Enviado por Gustavo Martins Piccolo
O presente trabalho acadêmico visa discutir distintas concepções sobre o significado etimológico e funcional da palavra jogo ao longo da história. Para tanto, materializamos mediante um processo metodológico de revisão de literatura as principais concepções sobre o fenômeno por nós investigado em diversas sociedades. Nossas análises se guiaram pela perspectiva do materialismo histórico, dialogando, principalmente, com os pressupostos estabelecidos pela Psicologia Histórico-Cultural, cujos grandes expoentes são Vygotsky, Leontiev, Luria, Davidov e Elkonin. Os resultados da pesquisa apontam para a miscelânea epistemológica assumida pelo complexo simbólico no qual estão situadas as atividades lúdicas, sendo que para uma melhor compreensão deste fenômeno é fundamental recorrermos a dois autores que as interpretam como produtos da sociedade e cultura, quais sejam: Elkonin e Caillois, posto estes retratarem os jogos em um processo dialético de desenvolvimento, favorecendo, por conseguinte, a compreensão de sua gênese constitutiva. Finalizamos o texto com a edificação de uma arquitetura dialógica entre as análises de Elkonin e Caillois, objetivando que estas se superem dialeticamente na produção de uma nova concepção e função social da atividade lúdica.
Palavras Chaves: jogo, sociedade, cultura, Elkonin e Caillois.
Minha entrada na Universidade Federal de São Carlos para cursar Educação Física está muito relaciona à prática de atividades físicas. Durante toda infância essa foi a principal fonte de alegria e divertimento com a qual me deparei, além disso, despertou (e ainda desperta) uma gama de curiosidades que possibilitou a aprendizagem de diversos conteúdos, os quais me ajudaram significativamente na construção de meu conhecimento sistemático e assistemático.
Durante o transcorrer da graduação vivenciamos uma grande diversidade de jogos, tais como: esportivos, pré-esportivos, recreativos, cooperativos, lúdicos, fato que nos possibilitou a visualização de um novo patamar para as aulas de Educação Física, que em geral, independentemente de seu meio de atuação (escolas, clubes, parques, projetos comunitários), tem nas atividades esportivas sua grande alavanca propulsora, esquecendo de todas as outras inúmeras atividades que poderiam proporcionar valiosas contribuições pedagógicas e afetivas para seus participantes.
Entretanto, mesmo com a abertura de novas possibilidades tracejadas pelo contato com diferentes tipos de jogos, algo ainda me incomodava, pois faltava segurança, clareza dos objetivos e vantagens educativas (em seu sentido mais amplo) que os jogos poderiam proporcionar aos seus praticantes.
Essa dúvida me inquietou durante alguns semestres, não encontrava resposta para sua possível solução, tudo parecia árido e nebuloso, o que na verdade acabava por impedir a visualização da questão e suas conseqüentes possibilidades de esclarecimento.
Apenas no sétimo semestre do curso, quando entrei em contato com a teoria histórico-cultural, comecei a ter lampejos intelectuais que colocaram minhas dúvidas em suspensão, agora, ainda que com olhos míopes, enxergava as possibilidades de aprendizagens proporcionadas pelos jogos e como esses são importantes recursos para o desenvolvimento infantil.
A mudança repentina em meu comportamento está relacionada a um elemento primordial na evolução e desenvolvimento do homem, independentemente de sua classe social ou ethos a que pertence, a destacar: teoria. É a teoria que possibilita a compreensão e o entendimento sistemático de certa situação, ela é a principal ferramenta do trabalho/saber acadêmico, é nossa fonte de apoio, nosso braço de sustentação, apenas por intermédio dela podemos compreender estruturalmente algum fenômeno social, como o jogo.
Conseqüentemente, minha falta de clareza na aplicação e utilização dos jogos estava relacionada com a ausência de uma teoria que embasasse meus atos/ações, a qual me impedia de enxergar as possibilidades transcendentes que essa atividade poderia desempenhar no cotidiano dos atores que compõe as diversas sociedades, sejam elas antigas, medievais, modernas, contemporâneas, avançadas, subdesenvolvidas, assim sendo, ao invés de ver os jogos como importante fonte de aprendizagens, enxergava-o apenas como mais uma forma de passatempo lúdico, uma atividade frívola, sem importância e significado.
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