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A importancia da família na recuperação do alcoolista (página 2)


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The problem of alcoholism affects thousands of families throughout the world, by treating about a serious problem which needs solution. How many disorders are observed by abusive use of alcohol? This work aims to analyze on the problem of alcoholism and demonstrates that, before being a vicious, the alcohol may bring various inconveniences for health. It will be seen the definition and approaching in its historic context. Also will be retracted some aspects related to the use of alcohol, analyzing the alcohol effect in the persons" body and the reaction of the alcohol in the human being"s life. Finally in the last chapter will be accosted the treatment way of the alcoholism, going through a self-conscientious process the participation of extremely importance of the family and we highlighted the philosophy"s voluntaristic thoughts with useful thoughts in the recovery process. In general this work intends to present the structural components of an attendance service and, then, the stages involved in the planning of its actions, aiming at construction of solid and durable therapeutic institution. The knowledge about the structure of the task and patients needs (current and/or potential) guidelines, refining and improve the therapeutic proposal ongoing. The process of planning constitutes the dynamic stage of organization. At that time, the various components are prepared and integrated in a systematic way, strengthening potentiality, amending deficiency and better responding to external reality that surrounds the therapeutic project. In the approach of this issue we can easily see three elements: the alcohol, alcoholic and family, which are intimately related. The alcohol abuse causes alterations not only in the person, but also, in everything that surrounds him, family and friends. At the end of this work through a bibliographic search, we have apprehended, in the question and deepen some of the reasons why the human being is dependent on the alcohol. Consequently, we hope to explain the great destruction caused by the use of alcohol, both in social level, as personnel and mental of humans, without forgetting to focus on the groups role of assistance and the family in the process of recuperation. Alcohol is a drug which is related to the pleasure. Only before this leisure associate what we can call it vice or dependence. When it comes to this point of dependence chemic must be identified and treated, because what is in play is the person"s life quality. In the work it is clear that the family participation in the alcoholic treatment is extremely important to his/her recovery. And that this aware is something to be conquered during the treatment, both the alcoholic, achieving to perceive the importance that his/her family has in his/her treatment, and family perceiving that it is important for the alcoholism. In order to finish, here is a work to become more aware as so many others which are around the world, we do not want it to be only one more in the library, but one which initiates a fight for this evil that affects the society. In Brazil, a large part of the tasks is organized only and exclusively from the commitment and experience of their professionals. This creates tasks with potential for servicing limited and released local needs.The characteristic of this work has as objective awareness the damage which the alcohol produces in society, as physical and moral damage. Besides, we have seen that alcohol still commits the human body. In the digestive tract the damage is still greater, because the alcohol influence affects the gastric and salivary secretions which are stimulated by psychic via.

Key Words: alcoholism; family; social behavior; AA

INTRODUÇAO

O problema do alcoolismo atinge milhares de família em todo mundo, tratando-se de um problema grave que precisa de solução. Quantos transtornos são constatados pelo uso abusivo do álcool, podendo ser citado os grandes numeram de acidentes de trânsitos em todo mundo, que colocam em risco a vida de famílias inteiras.

O presente trabalho tem por objetivo fazer uma análise sobre o problema do alcoolismo e demonstrar que, antes de ser um vício, o álcool pode trazer vários transtornos para a saúde. Para alguns o alcoolismo é visto como uma doença progressiva e fatal e, como doença, precisa de tratamento.

Para melhor compreender sobre o tema álcool, suas causas e seus efeitos na vida do ser humano, o trabalho será apresentado em quatro capítulos.

No primeiro capítulo serão visto as definições e abordaremos seu contexto histórico.

No segundo capítulo serão retratados alguns aspectos relacionados ao uso do álcool, analisando o efeito do álcool no organismo das pessoas.

As reações do álcool na vida do ser humano serão analisadas no terceiro capítulo.

Por fim no último capítulo serão abordado as formas de tratamento do alcoolista, passando por um processo de autoconsciência a participação de enorme importância da família e destacamos o pensamento dos filósofos voluntarista com pensamentos úteis a no processo de recuperação.

De um modo geral o presente trabalho pretende apresentar os componentes estruturais de um serviço de atendimento e, em seguida, as etapas envolvidas no planejamento de suas ações, visando à construção de instituições terapêuticas sólidas e duradouras.

1. O ÁLCOOL, ORIGEM, CAUSA E EFEITO

1.1 DEFINIÇÕES

O álcool é um composto orgânico, liquido ou sólido, que contém o grupo funcional - OH ligado a átomo de carbono saturado; ex.: etanol, metanol. (Norma para nome sistemático de álcoois simples: alcano- alcanol; ex.: etano-etano). 2. O etanol é liquido incolor, volátil, com cheiro e sabor típicos, obtido por fermentação de substância açucarada ou amilácéas. Este tipo de bebida também pode causa dependência ao indivíduo ingerir em quantidade demasiada, isto é um assunto que será tratado nos próximos capítulos (FERREIRA, 2000, p. 29).

1.2 CONTEXTO HISTÓRICO

Toda a história da humanidade está permeada pelo consumo de álcool. Temos vários registros arqueológicos que nos revelam indícios dos primeiros consumos de álcool pelo ser humano, aproximadamente 6000 a.C. Sendo, portanto, um costume extremamente antigo e que tem persistido milhares de anos. A noção como uma substância divina, por exemplo, pode ser encontrada em inúmeros exemplos na mitologia, sendo talvez um dos fatores responsáveis pela manutenção do hábito de beber ao longo do tempo. A embriaguez vem sendo reflexão em todos os tempos, basta pegamos relatos da vida de Baco e Ceres que estão inseridas nas obras de Homero, Plutarco, Platão e Virgílio, nesses quatro personagens verão relatos do consumo do álcool em festa bacanais. Vejamos:

Propério e Anacronte ontem em versos quando Baco regava as rosas com seu regador de ouro, com água muito pura e fresca da fonte Castália. Conta-se, entre as comadres do Olimpio, que certa vez, ainda no jardim, Baco tomou uma bebedeira tão forte que durou cem dias a fio, obrigado marte e Mercúrio a amarrá-lo num troco de roseira, de tão inconveniente que estava (LOUREIRO LOUREIRO LOUREIRO NETO, 1990, p. 1).

O personagem Baco que é narrado pela mitologia grega era considerado como dos mais simpáticos dos deuses. O mito demonstra muito bem as conseqüências que álcool pode trazer na vida do ser humano. Mesmo não sabendo na antiguidade o álcool é considerada uma droga psicotrópica (medicamentos que age sobre o psiquismo) (FERREIRA, 2000, p. 566), o efeito da droga atua no sistema nervoso central, causando uma mudança no comportamento do indivíduo que consome em alto nível, além de ter potencial para desenvolver dependência, pois, no mito fica claro esse aspecto quando Baco fica embriagado. A mudança de comportamento de Baco esta relacionada com excesso de teor do álcool em seu corpo, vê que na antiguidade como em nossos dias essa droga causa os mesmo efeitos.

Podemos percebe que, não diferente de nossa época, o consumo de álcool era admitido como hoje é incentivado pela sociedade. Isso faz com que o álcool seja encarado de forma diferenciada, quando comparado com as demais drogas. Apesar de sua ampla aceitação social, o consumo de álcool , quando excessivo, passa a ser um problema, vimos isso no relato do mito onde foi necessário amarrá-lo Baco em um troco de roseira, pois o Baco tava inconveniente para as pessoas que estavam próximas a ele.

Seguindo a linha histórica da origem do álcool vemos relatos na bíblia da presença do álcool. No livro do Gênesis vamos também encontra indícios de álcool quando fala do vinho na passagem que fala de Lot:

Eis uma cidade bem perto onde pode embriagar-me. È uma pequena e eu poderemos refugiar-me nela. Permiti que o faça – ela é pequena – e terei a vida salva. Vem, embriaguemos nosso pai durmamos com ele, para que possamos nos assegura da posteridade. Elas fizeram, pois o seu pai beber vinho naquela noite (BÍBLIA, GÊNESIS, 19, 20-21-32).

Diante do que vimos à história do álcool foi motivo de prosa para os poetas desde antiguidade. Os egípcios diziam que as primeiras orientações para cultivo da uva foram ensinadas por Osíris, já Dionísio iniciador da medicina, acreditava que o vinho tinha poder medicinal, por isso indicava o uso para os gregos.

No livro dos Prevérbios, Salomão faz referência ao vinho vejamos, matou seus animais, preparou seu vinho e dispôs a mesa... Vinde comer o pão e beber o vinho que preparei (PREVÉRBIOS, 9, 2-5). No Novo Testamento encontramos em um dos milagres de Jesus onde faz referência ao vinho, é costume servir primeiro o vinho bom e, depois, quando os convidados já estão quase embriagados, servir o menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora (JOAO, 2, 9).

Segundo (LOUREIRO NETO 1990; p.3), uso das bebidas alcoólicas fermentadas remotas há muitos anos antes de Cristo. Tudo indica que se originou na Índia, ganhando o oriente médio, o Egito e a Grécia, passando pela civilização mediterrânea para alcançar a máxima difusão no Império Romano.

Constatamos que cultivo da vinha e o uso de bebida fermentada se expandiu na Europa centra e meridional devido à influência do rio Danúbio e com curso do Remo, isso fez com que expandisse o conhecimento da bebida alcoólica ainda mais. Não só nesses continentes foram encontradas bebidas alcoólicas, como também em outros continentes, como na África, nas Américas do Norte e do Sul.

Fica claro todo uso histórico do álcool, como podemos enfatizar com o que diz Ramos e bertolate no livro Alcoolismo Hoje para situar o seu uso em um lugar sociocultural:

A maioria das mitologias a respeito da origem do álcool tem pelo menos um ponto comum: a sua gênese divina. Diante dos efeitos psicoterápicos do álcool, a mente primitiva recorreu a via mística para explicar sua origem, via de resto, utiliza para explicar todos os outros fenômenos além da compreensão racional imediata, como o ciclo do dia e da noite, da vida e da morte. A partir de sua origem divina, o álcool ao mesmo tempo em que se "temporalizou", manteve sua ligação com os deuses, passando a fazer parte dos rituais solenes de quase todas as formas de religião conhecidas; seja como maneira de colocar o crente mais facilmente em contato os deuses, seja como representação, a corporificação do próprio deus. Em nosso ambiente cultural, são mais que conhecidos exemplos de Consagração da Missa Romana, da Santa Ceia, dos ritos Petencostais, da cerimônia do "Shabbt" e do recebimento de certos orixás do Candomblé e da Umbanda. Porém mesmo na temporalização, nota-se que o caráter sagrado do álcool era tão forte que passou a ser considerado quase que invariavelmente como coisa boa: alimento, remédio, lenitivo.

Apenas esses elementos seriam o suficiente para a atenção dos estudiosos da cultura e das sociedades e na desorganização biopsicossocial dos indivíduos que o usa indevidamente. E de fato chamaram. Inúmeros autores há vários anos vêm se dedicando a examinar e a estudar diferentes aspectos socioculturais do uso do álcool (BERTOLATE; RAMOS: 1997).

Loureiro Neto (1990, p. 6) abordará este tema da seguinte forma: o conhecimento das propriedades excitantes e estupefacientes de algumas plantas e do álcool etílico é documentado pelo s mais antigo testemunhos etnográficos e paleontológicos, e revela, pois, uma constate necessidade humana, uma espécie de apetite profundo e irresistível para as drogas euforizantes e onirizantes .

Então fica evidente que em todas as civilizações cultivaram plantas para usar como estimulador e também com finalidade medicinais na tentativa de estimular funções celebrais e até mesmo para eliminar dor.

Esse pequeno contexto histórico foi para melhor familiarizamos com tema, ou seja, para melhor compreensão do que vamos abordar nos capítulos a seguir, isso dará sustento para aprofundarmos nas causas e feito que álcool pode causa na vida do ser humano junto com seus transtornos.

1.3 ALCOOLISMO

O alcoolismo é um conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivos e prolongando de álcool; é entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, e todas as conseqüências decorrentes. O alcoolismo é, portanto, um conjunto de diagnósticos. Dentro do alcoolismo existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez). Síndrome amnéstica (perdas restritas de memória), demencial, alucinatória, de humor. Distúrbios de ansiedade, sexuais, do sono e distúrbios inespecíficos. Por fim o delirium tremens, que pode ser fatal.

Assim o alcoolismo é um termo genérico que indica algum problema, mas medicamento para maior precisão é necessário apontar quais distúrbios está presente, pois, geralmente há mais de um. Masur (1984) tem a convicção de que o alcoolismo é uma doença na medida em que implica numa situação de dependência tão intensa, que implica em visíveis prejuízos a nível físico, psíquico e/ou interpessoal e correlaciona a sua existência quando existe, à perda da liberdade sobre o ato de beber.

A partir dessa definição abordaremos o tema em sua totalidade. A organização Mundial de Saúde (OMS) publica periodicamente um Manual de Classificação de Doenças, Lesões e Causas de Óbito que, em sua revisão mais recente, de 1978, contém quase mil itens. Se nesta lista extensa formos procurar o alcoolismo, não o encontramos incluído. Pode-se, então concluir que o alcoolismo não é nem doença, lesão, e nem causa de óbito. (BERTOLATE; RAMOS: 1997).

O alcoolismo é visto como uma toxicomania pela OMS, que a conceitua como "um estado psíquico e algumas vezes também físico; resultante da interação entre o organismo vivo e uma substância, caracterizado por um comportamento e outras reações que incluem sempre compulsão para ingerir a droga, de forma contínua ou periódica, com a finalidade de experimentar, seus efeitos psíquicos e às vezes para evitar o desconforto de sua abstinência. A tolerância pode existir ou faltar e o indivíduo pode ser dependente de mais de uma droga" (OMS, 1978). Ramos nos diz que;

A conceituação do alcoolismo como doença, traz, em si, a tendência de situá-la no campo médico e, em conseqüência, a identificá-lo exclusivamente ou predominantemente, em termos de sua sintomatologia física ou psíquica. Entretanto, os aspectos sociais associados ao consumo do álcool não só incluem parte integrante deste complexo sindrômico, como podem mesmo constituir seus elementos mais relevantes e preocupantes, em determinadas fases (BERTOLATE; RAMOS, : 1997).

O alcoolismo é considerado um dos mais sérios problemas de saúde pública da atualidade, despertando a atenção de autoridades médicas e sanitárias de diversos países. Segundo os dados do I Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, realizado em 2001 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em conjunto com a Secretaria Nacional AntiDrogas (Senad), envolvendo as 107 maiores cidades do País, 11,2% da população brasileira é dependente do álcool (p. 38), e a prevalência da dependência está na faixa etária de 18 a 24 anos, em um total de 15,5% (CARLINI ET AL :2002, p. 48).

Isso nos mostra que enquanto os países estão preocupados em solucionar o tráfico das drogas em todo mundo, o alcoolismo tem passado despercebido, pois, é uma droga que aflige milhões de pessoas no mundo. Na verdade, o termo alcoolismo tornou-se século XX uma coisa populosa, que se vulgarizou de tal forma que hoje além de poder designar um importante fenômeno médico e social, serve como rotulo estigmatizante, chegando, no limite, a perde do seu valor.

O etanol ou podemos chamar de álcool etílico, é uma das drogas deste século que mais mata pessoas no mundo, seja pelas doenças ou acidentes provocado em função do álcool. É possível fazer uso do álcool desde que seja com moderação, ou seja, indivíduo tem que reconhecer seus limites. Pois, o que está sendo colocado em prática é o abuso na ingestão de bebidas alcoólicas, este problema vem se ramificando de forma assustadora e crescente que está se tornando uma preocupação na sociedade brasileira e mundial, assim podemos ver a questão que acerca o consumo do álcool e determina quando termina o uso social e passa para o uso patológico de etílicos:

Há alguns critérios básicos baseados na freqüência e quantidade de álcool ingerido, que podem definir com alguma clareza a linha vermelha. Por exemplo, pode ser considerado dependente o homem que bebe mais do que 80 gramas de álcool ou a mulher que beba mais que 40 gramas por dia, em média. Para saber quantas doses isso significa, basta um cálculo considerado a porcentagem de álcool puro em cada tipo de bebida: 50% nas bebidas destiladas como pinga, uísque e vodka, cerca de 10% no vinho e de 4 a 6% na cerveja. Por exemplo: uma dose de cachaça tem 50 ml de bebida, o equivalente a 25 ml de álcool puro. Sabe-se que o peso especifico do álcool é 0,8. Basta, então, multiplicar o peso específico pelo volume para se ter o peso em gramas. Resultado: uma dose de pinga20 gramas (0,8 x 25) de álcool puro. Um homem que bebe mais que quatro doses de destilado por dia já chegou ao limite, ou seja, 80 gramas (TUNES E BECCARI, 1993, p. 48-55).

Diante do que foi nos apresentado as pesquisas médicas mostra que, acima de determinado consumo, começam a surgir às doenças hepáticas, gástricas e neurológicas, provocadas pelo álcool.

Hill (apud EDWARDS: 1985) dizia, em meados da década de 80, não existirem evidências de o alcoolismo ser ou não uma doença. A ausência de um padrão homogêneo, de um curso único, ao contrário do que se pensava antes, faz com que alguns prefiram ver o alcoolismo como uma síndrome e não como uma doença.

Na visão dos médicos em sua maioria que tratam do problema, o que realmente demarca o limite do indivíduo que consome o álcool social e o que denominamos por alcoólatra é a perda da liberdade de tomar decisão sobre o ato de ingerir o álcool. Os indivíduos que fazem uso abusivo de tais bebidas são classificados etilistas, alcoolistas, ou alcoólatras.

Para melhor compreender nossa pesquisa sobre o alcoolismo apoiaremos, na definição de Jellinek (apud FORTES; CARDO: 1991), pois, seus estudos estão apoiados em dados estatísticos, sua primeira tentativa é de sistematizar os pacientes que tem um logo período envolvido com consumo de alcoolismo. Sua definição esta baseada em cinco tópicos que são: alfa, beta, gama, delta e epsilo. Vejamos suas definições:

Na primeira definição encontramos o alcoolismo ALFA, que é equivalente ao que denominamos hoje "bebedor problema". Segundo Fortes o alcoolismo ALFA pode evoluir para alcoolismo GAMA.

Entrando na segunda fase encontraremos o alcoolismo BETA, nele o alcoolismo é caracterizado por complicações físicas, tais como polineuropatia, gastrite ou cirrose hepática, sem necessariamente dependência física (alcoolismo GAMA ou DELTA) ou psíquica (alcoolismo ALFA).

Na terceira fase o alcoolismo GAMA é caracterizado por: 1) tolerância tecidual adquirida pelo uso contínuo de álcool; 2) metabolismo celular adaptativo; 3) sintomas de abstinência e de "compulsão para beber"; 4) "perda de controle", isso é, uma vez iniciada a ingestão de álcool, é impossível parar. Seria teoricamente a forma de alcoolismo mais comum.

A quarta fase é o alcoolismo DELTA, esta fase é caracterizada pela tolerância, metabolismo celular adaptativo e sintomas de abstinência, como o alcoolismo GAMA, mas, ao invés de "perda de controle", há "impossibilidade de abster-se." É o alcoolismo dos grandes bebedores de vinho ou cerveja.

Por fim na última fase encontraremos o alcoolismo EPSILO, é o alcoolismo caracterizado por uma periodicidade ou então por episódio tipo dipsomania (FORTES; CARDO, 1991, p. 45).

As cinco definições de Jullinek repercutiram com grande influência na literatura da época, pois era patrocinado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) (FORTES; CARDO, 1991)

Com base no que foi escrito, vimos que Jellinek centraliza seus estudos de forma mais científica quando classifica o alcoolismo. Assim o indivíduo diante de sua embriaguez perde seu controle, ou seja, diante da situação que se encontre o indivíduo alcoólatra tem o seu primeiro dano maior que é a perda da liberdade e conseqüentemente sua saúde será debilitada.

Para maior segurança a respeito do estudo do alcoolismo Jellinek utilizou vários pontos, para dar coerência a sua pesquisa que está baseada em fontes fisiopatológico, cultural e social. Essas três bases foram fundamentais para desenvolver sua pesquisa, de modo que aqueles que lerem seus escrito tenham consciência do transtorno que o álcool pode causar.

Percebemos uma definição um pouco diferente quando os próprios sujeitos do alcoolismo fala como demonstra Campos (2005):

Mas o alcoolismo é uma "doença contagiosa"? Quando indagados sobre o assunto, os AAs apontam que é na "família" e nas relações de "trabalho" que o alcoolismo se mostra mais "contagioso". Paulo vai além e traça um paralelo sugestivo entre o alcoolismo e a Aids:

Eu vejo o pessoal preocupado com a Aids e há realmente a necessidade de ter essa preocupação com a Aids, porque é uma doença também supercontagiosa. Mas o alcoolismo é mais contagioso do que a Aids. Por exemplo, se eu fosse um aidético, eu só transmitiria minha doença para uma outra pessoa se eu tivesse um contato direto. E o alcoólatra? É indiretamente que ele atinge as pessoas. É indiretamente que aquela empresa, em que aquele alcoólico trabalha, começa a não produzir. Ele tá afetando os companheiros de trabalho. E há o contágio dentro da própria casa. Porque o alcoolismo é a doença da família. (Paulo, entrevistado em 22 jul. 2002).

Sobre o alcoolismo no Brasil desde 1994 quando se criou através do Ministério da Saúde do Brasil o Programa Saúde da Família (PSF) com propósito de "reorganizar a prática da atenção à saúde em novas bases e substituir o modelo tradicional, levando a saúde para mais perto da família e, com isso, melhorar a qualidade de vida dos brasileiros" (BRASIL: 1998). A estratégia do PSF prioriza as ações de vigilância, prevenção, promoção e recuperação da saúde, de forma integral e contínua (SOUZA; 2005).

Em relação às causas do alcoolismo, como já foi comentado, há controvérsias. Há autores que admitem os sintomas da intoxicação crônica pelo álcool como sendo roupagens que escondem ou disfarçam uma personalidade mórbida. Não haveria propriamente alcoolismo primário, sendo os casos relatados como alcoolismo secundários a "algo" subjacente à personalidade do paciente. Em outras palavras, o indivíduo normal nunca se tornaria um alcoolista crônico. Haveria sempre necessidade da existência de um fator ligado a uma personalidade mórbida (FORTES: 1975).

"Observa-se um incremento progressivo no número absoluto de pessoas cadastradas no PSF ao longo dos anos avaliados (Tabela 1). Considerando os extremos do período, o número passou de 2.058.054 para 48.364.457, havendo aumento superior a 23 vezes. Verificou-se que, no mesmo período, houve um aumento superior a 13 vezes no número de pessoas cadastradas com "alcoolismo", elevando-se de 28.821, em 1998, para 398.165, em 2004. Desta forma, verificou-se um declínio progressivo no percentual da população cadastrada no PSF identificada com "alcoolismo", passando de 1,4%, em 1998, para cerca de 0,82% em 2004; portanto uma redução em torno de 41,43%. A redução do percentual de pessoas cadastradas com "alcoolismo" se correlaciona estatisticamente com o aumento da população cadastrada (p = 0, 001, r = -0,985, n = 7, Teste de Pearson)" (SOUZA: 2005).

Monografias.com

Inicialmente, questiona-se a utilização da categoria "alcoolismo" no SIAB/SUS, visto que esta sequer faz parte da nomenclatura de doenças adotadas no Brasil, o que dificulta compreender qual dimensão do uso problemático de álcool está sendo registrada. A expansão da cobertura (evidenciada pelo número de pessoas cadastradas) veio acompanhada de uma redução na identificação das pessoas com "alcoolismo" (redução do percentual de cadastrados com "alcoolismo"), apontando para diminuição da capacidade de vigilância em saúde. Considera-se improvável que esta redução esteja associada à atuação do PSF junto à população, uma vez que, embora as ações na área de álcool e drogas tenham sido apontadas como essenciais estas não foram efetivamente implantadas no âmbito do PSF (MARQUES; FURTADO, 2004). Por outro lado, pode-se considerar esta identificação como baixa em todos os anos investigados, se compararmos com dados nacionais que apontam para uma prevalência da dependência ao álcool em torno de 11,2% na população geral do país. (CARLINI et al; 2002)

Sendo, o alcoolismo o responsável por diversas doenças, por grande parte dos atos de violência e dos acidentes dos mais variados, desde transito até de trabalho.

Apesar das suas conseqüências desastrosas, o ato de beber é considerado parte fundamental do convívio social, dificultando as campanhas de conscientização. No extremo do ato de beber, encontramos os alcoólatras, dependentes do álcool que devem contar com apóio e compreensão da sociedade para sua recuperação, que deve abandonar o preconceito e tratá-lo com respeito, alguns pontos que aqui foram apontados serão definidos nos próximos itens com maior clareza.

1.4 BEBIDAS ALCOÓLICAS

As bebidas alcoólicas são caracterizadas pela presença de álcool etílico (CH2-H5-OH) ou etanol. A sua formula é considerada trinta vezes mais solúvel em água do que os lipídeos. Possui maior concentração, por essa razão, em órgãos com grande conteúdo hídrico. Considerado uma fonte rápida energia, pois a combustão de um grama produz sete calorias. Essas duas definições distribuem-se em três grupos:

No primeiro grupo encontramos as bebidas fermentadas (como vinho, cerveja, cidra, cauim), que são as mais fracas em álcool e se formam pela fermentação natural de substâncias ternárias (açucares amido);

Segundo momento encontrará as bebidas destiladas (como aguardente, conhaque, uísque), de grande concentração alcoólica, obtidas pela destilação em alambiques das bebidas fermentadas;

Na ultima classificação são as bebidas alcoolizadas (como vinho do Porto, vinho Madeira), que são bebidas fermentadas em que se carrega, artificialmente, dose do álcool (LOUREIRO NETO, 1990 p.8).

Como ficou demonstrado o álcool etílico ou etanol é uma substância obtida pela fermentação do açúcar e de substancia amiláceas das mais diversas origens de vegetais.

Tabela 2 - Quantidade de álcool (em porcentagem) de alguns tipos de bebidas:

Tipos de bebidas

Porcentagem de álcool (%)

Cerveja

3.2 - 4.0

Ales

4.5

Porter

6.0

Stout

6.0 - 8.0

Liquor

3.2 - 7.0

Saquê

14.0 - 16.0

Vinho de mesa

7.1 - 14.0

Vinho frizante

8.0 - 14.0

Vinhos fortificados

14.0 - 24.0

Vinhos aromatizados

15.5 - 20.0

Brandies

40.0 - 43.0

Whiskies

40.0 - 75.0

Pinga

40.0 - 50.0

Vodkas

40.0 - 50.0

Gim

40.0 - 48.5

Rum

40.0 - 95.0

Aquavit

35.0 - 45.0

Okolehao

40.0

Tequila

45.0 - 50.5

Fonte: CISA; 2007.

Uma dose aproximadamente de 1 ml/kg de etanol absoluto (92 a 99% etanol) geralmente resulta em níveis no sangue de 100 a 200mg/dl. Uma concentração no sangue entre 120 a 300mg/dl, já determina sinais e sintomas.

Observamos que o álcool é rapidamente absorvido no nível do estomago, intestino delgado e colón em proporção variável conforme a concentração da bebida. A absorção no estômago a princípio, se faz rapidamente, tornado-se mais lenta a seguir, apesar da concentração se manter constante.

São vários fatores que influenciam a absorção, tais como volume, quantidade de alimentos existente na luz do órgão, qualidade da bebida, diluição, tempo gasto para ingestão e particularidade pessoais de quem bebe. Geralmente a absorção se completa entre 2 a 6 horas.

A absorção no intestino delgado é mais rápida e completa que no estômago: não depende, como neste, da concentração alcoólica nem da presença de alimentos. As pessoas que foram gastrectomizadas (extirpação total ou parcial do estômago) estão sujeitas as intoxicações mais severas, mesmo quando a ingestão e de pequenas quantidades, pois a bebida vai mais rapidamente ao intestino delgado, onde a absorção é direta e maciça.

Até mesmo os vapores de álcool podem ser inalados, temos como exemplo um caso que foi registrado, como intoxicações agudas de pessoas que permaneceram em adegas fechadas por muito tempo. A introdução do álcool no organismo pela via respiratória é aproveitada, graças ao seu poder higroscópico, para fins terapêuticos, para promover a fluidificação das secreções respiratórias.

A absorção através da pele é desprezível, podendo ocorrer quando o álcool se encontra em baixa concentração. Em concentração elevada, o resfriamento da pele produz vasoconstrição, prejudicando o fenômeno de absorção. Vejamos como esse processo ocorre:

Finalmente, quanto à função da letalidade, contrações superiores a 5 por mil assinalam perigo de intoxicação fatal. A morte pelo resfriamento pode ocorre quando a proporção chegar a 6 por mil. Casos raros indicam intoxicações fatais com a taxa de 10 por mil (LOUREIRO NETO, 1990, p. 18).

Sobre a pele atua como irritante, podendo favorecer a absorção de outras substâncias associadas (FORTES, 1975, p.11).

1.5 METABOLISMO DO ÁLCOOL

Nessa nova etapa veremos como si dá degradação do etanol em dois momentos.

Fonte: www.scielo.br/img/revistas/rn/v18n3/a10fig01.gif

Monografias.com

1.5.1 Etapas Do Álcool

Neste primeiro momento veremos como consiste a transformação do etanol em acetaldeído e realiza-se principalmente no fígado através das três definições que vamos abordar agora:

Nesta primeira definição vamos aborda sobre o álcool - desigenase (ADH): que se encontra no citosal.

A junção da metabolização do etanol para acetaldeído no hepátocito se dá primeiramente pela oxidação, através da enzima álcool desidrogenase (ADH). Essa consiste na principal enzima envolvida na oxidação do etanol, sendo, portanto, responsável por cerca de 75% a 90% de sua metabolização. Fortes, defini assim: existem variantes dessa enzima (oito ou mais isoenzinas), determinadas geneticamente, com diferentes propriedades catalíticas e cinéticas.

Utiliza o co-fator NAD como aceptor de hidrogênio, que se converte na sua forma reduzida NADH (FORTES; CARDO, 1990, p. 60).

Na ultima etapa está o sistema microssomal oxidante do etanol (S.M.O. E): localiza no retículo endoplasmático liso. O SMOE aparece através de três componentes microssomais: P-450; NADPH - cotocromo redutase e fosfolípedes (lecitina). Utiliza-se o co-fator NADP como aceptor de H e contribuem com 25% da metabolização do etanol em indivíduos não alcoólatras.

Esse sistema é importante, pois sua atividade pode inferir com A intoxicação alcoólica aguda pode diminuir o metabolismo dessas drogas através da proliferação do retículo endoplasmático liso. A diminuição da meia-vida dessas drogas pode ser de 50% nos alcoólatras que entram em abstinência, quando comparados com indivíduos normais. Essa tolerância medicamento pode persistir por semanas, após a interrupção da ingestão etílica (FORTES; CARDO, 1991, p. 60).

Sendo encontrada nos peroxissomas. Na terceira via de oxidação do etanol ocorre no interior dos peroxissomas, através da catalise, com formação de acetaldeído. Nessa reação ocorre consumo de peróxido de hidrogênio, que é transformado em água. Contudo a atividade da catalise fica limitada pela taxa de produção de hidrogênio pelo hepátocito que segui um caminho lento. Portanto, sua participação atinge no máximo 10% de metabolismo do etanol.

Para concluir a segunda etapa, o acetaldeído é oxidado em acetato e pela acetaldeído - desídrogena-se. Utilizando o co-fator NAD como aceptor de hidrogênio, que se converte na sua forma reduzida NADH.

1.5.2 Efeitos Metabólicos Induzidos Pelo Álcool

O acúmulo de oxidação do etanol resulta principalmente devido ao aumento de NADH. O aumento da relação NADH/NAD resulta em maior produção de lactado, levando a um quadro de hiperlactacidemia, que pode ser acentuado pela diminuição do metabolismo hepático do lactado produzindo em tecidos extra-hepáticos. Portanto, o uso crônico de etanol pode agravar a hiperlactacidemia nos pacientes portadores de acidose lática crônica essencial e em pacientes diabéticos tratados com "fenformin" (biguanida).

Este aumento de redutores resulta no aumento também da hiperuricemia, através de entrelaçados de vários mecanismos, isso vai quando a diminuição da excreção urinaria por competição com ácido lático, com isto provoca o aumento de síntese de ácido úrico pela degradação do AMP, que é produzido na metabolização do acetato, e pela cetose observada em alguns alcoólatras (FORTES; CARDO, 1991, p.61).

1.5.3 Alterações No Metabolismo Da Glicose

Nessa etapa veremos que a hipoglecemia induzida pelo etanol não é muito freqüente, mas pode ocorrer aos indivíduos em jejum de alguns dias, com as manifestações clínicas surgindo após algumas horas da última dose. A lentidão de resposta à infusão de glicose pode ocorrer lesão cerebral subjacente.

Toda essa mudança ocorre devido aos mecanismos envolvidos na gênese da hipoglecemia que incluem a depleção de glicogênio hepático nos pacientes em jejum e a diminuição da produção de glicose hepática através da inibição da glicogênese.

A inibição da glicogênese pelo etanol é conseqüência da diminuição da atividade do piruvato carborilase (primeira enzima na via gliconeogênica), devido ao aumento da relação NADH/NAD (FORTES; CARDO, 1991, p.62).

2.5.4 Alterações No Metabolismo Lipídico

A oxidação dos ácidos graxos ocorre nas mitocôndrias através do ciclo do ácido cítrico, que funciona como fonte de hidrogênio.

No metabolismo do etanol, o excesso de equivalente de hidrogênio produzido supera a fonte de hidrogênio do ciclo do ácido cítrico, que fica deprimido. Conseqüentemente, ocorre diminuição da oxidação dos ácidos graxos e retenção dos mesmos no fígado, dando início à instalação da esteatose. O etanol leva ao acúmulo de lipídeos no fígado de vários outros mecanismos:

1. Alterações estruturais nas mitocôndrias diminuem sua capacidade de oxidar ácidos graxos;

2. Aumento de mobilização de gordura periférica;

3. Aumento da lipogênese hepática.

A proliferação do retículo endoplasmático liso, decorrente do uso crônico de etanol, promove o aumento da síntese de trigliceres através do estimulo de atividades enzimáticas e de colesterol (FORTES; CARDO, 1991, p.62).

Diante do que foi visto percebemos que, o padrão de ingestão é obviamente patológico, mais em termos qualitativos do que quantitativos. Ou seja, não se define nem pelo volume nem pela freqüência do consumo, mas por características que serão consideradas como desviantes pelo próprio ambiente cultural em que vive o sujeito em questão em alguns casos de grupos ou sociedade altamente tolerantes quanto a padrões de consumo, este elemento perde bastante de sua relevância.

2. ORGANISMO SOBRE EFEITO DO ÁLCOOL E SUAS CONSEQUÊNCIAS

2.1 APARELHO DIGESTIVO

Através de estudos podemos dizer que o álcool compromete o organismo humano quase que por completo, podendo levar os problemas mais complexos. No aparelho digestivo o álcool influencia em diversas funções e secretórias e motoras. As secreções gástricas e salivares são estimuladas pelo álcool por via psíquica. Pessoas que possuem úlcera gastroduodenal devem evitar o uso do álcool pela estimulação que este produz sobre as secreções estomacais.

Os sintomas e sinais digestivos são uma parcela significativa dos problemas encontrados em alcoólicos. Alguns desses problemas mais comuns e suas prováveis causas são:

SINTOMAS

ÓRGAO

POSSÍVEIS CAUSAS

Azia

Esôfago

Refluxo gastresofágico

Esofagite péptica

Doença motora (neuropatia esofágica alcoólica)

Estufamentos/ gases

Estômago

Pâncreas

Fígado

Intestinos

Gastrite aguda

Pancreatite crônica

Cirrose

Síndrome de má absorção; doença motora (neuropatia gastrintestinal alcoólica).

Náusea/

Vômitos

SNC

Estomago

Fígado

Pâncreas

Síndrome de dependência do álcool

Gastrite/ Úlcera

Hepatite crônica

Hepatite alcoólica

Dor abdominal

Estomago

Pâncreas

Fígado

Gastrite aguda/ Úlcera péptica

Pancreatite crônica

Hepatite alcoólica

Diarréia

Intestinos

Fígado

Pâncreas

Síndrome da má absorção

Cirrose

Pancreatite crônica

Odinofagia/

Disfagia

Esôfago

Esofagite péptica

Doença motora esofágica

Carcinoma epidermóide

Estenose péptica

Hepatomegalia

Fígado

Esteatose péptica

Hepatite alcoólica

Cirrose

Fonte: BERTOLATE; RAMOS, 1997 p.95

2.2 FÍGADO

Albuquerque Fontes e Cardo (1991, p. 65) nos fala que cerca de 8% dos alcoólatras apresentam como complicação a cirrose hepática, pois as o álcool lesa as células hepáticas levando as mesmas a morte, podendo ser comprovado pelo exame transaminase glutâmica oxalacético outros motivos que facilitam o aparecimento da cirrose é uma má alimentação e as ingestões de certas substanciam que estão presentes em bebidas de baixa qualidade como arsênico e ácido tânico. Podendo existir três fatores que podem explicar a formação de estereose (necrose das células hepáticas, produzida pelo excesso de gordura):

  • Redução do consumo de alimento;

  • Aumento da necessidade de colina;

  • Provável aumento da taxa de calorias

2.3 RINS

"O álcool como todos sabemos tem ação diurética. Além disso, ele exerce ação sobre os túbulos renais diminuindo a reabsorção de água o que é causado pela diminuição da produção HAD (hormônio antidiurético) da hipófise o que pode causar uma desidratação" (FORTES, 1975:22).

2.4 SISTEMA MUSCULAR

A ingestão abusiva de etanol tem um efeito dose relacionamento sobre a musculatura estriada do esqueleto, independente da presença de desnutrição e/ou de carências vitamínicas, e pode apresentar como fraqueza. A atrofia muscular pode ser generalizada ou concentrar-se em grupos de músculos em particular, frequentemente no quadríceps.

A miopatia e a miocardiopatia em alcoólatras crônicos são doenças clinicas e histologicamente relacionadas. A presença de fraqueza muscular em alcoólatras frequentemente pode estar acompanhada de anormalidade do músculo cardíaco.

"Por ultimo, vale assinalar que grande ingestão de álcool pode causar rhabdomiólise severa o suficiente pára produzir insuficiência renal aguda" (BERTOLATE; RAMOS, 1997, p. 102).

2.5 GLÃNDULAS DE SECREÇAO INTERNA

O álcool pode induzir a inibição do catabolismo dos aldeídos, resultante do metabolismo da serotonina e noradrenalina (supra renal) tóxicos do SNC, causando um aumento das catecolaminas no sangue. O álcool pode ser secretado com a saliva e o leite através das glândulas salivares e mamárias (FORTES, 1975, p. 25).

2.6 ÁLCOOL E O SISTEMA IMUNOLÓGICO

É difícil estabelecer o efeito primário do álcool sobre o sistema imunológico em face da ocorrência simultânea de desnutrição, hepatopatia, infecções e outras doenças que pode, de forma independente também afetar esse sistema. Muitos estudos tem demonstrado um aumento da susceptibilidade a infecções em indivíduos dependentes do álcool.

O consumo crônico de álcool deprime a produção de leucócitos polimorfonucleares (PMN) na medula óssea. Deficiências de mobilização e agregação desses leucócitos têm sido descritas em indivíduos portadores de hepatopatia alcoólica, sendo, possivelmente, a causa do aumento de suscetibilidade às infecções bacterianas.

Granulocitopenia (redução do numero de granulócitos) foi observado em 8% dos indivíduos hospitalizados por alcoolismo, especialmente naqueles com infecção. O numero de granulócitos retorna ao normal com abstinência. A diminuição da proliferação linfocitária é possível de ser observada em alcoólicos sem hepatopatia. A alta prevalência de tubérculos entre alcoólicos é citada como exemplo da inibição do sistema imunitário pelo álcool.

Não há evidencias, até o momento, que assinalem uma associação direta entre o uso do álcool e o desenvolvimento de SIDA/AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida). Entretanto, em função de mudanças comportamentais induzidas pelo álcool, pode ocorrer um aumento do risco de infecção.

É controvertida a idéia de que consumo de álcool por indivíduos já contaminados pelo HIV (vírus da imunodeficiência adquirida) tenha a transformação da fase assintomática para infecção favorecida pela depressão do sistema imunitário que estava contendo o HIV. "Trabalhos recente de estudo epidemiológico não revela associação entre álcool e aceleração de doença relacionada com HIV" (BERTOLATE; RAMOS, 1997. p. 104).

2.7 ÁLCOOL E MEDICAMENTOS

A interação do álcool com medicamentos tem dois aspectos distintos que, necessariamente, devem ser observados:

  • A) Administração aguda de álcool em conjunto com medicamentos

  • B) Uso de medicação em alcoólatras crônicos

Essa diferenciação é significativa porque o consumo crônico de álcool há um aumento de atividade do "sistema microssocial de oxidação do etanol (MEOS)" localizado no fígado, que pode aumentar o catabolismo da medicação. Tomemos como exemplo o warfarin (anticoagulante), que tem o metabolismo reduzido e a potência anticoagulante aumentada com a ingestão de álcool. Por outro lado, em alcoólatras crônicos, o metabolismo esta acelerado, reduzido ao efeito anticoagulante do warfarin e tornando o controle da anticoagulação difícil. Apresentam comportamento semelhante os anti-histamínicos, barbitúricos, benzodiazepínicos e analgésicos opiáceos.

A intenção do álcool com tricíclicos pode apresentar variabilidade no grau de sedação, convulsões e arritmias. As fenotiazinas interagem aditivamente com álcool, podendo produzir uma reação potencialmente fatal á depressão respiratória e ao colapso vascular. Com determinados anti-hipertensivos, o álcool tem efeito aditivo, ampliando o efeito hipotensor. O uso de álcool com vasodilatadores periféricos e nitroglicerina pode levar a hipotensão. O álcool potencializa o efeito dos hipoglicemiantes orais e da insulina. Por outro lado, o alcoolismo crônico acelera o metabolismo dessas drogas, resultando em controle menos efetivo da hiperglicemia.

Reação aldeídica leve pode ser observada com a utilização de álcool e clorpropamida metrnidazol insoniazida e alguns cefalosporinas. Os salicilatos em combinação com álcool podem induzir o sangramento do trato digestivo.

Estes são exemplos mais freqüentes, mas ressaltamos que a modificação no metabolismo de outras medicações podem também ocorrer. Sendo prática recomendada estar atento para essa possibilidades ao prescrever para alcoólatras crônicos e para indivíduos que tem habito de consumir álcool com freqüência (BERTOLATE, RAMOS,1997, p. 103)

2.8 PÃNCREAS

Quando faz referencia ao pâncreas podemos perceber que o álcool atua de duas maneiras: aguda e crônica. Na pancreatite aguda, surgem 24 horas após as grandes ingestões de álcool. Sua característica é a dor abdominal intensa, nos hipocôndrios (direito e esquerdo) e epigástrica. É detectado pelo exame da amilasemia elevada.

No caso da pancreatite crônica, segunda maneira aguda, compromete o setor enzimático digestivo, que se torna reduzido. No quadro clinico apresenta digestão difícil e osteatorréia (fezes gordurosas) mais tarde aparece a diabete mellitus devido a insuficiência pancreática (FORTES,1995, p. 20).

2.9 APARELHO CIRCULATÓRIO

Estudos feitos em miocardiopatas alcoólatras as alterações metabólicas mais intensas e difusas encontram-se nas enzimas citoplasmáticas e mitocondriais. A carência da vitamina B1 pode ser causa do beribéri cardíaco. Mesmo sem deficiência vitamínicas, podem ser observados em exames do eletrocardiograma alterações do ritmo cardíaco (extra sístoles) aumento da freqüência e bloqueios.

O álcool exerce efeitos de pouco significado sobre a circulação sanguínea, a pressão arterial, o débito cardíaco e a freqüência cardíaca não alteram após a ingestão moderada de álcool. A depressão cardio-respiratória, observada na intoxicação alcoólica aguda grave é devido aos mecanismos vasomotores centrais e depressão central respiratória. Essas anormalidades do miocárdio são devidas à desnutrição e deficiências vitamínicas.

Ao ser ingerido moderadamente, o álcool provoca vasodilatação nos vasos cutâneos, causa calor e rubor na pele: essa quantidade não provoca modificações no fluxo sangüíneo, no metabolismo ou na resistência vascular cerebral. Quando a ingestão é grande a uma depressão do mecanismo central de termorregulação causando a queda da temperatura interna (FORTES, 1975, p. 20).

2.10 SISTEMA HEMATOPOIÉTICO

"O uso crônico do álcool com freqüência está associado à anemia, podendo ser secundada a deficiência nutricional, sangramento gastrintestinal crônico, disfunção hepática, ou efeitos tóxicos diretos de álcool na eritropoiese. Uma alteração laboratorial que nos leva a suspeitar de alcoolismo, mesmo antes que surjam sinais físicos de dano orgânico atribuível a ingestão exagerada de bebida alcoólica, é a macrocitose. Essa alteração é predominante no sangue periférico, freqüentemente única, independente da presença ou não da anemia concomitante.

Bebedores crônicos de álcool também apresentar uma produção diminuída de todas as células da série branca do sangue. "Ocorre diminuição da aderência e mobilidade dos granulócitos, o que altera a função dos macrófagos e facilita a disseminação das infecções" (BERTOLATE; RAMOS, 1997, p. 102).

2.11 SISTEMA ENDÓCRINO

Alcoólatras e bebedores severos episódicos, dependendo do nível e duração da ingestão, podem apresentar anormalidades múltiplas e sintomas e sinais relacionados a essas anormalidades. São bem conhecidos as alterações do sistema reprodutor; diminuição de testosterona, aumento de estrógeno (em pacientes com hepatopatia) e aumento da propactina que podem levar a diminuição do libido, feminização e ginecomastia em homens alcoólatras.

"Elevação das catecolaminas é um dos fatores que contribuem para a hipertensão arterial que freqüentemente é observada em alcoólatras. Outros efeitos endócrinos observado incluem alterações nos hormônios da tireóide, no hormônio do crescimento e vasopressina" (BERTOLATE; RAMOS, 1997, p. 105).

2.12 SISTEMA NERVOSO CENTRAL

"E o mais protegido pelo uso do álcool devido a afinidade entre ambos. Após a ingestão de bebidas alcoólicas, a absorção de da de moldo rápido. Acredita-se que no fim de 2 a 6 horas a tacha de impregnação alcoólica do SNC seja próxima da encontrada no sangue. Pesquisas realizadas por neurofisiologistas comprovam que age sobre o sistema atividades ascendentes.

No inicio da intoxicação causa dificuldade nos processos de experiência prévia. Com equívocos de raciocínio e descontrole motor. A primeira fase do contato pessoal fica mais facilitado pois a fala fica destingida é a fase das confidencias e da exteriorização dos sentimentos amargurados, também podem surgir intensas explosões emocionais variando entre crises de risos ou choro e tristeza profunda ou perigos impulsos agressivo.

No inicio da intoxicação aguda, os reflexos medulares encontram-se mais vivos devido ao fenômeno da facilitação (depressão da inibição). Como o agravamento da intoxicação os centros exercita dores tendem a se deprimir e os reflexos diminuem até acabar por completo no estado de como "alcoólico" (FORTES, 1975, p. 25).

2.13 ÁLCOOL E OSTEOPOROSE

"O álcool interfere na absorção de cálcio intestinal, interfere na ação metabólica da célula hepática, induz a menor ingestão de alimentos protéicos, interferindo na absorção de cálcio para o osso. Homens alcoólatras têm mostrado massa óssea mais baixa do que os não alcoólatras, mas ainda não se sabe se o consumo moderado de álcool causa ou não perda significativa.

Em pessoas alcoólatras tem-se observado função osteoplástica prejudicada ao invés de aumento da reabsorção óssea. O consumo do álcool altera a percepção e o equilíbrio, tornando as pessoas mais propensas a quedas, aumentando o risco de fraturas (MENDES, 1998, p. 38)".

2.14 EFEITOS BENÉFICOS DO ÁLCOOL

Nem todos os efeitos do álcool são nocivos. Evidencias recentes que há alguns benefício á saúde resultantes do consumo de álcool (não mais do que duas doses ao dia). Em comparação com abstinentes, o risco de doença coronária parece ser menos nos indivíduos que usam bebidas alcoólicas moderadamente e regularmente. Possivelmente devido:

  • Á elevação da concentração plasmática da lipoproteína de alta densidade (HDL).

  • A diminuição da agregação plaquetária.

  • A efeito ansiolítico.

O álcool é metabolizado sem necessitar insulina, portanto algum tipo de bebida alcoólica pode ser utilizado como fonte de energia para diabéticos. É importante que o consumo de álcool seja limitado. O beneficio, em potencial, para a saúde do consumo moderado de álcool não se recomenda para, alcoólatras em abstinência, indivíduos com historia familiar de alcoolismo e mulheres grávidas (BERTOLATE; RAMOS, 1997, P. 103).

2.15 CÃNCER E O ÁLCOOL

Uso de bebidas alcoólicas está relacionado com as neoplasias da cavidade oral, faringe, laringe, esôfago e fígado. Provoca um aumento de risco para câncer de mama 1,5 vezes. Câncer do reto tem sido associado de forma inconsciente com o uso de álcool, especialmente de cerveja.

O mecanismo de ação do álcool no processo da carcinogênese é desconhecido, sabe-se que 3% dos cânceres estão relacionados com o etilismo, podendo variar conforme o tipo e quantidade da bebida.

2.16 O ÁLCOOL NO SEXO FEMININO

No "sexo frágil" o efeito é mais rápido e nocivo. O consumo abusivo do álcool traz conseqüências para a mulher em vários aspectos físicos, que incluem miocardiopatia, miopatia e lesão cerebral. A hepatite alcoólica quase sempre progride para cirrose, inibição da ovulação, diminuição da fertilidade e vários problemas ginecológicos e obstétricos.

Veremos agora um estudo feito por Nóbrega[1]e Oliveira[2]onde fica claro o efeito do álcool no corpo feminino disponível no artigo intitulado "Mulheres usuárias de álcool: análise qualitativa" publicado em 2005 pela Revista de Saúde Publica.

[...] Ádria relatou que a ingestão do álcool tornou-se mais importante do que a necessidade básica da alimentação. Do ponto de vista fisiológico, a mulher sofre mais conseqüências clínicas decorrentes do uso alcoólico que os homens, mesmo com menor tempo de consumo. Isso se deve pelo fato da mulher apresentar na sua composição corpórea menos água e maior quantidade de tecido gorduroso".

[...] eu me tornei dependente, dependente como você depende de comer, de dormir, bom, comer eu não dependia tanto, eu dependia de beber, por que eu não comia, eu preferia beber" (Ádria)

Outro mecanismo que explica o fato de as mulheres sofrerem complicações físicas mais precocemente que os homens, devem-se aos menores níveis séricos da enzima álcool-desidrogenase, envolvida na metabolização do álcool[3]que leva as mulheres a absorverem 30% a mais do álcool consumido.

"Também os problemas da gente como mulher, é... cabelo fica super seco, a boca também, barriga inchada, porque têm tantos, porque uma vez eu até tinha escrito no serviço, acho que tinha 25 itens nocivos, é... a visão ficou ruim, a audição ficou ruim, é esse problema de... dificuldade de tato, né! tanto das pernas como das mãos, tudo isso, é... o rosto inchado, então a gente se deteriora completamente, né". (Ivana)

Ivana relatou os "problemas como mulher", discutindo a dimensão dos efeitos deletérios do álcool no corpo feminino, não apenas no aspecto orgânico, como também estético. Investigações que abranjam queixas também relacionadas à sexualidade da mulher usuária de álcool ainda são necessárias. Pequenas doses de álcool inibem a resposta fisiológica da mulher a estímulos sexuais, mesmo que ela não saiba que recebeu álcool, e em níveis elevados de álcool, o orgasmo sofre aumento de latência, como também diminuição na sua intensidade (NOBREGA: 2005) (...).

2.16.1 Síndrome fetal pelo álcool

"Se a mulher consome bebidas alcoólicas quando está grávida, corre o risco de que seu filho possa nascer com síndrome alcoólica fetal (SAF). Pensa-se que SAF ocorre em 1 a 3/1000 nascimentos ocorridos no mundo e que seja responsável por aproximadamente 5% de todas as anomalias congênitas. A síndrome é caracterizada por:

  • a) Retardo no crescimento.

  • b) Anormalidades faciais: fissura palpebral pequena, nariz curto, filtro labial longo e hipoplástico, lábio superior fino, face plana, prega epicântica;

  • c) Alteração no sistema nervoso central: microcefalia, retardo mental, anormalidades motoras, tremores, hiperatividade.

Podem ocorrer também malformações cardíacas, anormalias ortopédicas ou malformações da genitália externa. Nem todas as crianças expostas a uma alta concentração de álcool no útero desenvolvem o SAF. A síndrome completa ocorre em um terço das crianças nascidas de mãe com alcoolismo crônico (uso maior que 150 gr de etanol/dia). As demais crianças podem situar-se em amplo aspecto, desde a normalidade à severa "incapacidade", sugerindo, portanto, que outros fatores, além da ingestão do álcool, podem estar envolvidos no desenvolvimento do SAF.

Outros fatores que podem contribuir com a SAF são:

I Fatores genéticos que podem influenciar o metabolismo do álcool;

II Saúde materna;

III Nutrição materna;

IV Padrão de consumo de álcool;

V Momento de exposição do feto ao álcool, durante a gestação;

VI Uso ou abuso concomitante de outras substancias (nicotina, cafeína,THC, cocaína e narcóticos).

Com não é possível estabelecer um nível de consumo de etanol seguro a gravidez, é desaconselhado á mulher consumir qualquer quantidade de álcool durante a gravidez.

A SAF é previsível através de informação dos efeitos nocivos que o consumo de álcool pode ter sobre o feto em desenvolvimento durante a gravidez" (BERTOLATE; RAMOS, 1997, p. 105).

2.17 ÁLCOOL E O DESEMPENHO SEXUAL

Os jovens, principalmente estão cada vez mais consumindo bebida alcoólica nas portas das faculdades e baladas, em família. O uso do álcool para muitos deles é visto como uns refúgios da realidade como destacarão nos próximos itens. Outros vêem como um relaxante ideal para ficar mais à vontade com os amigos e com o (a) parceiro (a), principalmente na hora da relação sexual.

Segundo a psicóloga Dra. Olga Inês Tessari, o álcool, pode parecer um estimulante e um desinibidor, mas, na verdade, é um depressor do sistema nervoso central que pode interferir no desempenho sexual (CIPPICIANI: 2007).

A Dra. Tessari faz um alerta àquelas pessoas que bebem demasiadamente: O álcool pode atrapalhar o desempenho sexual e gerar problemas de baixa auto-estima, causando dificuldades no relacionamento com o (a) parceiro (a)´. Como podemos perceber no trecho que segue:

A princípio, a pessoa não associa que é o álcool o causador de sua impotência, imaginando que é o (a) parceiro (a) quem não o está estimulando de forma adequada, conclui Dra. Tessari. Pessoas tímidas são, em geral, as pessoas que mais consomem bebida alcoólica. Elas bebem com o intuito de relaxar. Porque à princípio, o álcool deixa a pessoa mais desinibida e sem medo de expor-se. Por este motivo muitos caem no vício. Mas, a longo prazo, o álcool, justamente por seus efeitos, pode fazer com que um tímido torne-se um dependente, o que pode gerar outros problemas, seja no convívio social, no desempenho sexual, no plano profissional ou pessoal

Pessoas que sofrem com a timidez, ao invés de fazer uso de paliativos, devem buscar ajuda profissional para saber lidar de forma positiva com a timidez, fazendo um tratamento psicológico.

3. O ÁLCOOL E SUAS REAÇÕES NA VIDA DO SER HUMANO

Com base nos dados apresentados no item anterior, podemos perguntar se há ou não consumo de álcool em excesso, uma vez confirmado o abuso do álcool, no que tange a esfera clinica, não é só resolver o problema que levou tal paciente a mesma e sim a abordagem dos problemas associados ao álcool, pois na maioria das vezes necessita de um trabalho conjunto entre os médicos e outros profissionais da área. Pois se houver falha nessa etapa (abordagem), todos os envolvidos estariam enfrentando o fracasso, pois não estaremos enfrentando a origem dos problemas diagnosticados.

3.1 CARACTERÍSTICAS DO ALCOÓLATRA

Tentaremos retratar agora alguns aspectos com relação à síndrome da dependência do álcool, e o que se torna freqüente nos indivíduos podendo ser algo de caráter comum. Estado esse, que pode ser observado através de evolução clinica, para uma forma de dependência como assim definida pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Vejamos:

Estado psíquico e também geralmente físico, resultante da ingestão do álcool, caracterizado por reações de comportamento e outras que sempre incluem uma compulsão para ingerir álcool de modo continuo ou periódico, a fim de experimentar seus efeitos psíquicos e por vezes evitar o desconforto de sua falta; a tolerância ao mesmo podendo ou não estar presente (BERTOLATE; RAMOS, 1997, p. 17).

Uma vez que se faz importante assinalar que o estado de dependência não constitui um estado do tipo radical como "ou vai ou racha"; "tudo ou nada", pois já se comprovou que de um fenômeno continuo, de uma gradação virtual entre extremo evidente estado de dependência. Podendo ser variado os motivos que levam a este estado, ficando claro que não é o mundo, nem os problemas que fazem os alcoólatras beberem, e sim a sensação de bem estar provocada pela freqüência com que se ingere o liquido, segundo Masur (1984) "é uma lenta passagem do rosa para o vermelho".

Sabemos que a ingestão de bebidas alcoólicas é um fato predominantemente social; o bebedor isolado é raro, e, na maioria das vezes um indivíduo desviante da forma de sua cultura. As ocasiões de ingestão de bebidas alcoólicas levem ou não ao estado de embriaguez, funciona como expressão e apoio a estrutura social existente, estimulando interações sociais e fortalecendo identificações e solidariedade coletiva (HORTON apud BERTOLATE; RAMOS, 1997)

No trecho que segue perceberemos graus de dependência na mulher com base em um artigo publicado por Nobrega e Oliveira na revista brasileira de medicina disponível na versão on-line onde constataram que "as características das entrevistadas eram: média de 43 anos de idade; 84,6% católicas; 76,9% brancas; 46,1% com ocupação; 84,6% residiam com familiares; 53,8% casadas; 61,5% compareciam ao tratamento desacompanhadas; 77% têm filhos". E mais adiante retratando a realidade das alcoolistas nos diz:

Sabendo-se que é mais adequado pensar em graus de termo de dependência. A escolha de qualquer um desses materiais varia conforme escala de objetivos, ou seja, administrativo, químico ou até mesmo como pesquisa, para a realização de tais foram propostos várias escalas para medir os graus de dependência do álcool. Dados de estudo desenvolvidos na Grã-Bretanha revelaram que 11% das mulheres bebem mais do que o nível recomendado de 14 unidades por semana, sendo que 2% bebem pesadamente, isto é, mais de 35 unidades por semana. As entrevistadas apontaram que a perda do controle sobre o consumo constante do álcool trouxe o descaso das atividades diárias, dentro dos critérios diagnósticos para uso nocivo e dependência do álcool. Percebeu-se nas falas o estreitamento do uso e as conseqüências sociais intensificadas.

A motivação para beber se relacionou com o alívio dos sintomas de abstinência do álcool e menos com situações sociais envolvidas no beber. Desse modo, o comportamento tende a ficar cada vez mais estreito. Lúcia mostra com sua fala o desconforto relacionado aos sintomas da abstinência, além da influência que o consumo exercia sobre suas decisões.

"Assim uma série de coisas, tinha que ter a bebida no meio pra me influenciar em várias coisas, eu também às vezes tremia, suava se não bebesse..." (Lúcia) (NOBREGA; OLIVEIRA, 2005).

A rigor a síndrome de abstinência constitui-se numa complicação do alcoolismo, sendo seu aparecimento (ainda que de forma discreta) a confirmação cabal da síndrome de dependência do álcool ou uso abusivo de álcool. As normas que regulam a ingestão e o comportamento dela decorrentes estão inseridas na própria estrutura social do grupo. Quanto mais estruturado for o grupo, menos será a ambivalência em relação ao álcool e menor, por exemplo, a freqüência e a gravidade dos episódios de embriaguez. No sentido sociedade "simples" para sociedade "complexa", estas normas se afrouxam e a ingestão passa a ser cada vez mais problemática, na proporção direta do grau de "complexidade" (e de ambivalência) do grupo (BACON apud BERTOLATE; RAMOS, 1997).

Podemos classificar os graus da síndrome de abstinência de várias maneiras conforme as necessidades e as finalidades. De um ponto de vista pratico e clinico podemos distinguir três graus da síndrome de abstinência encontrados em (BERTOLATE; RAMOS, :1997, p.18).

LEVE - presença apenas de sinais neurovegetativos (tremores e sudorese) e sintomas subjetivos de pouca gravidade (ansiedade e distimias);

MODERADO - além dos sinais anteriores, presença e sintoma de sinais digestivos (náuseas e vômito), e;

GRAVE - acréscimo aos sinais e sintomas anteriores, de evidencias do comprometimento do sistema central ("delirium", alucinações, convulsões, etc.).

Devemos destacar para conceituar a síndrome de dependência componentes sócias e comportamental, componente biológico e intrapsíquicos, dos quais se destacam a tolerância e a compulsão.

A tolerância é um fenômeno biológico através dos quais determinados organismos expostos sucessivamente a determinada substancia, necessitam de quantidade cada vez maior de da mesma para apresentar os efeitos. Quanto à compulsão, entendida como um fenômeno intrapsíquicos, se apresenta bastante influenciada por fatores externos ao indivíduo, parecendo se constituir mais numa explicação do fato de beber, do que num antecedente com valor causal (GAERTNER, 2007).

Em termos de idade nota-se uma extrema variação das normas relativas a ingestão de álcool, segundo a cultura, o que parece determinar, em grande medida, que tipos de comportamentos ou eventos serão utilizados para se caracterizar a ingestão patológica.

3.2 SINAIS E SINTOMAS DA SÍNDROME DE DEPENDÊNCIA

Clinicamente Edwards (1985) é quem defini de maneira mais pormenorizada a síndrome de dependência do álcool, baseada em sete sinais e sintomas:

  • 1.  Empobrecimento do repertório: tendência que os dependentes apresentam no sentido de cada vez mais estereotiparem o seu padrão de ingestão (bebida preferida, quantidade e da freqüência), seja ainda em termos das ocasiões de ingestão, bem como das companhias com quem bebe.

  • 2.  Relevância da bebida: quando o indivíduo passa a centrar o seu comportamento e suas atividades em função da bebida, organizando seus trajetos e definindo seus compromissos sociais na dependência da existência ou não de bebidas alcoólicas incluídas nos roteiros e nas programações.

  • 3.  Aumento da tolerância ao álcool: a tolerância depende de mecanismos que envolvem predominantemente as células cerebrais, e em menor grau, as células do fígado. Em alguns casos de dependência avançada, observa-se uma perda ou inversão da tolerância, ocorrendo de o paciente passar, pela primeira vez, a embriagar-se com doses que antes tolerava bem, sem sinais de intoxicação.

  • 4.  Sintomas repetidos de abstinência: caracterizados por: tremores, náuseas, sudorese e perturbação do humor básico.

  • 5.  Alívio ou esquiva dos sintomas de abstinência: constitui o mecanismo adaptativo ao aparecimento da síndrome de abstinência, envolvendo os comportamentos desenvolvidos para afastá-la.

  • 6.  Compulsão para beber: definida como sinônimo da perda de controle, ou seja é um ato executado contra a vontade ativa do sujeito.

  • 7.  Reinstalação após a abstinência: quando o quadro de tolerância, que na maioria das vezes demora anos para se instalar, pode se reinstalar com surpreendente rapidez em pacientes que mesmo após anos de abstinência volta a beber. A velocidade de reinstalação parece ter uma relação inversa com o grau prévio de dependência quanto mais avançado o grau prévio da dependência, mais rapidamente o paciente exibe níveis elevados de tolerância. (EDWARDS, apud. BERTOLATE; RAMOS, 1997).

O fato de perder o controle é o mais preponderante no processo para a decisão de desvinculação do álcool como afirma Campos (2005) em destaque.

"mas, para os AAs, perder o controle de si mesmo significa, sobretudo, perder a qualidade moral de cuidar de si e de prover sua família por meio do trabalho. A articulação álcool/nervos/sangue e sua relação com a substância corpórea ligam-se, assim, ao plano moral, uma vez que incidem sobre a força física do alcoólico, colocando este que deveria cuidar de si e de sua família na condição de dependente do outro"

3.3 ESTADOS DE DEPENDÊNCIA

Coutinho (1992) difere a dependência em psicológica, física, ou por problemas relacionados a mesmo onde:

A dependência psicológica, que se traduz num grande desconforto na ausência de álcool, é de difícil determinação dada a sua subjetividade. Já a dependência física constitui-se num critério muito restritivo, pois se caracteriza pelo aparecimento de sintomas de abstinência, os quais podem estar ausentes em indivíduos que já apresentam problemas ligados ao consumo do álcool. Por outro lado, a definição baseada nos problemas relacionados ao álcool pressupõe que o fato de alguém beber até apresentar dificuldades importantes na vida indica uma incapacidade da pessoa em interromper o uso de bebida alcoólica.

Para Evans (1987), os dois primeiros indicadores dependem das normas culturais que prevalecem na sociedade e que estabelecem o limite entre o bebedor normal e o bebedor excessivo ou alcoolista. Já os dois últimos se relacionam com as conseqüências graves do alcoolismo.

Percebemos com muita freqüência o numero de homens e mulheres negando sua situação de alcoólatra, insinuando beberem apenas em ocasiões raras e em uma quantidade ínfima, visando proteger a própria imagem atingida e questionada pelos mesmos. Assim dificulta-se o diagnóstico clínico da doença, especialmente nos estágios iniciais quando seria essencial este diagnostico, pois a experiência generalizada tem mostrado que geralmente a família é quem fornece os dados de forma mais completa, podendo assim uma maior caracterização sobre a existência da doença. Trata-se de um problema envolvido em tantos preconceitos que embaraçam a própria atuação medico.

Tem-se que observar com a devida atenção para a obtenção de índices correspondentes ao sistema nervoso (aqui relacionado com as doenças do sistema nervoso, associada ao funcionamento involuntário ou inconsciente): taquicardia, hipertensão arterial, náuseas, hipoteremia, sudorose e distúrbios do ritmo vigília sono, valorizando também manifestações psicopatológicas e virtualmente exteriorizadas pelo paciente.

O alcoólatra assume que apenas depois de ingerir uma boa quantidade de doses de destilados ele vai dormir. Além da situação de saúde no plano somático, há de se considerar os aspectos psicológicos tais como ansiedade, inquietação, certo grau de confusão mental, distúrbios senso - perceptivos delirantes, impulsos anti - sociais, falta de iniciativa e pragmatismo, transformação alcoólica da personalidade, redução ético moral e as condições psicoafetivas em que o paciente se encontra, "alcoolismo e doença afetiva são dois problemas psicopatológicos com alta prevalência" (MORENO apud FORTES, CARDO, 1991, p. 256).

"O dano social provocado pelo álcool (conflitos familiares, mudança de emprego entre muitos outros), ou a própria dependência do álcool, o efeito acumulativo de repetidas síndromes de abstinência; alguma atitude poderia resultar num estado mental que é sensível ao desenvolvimento de ansiedades" (LOTUFO apud FORTES E CARDO, 1991:256).

Nessa outra citação vemos exemplos de alunos comentando sobre o abuso do álcool, utilizado por Moreira (2003):

Quando perguntados diretamente sobre situações relacionadas ao uso de drogas nas escolas, somente o IC 3 fez menção ao uso de álcool. Os demais episódios de uso de álcool foram relatados após pergunta específica. Uma situação relatada em mais de uma entrevista, foi o uso de álcool pelos alunos em passeios organizados pela escola. Num dos relatos, os educadores foram bem sucedidos ao dar o limite àqueles que estavam se embriagando, sem privar a turma do passeio: confiscaram a bebida. Já no relato abaixo, o desfecho foi bem diferente.

"Houve na escola, alguns anos atrás, eu não era coordenadora pedagógica.

Costumávamos fazer aquelas excursões de formatura e eu fui acompanhando, junto com outros professores, nós fomos para uma, um Hotel-Fazenda, um sitiozinho lá. E tinha perto desse local, desse sítio, um barzinho de vila, eu me lembro que alguns rapazes foram para esse barzinho, beberam, vieram bêbados, e tiveram até uma discussão com o proprietário lá do hotel e tal. A partir desse momento, dessa excursão, o pessoal não fez mais excursão assim de dormir, porque o pessoal, ficava o final de semana, por exemplo, e a escola nunca mais fez esse tipo de evento". (IC 6)

Com relação às situações de uso abusivo de álcool por parte de aluno, evidenciou-se, em vários relatos, uma predisposição para ajudar, apoiada no reconhecimento de ser um sinal de que o aluno em questão está com algum problema. A IC2 relata uma intervenção bastante interessante. "É, eu tive a história que uma aluna, (...) ela acabou se envolvendo com álcool, (...) Ela ia realmente alcoolizada para a escola. Então, tinha uma lanchonetezinha na frente da escola, ela bebia um pouco e entrava na escola. Aí começava a rir, não tinha muito controle sobre suas ações (...) Ela estava na, naquela época, hoje ela saiu, foi para o primeiro colegial, naquela época ela estava na sexta ou sétima. E aos poucos, os professores conversando com ela, o ano passado ela começou a fazer um trabalho com o grêmio, eu estimulei muito ela estar participando do grêmio, muito mesmo, e não..., e eu percebi na verdade que houve, eu, os professores, a gente percebeu que quando ela se envolveu com as atividades do grêmio, realmente diminuiu esse envolvimento com a bebida". (IC 2).

Diante das dificuldades pessoais previamente percebidas nos alcoólatras, e dos diversos fatores que pode culminar no fenômeno emergente, dentre as várias atribuições uma delas é o papel causal, que na verdade não contribui para a pesquisa em questão. O que realmente contribui é a relação entre indivíduo e substância, entendendo-se a interação do aspecto multifacetado, o alcoolismo surge, em uma trama onde interagem fatores de ordem cultural, social, micros social e individual, esse ultimo com determinantes biológicos e de personalidade (BERNIK apud FORTES, CARDO, 1991, p. 214).

Essa formação conceitual envolve a discussão sobre a importância de um diagnóstico diferencial que possibilite amenizaras dificuldades, para um adequado procedimento terapêutico. Sonenreich (1992, p. 30) nos fala que:

"O alcoólatra crônico é aquele que consome bebidas alcoólicas diariamente ou quase sem interrupções, de maneira incoercível, a ponto de apresentar um estado de intoxicação caracterizado por distúrbios psíquico ou somático. Além de considerar a importância dos fatores como família, sociedade e cultura, esta enfatiza três aspectos básicos: a alcoolização repetida vezes, visão de um mundo alterada e patologia da liberdade (patologia da liberdade: sintoma sentido em uma determinada situação ou estado em que o individuo deixa de fazer ou escolher a própria determinação) a este propósito, insiste na perda de liberdade de opção, que marcam o alcoolismo de forma clara e definida" (SONENREICH, 1992:30).

Partes: 1, 2, 3, 4


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