Aspectos praticos das influências ambientais

Indice
1. Introdução
2. Influência Ambiental Endógena
3. Influência Ambiental Exógena
4. Conclusão
5. Bibliografia

1. Introdução

O estudo da riqueza da empresa, na atualidade, ultrapassa o limite tradicional que se confinava em apurar lucros e haveres.
A Contabilidade, anteriormente, estudou o patrimônio e seu registro, mas sem maiores preocupações sobre "o porque" acontecem os fenômenos da riqueza das células sociais, ou melhor, sobre quais as "causas agentes" que geram as transformações patrimoniais.
Por longos milênios apenas dedicou-se a "arte de escriturar" e quando passou a ser uma ciência ocupou-se mais em analisar os elementos da riqueza que mesmo os fenômenos em suas origens mais profundas.
Podemos dizer que é, relativamente ao tempo, deveras recente a atenção para com as questões sociais e aquelas do entorno sócio-econômico.
O patrimônio, todavia, inequivocamente, não se movendo por si mesmo, sofre modificações pela influência do ambiente, como também provoca influências na comunidade.
Constantemente, por influências ambientais exógenas, ocorrem transformações patrimoniais. Há uma dinâmica do capital constante mesmo que algumas não sejam tão evidentes ou até pouco observáveis.
Esta mutação constante da riqueza influencia a sociedade na sua qualidade de vida.
Há uma interação constante entre o patrimônio e os seus entornos.
Estes fenômenos ambientais podem afetar profundamente o andamento da riqueza da célula social (seja ela empresa ou instituição). Assim como podem aumentar a dinâmica patrimonial, podem também diminuir a dinâmica a ponto de gerar crise e demissão de pessoal, afetando assim também a comunidade.
Carlo Ghidiglia, o gênio do Controlismo, reconheceu que a "influência dos fatores exógenos, ou seja, os sociais, os econômicos, operam-se de forma diferente em cada lugar, dependentes que são dos psicológicos e de tradições de cada povo e que tudo isso tem repercussão na vida da riqueza." (Ver pg. 85 História Geral e da Doutrinas da Contabilidade, Prof. Lopes de Sá).
Também Eugen Schmalenbach, expoente da escola reditualista na Alemanha, defendia a posição social da azienda. Preocupou-se ele nos estudos das pressões do ambiente externo onde a azienda está inserida.
E o Prof. Lopes de Sá com sabedoria alertou sobre estes fenômenos ambientais em sua obra Teoria Geral do Conhecimento Contábil lançado em 1992 e os admitiu em um grupo especial de relações lógicas causadoras do movimento da riqueza.
Sobre exemplos e casos práticos ligados à questão passaremos a tratar neste trabalho.

2. Influência Ambiental Endógena

Influências ambientais endógenas são as que advêm da direção e do pessoal da organização. São fenômenos ambientais internos da célula social.
Diversos são os temas que podem ser inseridos nos estudos e os tratarei por tópicos.

Nutrição:
Há interesse da direção e do pessoal em estudar a influência da alimentação equilibrada natural ao andamento da dinâmica da riqueza.
Uma direção e pessoal com boa saúde terão energia para desenvolver melhor o trabalho na empresa. Sabe-se hoje que a saúde também depende daquilo que a pessoa se alimenta e de uma forma equilibrada. A saúde como a doença pode entrar pela boca. Não é objetivo deste trabalho aprofundar conhecimento sobre uma alimentação apropriada para ter boa saúde mas sim sua influência na dinâmica da riqueza.
Hoje a empresa contrata profissional da nutrição para que o pessoal tenha uma boa alimentação e assim possa ter boa saúde e trabalhar com disposição. Evitando-se as licenças de trabalho por doenças. Toda parada de trabalho acarreta uma perturbação na dinâmica do capital.
A conscientização de uma alimentação natural e equilibrada é fundamental para que aja saúde do pessoal e esta influência ambiental endógena vai tanger o patrimônio.
A ciência da alimentação interessa ao Neopatrimonialismo porque é um fator que vai tanger a riqueza pela via do pessoal.
Uma pessoa com uma alimentação equilibrada poderá dinamizar melhor a riqueza do que uma pessoa mal alimentada.

Aspecto Psicológico
Há interesse hoje pela psicologia no campo da dinâmica do capital. Sabe-se que um funcionário adaptado em sua função e que gosta do que faz renderá mais que um funcionário que não esteja adaptado e não gosta do que faz. Esta influência ambiental endógena tangerá a dinâmica da riqueza.

Pressão Psicológica
A pressão psicológica negativa exercida por uma autoridade sobre o dono de uma empresa poderá causar diminuição da dinâmica patrimonial e assim afetar o resultado da empresa. Observamos isto na prática.
A ação psicológica positiva poderá aumentar a dinâmica do capital.

3. Influência Ambiental Exógena

Influência ambiental exógena é aquela que atua sobre o patrimônio proveniente do ambiente externo da célula social.

Analisemos alguns acontecimentos práticos externos ao patrimônio e que sobre o mesmo tiveram, recentemente, influências diversas:

Aviação Comercial
Com o atentado terrorista ao World Trade Center em Nova York e ao Pentágono em Washington, diminuiu o fluxo de passageiros nos aviões, obrigando as companhias aéreas a cancelarem alguns vôos ao Brasil e a outros países por falta de passageiros ou número diminuto de pessoas para viajar.
Houve uma redução de 35% inferior a registrada em outubro de 2000 e outubro 2001 em ocupação de aviões entre Brasil e Estados Unidos.(Correio do Povo, Economia, pg. 12, out/01).
Segundo a Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA) houve uma baixa de ocupação de vôos de 30% do nível normal.
Tais fatos geraram aumento de custo unitário de passagem em face da relação gastos fixos/receita.
Medidas corretivas promoveram dispensas de pessoal com seus custos pertinentes e maiores gastos para motivar o mercado a confiar novamente nos vôos.

Turismo em Nova York
Houve uma queda da atividade econômica do turismo em virtude do atentado no World Trade Center.
O turista deixou de viajar para Nova York com medo de novos atentados terroristas.
A ameaça específica aos Estados Unidos abalou o afluxo de interessados em viajar para aquele país e que deixou de inspirar o excesso de confiança que se tinha na segurança e poder do mesmo.

Restaurantes
Com o atentado terrorista houve diminuição da dinâmica da riqueza dos restaurantes da rede de Hotéis que trabalham com turismo.
Os problemas já referidos de aumento do custo unitário e os efeitos promocionais tangeram diretamente o patrimônio de tais empresas.

Agências de Turismo
O atentado que houve em Nova York mexeu com o turismo daquela cidade como afetou outros locais e agencias de turismo. Um exemplo é a falência da SOLETUR aqui no Brasil. Faliu em virtude de fatos externos. Diminui de uma hora para outra o fluxo turístico e com isto afetou profundamente a dinâmica do capital desta agência de turismo. A falência em 05.11.01 foi também motivada pela diminuição de procura de passagem em virtude do ataque terrorista de 11.09.01 no World Trade Center e no Pentágono em Nova York.
Com a crise internacional do turismo motivada por fatos exógenos faliu a mais forte operadora de Turismo na América Latina. Transportou 350.000 turistas no ano de 2000 e 250.000 em 2001. A empresa possuía 28 filiais em 13 cidades brasileiras, além de cinco hotéis de lazer próprios, na Bahia. A Soletur possuía 480 funcionários e mais 1500 indiretos.

Hotéis
A primeira semana, após 11 de setembro de 2001, a ocupação média dos hotéis na rede norte americana teve queda de 90% em relação ao mesmo período. Depois de 40 dias a retração foi de 5% em relação ao ano de 2000. (Jornal do Comércio, out/2001, Economia, ed. 107, ano 69).

Aviação Comercial
Ainda em decorrência do ataque terrorista em N. Y. houve diminuição da atividade do capital da aviação comercial. Isto gerou desemprego. Embora a desocupação seja um fenômeno estudado pela Economia, afeta também a riqueza das células sociais e por isto e sob os aspectos da dinâmica destas muito interessa a Contabilidade. Em virtude do atentado as pessoas, com medo de outros ocorrerem , cancelaram suas passagens e assim diminui o fluxo de passageiros afetando a receita e como já foi dito ao custo unitário de cada vôo.

Indústria de Aviões
Houve, ainda em face do evento do setembro de 2001, uma queda na produção de aviões e assim as companhias tiveram que demitir pessoal.
A Boeing Co., a maior empresa espacial do mundo e a maior fabricante de aeronaves interrompeu a fabricação de 777-200 lR, destinado a ser o maior avião comercial com maior autonomia de vôo já fabricado. O programa foi suspenso, por um espaço de tempo, devido a fracas vendas e ao declínio do setor de aviação, após o ataque terrorista ocorrido no dia 11 de setembro de 2001.
Assim também a Embraer, quarta maior fabricante mundial de aviões comerciais, sofreu diminuição de sua atividade patrimonial com a crise no setor aeronáutico mundial e viu-se obrigada a rever seus contratos e demitir pessoal. Só com a Crossair, companhia aérea que opera vôos regionais na Europa e que fazia parte do grupo Swissair, havia um contrato de 2 bilhões de dólares.
A Crossair, para comprar aviões da Embraer contava com a venda de sua aeronaves. Com a crise, no entanto, os preços das aeronaves caíram e a Crossair teve que refazer seus cálculos para comprar jatos da Embraer.

Atentado no Metrô em Tóquio
Quando houve o atentado com gás no metro de Tóquio logo as pessoas procuram se proteger e assim aumentou a venda de máscaras aumentando a dinâmica do capital destas indústrias.

Ameaça do Terrorismo Biológico
Sempre que há ameaça as pessoas procuram se proteger comprando roupas e máscaras.

Bactéria Antraz
Com esta bactéria colocada em evidência pelo terrorismo trouxe aumento da procura por luvas, máscaras, etc. Fez assim estes setores aumentarem sua dinâmica patrimonial.

Guerra
Ela traz aumento de produção de armas. Assim as cotações das ações destas organizações aumentam como aumenta a sua procura. Cresce a dinâmica da riqueza destas empresas. Em contraposição nos paises atacados as células sociais sofrem baixas imensas em seus patrimônios.

Queda de avião
Sempre que há queda de avião há prejuízo para a companhia não só pela perda como também pela diminuição de procura de passagens nesta companhia. Este fenômeno pode ser passageiro mas ele existe e vai afetar o patrimônio da empresa aérea.

Bomba em avião
Toda vez que há notícia de bomba em avião diminui o fluxo de pessoas em viagem aérea principalmente na companhia onde ocorreu o fato. Afetando assim, temporariamente, a dinâmica da riqueza.

Vaca Louca
Quando há o problema da vaca louca, já ocorreu na Inglaterra, e agora no Japão, há um declínio brusco na dinâmica patrimonial das organizações que trabalham com carne bovina. Também os restaurantes são afetados por este problema. Há uma baixa acentuada de consumo de carne por parte do consumidor e de seus derivados.

Oferta de automóveis
A oferta de automóveis na fábrica faz com que diminua, por um tempo, a dinâmica patrimonial e muitas vezes com diminuição do quadro funcional ou dá férias por falta de trabalho ao pessoal.
A diminuição de pessoal em uma empresa poderá beneficiar a função patrimonial, sendo um fato favorável nos domínios contábeis, mas prejudicial sob o aspecto da Economia.
Benéfico para a contabilidade em virtude da diminuição dos custos com o pessoal (fenômeno patrimonial). Não é benéfico para Economia porque aumenta o desemprego (fenômeno econômico). Criando-se assim problema social.
O desempregado não possuindo poder aquisitivo deixa de consumir ou consome bem menos. Isto faz com que ao comprar menos o comércio reduza a sua venda e que a indústria produza menos.
Onde há aumento de poder de compra o consumidor pode comprar mais e a indústria pode produzir mais, tudo isto influindo em cada empresa sobre o patrimônio da mesma.

Aumento do combustível
O aumento do combustível, por parte do governo, causa repercussão na indústria e comércio como também nas empresas de prestação de serviços e na vida do consumidor. Gerando assim uma corrente de aumentos que o consumidor terá que os arcar. Quando não há como repassar ao consumidor diminui a margem de lucro da empresa. Este fenômeno patrimonial, da diminuição da margem de lucro, fará com que o patrimônio terá menos disponibilidades do que teria se não houvesse este fenômeno patrimonial.
Sempre que há aumento do combustível, por parte do governo, este aumento é repassado ao consumidor ou a empresa absorve este aumento e com isto diminui sua margem de lucro.
Trabalhando com 20% de lucro liquido e tendo que observar um aumento de 5% inesperado sem poder repassar a elevação ao consumidor o lucro liquido poderá reduzir até a menos de 15%. Reduzida a taxa de retorno do investimento o empresário tende a aplicar menos em expansão e influi, com isto, não só em seu próprio negócio, mas, no de seus fornecedores.
As influência ambientais exógenas tanto podem acarretar aumento da dinâmica patrimonial como estagnação e até diminuição do capital.

Cotação do dólar
A influência ambiental exógena do aumento da cotação do dólar pode acarretar benefícios para aqueles que possuem dólar. Também gera prejuízo para aqueles que assumiram seus compromissos expressos pela moeda estrangeira.
Um cliente que tenha 1000 dólares a R$ 2,70 terá disponível R$ 2.700,00.

Se o dólar passar a R$ 3,00 ele terá disponível R$ 3.000,00. Houve assim um aumento de R$ 300,00.

Um fato observado na Feira do Livro em Porto Alegre em início de novembro de 2001 foi a diminuição da procura de livros estrangeiros por parte dos leitores e a dificuldade de importação de livros.

O aumento da cotação faz aumentar o turismo no sul do país por parte dos Argentinos que tem sua moeda atrelada ao dólar.

Beneficia a indústria de brinquedos nacionais. O brinquedo estrangeiro torna-se mais caro.

Festa de Natal

É notório o aumento da dinâmica patrimonial na maioria das células sociais com a comemoração do Natal. Há procura de pessoal para prestar serviços neste período como há aumento nas vendas.

4. Conclusão

O Patrimônio da célula social é sensível as variações externas. Os acontecimentos do entorno afetam a riqueza da organização. Isto foi notório como o atentado terrorista no World Trade Center em Nova York no dia 11 de setembro de 2001. Onde o atentado mexeu com a economia mundial. Colocando setores da economia em crise com demissão de pessoal, falências etc., prejudicando assim a comunidade, diminuindo a dinâmica patrimonial de vários setores da economia e aumentando a dinâmica do capital de outros setores, como as indústrias de armamento.

Alguns expoentes da contabilidade, no passado, já ventilavam estes fenômenos ambientais mas só após 1992 com a publicação da obra Teoria Geral e do Conhecimento Contábil pelo Prof. Lopes de Sá é que se deu a seriedade nos estudos que merecia este assunto.
Observamos constantemente célula social prosperando, estagnando sua atividade econômica ou indo a falência por influências ambientais exógenas.
O Neopatrimonialismo vem pesquisando e estudando com seriedade e responsabilidade toda a influência ambiental endógena e exógena no patrimônio pois é um assunto relevante para a vitalidade, economicidade e prosperidade da célula social

5. Bibliografia

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MARTELL, Deyanira Meza. Una nueva contabilidad, CESTEC, deciembre de 1998.
NEPOMUCENO, Valério. Homo aziendalis: Reflexões sobre a Teoria das funções, IPAT – Boletim , n. 11 julho de 1996.
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SÁ, Antônio Lopes de. Análise e essência dos fenômenos patrimoniais, Revista do CRCRS, Porto Alegre, n. 97, julho de 1999.
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VASCONCELOS, Yumara L. Fundamentos distintivos do Neopatrimonialismo, Boletim IPAT n. 17, edição UNA, Centro Universitário, novembro de 2000.
VINEGLA, Alfonso L. e GASSET, M. H. Sistema integrado de gestión de la estratégica e resultados, Universidade Zaragoça, febrero de 2000. 

 

Trabajo enviado por:
Werno Herckert
werno[arroba]mksnet.com.br
Membro da Academia Brasileira de Ciência Contábil
Membro da Associação Científica Internacional Neopatrimonialista

 
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