Congreso Online del Observatorio para la CiberSociedad: http://www.cibersociedad.net/congres2004/index_es.html"

 

Helenice Barcellos
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