Eficiência Microbiana, Fluxo de Compostos Nitrogenados no Abomaso, Amônia e pH Ruminais, em Bovinos Recebendo Dietas Contendo Feno de Capim-Tifton 85

Enviado por Rasmo Garcia


(de Diferentes Idades de Rebrota)

1. Resumo

Avaliaram-se a eficiência de síntese microbiana, o fluxo de compostos nitrogenados no abomaso, o balanço de compostos nitrogenados, a taxa de passagem da digesta ruminal, a concentração de amônia e o pH ruminais, em bovinos recebendo rações contendo feno de capim-tifton 85 de diferentes idades de rebrota. Utilizaram-se quatro animais zebu, com peso médio de 340 kg, fistulados no rúmen e abomaso, distribuídos em um delineamento em quadrado latino 4 x 4. Todas as rações continham 60% de volumoso e 40% de concentrado. O volumoso foi constituído de feno de capim-tifton 85 de 28, 35, 42 e 56 dias de idade e o concentrado continha fubá de milho e mistura mineral. Os microorganismos ruminais foram quantificados utilizando-se as bases purinas como indicador. O pH e N-amoniacal foram mensurados, no fluido ruminal, antes e 2; 4 e 6 horas após o fornecimento da ração. A taxa de passagem foi determinada pelo modelo unicompartimental, utilizando-se o óxido crômico como indicador. As eficiências de síntese microbiana não foram influenciadas pela idade do feno na ração, apresentando valores médios de 31,32 g Nbact/kg MODR; 30,74 g Nbact/kg CHODR; 337,4 g MSbact/kg CHODR; e 12,5 g PBbact/100 g NDT. Estimaram-se máximos fluxos de compostos nitrogenados totais, amoniacais e não-amoniacais, de 119,0; 9,76; e 109,6 g/dia, com a inclusão de feno com 39,7; 37,6; e 39,9 dias de idade, respectivamente, e fluxo de compostos nitrogenados bacterianos de 80,54 g/dia, em média. O balanço de nitrogênio, a taxa de passagem, as concentrações de amônia e o pH ruminais também não foram influenciados pela idade do feno na ração, encontrando-se valores de 30,67 g/dia; 3,2%/h; 9,7 mg/100mL (máximo às 1,38h) e 6,08 (mínimo às 6,64h), respectivamente.

Palavras-chave: balanço de N, composição bacteriana, N amoniacal, N microbiano, não-amoniacal, taxa de passagem

Microbial Efficiency, Abomasal Nitrogen Compounds Flow, Ruminal Ammonia and Ruminal pH in Cattle Fed Diets Containing Tifton 85 Bermudagrass Hays at Different Regrowth Ages

2. Abstract

The microbial efficiency synthesis, the abomasum nitrogen compounds flow, the nitrogen compounds balance, the passage rate of ruminal digest, the ruminal ammonia concentration and ruminal pH in cattle fed diets containing Tifton 85 bermudagrass hay with different regrowth ages were evaluated. Four rumen and abomasum fistulated zebu cattle with average 340 kg LW were allotted in a 4x4 Latin square. All diets contained 60:40 forage to concentrate ratio. The forage was consisted in Tifton 85 bermudagrass hay with 28, 35, 42 and 56 days of age, and the concentrate contained corn meal and mineral mix. The amount of microorganisms was determined using purines as a marker. The pH and N-ammonia were determined in the ruminal fluid before and 2, 4 and 6 hours after feeding. The passage rate was determined by unicompartimental model using the chromic oxide as a marker. The microbial efficiency synthesis was not affected by the age of the hay in the diet, presenting mean values of 31.32 g Nbact/kg RDOM, 30.74 g Nbact/kg RDCHO, 33.74 g DMbact/kg RDCHO and 12.5 g CPbact/100 g TDN. The maximum estimates of total nitrogen compound flows, ammonia and non ammonia were 119.0, 9.76 and 109.6 g/day, with the inclusion of hay with 39.7; 37.6 and 39.9 days of regrowth age, respectively and the bacterial nitrogen compounds flow of 80.54 an average. Nitrogen balance, passage rate, ruminal ammonia concentration and ruminal pH also were not affected by the age of the hay, with values of 30.67 g/day, 3.2%/h, 9.7 mg/100mL (maximum at 1.38h) and 6.08 (minimum at 6.64 h), respectively.

Key Words: bacterial composition, microbial N, N balance, N-ammonia, non ammonia N, passage rate

3. Introdução

Os requerimentos de proteína dos ruminantes são atendidos pela quantidade de proteína verdadeira absorvida nos intestinos (proteína metabolizável), que é suprida pela proteína microbiana e proteína dietética não-degradada no rúmen, além da proteína endógena. A proteína microbiana pode suprir de 50% (NATIONAL RESEARCH COUNCIL - NRC, 1985) à totalidade de proteína metabolizável requerida pelo gado de corte, dependendo do teor de proteína não- degradável no rúmen ingerida (NRC, 1996), e, devido à economicidade em suplementos protéicos nas dietas, sua estimativa é importante.

O NRC (1985) discute o crescimento microbiano em três contextos: eficiência microbiana, massa microbiana e fluxo microbiano. A eficiência e massa microbiana são dependentes do substrato disponível para fermentação no rúmen, composição e taxa de fermentação do substrato e fatores intrínsecos ao ambiente ruminal. O fluxo microbiano é dependente das relações entre o tamanho de partícula, o volume e a taxa de passagem no rúmen. O fluxo microbiano torna-se importante por causa dos requerimentos de mantença dos microorganismos ruminais, os quais aumentam sob lentas taxas de passagem, resultando em relativo aumento na ineficiência da energia fermentada (POLAN, 1988).

Vários fatores que afetam a síntese de proteína microbiana no rúmen têm sido abordados por diversos autores, como o teor e a fonte de N e de carboidratos na dieta, a taxa de diluição ruminal, a freqüência de alimentação, o consumo de alimento, a relação volumoso:concentrado, a ensilagem, os aditivos da silagem, os ionóforos e o teor de minerais como P, S e Mg na dieta (STERN e HOOVER, 1979; SNIFFEN e ROBINSON, 1987; DURAND e KOMISARCZUK, 1988).

O N amoniacal pode servir como a principal fonte de N para a síntese de proteína microbiana, em bactérias fermentadoras de carboidratos estruturais, entretanto, algumas espécies, como as de bactérias fermentadoras de carboidratos não-estruturais, requerem aminoácidos e peptídeos (NRC, 1985). As bactérias ruminais podem incorporar aminoácidos em proteína microbiana ou fermentá-los como fonte de energia. A fermentação de aminoácidos também origina amônia ruminal. Como o crescimento microbiano é dependente do suprimento de carboidratos fermentáveis, os produtos finais do metabolismo de proteínas são influenciados pela disponibilidade de carboidratos. Quando o ATP originado da fermentação de carboidratos é disponível, os aminoácidos podem ser incorporados em proteína microbiana. Se o ATP não é suficiente para permitir a síntese protéica, os aminoácidos serão fermentados como fonte de energia e a amônia se acumulará. Se a produção de amônia no rúmen é grande, o aumento da atividade de reciclagem da uréia no fígado e rim é necessário para proteger o animal do seu efeito tóxico (NOCEK e RUSSELL, 1988).

A determinação das concentrações de amônia permite o conhecimento do desbalanceamento na digestão de proteína, pois, quando ocorrem altas concentrações de amônia, pode estar havendo excesso de proteína dietética degradada no rúmen e, ou, baixa concentração de carboidratos degradados no rúmen. Segundo HOOVER (1986), embora as concentrações médias de amônia encontradas para otimizar o crescimento microbiano e a digestão da fibra sejam 3,3 e 8,0 mg/dL, respectivamente, considerável variabilidade é associada a cada valor. Concentrações mais altas de amônia podem ser necessárias para sustentar máximas taxas de digestão de alimentos rapidamente degradáveis (HESPELL e BRYANT, 1979). O requerimento de proteína degradada no rúmen (PDR) é considerado igual à síntese de proteína bacteriana. Portanto, um balanço entre a PDR na dieta e a síntese de proteína bacteriana minimiza a reciclagem e absorção de amônia (NRC, 1996).

A determinação do balanço de nitrogênio permite quantificar retenções ou perdas de proteína pelo organismo do animal, referentes ao consumo de determinada ração.

As bactérias geralmente contêm 50% de proteína, 20% de RNA, 3% DNA, 9% de lipídeos e 18% de carboidratos, mas esta composição pode variar significativamente (NOCEK e RUSSELL, 1988), o que foi confirmado por dados reunidos por VALADARES FILHO (1995). A proteína representa o componente mais valioso nutricionalmente da célula bacteriana. Dados sumarizados por CLARK et al. (1992), de vários experimentos, indicaram que as diferenças na composição das bactérias ruminais são grandes. Esses autores comentaram que essas diferenças podem ser atribuídas às diferentes técnicas utilizadas para isolar e medir a composição das bactérias ruminais.

Os compostos nitrogenados totais que chegam ao abomaso incluem nitrogênio amoniacal e nitrogênio não-amoniacal, que por sua vez inclui N dietético e N microbiano, frações potencialmente disponíveis para a absorção no intestino de ruminantes. A proteína microbiana que chega ao intestino é uma função da eficiência microbiana, resultante da produção de massa microbiana, e sua saída do rúmen (SNIFFEN e ROBINSON, 1987). Vários fatores afetam o fluxo de compostos nitrogenados no abomaso. POLAN (1988) e CLARK et al. (1992) discutiram os efeitos do consumo e processamento do alimento, quantidade, qualidade e comprimento da partícula da forragem, taxas de fermentação, relação volumoso:concentrado e fontes e quantidades de carboidratos, gordura e proteína na dieta sobre a passagem das frações nitrogenadas ao intestino delgado.


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