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Desenvolvimento infantil: o brincar e o aprender no pré-operatório (página 3)


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Outra característica que está relacionada à formação do simbolismo é o jogo, no capitulo anterior foi descrito o tipo de jogo referente à faixa etária em questão e nesse capitulo será possível observar como a criança desenvolve o jogo e o utiliza por meio do brincar.

O tipo de jogo desenvolvido pela criança de 02 a07 anos é o jogo simbólico, a forma como a criança utiliza o jogo simbólico permite que ela organize e conheça o seu mundo além de expressar suas emoções e sua visão sobre o mundo que a cerca, é possível observar tais constatações em brincadeiras com bonecas ou bonecos, casinha, brincadeira de médico e outras onde a criança expressa sentimentos como o amor, agressividade, tristeza e alegria. Segundo Aguiar (2004), nesta faixa etária, a criança torna a estrutura do faz de conta cada vez mais complexa e durável. Idealizando e imaginando o mundo no qual pretende viver, modificando-o em função das suas necessidades. O jogo simbólico vai, portanto, surgir na criança quando ela adquirir a noção de representação e evocação de símbolos e expressar tal representação na sua realidade, reforçando a importância da criança brincar seja de faz de conta ou outras brincadeiras que a permitam "evocar e vivenciar".

Segundo Piaget (apud ANTUNES, 2003), o desenvolvimento mental da criança, antes do seis anos de idade, pode ser sensivelmente estimulado por meio de jogos. O autor conclui ainda que algumas capacidades, conhecimentos, atitudes e habilidades que podem ser desenvolvidas com os jogos são, por exemplo, o favorecimento da mobilidade, a estimulação da comunicação e desenvolvimento da imaginação, a possibilidade de facilitar a aquisição de novos conhecimentos e observação de novos procedimentos, o desenvolvimento da lógica e o sentido comum, a exploração de novas potencialidades e conscientização de limitações, estímulo à aceitação de hierarquias e ao desenvolvimento de trabalho em equipe, além de incentivar a confiança e a comunicação.

De acordo com Vygotsky (2007), é durante o brincar e por meio do brinquedo que a criança aprende a agir cognitivamente, dando vida aos objetos e determinando sua ação sobre eles. Coulthard e Leeuwen (2004) complementam ainda que, os brinquedos funcionam como um código, ou seja, uma linguagem e proporcionam a construção nas crianças dos seus próprios conceitos, de modo a incorporar os significados referentes aos contextos específicos do seu mundo, ou seja, a escola ou a família.

Brincando e desenvolvendo a capacidade de abstração, necessária para a formação da função simbólica, da imitação e do jogoa criança passa por outro processo marcante que será de fundamental importância para suas relações sociais.

No início dos 02 anos até aproximadamente os 4 anos de idade, apesar das crianças brincarem em grupo é possível observar sua posição de querer ter sempre o papel principal na brincadeira, de não dividir seus brinquedos e de não aceitar outra idéia que não seja a própria, esse comportamento típico da infância é outra característica marcante do período pré- operatório e é chamado de egocentrismo. Piaget (2005) classifica o egocentrismo como uma incapacidade de se colocar no lugar do outro e sugere ainda que esse comportamento gera o animismo (dar vida as coisas), o artificialismo (atribuir origem humana as coisas), o finalismo (finalidade das coisas) e a incapacidade de descentralização (que vem a ser a centralização de sua atenção em um só traço mais saliente do objeto de seu raciocínio).

As experiências de Piaget (1995) mostram que a parte mais importante das conversas das crianças em idade pré-escolar é constituída por falas egocêntricas. Ele chegou à conclusão de que 44 a 47 por cento do número total de conversas registradas em crianças com sete anos de idade eram de natureza egocêntrica. O autor complementa ainda dizendo que não há vida social persistente em crianças com menos de sete ou oito anos; em segundo lugar, a verdadeira linguagem social das crianças, quer dizer, a linguagem utilizada na atividade fundamental das crianças — o jogo — é uma linguagem de gestos, movimentos e mímica, tanto quanto uma linguagem de palavras. Para ele somente aos sete anos de idade o desejo de interagir com o grupo passa a existir apesar da fala egocêntrica ainda persistir.

Esse comportamento egocêntrico da criança pode explicar o porquê da dificuldade da criança de separar a realidade do que se passa em sua cabeça e de não aceitar um pensamento diferente do seu. Por isso a importância da criança brincar em grupo e frequentar a escola. Para Wallon (1995), é nesse estágio, na escola, que a criança diferencia-se dos outros e descobri sua autonomia e sua originalidade. Primeiramente ela mostra-se autoritária impondo sua opinião como uma forma de autoafirmação. Com o passar da convivência ela sente o desejo de ser admirada e aprovada e agrada os demais se tornando mais flexível. Já com a interiorização da imitação ela passa a assimilar o seu mundo exterior demonstrando o gosto de imitar o outro o que proporciona uma maior reaproximação social.

Essa característica tende a ser amenizada quando durante suas relações sociais e suas brincadeiras as crianças aprendem a trocar objetos, ser flexível a sua opinião e a do outro, a receber e dar afeto e a aceitar a si e ao outro como parte de um grupo. Essas ações de troca e convivência são aprendizados fundamentais durante a infância e são primeiramente vivenciados em casa com a família, na vizinhança, na escola, durante as brincadeiras e troca de experiências. Tal aprendizado será indispensável para que a criança torne-se um adulto flexível, sabendo trabalhar e viver em grupo, mantendo assim um bom equilíbrio nas suas relações sociais e afetivas.

O desenvolvimento da linguagem é outro marco desse período e com o advento da função simbólica já estabelecida a criança procura uma nova forma de se conectar com o mundo a sua volta. Na proposição Piagetiana, a linguagem é uma função cognitiva semiótica, que emerge como fruto de uma evolução que se inicia num período sensório-motor, num processo que, de forma continua, supõe dois pólos formadores de esquemas: o da acomodação e o da assimilação. Pelos esquemas do jogo e da imitação, a questão da linguagem ganha corpo: o jogo, primado da assimilação, garante a construção de um conhecimento sobre o mundo e a imitação, primado da acomodação, garante a aprendizagem da fala. Num certo momento, jogo e imitação se integram em equilíbrio permanente, formando o conjunto das adaptações inatuais, em contraste com a inteligência em ato ou em trabalho.

Os estudos de Piaget (1995) relatam que na fase inicial da fala linguística a criança costuma dizer uma única palavra, atribuindo a ela, no entanto o valor de frase. Por exemplo, diz ua, apontando para porta de casa, expressando um pensamento completo; eu quero ir pra rua. Essas palavras com valor de frases são chamadas holófrases. A partir daqui acontece uma "explosão de nomes", e o vocabulário cresce muito.

Ainda segundo o autor aos 02 anos a criança fala sozinha por que seu pensamento ainda não está organizado, mas espera-se que as crianças nessa idade sejam capazes de utilizar um vocabulário de mais de cem palavras. Entre os 02 e 03 anos as crianças começam a adquirir os primeiros fundamentos de sintaxe, começando assim a se preocupar com as regras gramaticais. Usam, para tanto, o que chamamos de super-regularização, que é uma aplicação das regras gramaticais a todos os casos, sem considerar as exceções. É por isso que a criança quer comprar "pães", traze-los nas "mães". Aos 05 anos a criança já é capaz de nomear cores básicas como(vermelho, amarelo, verde, azul) e seu vocabulário aumenta conforme ás suas experiências, essa então é a fase ideal para a alfabetização. Aos 06 anos a criança fala utilizando frases longas, tentando utilizar corretamente as normas gramaticais.

Em seu estudo Farias (2003) relata que com o estabelecimento da linguagem os aspectos cognitivos, afetivos e sociais da criança irão sofrer uma mudança, visto que ela já possui a capacidade de interagir com o outro e com sua realidade. Nesse estágio a aceleração do pensamento é atribuída às possibilidades de contatos interpessoais fornecidos pela linguagem. A partir de tal observação é que se dá a importância das relações sociais da criança principalmente na escola além da execução de atividades lúdicas que ampliam o desenvolvimento global desta criança.

Os aspectos cognitivos e afetivos implicados no brincar são necessariamente articulados com processos de linguagem, de acordo com Rocha (1994) a linguagem constitui e é constituída por elaborações a respeito das vivências cotidianas e das situações virtuais. As falas das crianças durante uma brincadeira de faz de conta permitem a orientação das ações e a regulação da interação com os demais parceiros da brincadeira. A linguagem possibilita ainda a criança criar e agir com objetos ausentes, sem nenhum suporte material, compor personagens que, na verdade, estão ausentes do jogo, e relacionar-se com eles, coordenando ações que podem ser apenas indicadas.

Com a aquisição da linguagem a criança passa a ser capaz de utilizar a representação simbólica, percebendo que vivemos em um mundo de representações e símbolos, essa capacidade de representação simbólica já desenvolvida passa a ser usada em forma de desenho ou grafismo. O desenho infantil pode ser considerado precursor da escrita, estando diretamente relacionado ao processo de aquisição de novas aprendizagens. Para Piaget (1976), a capacidade de criação e inovação supõe construções efetivas e não simples representações fiéis da realidade, ou seja, a criança desenha menos o que vê e mais o que sabe. Ao desenhar ela elabora conceitualmente objetos e eventos. Dessa forma o autor classifica as etapas do desenho referentes ao período de 02 a07 anos como:

  • Garatuja: Pertence a fase sensório-motora (0 a 2 anos) e parte da fase pré-operatória (02 a 07 anos). A criança apresenta extremo prazer nesta fase, a figura humana ainda não existe concretamente, mas pode aparecer da maneira imaginária e a cor tem um papel secundário sendo mais interessante o contraste. A garatuja pode ser do tipo desordenado quando apresentam movimentos amplos e desordenados. Simples riscos ainda sem muito controle motor, a criança ignora os limites do papel e se movimenta o tempo todo para desenhar. No final dessa fase, é possível que surjam os primeiros indícios de figuras humanas, como cabeças e olhos. Pode ser também do tipo ordenada quando apresenta movimentos longitudinais e circulares; a figura humana pode surgir de maneira imaginária, pois já existe a exploração do traçado e interesse pelas formas. Nessa fase inicia-se o jogo simbólico: "eu represento sozinho". A criança atribui nomes a seus desenhos, conta histórias. Dentro da fase pré-operatória, aparece a descoberta da relação entre desenho, pensamento e realidade. Quanto ao espaço, os desenhos são aleatórios, inicialmente, não relaciona entre si. Então aparecem as primeiras relações espaciais, surgindo devido a vínculos emocionais. A figura humana torna-se uma procura de um conceito que depende do seu conhecimento ativo, inicia a mudança de símbolos. Quanto à utilização das cores, pode- se usá-las, mas não há relação ainda com a realidade, dependendo do interesse emocional. A criança também começa a respeitar melhor os limites do papel. Mas o grande salto é ser capaz de desenhar um ser humano reconhecível, com pernas, braços, pescoço e tronco.

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Figura 1: Garatuja desordenada

Fonte: (REVISTA ESCOLA, 2013)

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Figura 2: Garatuja ordenada

Fonte: (REVISTA ESCOLA, 2013).

  • Pré-Esquematismo: Está relacionado especificamente a fase pré-operatória, ocorre a descoberta da relação entre desenho, pensamento e realidade. Os elementos são dispersos e não relacionados entre si. O uso das cores não tem relação com a realidade, depende do interesse emocional.

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Figura 3: Desenho do pré- esquematismo.

Fonte: (REVISTA ESCOLA, 2013).

É de suma importância citar que dependendo do nível de estímulos a que uma criança é exposta ao longo de seu desenvolvimento, ela pode passar ou não pelas fases descritas e que o importante é respeitar a fase de maturidade cognitiva e motora das crianças visto que isso pode variar de uma para a outra.

O ato de desenhar é atividade lúdica, reunindo como em todo o jogo, o aspecto operacional e o imaginário. Todo o ato de brincar reúne esses dois aspectos que sadiamente se correspondem e envolvem o funcionamento físico, temporal, espacial, as regras; o imaginário envolve o projetar, o pensar, o idealizar, o imaginar situações. Derdyk (2003) enfatiza um entendimento do ato de desenhar como atividade inteligente, sensível, reclama a sua autonomia e sua capacidade de abrangência como meio de comunicação, expressão e conhecimento, possui natureza aberta e processual. Por isso no desenho é possível observar fatores como a fase do desenvolvimento cognitivo, psicomotor e afetivo da criança, sua percepção visual, a noção de esquema corporal e a criatividade.

Vale lembrar que o encanto pelo ato de desenhar se estende por toda a infância e que isso pode desaparecer gradualmente com a chegada do início da adolescência, pois as crianças se tornam mais críticas e exigentes consigo mesmas. Estudos comprovam que isso acontece devido ao fato de algumas crianças apresentarem certa dificuldade em atingir o realismo visual o que acarreta um quadro de desânimo e consequentemente é gerada naturalmente uma desistência do ato de desenhar.

Brincando e jogando a criança terá oportunidade de desenvolver capacidades indispensáveis a sua futura atuação profissional, tais como: atenção, afetividade, o hábito de permanecer concentrado e outras habilidades perceptuais psicomotoras. Brincando a criança torna-se operativa (BATLLORI, 2003). Ao brincar, exploram e refletem sobre a realidade e a cultura na qual estão inseridas, interiorizando-as e, ao mesmo tempo, questionando as regras e papéis sociais. O brincar potencia o desenvolvimento, já que assim aprende a conhecer, aprende a fazer, aprende a conviver e, sobretudo, aprende a ser. Através da brincadeira, as crianças ultrapassam a realidade, transformando-a através da imaginação. Desta forma, expressam o que teriam dificuldades em realizar através do uso de palavras. Os jogos das crianças não são apenas recordações do que olham os adultos fazerem, elas nunca reproduzem de forma absolutamente igual ao sucedido na realidade. O que sucede é uma transformação criadora do percepcionado para a formação de uma nova realidade que responda às exigências e inclinações da própria criança, ou seja, uma reinvenção da realidade.

A partir da descrição das aquisições desenvolvidas pela criança do período pré- operatório é possível criar um esquema que tornará mais claro a sequência desse desenvolvimento destacando os seus principais fatores:

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Figura 4: Ciclo de desenvolvimento do período pré- operatório

Por meio das brincadeiras as crianças não apenas vivenciam situações que se repetem, mas aprendem a lidar com símbolos e a pensar por analogia (jogos simbólicos): os significados das coisas passam a ser imaginados por elas. Ao criarem essas analogias, tornam-se produtoras de linguagens, criadoras de convenções, capacitando-se para se submeterem às regras e dar explicações (BRASIL/MEC, 1997).

A participação nas brincadeiras em grupo também representa uma conquista cognitiva, emocional, moral e social para a criança e um estímulo para o desenvolvimento de seu raciocínio lógico. Pois a criança que brinca investiga e precisa ter uma experiência total que deve ser respeitada. Seu mundo é rico e está em contínua mudança, incluindo-se nele um intercâmbio permanente entre fantasia e realidade.

Apesar das implicações referentes ao mundo globalizado e a mídia, o brincar ainda é o principal meio utilizado pela criança para desenvolver suas potencialidades e habilidades, com o advento da modernidade as crianças vão adaptando seu novo jeito de brincar, estas questões referem-se também ao meio cultural ao qual a mesma está inserida já que se a criança muda o brincar também irá se modificar de uma forma inovadora e criativa. Assim o papel do brincar na vida da criança é inquestionável, constitui-se como uma mola propulsora do processo de desenvolvimento da mesma.

5 METODOLOGIA

Para a execução deste projeto foi utilizada a pesquisa exploratória do tipo bibliográfica. Segundo Proetti (2006), a pesquisa exploratória permiti uma maior delimitação sobre o tema assim como maiores informações dando enfoque ao trabalho que se deseja construir. Já a pesquisa bibliográfica segundo Marconi (2001), refere-se ao levantamento de dados em livros, artigos científicos e periódicos colocando o pesquisador em contato direto com o tema proposto.

Escolhido o tema no qual se baseia o estudo, DESENVOLVIMENTO INFANTIL: O brincar e o período pré- operatório foi realizada uma pesquisa preliminar na biblioteca da Faculdade Santa Terezinha- CEST com o intuito de conhecer melhor os diversos aspectos do tema e posteriormente realizada uma pesquisa mais aprofundada nos seguintes bancos de bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura da América Latina e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Literatura Internacional em Ciências da Saúde (Medline), Biblioteca Cochrane e ScientificElectronic Library Online (Scielo), United StatesNational Library of Medicine (PubMed), Google Acadêmico e livros. O período da pesquisa delimitado foi de 1992 a 2013, ressalvados os autores consagrados pela literatura cujas obras são imprescindíveis a qualquer trabalho científico nessa área.

Após a pesquisa realizada foi feita a coleta dos dados baseada na caracterização por assunto abordado e na relevância do artigo para o tema proposto e por seguinte a elaboração de fichas dos artigos e livros lidos. Tendo sido terminada toda a leitura e confecção das fichas com os assuntos abordados, foi feita a análise das mesmas que garantiu acesso aos dados fundamentais para o conhecimento requerido pelo problema permitindo confirmar hipóteses, e ainda oferecer dados essenciais para a compreensão do tema e dissertação sobre o mesmo.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O brincar, o desenvolvimento infantil e o aprendizado são temas relativamente complexos estudados por diversos autores e em diversas perspectivas. Tais estudos tornaram possível fazer o elo entre o brincar e o aprender principalmente em um período tão fundamental para o desenvolvimento infantil como é o período pré-operatório, que abrange crianças de 02 a 07 anos.

Mediante a fundamentação teórica aqui apresentada, baseada em célebres autores que estudam ou estudaram o universo infantil, pôde-se não somente constatar, mas compreender a importância do brincar na vida da criança e suas contribuições para o aprendizado e desenvolvimento da mesma. Esse elo entre o brincar e o aprender é multifacetado e parte do princípio de que toda criança tem direito ao brincar, sendo o mesmo a atividade peculiar á infância, cheia de sentido para ela, através da qual consegue desenvolver suas capacidades de adaptação e de interação, conquistando assim sua autonomia.

O brincar permite a criança explorar o meio ao qual está inserida assumindo e exercitando os vários papéis com os quais interage no cotidiano. Permite vivenciar o lúdico e descobrir a si mesma, apreender a realidade, uma forma particular de expressão, pensamento, interação e comunicação com os demais. Tanto a brincadeira como os brinquedos que ela pode envolver, estão marcados pela identidade cultural e por características sociais específicas de um grupo social, revelando o valor cultural do brincar e sua mutação de acordo com o meio ao qual a criança está inserida.

Os benefícios do brincar vão além da satisfação e do prazer são benefícios cognitivos relacionados à capacidade de concentração, atenção, memória, imitação,noções de espaço e de tempo, integração do esquema corporal, imaginação o desenvolvimento da lógica e da linguagem. Possui também benefícios sociais visto que oferece uma forma livre e autônoma de interação entre as crianças; benefícios afetivos uma vez que ela oferece a criança a possibilidade de se conhecer melhor, tendo, assim, oportunidades de encontrar nos outros atitudes e habilidades que causem admiração, que combinem com sua maneira de pensar, que causem vontade de conhecer melhor o outro, emergindo daí as primeiras amizades. E ainda os benefícios físicos que propiciam o desenvolvimento de habilidades onde se empregam a força (puxar, levantar, empurrar, etc.); agilidade (correr, saltar, rastejar, etc.), a destreza (atirar, mirar, esquivar, etc.) e o desenvolvimento da psicomotricidade fina, como enfiar uma agulha ou segurar um lápis.

Dessa forma a brincadeira constitui-se um espaço de aprendizado onde à medida que a criança brinca desenvolve-se nas áreas cognitiva, social, afetiva e motora garantindo uma infância saudável e as aquisições necessárias para uma vida adulta de sucesso.

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VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

________. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo, Martins Fontes, 2001.

________. A Formação Social da Mente. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes Editora LTDA, 1998.

Ao criador dos céus e da terra, YWHW, que me proporcionou o privilégio de está me graduando.

Á minha família e amigos que a todo tempo me apoiaram.

Aos mestres que com dedicação repassaram para mim um pouco do seu saber.

AGRADECIMENTOS

Mais uma etapa da minha vida está se encerrando e tão importante quanto comemorar essa conquistaé agradecer a todos que de alguma forma muito especial, direta ou indiretamente fizeram parte dela. Pessoas como minha mãe Maria Inês que com sua força e determinação sempre lutou para que eu pudesse realizar meus sonhos e objetivos; meu pai João Ferreira que com seu otimismo e motivação fez crescer cada dia em mim à vontade de aprender e contribuir de alguma forma para a sociedade; as minhas irmãs Kécilla Ávila e Rebecca Keslem que sempre me apoiaram.

Agradeço também aquelas que fizeram da minha vida acadêmica não só um momento de geração de conhecimentos, mas fizeram nascer e florescer uma amizade que será eternizada independentemente do futuro que há de vir, são essas que chamo de minhas "queridas amigas" Caroline Gaspar, Jociléia Nunes, Elisene Costa, Liliane Lima, Lucienne Barroso, Rafiza Nunes, Thayanne Martins.

Agradeço também a minha orientadora Liliane Chamon que com paciência, dedicação e inteligência tornou possível a realização deste estudo.

Agradeço ainda a Faculdade Santa Terezinha - CEST e a todos aqueles que passaram por minha vida e indiretamente contribuíram para meu crescimento durante toda essa jornada acadêmica. Nesse dia eu quero apenas agradecer.

 

Autor:

Hécila Cristany Sousa Ferreira

hecillacrystany[arroba]hotmail.com

Faculdade Santa Terezinha Cest

Curso terapia ocupacional

Monografia apresentada ao curso de Terapia Ocupacional da Faculdade Santa Terezinha – CEST, para obtenção do grau de bacharel em Terapia Ocupacional.

Orientadora: Profª. Esp. Liliane Chamon Damasceno Brito.

Profª. Esp. Liliane Chamon Damasceno Brito

Especialista em Educação Especial / Psicopedagogia Clínica e Institucional

São Luís

2013

Partes: 1, 2, 3


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