Hegemonia e contra-hegemonia: literatura e relações internacionais em Gramsci

Partes: 1, 2, 3
  1. Resumo
  2. Introdução
  3. A teoria gramsciana e os paradigmas em relações internacionais
  4. Hegemonia e sistema internacional
  5. Hegemonia
  6. Sociedade civil
  7. Ideologia
  8. Intelectuais
  9. Contra-hegemonia
  10. L'ordine
  11. Gramsci e o Brasil - aplicação e repercussão
  12. Gramsci e o Brasil - hegemonia e literatura
  13. Conclusão
  14. Referências Bibliográficas

Resumo

Este estudo norteia-se pelo conceito gramsciano de hegemonia, a fim de estabelecer bases para uma análise da literatura brasileira no contexto dos fluxos internacionais de cultura, a partir do exame de um caso particular. O desenvolvimento deste conceito por Gramsci tem como ponto de partida certos problemas que eram identificados por ele na difusão cultural na Itália de seu tempo, entendidos como problemas não apenas estéticos, mas também sociológicos. Assim, compreender a perspectiva gramsciana a respeito da relação entre hegemonia e literatura significa entrar em um debate que envolve um grande número de questões de ordem sociológica, como a determinação das identidades culturais e o problema das ideologias, segundo a interpretação dada por Gramsci ao materialismo histórico. É na perspectiva aberta por essa interpretação que se insere esta monografia, que procura realizar um estudo das relações entre cultura e política, tomando como caso o autor brasileiro Moacyr Félix.

Introdução

Em um artigo programático, em que procurar reabilitar a teoria gramsciana, Stephen Gill (1993a) introduz uma análise da teoria de Gramsci, argumentando que há a necessidade de se repensar tanto a economia política internacional quanto as Relações Internacionais (RI). Nesse sentido, Gill insere de forma importante o materialismo histórico, pois para ele as notas de Gramsci sobre as Relações Internacionais precisam estar ligadas com a reconstrução do pensamento materialista-histórico em sentido extenso, assim como academicamente articulado, para que se evite um novo sectarismo intelectual.

Não é apenas Gill que afirma a necessidade de se repensar as RI sob um viés histórico-materialista. Revendo o conceito de hegemonia, pertencente ao referencial teórico de Gramsci, Norberto Bobbio procura esclarecê-lo, fornecendo subsídios para que se realize esta retomada, aproximando a olhos nus as Relações Internacionais e Gramsci:

O conceito de hegemonia tem como campo de aplicação o sistema internacional e as relações entre os estados. (...) (e se define pela) capacidade de direção intelectual e moral, em virtude da qual a classe dominante, ou aspirante ao domínio, consegue ser aceita como guia legítimo, constitui-se em classe dirigente e obtém o consenso ou a passividade da maioria da população diante das metas impostas à vida social e política de um país. É este o significado que se depreende da 'teoria da Hegemonia' que Antonio Gramsci transformou em centro da sua reflexão sobre a política e o Estado modernos e se acha registrada nas páginas dos Quaderni del Carcere (BOBBIO, 1986, p.580).

Na esteira de tal formulação, outros conceitos vêm à tona, não apenas do referido referencial teórico de Gramsci, mas também da teoria de Relações Internacionais, uma vez que se faz necessário responder a alguns questionamentos preliminares a respeito do materialismo histórico em sua formulação gramsciana e neo-gramsciana, conforme sua orientação entre os paradigmas das Relações Internacionais.

Muitos dos trabalhos substantivos de Gramsci concentram-se na análise das formações sociais nacionais em períodos históricos particulares, particularmente na Itália, porque ele argumenta que o período de formação de um Estado fornece o prisma adequado tanto para a sua compreensão, como para a compreensão da sociedade civil que então se constitui, uma vez que é precisamente nesse momento que as bases das hegemonias sociais são construídas.

Partes: 1, 2, 3

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