A pós-graduação em computação e a indústria



Para que formar doutores?

Parece que a primeira resposta seria que no Brasil serve para que estes doutores formem novos doutores! E os mestres? Estes não podem se reproduzir academicamente, pois para participar como professor orientador de um programa de pós-graduação é preciso ser doutor. Certamente os mestres podem ser ótimos professores de graduação, e é o que a maioria deles está fazendo. A visão tradicional da universidade, na área tecnológica, era a de formação de capital de conhecimento, mais tarde este conhecimento seria aproveitado para o desenvolvimento de produtos. Atualmente procura-se um modelo mais integrado entre pesquisa, ensino e produção. Neste caso os pós-graduados não deveriam estar trabalhando, em grande parte, na indústria? Estão realmente lá? Alguns dados para pensar:

"Pesquisa mostra que apenas 1% dos profissionais com mestrado e doutorado trabalham em fábricas no Brasil" Jornal da Ciência

"Entre 1987 e 2003, o número de brasileiros que recebeu o título de mestre e doutor a cada ano cresceu respectivamente 757% e 932%; em 2.000 formaram-se 18.000 mestres e 5.000 doutores brasileiros. Mas o mesmo não se pode dizer sobre sua produção tecnológica. Apenas 4% das empresas industriais brasileiras lançaram um produto novo para o mercado nacional", ADB

Na entrevista com Jorge Gerdau Johanpeter, presidente do Grupo Gerdau e presidente do Conselho Superior do PGQP publicada no encarte Qualidade RS 2006 da Zero Hora, Porto Alegre, página 12 encontramos esta pergunta e resposta:.

Pergunta – "No Brasil seria baixo o envolvimento das empresas na busca da inovação. As universidades podem cumprir um papel nesse sentido e estariam preparadas para isto?"

Resposta – "Apenas 11% dos 80 mil pesquisadores estão ligados a empresas privadas que mantêm atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). O motivo em primeiro lugar, é que o retorno dessa atividade vem a médio e longo prazo e a instabilidade da economia brasileira desestimula os investimentos na área. Uma pesquisa sobre inovação liderada pela Fundação Dom Cabral mostra que, enquanto em 2004 o setor privado brasileiro investiu 14 dólares per capita em P&D, na Coréia do Sul esse valor foi de 254 dólares. A fundação também verificou que, em 2005, 85% das empresas brasileiras se mostravam preocupadas com o tema da inovação, mas apenas 15% delas faziam alguma coisa nessa direção. Apesar das empresas ainda terem um caminho longo a percorrer nessa área, o trabalho desenvolvido pelas universidades tem sido fundamental, pois está focado em grandes descobertas, analisadas a médio e longo prazo, mostrando tendências e inovações de grande importância. A principal diferença entre o investimento em pesquisa nas universidades é que ele é focado em ações de maior escala do que as empresas, que, em geral, investem em pesquisa voltada ao seu negócio, para resultados de curto e médio prazo. "

A resposta parece óbvia, sem competição industrial continuaremos neste ciclo fechado de formar pós-graduados para formarem pós-graduados. Observem que estou tratando exclusivamente da área de computação, aqui não está em discussão a necessidade de fomento para áreas teóricas ou desligadas de resultados práticos imediatos. Em áreas tecnológicas, como computação, existe um mecanismo de mercado que precisa ser analisado com muito cuidado em todas as suas facetas. Precisamos levar em conta um modelo de desenvolvimento empresarial nacional junto com a necessidade de formação de profissionais competentes na área.


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