A leitura que o vestibulando faz das instruções da proposta de redação



  1. Resumo
  2. Introdução
  3. O referencial teórico adotado na pesquisa
  4. Das condições de leitura da proposta à produção da redação do vestibular analisado
  5. Marcas língüísticas de compreensão do objetivo proposto pela tarefa de escrita
  6. Método de separação do corpus
  7. Resultados quantitativos da pesquisa
  8. Análise qualitativa dos resultados obtidos
  9. Conclusão
  10. Bibliografia

"(Minha leitura é não-leitura, meus textos, pretextos: gaiolas feitas com palavras sem nada dentro: portas abertas, cujo propósito é criar o vazio para que a Palavra esquecida se diga. Na verdade, pouco importa o que digo ou escrevo. O que importa são as palavras que se dizem, vindas das funduras de quem lê(.

(Rubem Alves)

RESUMO

O vestibular tem apontado muitas dificuldades do candidato em lidar com a produção de sua redação. Mas será que uma das dificuldades em escrever pode estar relacionada à leitura inadequada que o vestibulando faz de sua tarefa de escrita?

Para responder a essa questão foram analisadas redações dos concorrentes ao curso de Jornalismo/manhã, primeiro semestre de 1998, do UNI-BH (Centro Universitário de Belo Horizonte), a fim de observar nelas se os estudantes deixaram evidências em seus textos de que entenderam os objetivos propostos na tarefa de escrita.

Os resultados obtidos sugerem que o problema maior dos candidatos não está relacionado à leitura e compreensão da proposta, como inicialmente se supôs. A qualidade de muitas produções, provavelmente, foi afetada pela falta de habilidade dos candidatos em lidar com os processos que envolvem a tarefa de escrita.

CAPÍTULO I

1.1) INTRODUÇAO

Devido à necessidade crescente em selecionar os melhores alunos para preencherem as limitadas vagas universitárias, a redação, nos exames vestibulares, se tornou obrigatória em praticamente todas as instituições de ensino superior do país. Além dos conhecimentos específicos na área escolhida pelo candidato, o vestibular tem imposto o domínio das habilidades de leitura e escrita, exigidas na prova de redação e nas demais provas que apresentam questões discursivas.

Especificamente na prova de redação, os estudantes deparam com uma instrução escrita – texto que orienta os caminhos básicos a serem percorridos pelo candidato para fazer sua redação – que deve ser lida e entendida de maneira adequada para que a produção fique dentro das expectativas da comissão organizadora do concurso. Tem-se de um lado o texto/proposta e do outro um leitor/vestibulando que apropria deste texto e, com sua leitura, produz outro texto, a redação do vestibular.

Nesse momento específico, o concorrente não pode escrever o que quer. Ele deve seguir o que lhe foi orientado e, da melhor forma possível, tentar produzir um texto que atenda às expectativas da equipe de correção da prova. Pode-se observar, dessa forma, que a necessidade imediata do vestibulando é habilidade em leitura. Ou seja, a partir da leitura que os candidatos fazem da proposta é que as ideias começarão a fluir e o planejamento da escrita é iniciado. É uma situação realmente massacrante, mas acontece a cada ano com a maioria dos jovens que concorrem a uma vaga no 3º grau.

O que acontece na realidade é um jogo que poderíamos chamar de jogo comunicativo. Ou seja, para que a representação criada pelo leitor (vestibulando) corresponda àquela desejada pelo autor (comissão organizadora da proposta de redação), este último precisa fornecer: instruções de que o leitor necessita para construir a estrutura e elementos materiais. Ao mesmo tempo em que há a construção do texto pelo autor, em função de objetivos e respostas que quer ter de quem vai ler, o leitor também precisa cumprir seu papel na construção de significados nesse jogo. No caso específico do vestibular, é um jogo não muito fácil, pois os competidores, na maioria das vezes, se encontram em estado de tensão, correndo contra o tempo de execução da tarefa e sem que possam fazer qualquer tipo de consulta para resolver as eventuais dúvidas.

Hoje em dia, algumas instituições que lidam com esse tipo de prova têm procurado orientar, da melhor forma possível, o candidato, fornecendo instruções de escrita que contemplem o que escrever, com que objetivos escrever e para quem escrever. Em alguns casos são também fornecidos textos extras que abordam sobre o assunto a ser desenvolvido na prova. Toda essa preocupação em direcionar o escritor vem de estudos recentes que combatem o antigo método de orientação para a escrita, ou seja, não aprovam mais as antigas instruções em que o escritor recebia apenas um título muitas vezes vago, para ser dissertado. Todo escritor, para gerar ideias e planejar seu texto em situações comunicativas artificiais, precisa receber instruções que se aproximem de uma situação comunicativa real.


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