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Uma postura ética ou estética na escola? (página 2)

Lisete Maria Massulini Pigatto

Todo procedimento possui um caráter ético, o qual deve estar fundamentado na consciência de um ser livre e autônomo. Para Aguiar Coimbra (2002), a ética "tem sido como que uma forma de consciência das sociedades humanas, iluminadora dos caminhos a serem seguidos em busca de um ideal de perfeição". O porto seguro no desenvolvimento das consciências, para o planejamento e a organização social.

As origens da estética são muito remotas. Para trabalhar com a educação estética é preciso deixar de lado toda e qualquer idéia de modelo estético pré-estabelecido, como se o belo fosse o resultado da experiência da cultura grega.

A problematização em cima do tema é muito recente. A educação estética valoriza a efervescência da criação, a pluralidade da beleza e a altivez dos grupos humanos. Portanto, "Educar esteticamente hoje é ensinar a ver, a ouvir criticamente, a interpretar a realidade. É também permitir que desde cedo crianças e jovens percebam o valor de uma obra e aprendam a observá-la." Percebe-se assim que esta forma de educação prima pelo individual, pela sensibilidade, pela beleza na sua dimensão mais ampla. Assim, a educação estética não pode dissociar-se da educação ética, nem das condições históricas e culturais.

A convicção pessoal deve orientar a conduta, modelando a idéia, dando um direcionamento aos projetos pessoais e comunitários, organizando a reflexão em torno do que se julga como bem ou mal, respeitando outras as éticas. As quais se organizam de acordo com os objetivos, os valores e as virtudes dos povos.

Ao trabalhar o sistema ético Bittar (2002, p.43 e 44) afirma que: "apesar de prescrever suas próprias medidas e limites para o comportamento, apesar de esquematizar o direcionamento da ação humana, apesar de prescrever seu próprio conjunto de códigos de atuação singular e social, não exclua a possibilidade de outras éticas." A esse tipo de compostura chama de "tolerância ética", argumentando: "se um sistema ético existe, deve conviver com outros e não excluí-los." A ética do plural deve garantir a acessibilidade e a diversidade, impedindo a formação de grupos dominantes que excluam as outras éticas pelos seus interesses.

Assim, a decisão nasce da consciência pessoal formada no contexto social, prevalecendo à decisão individual e a tomada de atitudes. A conduta humana desejável deve modelar-se pelo agir e pela convicção pessoal. Diferente das normas jurídicas que restringem os Direitos. A norma ética deve ser adotada pelo livre convencimento da ação responsável e a conduta deve vir da consciência livre.

Acredita-se que as ações educativas desenvolvidas na escola, concomitantemente com as Políticas Públicas, sejam capazes de promover uma relação entre o indivíduo e a sociedade de forma a promover esta intersecção, na busca pelo respeito mútuo, pela empatia e pela Inclusão Social. Contemplando no Projeto Político Pedagógico e no Currículo, o debate e a reflexão sobre estas questões polêmicas, pois a ética relaciona-se com os valores e as virtudes sociais.

Trabalhar a prevenção de forma criativa reforça o comportamento saudável. Brincando o (a) aluno consegue vivenciar e mediar às conseqüências dos seus atos. Complementando as ações educativas por meio de palestras, de cartazes, do material didático e pelos Ambientes de Recreação com certeza se obterá sucesso.

O problema aborda no seu âmago o resultado esperado no processo de ensino aprendizagem. Permitindo aos alunos participar das situações problemas. Para que a partir destas sugiram alternativas de mudança, aprendendo a lidar com os conflitos de forma inteligente como disseminadores de uma cultura de paz.

Para trabalhar com a ética e a estética é preciso contemplar a cidadania de forma plena. Tomando por base as Diretrizes Curriculares Nacionais que propõe um novo paradigma, um currículo mais amplo. Fundamentados na aprendizagem; formando uma Base Nacional Comum, com conteúdos mínimos das áreas de conhecimento articulados aos aspectos da vida cidadã. A ética orienta a conduta humana enquanto a estética prima pelas emoções e os sentimentos.

O trabalho tem como objetivo refletir e vivenciar os Princípios Éticos, Estéticos e Políticos com relação à ética e a violência. Formando hábitos e atitudes coletivos de modo que o educando seja um "Agente Pacificador", um disseminador destas informações e conhecimentos. Estabelecer acordos e parcerias é de fundamental importância para a saúde mental comunitária, pois estimulam a prevenção e instigam meios e mecanismos que promovem o desenvolvimento de uma cultura de paz.

A Fundamentação Teórica

Antes de desenvolver alguns conceitos vamos refletir fenomenologicamente sobre o caso específico da violência, para verificar se este problema representa um desafio à ética. Este trabalho teve como objetivo levantar algumas questões filosóficas, éticas e estéticas que estejam interligadas aos problemas da violência, bem como os desafios dos novos comportamentos que ela representa. Na ética existe uma convicção antiga de que, dos fatos não se podem derivar deveres. No entanto, precisamos refletir sobre alguns princípios ou argumentos teóricos.

A educação é a arte do fazer e a ética o ideal do ser humano. Aristóteles (384-322 a.C) já afirmava que: "O homem quando guiado pela ética, é o melhor dos animais; quando sem ela, é o pior de todos." Uma premissa que permanece viva até hoje. Apesar de conclusiva, estimula os debates constantemente. O educando chega à escola trazendo a imagem de um mundo transcendental, que ultrapassa os limites da família e da sua comunidade. Deixando para a escola a tarefa de ser atraente. Capaz de estimular, motivar e promover as mudanças que vêm se desenvolvendo pela informação e pelo conhecimento. Re-significando de forma contextualizada.

Lugar de aprendizados onde se desenvolvem os pilares do conhecimento e a vontade de aprender a aprender. A escola desempenha um papel fundamental no processo de formação do cidadão, a problematização. Ao sistema educativo cabe a tarefa de prepará-los para a reflexão crítica, desenvolvendo a capacidade de pensar.

A tarefa da escola é promover a aprendizagem. Aos outros setores cabem as tarefas de resolver as questões relativas à assistência, a alimentação, a segurança, a saúde e ao bem estar. Associar idéias para tentar resolver os problemas, esta é a tarefa do educador. Aos instigadores cabe a tarefa de mediadores da mudança. Transformadores, peças fundamentais na organização desse processo de ensino aprendizagem desempenhando um papel determinante na formação de atitudes e a criação das condições necessárias para o sucesso e a melhoria da educação.

A escola não tem a obrigação de resolver todos os problemas, nem assumir todas essas missões, mas deve definir metas e adotar estratégias claras que permitam alcançar os objetivos com uma visão de futuro. Ao falar da estratégia Musashi (1996, p.29) assim se posiciona: "Quando se atinge o Caminho da Estratégia, não haverá mais nada que não se possa compreender" e "se verá o caminho em tudo". O método, senso assim, a estratégia é a forma de como aplicar os meios disponíveis para alcançar os objetivos específicos e o problema.

No entanto, nesta perspectiva, a escola deve ser uma instituição acolhedora primando pelo desenvolvimento do afeto, da cognição e do prazer de aprender. Que contemple a educação ética e a estética. De modos que não se limite apenas a transmissão da cultura da massa dominante, mas que promova oportunidades de aprender o diferente. Repensando alternativas de vida e de convivência social.

1. Os Pensadores

Celebrar a vida faz parte da natureza humana. As celebrações ao longo do tempo foram se aprimorando e tomando uma nova dimensão. A princípio como uma forma de repassar a história aos seus descendentes, para que não se perdesse o vínculo com a sobrevivência. A espécie humana aprendeu ao longo do tempo o valor desta celebração frente às situações de risco enfrentadas, como a fome e miséria.

Aprendeu a valorizar a sua cultura, os seus deuses na tentativa de superar e dominar a natureza. Até hoje busca encontrar na sua sabedoria formas de vida saudável. Assim, percebe-se que a educação estética e a ética, não podem dissociar-se, nem ser pensadas fora das condições históricas e culturais.

Atualmente a ética é definida como a teoria, o conhecimento ou a ciência do comportamento moral, que busca explicar, justificar e criticar a moral ou as morais de uma sociedade. Para definir a ética, se aborda a definição alemã, fundamentada em Kant (1980) e Hegel (1980). A interpretação fornecida por Hegel, segue a mesma linha de Sócrates e da Eticidade Grega. A palavra ética é abordada a nível epistemológico, enquanto que a palavra moral geralmente é utilizada na Teologia.

No sistema a ética é um sentimento coletivo, consciente, que busca e promove o bem comum. Diferente da moral que apresenta o caráter de um grupo específico instigando no homem por meio de estratégias organizadas. Portanto, toda a concepção de ensino aprendizagem faz parte da educação. Definir o caminho, o método que permita fazer a estratégia alcançar uma postura ética.

O uso da terminologia é indispensável para abordar as questões que tratam da moral ou da ética. Entendidas como sinônimos. A moral é definida como o conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam o comportamento individual ou coletivo. Será normativa. De caráter pessoal, se definirá moral, como o conjunto dos costumes, das tradições, das formas de agir de um povo.

A filosofia moral moderna parte da crítica de Hegel a Kant (1980). Os quais desenvolveram os mais significativos modelos da ética moderna, o Universalismo e o Comunitarismo. Os conceitos-chave da Ética Moderna contrastam com a tradição e a crítica, a apropriação e a desconstrução. Trata-se, portanto, de retomar o problema Deontológico da moral Kantiana, enquanto alternativa aos modelos teleológicos e utilitaristas, e reformulá-lo a partir da filosofia Hegeliana. Incluindo suas posteriores re-apropriações e refutações em Marx, Kierkegaard, Nietzsche e Habermas. Esses autores introduziram os principais conceitos da ética moderna, os temas, as articulações entre Ética e Metafísica, e entre Moral, Direito e Política.

Neste sentido se escuta que a ética é o estudo da moral, o que não é de fato. No agir humano, destacam-se três grandes tradições filosóficas. A primeira fundamentada nos escritos de Aristóteles (1978), o Mestre Grego que viveu a uns 2.300 anos, dando origem a "ciência nas virtudes" entre a Física e a Política.

Na realidade, as ciências filosóficas da práxis seriam três: a Ética, centrada no agir individual e coletivo; a Economia voltada para a práxis familiar e social. A Política como idealizadora das relações humanas dentro do universo da Cidade, do Estado e dos grupos, caracterizando a Ética Aristotélica e a postura dos seus seguidores. Estudando o agir humano e concepção de homem como um animal político que tem linguagem e age racionalmente na sociedade, num determinado período de tempo e de espaço nos moldes de algum governo.

Pelo Organon, descobre-se a dialética, o confronto das opiniões que prepara o espírito para o desenvolvimento da ciência. Percebe-se, assim, que o ideal de Aristóteles era o homem virtuoso, forte com valores práticos e intelectuais existenciais. Para ele, o mais virtuoso era aquele capaz de realizar-se como homem, atingindo a felicidade ou a Eudaimonía, ou seja, o ideal, a felicidade pelo diálogo.

No entanto esta tal felicidade supõe um equilíbrio entre o ser e o ter na complexidade humana. Thomas Morus com a sua famosa frase: Nenhum homem é uma ilha, ajuda-nos a compreender que a vida é aprender a conviver, a partilhar as informações e o conhecimento em prol do bem comum. Para sobreviver precisamos de ar e da matéria para sobreviver. Da saúde para sentir-se bem, da moeda para efetivar a troca, da parceria com o outro, do reconhecimento público e do respeito da sociedade ou do Estado. No entanto para alcançar a Eudaimonia precisa-se de algum tempo para refletir. Participar de atividades teatrais, vivenciando as tragédias para crescer moralmente e desenvolver os princípios da moral e da ética.

No entanto, o comportamento ético estudado pela filosofia da práxis dos Aristotélicos, inclui não somente as reflexões "morais", mas apresenta muita sabedoria, algumas sugestões de prudência para poder lidar melhor com os conflitos do mundo. Outra característica da Ética Aristotélica é a noção de natureza humana. Os comportamentos mais ou menos "naturais" que inspiravam à teoria das virtudes. A Teoria da Virtude como um "justo meio" nos ensina a enfrentar uma ameaça. A coragem no entendimento de Aristóteles (1978) é o meio termo, adequada ao homem, entre a temeridade e a covardia, uma virtude desejável. Questionável quanto ao comportamento agressivo e o covarde em nossa sociedade. O primeiro busca o confronto, resolve os problemas a base da força, mantendo a sua vontade e o segundo se omite com a maior facilidade, por medo ou despreparo no intuito de manter a sua segurança. Ambos demonstrando a falta de limites.

A segunda grande tradição ética, de estilo mais anglo-saxônico, é a corrente do utilitarismo. Os seus seguidores pensam de um modo pragmático, imediatista. A sua moral é provisória, são menos especulativos e o seu raciocínio se da de forma que o maior valor seja aquele que beneficie o maior bem, para o maior número possível de homens. Sendo esta fórmula simplesmente pratica e não especulativa.

A terceira grande tradição filosófica é na linha Kantiana, fundamentada na noção da vontade e do dever. Para ele a liberdade do homem é um conceito que não pode ser definido cientificamente, mas que deve ser trabalhado para que não seja apenas um ser da natureza. Kant (1996) reflete sobre a felicidade e a virtude em função do dever ser. Kant apresenta seu conceito de educação moral afirmando que o homem deve, antes de tudo, desenvolver suas disposições para o bem. Em seu artigo Oliveira (1997) argumenta que: As condições inerentes e necessárias ao conhecimento não estão no mundo físico e sim no próprio indivíduo conhecedor.

Kant (1980) afirmava que a Providência não as colocou prontos em nós mesmos. Deixando bem claro que o dever do homem é torna-se melhor. Educar-se para produzir a moralidade, no entanto a arte de educar e governar são as artes mais difíceis de serem realizadas. Não tinha a intenção de criar uma nova moral, a sua preocupação era fornecer uma forma de agir.

Na sua ética formal tem a grandiosidade de nos fornecer na prática, um critério para agir moralmente, de forma universal. Aqui reside o segredo da Ética Kantiana, a universalização das máximas subjetivas, o conceito de homem, como um ser racional e criterioso. O homem é um ser livre, suscetível a inclinações. Agir para o bem se apresenta como uma obrigação, ou uma coação, onde a sua parte racional se impõe sobre a sua parte sensível. O dever nos obriga a fazer muitas vezes o que não se quer porque o homem não é perfeito, e sim dual.

O dever ser, favorece a liberdade do homem e a sua autonomia. A sua liberdade permite no sentido positivo realizar. Criar, inovar, agir esteticamente. Demonstrando assim, o seu nível de racionalidade com sensibilidade. Acredita-se que era nesta fórmula que Kant pretendia chegar, ao homem generoso e sociável.

Neste sentido os legisladores e membros de uma sociedade ética, percebem o que deve ser feito porque obedecem aos deveres que a sua própria razão lhes determina. No entanto a dignidade humana não tem preço e não deve ser tratada como um meio, mas como um fim em si mesmo. A ética kantiana é uma teoria moderna, do dever, que confia no homem, na sua razão, na sua liberdade e no empreendedorismo. Fazendo surgir assim, a sociedade industrial e capitalista.

Estranha ao capitalismo consumista atual, pois não dá grande valor ao gozo dos prazeres acentuando os deveres. A felicidade de que Kant fala é a da consciência tranqüila do dever cumprido. Aponta como um dever a busca pelos bens materiais, pois considera estes estritamente necessários, para que se possa ser feliz. Salientando com veemência que o homem frustrado faz mal a si e aos outros.

Atualmente, vive-se em um mundo contemporâneo, dominado pelo capitalismo selvagem, pela lei do mais forte, pelo poder econômico. No entanto, como seres humanos amparados pela Constituição Cidadã de 1988, temos que ser capazes de desenvolver habilidades e competências a fim de estimular e motivar os cidadãos a criatividade por meio de uma educação estética. Criando oportunidades de trabalho, educação, saúde, emprego e renda a população numa perspectiva ética.

O ponto comum nestas três concepções éticas é que elas se situam numa posição intermediária entre a moral religiosa ou tradicional, ou sejam a dogmática. Contém preceitos revelados por uma divindade transcendente ou pela força da tradição histórica, com atitudes que poderíamos chamar infra-éticas.

As atitudes infra-éticas são típicas de pessoas que vivem sem um preparo específico, sem um norte definido, sem habilidades e competências para melhor lidar com as situações da vida. Pessoas que buscam alcançar os seus objetivos sem ética. Conquistando por meios indevidos o prazer, a qualquer custo o poder, em proveito pessoal, pelas vantagens econômico-financeiras e outras.

Também podemos chamar de atitude infra-ética, e não de "amoral", aquele comportamento motivado apenas por um sentimento supostamente bom apenas pra si. Frente a esta postura e tantas outras se justifica e comprova a necessidade e a relevância desse trabalho a ser desenvolvidos nas escolas e na sociedade.

O sentimento moral ou o "moral sense" não constitui uma base filosoficamente respeitada como suficiente. O mesmo vale para os que defendem valores puramente tradicionais enquanto convencionais. Bem próximo destes estão os hoje chamados "contratualistas", que embora teorizem sobre formas de convivência humana possível sobre a terra, não se baseiam propriamente numa perspectiva moral. As ações supostamente contratuais podem ser também interpretadas perfeitamente como estratégicas. A aliança de família que divide a maldade, o crime e a contravenção entre si não atingem um nível moral, porque não se respeitam.

    O Pensador Contemporâneo

As histórias de Michel Foucault percorrem um espaço incerto devido à dificuldade inerente ao estudo do seu pensamento. Tornando-se muito difícil a sistematização da sua obra, do seu projeto intelectual. Na década de 60 os textos arqueológicos têm por tema o saber. Nos anos 70, textos genealógicos abordam o poder; e nos anos derradeiros de sua vida, textos arqueogenealógicos preocupados com a questão do sujeito. A relação do saber com o poder e a verdade. 

O ponto de convergência dos seus estudos centra-se na verdade e, por conseguinte no sujeito: a desubjetivação do louco, o assujeitamento nas prisões e a constituição do sujeito na Grécia Antiga. Foucault trata principalmente do tema do poder, rompendo com as concepções clássicas deste termo. Para ele, o poder não pode ser localizado em uma instituição ou no Estado, o que tornaria impossível a "tomada de poder" proposta pelos marxistas. O poder não é considerado como algo que o indivíduo cede a um soberano (concepção contratual jurídico-política), mas sim como uma relação de forças. No entanto o poder está em todas as partes.

Para Foucault, o poder não somente reprime, mas produz efeitos e saberes, constitui verdades, práticas e subjetividades. Na sua vida estuda com muita propriedade o poder disciplinar e o biopoder, os dispositivos da loucura e da sexualidade. Realiza um estudo histórico que não busca uma origem única e causal. Uma genealogia, mas se baseia no estudo das multiplicidades e das lutas. Constatando que o pensar é mais que motivar condutas e atitudes é produzir idéias.

O Pensamento é o que questiona e permite problematizar os comportamentos. Abrindo um novo campo no estudo da história e da epistemologia. A arqueologia da alienação. A História da loucura é o primeiro grande texto de Foucault. Tese de doutorado na década de 50. Trata-se de uma parte de sua prática nos trabalhos em clínicas psiquiátricas motivados por uma grande curiosidade sobre os princípios da psicologia. Tomado pela crítica como um ícone da anti-psiquiatria.

A arqueologia da alienação, na história da loucura não é aquilo que foi pensado sobre ela, mas sobre os que possibilitaram um pensamento sobre a loucura. Direcionando seu olhar a uma região de vazio. Como afirma Nicolazzi (2001) "uma região, sem dúvida, onde se trataria mais dos limites do que da identidade de uma cultura". Foucault pretendia interrogar uma cultura sobre as suas experiências limites. O seu significado é questioná-la, nos confins da história, a ausência dela.

Foucault (2000B, p.27) é enfático quando afirma: "É inconcebível uma sociedade sem restrições, mas só posso repetir que essas restrições hão de estar ao alcance daqueles a quem elas afetam. De sorte que estes disponham pelo menos da possibilidade de modificá-las." Nas suas teses não tratava apenas da história do conhecimento, mas dos movimentos rudimentares e da ausência da cidadania.

Da falta de experiência, de exercícios democráticos argumentativos. Fazia um estudo estrutural do conjunto histórico. Da experiência da loucura na época clássica nos séculos XVII e XVIII. Reagindo ferozmente contra aqueles que o inseriram no estruturalismo. A linguagem utilizada por ele se deve, sobretudo, ao ambiente francês dos anos 50 e 60, de Barthes, Lacan, Lévi-Strauss e Althusser.

O livro "Vigiar e punir" é o preferido por muitos historiadores. Apresenta uma história e uma genealogia, com um duplo objetivo. Correlacionar à alma moderna com o poder de julgar e investigar os fundamentos deste poder. Associando o lugar e as condições de seu nascimento. Em uma única e polêmica expressão, a "história do presente". Do ponto de vista metodológico, a história do problema não tem como objeto de análise o comportamento, nem os valores representativos, mas o "processo de problematização". O qual investiga como e porque certos comportamentos, fenômenos ou processos tornaram-se um problema.

Questionando por que certos comportamentos foram classificados como ‘loucura’ enquanto outras formas similares foram completamente negligenciadas em determinado momento histórico. Da mesma forma aborda o crime a delinqüência e a sexualidade. Nesse sentido, o pensamento assume características singulares nos estudos de Foucault. . Problematizar é dar resposta a uma situação concreta.

1.2 Os Tipos Humanos

Desde que o homem descobriu o mundo, vem tentando compreendê-lo. O curioso é que somente consegue percebê-lo quando se volta para si mesmo, para a sua essência e conseguem compreender as razões da sua existência. O estudo dos Tipos Humanos é uma questão muito interessante e primordial para o relacionamento humano. Dedicar-se a esse estudo refina a percepção psicológica. Aprofunda o auto-conhecimento e amplia a compreensão em relação a si mesmo, favorecendo as relações intra e inter-pessoais na diversidade.

No seu livro "Tipos Psicológicos", Jung (1991) os classifica em dois tipos genéricos. O introvertido e o extrovertido. O introvertido se comporta abstrativamente, preocupado em retirar a libido do objeto, prevenindo-se contra o seu super-poder. O extrovertido ao contrário, comporta-se de modo positivo diante do objeto, afirmando a sua importância na medida em que orienta a sua atitude subjetiva pelo objeto e a ele se reporta. Os dois tipos são diversos e a sua oposição é evidente que a sua existência é plausível até para a interpretação de um leigo.

A sociedade é formada de tipos humanos diversos. Muitos apresentam um comportamento fechado, se manifestam ariscos e difíceis de conviver. Outros apresentam uma conduta mais aberta e sociável. Nesse contexto se entendem ou se desentendem sendo influenciados concomitantemente. Essa diferença pode-se considerar como casos individuais de formação de caráter.

Nessa oposição são perceptíveis as atitudes típicas genéricas de indivíduos com personalidade forte. Os tipos humanos são encontrados não somente entre os cultos, mas em todas as camadas da população, independente de sexo ou gênero. De forma aleatória, numa mesma família existem os introvertidos e os extrovertidos, com interesses e manifestações das mais diversas que devem ser respeitadas.

A oposição dos tipos, como fenômeno psicológico geral possui antecedentes biológicos e as influencias do meio. Nas relações entre o sujeito e o objeto há sempre uma relação de adaptação. Cada relação pressupõe efeitos de modificação de um sobre o outro. Essas modificações constituem a adaptação. As atitudes típicas para com o objeto são caracterizadas como o processo de adaptação.

A natureza conhece dois caminhos para a adaptação e a sobrevivência. Segundo Jung (1991, p. 317) "um caminho é a enorme proliferação"...; o outro "é a dotação do indivíduo com inúmeros meios de auto-conservação". A primeira hipótese apresenta pouca força defensiva e curta duração de vida e a segunda apresenta relativamente uma pequena proliferação. Este contraste biológico não é apenas o análogo, mas o fundamento dos dois modos de adaptação psicológico.

Numa consideração geral percebe-se que o extrovertido se caracteriza pela sua constante doação, intromissão e participação social. O introvertido, ao contrário. Apresentam uma constante defesa as solicitações externas, precavendo-se contra qualquer gasto de energia que se refira ao objeto. O primeiro realiza suas conquistas pelo relacionamento massivo, influenciando e motivando os indivíduos e o segundo pelo monopólio, controlando e jogando com a exclusividade.

Desde pequenas as crianças apresentam atitudes bem definidas devido ao processo de adaptação. De natureza inconsciente, porque a peculiaridade das influencias maternas acarretaria reações específicas na criança. Quando ocorre uma falsificação do tipo humano devido a influencias externas, a pessoa se torna um neurótico e a cura somente se torna possível se conseguir restabelecer as atitudes que naturalmente corresponderiam ao indivíduo. A experiência vem demonstrando que a troca do tipo humano pode afetar profundamente o bem-estar fisiológico, provocando um forte esgotamento de natureza física e intelectual. O potencial dos tipos humanos se apresenta de forma individual, devido aos seus pré-requisitos genéticos, as suas experiências e a sua história de vida.

Em seu livro "Relacionamentos" o Professor Ademar Ramos descreve quatro tipos básicos de pessoas, que correspondem ao temperamento e as profissões. No seu pensamento os potenciais se manifestam pelas "trilhas preferenciais" de cada tipo humano. Evitando áreas onde não se dão bem, ou seja, os seus pontos vulneráveis. Os Apresentam de forma criativa, muito alegre e divertida, como os reis, os guerreiros, os magos e os amantes.

Os Reis manifestam seu potencial em atividades que expressam criatividade e alegria. Apresentam grande iniciativa, mas dificuldades para terminar aquilo que começaram. São exemplos de profissões: médicos pediatras, telefonistas, publicitários, artistas. Os Guerreiros são os líderes natos, sempre visando resultados no curto prazo. A sua dificuldade se manifesta na centralização das decisões e a impaciência com o ritmo dos outros. São exemplos de profissões: médicos de emergências, executivos, engenheiros. Os·Magos são os especialistas, enfatizando a organização e o lado lógico-numérico. Sua dificuldade se apresenta pelo excesso de perfeição e detalhes. Aponta como exemplos o médico especialista, o contador, o matemático, os escritores. Os·Amantes enfatizam a dimensão humana. Sua dificuldade é a tomada de decisões. Excessivamente preocupados com a opinião dos outros. São exemplos: o médico de família, professores, psicólogos e enfermeiro.

As nossas manifestações não são algo pré-definido e imutável. Passível de transformações pelo processo educativo. Uma das formas de se perceber o processo de desenvolvimento humano é a integração das nossas habilidades, a nossa maneira de ser as novas competências que podemos aprender. A realização do ser humano reside na possibilidade de vislumbrar o futuro. Com determinação para alcançar um objetivo, dedicação e participação do processo de ensino aprendizagem. Portanto, as opções são muitas, basta saber adequar o potencial.

Fundamentados nas concepções teóricas abordadas. Relacionando a ética, a estética e a violência. Associam-se algumas manifestações de violência com um tipo humano identificado como Bordeline, que se localiza no limiar entre a neurose e a psicose. Características do tipo humano Impulsivo que se traduz pela instabilidade emocional e pela falta de controle dos impulsos. Identificado pelos acessos de violência ou comportamento ameaçador, particularmente em resposta a críticas dos outros. Não admitem ser contestados. Apresentam uma dificuldade com o "não". Uma perturbação variável da auto-imagem, dos objetivos, das preferências e da sexualidade com sentimentos de vazio crônicos.

A melhor descrição da Personalidade Bordeline está na classificação do DSM.IV (Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais) da Associação Norte-Americana de Psiquiatria. A característica essencial do Transtorno da Personalidade Bordeline é um padrão comportamental de instabilidade nos relacionamentos interpessoais, na auto-imagem e nos afetos a qual se iniciam na idade adulta e persiste sem perspectivas de cura.

Exposta a síntese da teoria, não podemos deixar de analisar a contemporaneidade e o seu quadro dramático. Instigando uma reflexão sobre os problemas atuais. Os desafios da violência devem ser especificados na perspectiva da ética e dos Códigos de Ética. Porém não podemos deixar de tentar uma ligação entre estes fatos e aquelas formulações de tipo normativo. A ética e a moral exigem reflexão, argumentação e problematização. Sejam elas desenvolvidas de forma: oral, recreativa ou sistematizada.

A argumentação e a escuta dos outros é de fundamental importância, numa situação de pluralismo de valores e de globalização. Os interesses do grupo, da família, da religião ou da corporação não podem ter a última palavra, mas a busca pelo consenso universal. O processo de convivência em harmonia.

Na busca pela universalização dos interesses pessoais ou coletivos é que se constituem as Leis Universais. A formação da ética, portanto Paulo Freire (1998, p.17) assim manifesta-se: "A ética de que falo é a que se sabe traída e negada nos comportamentos grosseiramente imorais como na perversão hipócrita da pureza em puritanismo." A sua ética não admitia comportamentos perversos, discriminando as questões de raça, gênero e classe. Desunindo a população pelo preconceito.

Neste sentido o diálogo torna-se muito importante para a autonomia. Humaniza o homem na medida em que o coloca em comunicação com os outros desvelando a realidade. Era o que Paulo Freire (1971) queria por meio do diálogo, buscar a autonomia do sujeito. Assumindo uma postura ética e estética frente às adversidades do mundo. Problematizando o conhecimento, a ação e reação humana melhorando a compreensão e estimulando a empatia. Conscientizando o ser humano, resgatando valores e assim transformando a sociedade pela cidadania.

Numa perspectiva Aristotélica atual expressamos a luta pela vida e pela felicidade. Na parte educacional cabe aos docentes exercitar os valores e as virtudes. Tais como a prudência, a temperança, a coragem, a justiça e outras, pois sem os valores e as virtudes o homem não tem condições de enfrentar as adversidades que nossa ideologia dominante procura esconder.

A relação entre a objetividade e a subjetividade, entre a apropriação da realidade exterior do sujeito e a sua permanente abertura ao dinamismo de ordem social, é que constitui uma dialética essencial na cultura e na sociedade. A busca da sua essência é o que o torna feliz. Na medida em que consegue partilhar com o grupo as suas dúvidas e as suas conquistas, pois a vida é a participação coletiva.

A cultura foi criada para dignificar e condenar as ações humanas. A tendência Aristotélica que privilegia a lógica não pode ser dominada pelas paixões e inclinações. O homem precisa criar associar o velho com novo, inovar. Adaptar-se para sobreviver material, emocional e intelectualmente. Ao mesmo tempo precisa de limites, de regras, de acordos para desenvolver o autodomínio e conter a violência.

Criar estratégias para se proteger da violência é uma forma inteligente de viver. Aprender a não se envolver em situações de risco e conflito provocadas por pessoas perversas e mal intencionadas é uma atitude louvável. Percebidas como um grande avanço social. Promover ações educativas, quando necessárias auxiliam o desenvolvimento da vida em comunidade e o aprimoramento do ser e do ter.

Grande parte destes impulsos se manifesta pela ignorância. Pela ideologia do poder, onde quem domina é o mais forte. Pelo despreparo do ser humano para viver e conviver. Devido à falta de informações e conhecimentos, de flexibilidade e habilidades para lidar com a diversidade. Esta idéia não se concebe mais. Nas concepções atuais, ganha sempre quem consegue estabelecer acordos e parcerias. Desenvolvendo trabalhos em redes colaborativas de convivência pacífica.

Não sejamos ingênuos que com essas medidas o mundo se transformará. Já é um bom começo poder contar com um grupo de colaboradores. A contemporaneidade exige atenção e a concentração. Neste sistema tudo gira em torno destes dois aspectos tão desvalorizados e de uma relevância social inestimável. No mundo cibernético todos somos números, se o código de barras estiver errado, as operações não se concretizam tornando os objetivos sem efeito.

Neste sentido se faz necessário desenvolver um trabalhado que estimule, motive e de oportunidade as pessoas de pensar e agir sobre a arte de viver e conviver em comunidade. Por outro lado à escola deve aprender de Aristóteles que a sua ciência é também uma "virtude". Aristóteles quando falava do amor e da amizade, enfatizava que estas relações consistem no querer bem. Valorizando o outro pela empatia. As éticas Aristotélicas têm atitudes conservadoras. Pertencem a um mundo diferente do científico-tecnológico, mas não devem ser desconsideradas.

O seu conceito-chave fundamenta-se na vida, na investigação das plantas dos animais e na teoria da tragédia. Os pensadores utilitaristas não se preocupam com questões sobre natureza humana, embora respeitem os direitos das pessoas. Buscam a felicidade maior sem dor e sofrimento. Desistem da luta pela vida quando apresenta ainda um sentido forte e humano, embora benevolentes.

O ser humano estético valoriza as emoções e os sentimentos. O ético é consciente do dever, da liberdade e da universalização. Tem a tendência de privilegiar a intenção, de resolver os problemas e não apenas o resultado. Trata os demais com respeito como seres livres e autônomos. Portanto a educação estética não pode dissociar-se da educação ética, nem ser pensada fora das dimensões culturais e históricas, pois vivemos em um mundo marcado pelas etnias.

Que rejeitam, naturalmente, a discriminação, pois para eles todos os seres racionais são diferentes, com subjetividade. Igualmente dignos. Insistem na transparência das informações e na sinceridade dos relacionamentos. O importante é ter presente que estas questões não são supérfluas ou periféricas, sem interesse. De relevância social, pois a vida apresenta uma beleza inestimável e se valoriza pela diversidade. Pela acessibilidade aos bens materiais, culturais e a inclusão social.

O sentido da linguagem é o de revelar e não o de ocultar de forma objetiva e subjetiva. Valorizando os esforços dos pesquisadores esteticamente, porque a ética é a outra face da razão. Insistem na necessidade de alertar, esclarecer, tornando acessível à população os saberes. De forma a auxiliar as pessoas na resolução dos seus problemas, na tentativa de transformar ações e atitudes em felicidade.

Atuar coletivamente no desenvolvimento das relações mais humanas é fundamental para combater a violência. Proporcionar o encontro da ação coletiva, com a identidade da pessoa possibilita a própria a ação transformadora. Ocorre a identificação, a descoberta e a sinalização para a mudança do comportamento.

A estética é de fundamental importância para desenvolver a criatividade, mas a ética é um elemento necessário para que as ações humanas possam ser consideradas moralmente corretas. Coordenando a ética com o modelo de sociedade capitalista em que vivemos. É preciso unir a ética com a estética, num processo inclusivo, com acessibilidade, respeitando a diversidade. Onde a pessoa humana possa ser respeitada nas suas convicções pessoais. Assim como sugerir e participar do coletivo de forma organizada, escutando a opinião do outro, na tentativa de elaborar acordos e parcerias. Não será fácil chegar a este nível de entendimento devido aos nossos interesses pessoais, mas é preciso apostar nesse desafio.

CONCLUSAO

A educação atualmente é percebida como um instrumento indispensável ao desenvolvimento socioeconômico global. A perspectiva é de que se trabalhem as Ações Sócio-educacionais e o Planejamento Institucional concomitantemente. Vinculando o Projeto Político com o Projeto Social, com a finalidade de promover a inclusão social não apenas de fato, mas de Direito. Contemplando a inserção da maioria aos setores sociais de forma estratégica evitando a marginalização.

O problema da violência na escola é preocupante, pois ele não é um fato isolado, mas resultante do reflexo de uma conjuntura desorganizada e despreparada para a convivência. Percebe-se que as atitudes dos (as) alunos (as) não são características de um grupo específico, mas manifestas de forma generalizada.

Conceitos e valores são distorcidos. Invertendo a lógica, como se a violência e o poder fossem sinônimos e o fato de saber enganar equivalesse à inteligência. O que não deixa de ser. Um "esperto problemático", que ao invés de utilizar essas energias de forma positiva para construir, vai destruindo a sua volta o que á de mais precioso, a confiança e a possibilidade de estabelecer acordos e parcerias futuras.

Não sejamos ingênuos em atribuir tudo isso a falta de caráter ou a problemas sócio-psicológicos ou a patologias. Infelizmente devido à falta de preparo e de maiores informações, pessoas mais crédulas se deixam envolver em situações perigosas, por pessoas maldosas, sem escrúpulo. Resultando em grandes tragédias.

As ações e as reações são resultantes de vários fatores, como a indiferença as reais necessidades humanas. A falta de afeto, de acessibilidade, a ausência da solidariedade e de perspectivas de vida inclusiva, leva a desesperança, a solidão aumentando os índices nas estatísticas de crimes e suicídios.

Sendo assim, a pergunta foi devidamente respondida. Constando que é possível desenvolver um ser ético e estético apesar de toda a violência na escola. A hipótese foi confirmada. Para aprimorar este ser foi preciso trabalhar as questões sociais com as questões emocionais, que fazem parte da essência dos alunos. Na descoberta da sua importante função social como cidadãos e aos professores como mediadores desse processo pela metodologia da Recreação e Cidadania.

A qual permitiu aos alunos (as) vivenciar experiências, analisar e criticar as condutas. Motivando-os a participar na resolução dos problemas comunitários. O trabalho refletiu e permitiu vivenciar os Princípios Éticos, Estéticos e Políticos com relação à ética e a violência. Formando hábitos e atitudes coletivos de modo que o educando seja um "Agente Pacificador", um disseminador destas informações e conhecimentos. Estabelecendo acordos e parcerias, pois são de fundamental importância para a saúde mental comunitária. Estimulam a prevenção, instigando meios e mecanismos que promovam o desenvolvimento de uma cultura de paz. Nem tudo está perdido, existe uma luz no fim do túnel se tivermos coragem de embarcar neste trem, levando conosco um montão de idéias e oportunidades de socialização. Trabalhando a nossa escola numa dimensão individual e coletiva. O novo paradigma da UNESCO funciona como um laboratório de idéias e como uma Agência de padronização para elaborar Acordos Universais nos assuntos éticos emergentes com o objetivo de disseminar e compartilhar a informação e o conhecimento pelo planeta. Pelas suas estratégias e atividades pretende atingir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas.

Os desafios do Século XXI, em boa parte podem ser encaminhados e até solucionados, se os objetivos propostos pela Declaração Mundial sobre Educação Superior no Século XXI: Visão e Ação forem postos em prática. A valorização, a qualificação dos professores torna-se fundamental para a melhoria da qualidade da educação. Um compromisso assumido por 164 países-membros da UNESCO, incluindo o Brasil, em duas das seis metas do Marco de Ação de Dacar (2000).

Na meta dois, os países assumem o compromisso de prover educação primária de boa qualidade a todos. Na meta seis, comprometem-se a aprimorar todas as ações que visem à qualidade da educação e asseguram a sua excelência, de forma que todos possam alcançar resultados de aprendizagem que sejam reconhecidos e mensuráveis, especialmente na alfabetização, nas operações numéricas e habilidades essenciais para a vida e a convivência social.

O professor como mediador da praxis educativa transformadora necessita de uma sólida formação teórica e prática que deve ser desenvolvida dialeticamente. Trabalhar a formação com autonomia possibilita à compreensão das metas e dos objetivos da educação numa escola democrática. A liberdade de expressão, promovida pela educação estética pode tornar possível o desenvolvimento da ética.

Na medida em que o aluno apresentar as suas idéias, manifestar as suas emoções e os seus sentimentos aprende a escutar e a respeitar a opinião do outro. Essas questões devem ser trabalhadas pelo professor, o saber ouvir e o respeitar.

Portanto, a educação ética e a estética apresentam um excelente futuro se souberem trabalhar juntas. Autonomia, sem liberdade não existe. Transformar os professores e a escola em meros executivos, sem responsabilidade é um crime. A educação deve ter metas e objetivos definidos para saber aonde quer chegar.

A educação cidadã tem reflexo na vida das pessoas e da sociedade. Leva o conhecimento, os princípios que fundamentam as práticas sociais e o respeito às normas democráticas. Neste caso, se comprova a eficácia da Metodologia da Recreação e Cidadania, pois a sua prática associada aos saberes, desenvolveu e reafirmou os valores culturais e sociais resgatando a dignidade humana.

As Diretrizes Curriculares Nacionais orientaram as práticas educacionais. No intuito de respeitar a diversidade e promover a acessibilidade e a inclusão social. Tendo como norteadores de suas ações pedagógicas os seguintes princípios: o Princípio ético, o Estético e Político.

A violência é a situação problema na escola, bem como outras questões associadas. Como a questão da saúde, da habitação, do trabalho e da renda. Sendo assim, se faz necessário adotar uma postura adequada à situação. Fundamentado no princípio ético, que contempla a autonomia, a responsabilidade, a solidariedade e o respeito. Instigando uma tomada de consciência, medidas e atitudes que auxiliem a resolver o problema que perpassa por todas essas questões citadas acima.

Na escola as ações pedagógicas implementadas para amenizar o problema foram: atividades de vivência sobre a questão da violência. Textos, email, debates, reflexões, problematizações sistematizadas. Palestras esclarecedoras sobre o assunto, abordando os Direitos e os Deveres dos alunos e dos professores. As questões referentes à saúde, o trabalho e a renda contando com a presença de especialistas na área, os pais, os educadores e a comunidade em geral.

A escola constituiu um grupo permanente de apoio, com o objetivo de orientar os alunos, os familiares e a comunidade sobre o assunto. Para organizar Programas e Ações educativas no intuito de trabalhar a prevenção e fazer os devidos encaminhamentos. Nos Ambientes de Recreação se desenvolveram atividades que permitiram o aluno vivenciar as situações problemas, tomar consciência sobre a gravidade dos fatos, tomando uma atitude. Percebendo com clareza as suas conseqüências e a importância da escola na sua formação como cidadão.

Tornando consciente aos participantes que tudo o que a escola proporciona, em termos de educação formal e as suas vivencias será de muita utilidade na vida, e na convivência, portanto deve ser problematizado. Desenvolvendo assim uma postura ética, pela reflexão e pela crítica. A qual se reflete no nosso comportamento.

A metodologia adotada comprovou a sua eficácia, pois permitiu a participação de outros métodos e técnicas no desenvolvimento do trabalho. Trabalhou concomitantemente os conceitos, os conteúdos e as vivencias na Sala de Aula e nos Ambientes de Recreação no processo de ensino aprendizagem. Utilizando como estratégia a questão da violência e as suas implicações.

Salientando a afetividade, a solidariedade e o acolher como os elementos fundamentais neste processo de ensino-aprendizagem para desenvolver o processo inclusivo. A violência é simbólica, se processa e se institui de forma progressiva. A privação cultural, o fracasso escolar, a condição de pobreza e as patologias auxiliam a agravar esse quadro. As reivindicações educacionais feitas ao longo do tempo em grande parte já foram atendidas. As crianças já se encontram na sua grande maioria na escola e possuem um benefício financeiro, mas ainda não resolvemos os problemas escolares. A humanidade evolui pelo pensamento e a nos cabe vencer o desafio. Mantê-las na escola numa relação de afeto, cognição e prazer.

A crise socioeconômica do sistema e do trabalho constitui os pilares para a busca de um desenvolvimento e de uma ética mundial. O que se constata é que o educando não sabe qual é função da escola. Não tem nem noção sobre o que está fazendo lá dentro. À medida que percebe a sua importância passa a colaborar, acreditar e a ter mais confiança nos (as) professores (as) e esperança na vida.

A escola pode colaborar com isso, trabalhando Metodologias que resgatem os valores, o afeto desenvolvendo nas escolas a cultura do acolher, da aprendizagem significativa, centrada no educando e nas suas reais necessidades.

Sendo assim, constata-se que desenvolver e aprimorar o relacionamento humano é de fundamental importância. De nada adianta um desenvolvimento tecnológico, científico fantástico se este não for problematizado educacionalmente e compartilhado com a comunidade. De nada adianta desenvolver saberes, se os mesmos não forem socializados, com perspectivas de aplicabilidade social para melhorar a qualidade de vida da população. De nada adianta a educação trabalhar de forma isolada sem estabelecer vínculos entre o Projeto Político e um Projeto social. De forma a garantir condições mínimas de dignidade à população.

Os resultados alcançados são altamente satisfatórios. Já se consegue estabelecer relações de diálogo e entendimento entre o grupo. As ações e as reações dos (as) alunos (as) apresentam um índice bem menor de violência. À medida que foram compreendendo e exercendo a sua função social, perceberam-se como cidadãos e passaram a sugerir mudanças. Modificando a realidade sócio-educacional e o seu entorno com um comportamento já bem adaptado a realidade.

Em suma, se faz necessária a participação constante, de todos os segmentos sociais para que se obtenham perspectivas de um futuro educacional promissor. Para encerrar o artigo, contemplando a metodologia da Recreação e Cidadania, utilizada no trabalho. Vou relatar uma pequena estória denomina da "A Ratoeira", de um autor desconhecido, que ilustra muito bem o que foi desenvolvido.

Certa vez um rato olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e a sua esposa abrindo um pacote. Muito guloso, logo pensou que se tratava de comida. Ao enxergar o objeto, logo percebeu a armadilha. Era uma enorme ratoeira.

Desesperado, saiu pela fazenda advertindo a todos sobre o perigo que rondava na casa. Ninguém lhe deu ouvidos. A Galinha argumentou que aquilo não há incomodava. O Porco resmungou dizendo, que o máximo que poderia fazer eram algumas preces. A Vaca ironizou, pois não se sentia ameaçada por aquele aparelho insignificante. O Rato muito triste voltou para casa, cabisbaixo.

Naquela noite ouviu-se um barulho, como a de uma ratoeira pegando a sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o acontecido. No escuro não viu que a ratoeira tinha prensado a cauda de uma serpente venenosa. A cobra encurralada pela ratoeira, com muita dor e possessa pela raiva, com muita gana picou a mulher...

O Fazendeiro levou-a para o hospital, mas de lá voltou fraca e com muita febre. Assim, mandou sacrificar a Galinha para fazer uma canja, mas a doença da sua esposa persistia. Diariamente os amigos e vizinhos vinham visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o Porco. A cada dia pior, a mulher acabou morrendo e muita gente veio ao funeral. Então sacrificaram a vaca, para alimentar aquele povo.

Associando o artigo com a estória da Ratoeira, retiram-se muitas questões para analisar, problematizar e refletir. Na sociedade existem muitas armadilhas. Percebidas pelos problemas de diversas ordens, dos quais, muitas vezes acreditamos que não nos dizem respeito. Ledo engano, pois o problema de um é o problema de todos. Quando trabalhamos em equipe o esforço precisa ser em conjunto. O mundo requer desenvolvimento numa perspectiva onde todos possam crescer e se aprimorar em redes de colaboração e apoio. A humanidade precisa se adaptar a essa nova ordem mundial, inspirada na própria experiência da natureza.

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Lisete Maria Massulini Pigatto

lisetepigattoaid[arroba]yahoo.com.br

Lisete Maria Massulini Pigatto é Doutoranda em Ciências da Educação pela UTIC, Universidad Tecnológica Intercontinental em Asuncion no Paraguai, viabilizado pelo Acordo do Mercosul. Psicanalista em formação Humanista. Exerce a função de Educadora Especial na Rede Municipal e Estadual na cidade de Santa Maria, RS, Brasil.

Dezembro 2006



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