Quando o certo é errado e o errado é certo: reinações e peripécias de exu no Brasil



Partes: 1, 2, 3, 4, 5

  1. Objetivo
  2. Epígrafe
  3. Resumo
  4. Introdução
  5. De Esú a Exu, de Orixá a diabo
  6. Exu vai passear na Macumba e vira entidade brasileira
  7. Da pesquisa: O que pensam os atuais umbandistas sobre os espíritos que compõem o "Povo de Rua"
  8. Conclusão
  9. Bibliografia
  10. Glossário
  11. Anexos

OBJETIVO:

O presente trabalho tem por objetivo acompanhar a trajetória percorrida por Exu desde a África ao Brasil, de orixá demonizado à entidade umbandista e seu atual processo de desdemonização por parte das escolas de umbanda.

EPÍGRAFE

"O arquétipo de Exu é muito comum em nossa sociedade, onde proliferam pessoas com caráter ambivalente, ao mesmo tempo boas e más, porém com inclinação para a maldade, o desatino, a obscenidade, a depravação e a corrupção. Pessoas que têm a arte de inspirar confiança e dela abusar, mas que apresentam, em contrapartida, a faculdade de inteligente compreensão dos problemas dos outros e a de dar ponderados conselhos, com tanto mais zelo quanto maior a recompensa esperada. As cogitações intelectuais enganadoras e as intrigas políticas lhes convêm particularmente e são, para elas, garantias de sucesso na vida1." (Pierre Verger)[1]

"A construção da ordem coloca os limites à incorporação e à admissão. Ela exige a negação dos direitos e das razões de tudo que não pode ser assimilado – a deslegitimação do outro. Na medida em que a ânsia de pôr termo à ambivalência comanda a ação coletiva e individual, o que resultará é a intolerância – mesmo que se esconda, com vergonha, sob a máscara da tolerância (o que muitas vezes significa: você é abominável, mas eu sou generoso e o deixarei viver)." ( Zygmunt Bauman)[2]

RESUMO

Partindo-se da África invadida pelos europeus no séc. XVI, acompanha-se a trajetória do Orixá Exu e das entidades do "Povo de Rua" nas Umbandas ao longo dos últimos 50 anos. Èsù (Exu) demonizado pelo colonizador desde o continente africano até sua chegada ao continente americano e ao Brasil trazido pela crença dos escravos. As crenças africanas darão formação no Brasil a diversas religiões denominadas afro-brasileiras. Investiga-se o entendimento que os membros dessas religiões, mais especificamente das umbandas, têm ao longo do tempo, com relação a essa figura tão controversa: Èsù orixá e entidade Exu, principalmente no que tange às modificações ocorridas a partir do processo de desdemonização de Exus e das entidades do "Povo de Rua" nas Umbandas ao longo dos últimos 50 anos.

Palavras-chave: Exu – Processo de desdemonização – Imaginário e ressignificação -Religiões afro-brasileiras – Umbanda.

ABSTRACT

Based on the sixteenth-century Africa invaded by Europeans, follows the trajectory of the Orisha Eshu and entities 'Street People' in Umbandas over the past 50 years. Esu (Eshu) demonized by the colonizer from the African continent until their arrival to the Americas and brought to Brazil by slaves' belief. The African beliefs give training to different religions inB razil called African-Brazilian. It surveyed the understanding that the members of these religions, specifically the umbandas, have over time, with respect to this figure as controversial: Eshu orisha and Exu entity, especially in regard to the changes occurring from the process of desdemonization of exus and entities 'Street People' in Umbandas over the past 50 years.

Keywords: Exu - Process of desdemonization - Imaginary and resignification - African-Brazilian Religions- Umbanda.

Introdução

Esta pesquisa tem por objetivo seguir historicamente o caminho percorrido e as modificações ocorridas em torno da figura do orixá/entidade Exu, em especial nos círculos umbandistas, onde as relações entre as partes variam no tempo e no espaço indo da pura negação de pertença em vista da demonização sócio religiosa de Exu ao quase reendeusamento do mesmo.

Buscou-se acompanhar a trajetória de Esú/Exu desde a África onde foi inicialmente demonizado pelo colonizador até os dias atuais em que é reconhecido publicamente pelos cultos afros como orixá/vodun/nkisse, portanto, dissociado (de dentro para fora) da visão demoníaca que anteriormente lhe havia sido impingida, passando por sua transformação de orixá em entidade demonizada (macumbas cariocas, quimbandas e umbandas) e sua atual fase de desdemonização, em especial no que tange às umbandas. Da mesma forma apresentar-se-á o uso de Exu como "figura de proa", e alvo preferido utilizado para a demonização do outro e consequente cooptação de novos adeptos por algumas denominações Neopentecostais.

Partes: 1, 2, 3, 4, 5

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