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Olisipo pré-romana. Um ponto da situação (página 2)

Marco Calado

De referir que os depósitos da ocupação sidérica se encontravam sob parte de uma necrópole datada da época republicana da ocupação romana, caracterizada por sepulturas de inumação em posição fetal (maioritariamente infantis), e sepulturas de incineração (patentes nos ossilegia e ustrinae) (Bugalhão 2001, p. 31; VV.AA 1995).

Já para o período que nos interessa, foram identificadas duas fases de ocupação distintas. A mais recente corresponde ao que poderá eventualmente ser um forno de produção cerâmica em alvenaria, que se torna valioso pelo facto de apenas se encontrar divulgado (até ao momento) apenas outro no interflúvio Tejo/Sado;  encontra-se localizado em Alcácer do Sal e produziria variantes locais de Manã - Pascual A45. O primeiro momento, anterior á instalação da unidade oleira, é representado por construções com tendência ortogonal e embasamentos em pedra revestidos de paredes de adobe e dotados de lareira central. Entre o espólio destaca-se o primeiro fragmento de cerâmica grega exumado no subsolo lisboeta que foi dado a conhecer. Foi inicialmente identificado como um fragmento de uma taça do tipo Cástulo, e numa segunda avaliação, com base na sua pouca espessura e carena acentuada, como passível de ser integrada no grupo das Vicup (Arruda 1997). Ambos os momentos encontram-se datados entre o século V e III a. C.6 .

1.4"Intervenções em Alfama (Rua de São João da Praça, Pátio da Senhora de Murça, Travessa do Chafariz d'el-Rei)

Entre Julho e Outubro de 2001 foram realizados acompanhamentos arqueológicos enquanto se procedia á renovação da rede sanitária na Rua S. João da Praça. Durante este período efectuou-se uma pequena sondagem (S.2) que atingiu níveis do séc. III a. C., comprovados pela existência de ânforas do tipo 4.2.2.5 de Ramon Torres. A estratigrafia revelou a existência de dois muros paralelos feitos de pedra com ligante de argila que assentavam sobre depósitos de regularização datados do período romano-republicano. Estas estruturas foram desactivadas ainda neste período, de acordo com o que se depreende pelos níveis que os recobrem. Embora a maioria do espólio tenha sido recolhida em níveis de aterro efectuados na época romana, não deixa de ser um precioso conjunto, composto por ânforas datadas entre o século VII e II a. C. (T 10.1.2.1, T 1.3.2.4, Manã - Pascual A4 e Dr. 1A), a par de pythoi e cerâmicas cinzentas, das quais se destacam imitações de formas de importação do mediterrâneo oriental  ou Central, como é o caso das taças gregas (kylikes e possivelmente taças Cástulo7).

Relativamente a esta sondagem existem dois outros pontos a abordar. O primeiro refere-se a um pequeno fragmento de cerâmica grega de figuras vermelhas, que corresponde ao primeiro exemplar deste género decorativo dado a conhecer na cidade, e que deverá corresponder (muito embora as suas reduzidas dimensões) a um fragmento de  Kylix. O segundo ponto prende-se com a verificação do não enquadramento do fabrico das ânforas do tipo D de Pellicer, nas características das produções meridionais, e com a sua aparente homogeneidade com as produções desta forma exumadas noutras estações do vale do Tejo, propondo-se, á semelhança de outros autores (Arruda 2002, p. 211), uma produção local ou regional para este género de contentores .

Ali junto, no Pátio da Murça (e mais recentemente), foi realizada outra sondagem junto á designada Cerca Velha8, que exibiu uma sequência estratigráfica semelhante, mas desta vez atingindo níveis do século V a. C. (embora com a presença de cerâmicas de cronologia mais recuada). Estes níveis encontravam-se imediatamente sob a ocupação romana-republicana, que infelizmente perturbou todos os níveis ibero-púnicos. A ocupação romana encontra-se representada novamente pela presença de estruturas com ligante de argila que foram sujeitas a sucessivas remodelações até á total reorganização deste espaço, efectuada em época alto-imperial. Entre o conjunto ânfórico encontramos de novo os tipos 10.1.2.1 e 1.3.2.4 de Ramón Torres.

À excepção de um pequeno nível com areões e pequenos seixos que poderão sugerir a existência de um pavimento, as duas sondagens (Pátio da Senhora de Murça e São João da Praça), por mais esclarecedoras que sejam, encontravam-se despojadas de estruturas do período em estudo. Estas surgiram na proximidade; nos edifícios compreendidos entre o Largo Júlio Pereira e a Travessa do Chafariz d"El-Rei, onde se encontrava instalado desde o séc. XVII o Palácio do Marquês de Angeja.

 A área intervencionada, que aguarda (á data) uma nova campanha, localiza-se num rés-do-chão imediatamente por trás das arcas do Chafariz d'El-Rei, parede - meias com a Mãe d'Água. O progresso da escavação pôs a descoberto uma canalização do período moderno que demonstra a actividade das ressurgências aquíferas termais, típicas de Alfama. Topograficamente enquadra-se junto á antiga linha de costa, com uma diferença de cota relativamente á Sondagem 2 da Rua de São João da Praça, superior a quatro metros. Esta diferença altimétrica encontra-se justificada pela existência de uma falha no substrato geológico, ainda hoje visível, que se estende desde o Beco das Barrelas (junto á Torre de São Pedro), até a área agora em apreço, e que se encontra inclusive patente no tardoz do rés-do-chão onde foram realizadas as sondagens em causa. Esta quebra define assim dois patamares naturais passíveis de reconstituição paleográfica durante o período sidérico: uma inferior junto á linha de costa; e outra superior onde se integram os contextos das sondagens da Rua São João da Praça e do Pátio da Senhora de Murça, que (como tivemos a oportunidade de observar) já se encontravam urbanizados em período romano-republicano.

A requerimento da equipa de engenharia foram efectuadas duas sondagens junto á descarga dos arcos das abóbadas para avaliação do estado das sapatas. A sondagem 1 apresentou uma sequência de estruturas sobrepostas balizadas entre os séc. VII, V, e II a. C. A dimensão da sondagem não permitiu, no entanto, tirar qualquer tipo de ilação acerca das funções para as quais estas estruturas estariam vocacionadas. De qualquer modo, a sua proximidade junto á linha de costa, aliada ao número de elementos ânforicos recolhidos (não só nesta intervenção mas também na Rua de São João da Praça), levanta-nos a sugestiva possibilidade (e sublinhamos possibilidade) de estarmos perante alguma espécie de equipamento portuário9 .

Uma conclusão poderá ser avançada de momento: a ocupação contínua deste espaço entre o séculos VII e II a. C., comprovada não só pela sequência estratigráfica que aparenta não denotar qualquer tipo de ruptura, mas também pelas próprias estruturas que, para além de reaproveitarem as construções anteriores como embasamento, respeitam os mesmos alinhamentos .

1.5 " Rua de São Mamede ao Caldas ( nº 15 e Teatro Romano )

Apenas temos conhecimento de um local intervencionado onde as cronologias podem ser recuadas com relativo grau de segurança ao séc. VIII a. C.: o n.º 15 da Rua de São Mamede ao Caldas.

As intervenções decorreram no jardim do edificado, onde se procedia a desaterros para a construção de uma garagem. Durante os trabalhos teve-se a oportunidade de verificar a acentuada quebra do terreno, que foi compensada em finais do séc. XVIII ou inícios da centúria seguinte, pela construção de um paredão a sul, alinhado á Rua das Pedras Negras e que serviu para conter os aterros que serviram á instalação do referido jardim. O declive entre a Rua de São Mamede ao Caldas e a Rua das Pedras Negras corresponde a um diferencial com cerca 12 m e o substrato caracteriza-se por aréolas e margas consolidadas.

A ocupação em estudo encontra-se representada por dois momentos distintos, apresentando-se ambos muito afectados pelas ocupações subsequentes, nomeadamente pelas alterações efectuadas após a catástrofe de 1º de Novembro de 1755.

No sector mais a norte, junto á parede de uma cisterna cuja construção implicou o rompimento do substrato, afectando de forma definitiva todos os vestígios arqueológicos anteriores, foi detectada uma estrutura de planta curvilínea, elaborada com margas agregadas com matéria vegetal e que exerceria aparentemente a função de «talude» de consolidação das aréolas do substrato.

Nestes depósitos foram identificadas ânforas do séc. VIII a. C. do grupo T 10.1.1.1, a par de fragmentos de fíbula de dupla mola, taças carenadas de tradição do Bronze Final e um fragmento de cerâmica decorada em ornatos brunidos do tipo «Lapa do Fumo», bem como produções cerâmicas manuais que maioritariamente constituem o grosso do espólio proveniente do contexto 1 desta intervenção10. Foram também registados níveis de argilas rubfactas associados a depósitos caracterizados pela presença de carvões, cinzas e restos faunísticos. A identificação destes depósitos com níveis de lixeira ou áreas de combustão torna-se no entanto imprecisa, por se encontrarem em deposição secundária. Tal situação prende-se com o facto de, em nosso entender, num momento não precisado entre o séc. VII a.  C. e o séc. VI a. C., a estrutura efectuada com as margas ter colapsado, arrastando com ela os depósitos superiores. Tal depreensão é apenas formada pelo modo como os referidos depósitos se apresentam.

A ocupação do séc. VI a. C. vai instalar-se sobre o resultado do presumível colapso, e é representada por uma lareira com três momentos distintos de utilização. O primeiro, que apresenta maior cuidado na elaboração, foi efectuado com a disposição de fragmentos cerâmicos que exerceriam a função de base na qual foi aplicada argila de regularização

Nesta mesma rua e não muito afastado deste local, foi recolhido um importante acervo, embora descontextualizado e despojado de estruturas deste período. é o actual Núcleo Museológico do Teatro Romano. Este conhecido monumento de Lisboa foi alvo de intervenções regulares durante mais de duas décadas, mas foi apenas com o início das campanhas na área do postcaenium que se revelou indícios fiáveis destas ocupações.

O espólio apresenta uma impressionante colecção de material ânfórico que abarca as duas idades do ferro até á romanização. O conjunto apresenta ainda pratos de verniz vermelho, «pebeteros», um fragmento de skyphos grega, cerâmica pintada ibérica (kalathos), e formas de imitação de cerâmica cinzenta. Todo este conjunto enquadra cronologias, seguramente, desde o séc. VII a. C.

O espólio, embora se encontre em deposição secundária, é demasiado numeroso para que se possa pensar apenas numa ocupação ocasional, demonstrando-se até muito uniforme na sequência estratigráfica, o que nos leva a pensar numa redeposição após as obras efectuadas no paredão do postcaenium11.

6 " Castelo de São Jorge, Casa dos Bicos, Rua dos Douradores

 A dispersão e o número das intervenções onde se detectaram níveis sidéricos implicam necessariamente a existência de um Oppidum no actual Castelo de São Jorge, ou na área da freguesia de Santa Cruz. 

De facto as intervenções efectuadas desde 1997 na Praça Nova e restante freguesia, têm dado notícia da existência de níveis e estruturas deste período12. A presença de «estruturas bem conservadas é uma constante», e apenas nos limites da actual área amuralhada é que «os materiais desta época são escassos». Por outro lado, a frequência destes níveis e o bom estado de conservação das estruturas na área nuclear da freguesia parecem ser uma constante: «Muitas vezes as estruturas afloram sob o piso das actuais casas, nomeadamente na Rua das Flores ou na Casa do Governador, onde foi identificado um muro com cerca de 1 m de altura parcialmente incorporado numa das paredes deste edifício». O restante número de intervenções efectuadas na freguesia (perto de duas dezenas)  revelam uma área com uma significativa densidade na ocupação, que parece confirmar a localização do Oppidum. Porém os resultados preliminares apenas apontam cronologias a partir do séc. V a. C., cronologias a nosso ver demasiado recentes se tivermos em atenção as datações propostas para a Rua de São Mamede ao Caldas, Sé de Lisboa e Travessa do Chafariz d'El-Rei que denunciam cronologias necessariamente anteriores para o núcleo principal do povoado.

A presença de materiais orientalizantes em Lisboa já havia sido notada, desde a primeira metade do século passado, pelas recolhas efectuadas por Virgílio Correia na Rua dos Douradores e nos claustros da Sé de Lisboa, de onde provieram as cerâmicas cinzentas que foram sujeitas a analises químicas e ás quais já nos referimos anteriormente. O espólio da Rua do Douradores, estudado por João Luís Cardoso e Júlio Roque Carreira (1993), é composto por cerâmicas cinzentas fragmentos de pythoi e ânforas do grupo 10.1.2 de Ramón Torres, enquadrando-se entre os séculos VII e VI a. C.

Relativamente á Casa dos Bicos, para além dos dados facultados pelo catálogo de exposição, que apresenta a existência de espólio integrável em ambas as idades do ferro, pouco mais se avança sobre a sua posição estratigráfica e condições de recolha, muito embora tenhamos plena consciência das dificuldades sentidas pelos investigadores no que respeita ás condições de trabalho quer no plano logístico e de calendário, quer mesmo na friabilidade do próprio terreno - característica garantida em toda a frente ribeirinha de Lisboa13. De momento, os dados disponíveis apenas permitem supor uma ocupação sidérica senão no local, pelo menos nas proximidades. Não obstante, parece-nos válido afirmar que o espólio da Casa dos Bicos e os dados da Travessa do Chafariz d"El-Rei confirmam uma preferência na ocupação da linha costeira de Olisipo em período orientalizante14.

1. 7 " Encosta de Santana

 Muito embora não tenham surgido nenhuns indícios de ocupação associados á idade do Ferro nas intervenções realizadas neste local, optámos por incluí-lo nesta resenha pela sequência estratigráfica que apresenta, e que se torna elucidativa da preferência antrópica pelas suas condições oro-topográficas e recursos disponíveis, que irão mais tarde facilitar a formação do povoado.

A Encosta de Santana corresponde á vertente este de um esporão localizado a NO e a uma cota inferior do morro do Castelo, que lhe fica defronte, apenas separado deste pela antiga linha de água da ribeira de Arroios. As intervenções decorreram em duas campanhas distintas, ambas da responsabilidade da DMP da CML. A primeira em 2001, sob a direcção do Dr. João Muralha e da Dr.ª Cláudia Costa e a segunda em 2004/5, sob a direcção da Dr.ª Manuela Leitão e do Dr. Vasco Leitão.

Estas duas campanhas revelaram três assentamentos diacronicamente afastados, mas de certo modo próximos no modelo de ocupação. Inicialmente, a primeira campanha tinha posto a descoberto um conjunto de três fossas escavadas nos sedimentos do coluvião quaternário. Uma destas fossas apresentava no seu preenchimento restos de fauna mamalógica e malacológica, e o seu conjunto cerâmico permitiu aferi-la genericamente ao Calcolítico. A par de um fragmento descontextualizado de uma taça campaniforme do grupo de Palmela, estes são os únicos elementos relativos a este período.

Melhor representadas são as ocupações do Neolítico Antigo e da Idade do Bronze. Ao Neolítico correspondem as fossas detectadas na campanha de 2002, bem como um nível de paleosolo, onde foram recolhidos núcleos e materiais residuais de debitagem (lascas corticais, núcleos esgotados e esquírolas) em tal percentagem que permitiu aos autores avançar com a instalação de uma oficina de talhe na encosta. Estas deduções serão confirmadas pela segunda campanha, onde, para além de uma zona de talhe bem delimitada pelo arco de debitagem em torno de um conjunto de núcleos quase esgotados, foram expostas estruturas de cariz mais permanente como o soco de uma pequena cabana de forma elíptica. Já a Idade do Bronze se encontra caracterizada pela existência de «dois grandes recintos circulares contíguos», indicando a existência de um agregado populacional fixo já na segunda metade do segundo milénio a. C.

O fácil acesso a recursos será uma das razões pela preferência desta encosta para a fixação das populações. Entre os restos faunísticos identificou-se a presença de ovicaprídeos, bois, javalis, veados, coelhos e lebres. Na fauna aquática destacam-se o mexilhão, a ostra, a lapa, a craca, a vieira e a cornetilha. Estes exemplos são demonstrativos da variedade de recursos disponíveis, bem como (considerando ovicaprídeos e bos) a existência de terrenos que não só possibilitariam o pasto como propiciariam (por arrasto) o cultivo15.

2 " O nome de Lisboa

A discussão em torno do topónimo Olisipo arrasta-se desde (grosseiramente) o séc. XVI. Numa primeira interpretação, que de certo modo criou escola (embora revestida de um romantismo demasiado fantasioso), procurou ver-se no herói das epopeias gregas Ulisses a origem do primeiro elemento do topónimo, admitindo-se polis como sufixo. Lisboa teria portanto, uma fundação quase mítica, e como tal digna de uma capital de um império em expansão, herdeira da mais influenciadora das culturas clássicas.

Esta posição directamente assumida por Garcia da Orta e Júlio Resende foi contestada por Samuel Bochard que em 1707, dotado de um espírito mais racional, subdivide o mesmo topónimo em dois termos fenícios: Aliss e Ubbo, o que resultaria na leitura (com características geográficas) de enseada amena16, proposta subscrita no séc. XIX por um dos nossos mais proeminentes olisipógrafos: Júlio de Castilho.

Foi Arlindo de Sousa, que na década de quarenta do séc. XX, no seu estudo sobre as origens do topónimo, apresentou uma análise crítica fundamentada de todas as propostas antecedentes. Para além das duas já por nós referidas, chama ainda a atenção para todas as que sugerem a origem grega do topónimo Hippo, para de seguida as descartar. Porém, não tendo agora pertinência aprofundar todas as suas criticas, remetemos para o seu trabalho17.

Segundo este autor o topónimo resulta na conjunção dos elementos O - Lisus - ippo.

O primeiro: O" facilmente renunciado da transcrição U que foi meramente utilizada pela sua conotação tradicional com Ulisses - pode ser encontrado como sufixo ibérico (recorrendo aos estudos de Schulten) em Okile; Obulco. Bem como a sua variante Ol (Olauro;). Também encontramos conjunções no mundo tartéssico, em Ol-erdula, Ol-ontigi, e derivações vocálicas em I -lerda; El - ike = Il - ici( Elche); Il - liberi.

Para o autor, a falta de referência ao maior rio da península apresenta-se como a mais enigmática das ausências na Ora Marítima. Procurou então colmatar esta situação com a associação de Lysos com Tagus; posição suportada na relação entre Lysis, Lusis e mesmo Ligus (como se lê no verso: sedent Ligures Draganique a Septentrione Cempsorum). Deste modo poder-se-ia reconhecer-se Lysos como a fronteira regional entre Cempses, Senfes e Ligures e a sua identificação com o Tejo18. Esta posição tem sido refutada pelos actuais investigadores, que optam por considerar Lysis como a palavra original do périplo, recusando uma presença dos Lígures na península19.

Actualmente apresentasse pacífica a relação do sufixo ippo, também presente em Bevipo/Beripo, Dipo e Colippo (no actual território português), com um mundo sob influências orientalizantes, e não podemos deixar de assinalar que os restantes topónimos que partilham o mesmo elemento se concentram ao longo do vale do Bétis. Como por exemplo Baesipo, Lacipo, Acinipo, Iripo, Oripo, Basilipo, Ventipo e Ostipo .

Para retomar um tema ainda recentemente abordado por Torres Ortiz20, questionamo-nos novamente se tal situação poderá indicar uma fundação tartéssica para Olisipo?                

A Ora Marítima de Avieno parece colocá-la longe das fronteiras dos herdeiros de Argantónio: «Depois emerge nos ares o promontório de Ofiussa. Do cabo Aruio até estes locais dista uma viagem de dois dias. A baía, que então se abre amplamente, retrocede e não é de fácil navegação só com um vento: até meio chega-se impelido pelo vento oeste, a parte restante exige o vento sul. E se alguém dai se dirige para o litoral dos Tartéssios, com dificuldade vencerá o caminho em quatro dias». Considerando o cabo da Roca e as fronteiras tradicionais do rio Guadiana, a descrição parece ajustada, muito embora com a ressalva de que a distância apontada dificilmente se pode aceitar como passível de ser vencida em quatro dias.

Com excepção de Colipo (São Sebastião do Freixo) e Dipo (évora Monte?21), parece obvia a posição estratégica que Lisboa e Alcácer do Sal ainda actualmente ocupam, e que certamente serviriam aos interesses económicos vizinhos. Isto sem considerarmos para já, na senda de Torres Ortiz, uma colonização dos Cempses  na região estremenha22 .

Não querendo aprofundar esta questão, não podemos deixar no entanto de recordar os versos do périplo, inclusivamente já observados por Jorge Alarcão23, que apontam uma origem na região de Huelva para os Cempses: «Depois encontramos a ilha de Cartere, da qual uma tradição com bastante fundamento diz que foi dominada primeiro pelos Cempsos, que derrotados em guerra pelos seus vizinhos partiram em busca de novos assentamentos».

Mais que simples contactos comerciais e as deslocações que eles implicam, esta passagem indicia verdadeiros movimentos migratórios entre a região de Rio Tinto (importante centro mineiro, e dinamizador de uma economia regional) e o extremo ocidente peninsular.

Tendo sido ou não o resultado de acções bélicas, cuja origem podemos meramente especular como relacionada com o potencial económica que esta região detinha, o facto é que o resultado se apresenta com um objectivo de fixação com carácter prolongado ou permanente em territórios alheios, ocupando ou criando novos povoados, exportando e reforçando laços culturais.

À semelhança de Arlindo de Sousa partilhamos da mesma curiosidade no que respeita ás ausências de citação do povoado do Tejo no périplo (principalmente se atendermos que na sua versão original seria com muita probabilidade um auxiliar á navegação). Na redacção do séc. IV d. C., Avieno irá acrescentar passagens, comentários e interpretações, que podemos justificar (e passe a leviandade) quanto mais não seja para satisfazer a curiosidade de Probo.

 As indicações dos principais povoados, seus rios, enseadas, praias, portos, ilhas, templos e pequenos apontamentos e curiosidades respeitantes a estes sítios são uma constante em todo o texto, e torna-se ridículo estar agora a enumerá-los. Para além destes são ainda citados povoados extintos, e a memória de certas áreas despovoadas e a sua anterior importância são também dignas de registo: «A costa estende-se aqui de novo, desprovida agora de populações, na realidade são puros terrenos abandonados. Antigamente também aqui se ergueram á vista muitíssimas cidades, e numerosos povos frequentaram estes lugares». Tais situações surgem com tal regularidade e, por vezes, com tal atenção ao pormenor, que aguçam a nossa estranheza.

Mas se a ausência de referências não implica necessariamente a inexistência física, sugere de imediato duas interpretações: a primeira, relacionada com o desconhecimento por parte do autor da existência do povoado; a segunda relacionada com a insignificância do mesmo ou sua simples inexistência.

No primeiro caso, e tomando em atenção as naturais deturpações e lacunas do texto inicial, não nos parece que um povoado estratégico como Olisipo - seguramente em plena actividade desde o séc. VII a. C. - tenha passado despercebido (e certamente não teria escapado ao autor romano do séc. IV d. C.).

No segundo caso (e pondo obviamente de parte uma inexistência), temos de ponderar sobre a real importância que este povoado teria assumido num primeiro momento.

 Observando Olisipo com uma ligação ao mundo tartéssico, tal como é sugerida pelo seu sufixo, a lacuna de citação poderá indicar o pouco relevo prestado a este povoado pelo mundo oriental e como tal ainda pouco digna de registo no momento de redacção do documento original. Deste modo há que considerar uma afirmação deste povoado somente a partir de finais do séc. VI  ou inícios do séc. V a. C. (momento em que se supõe ter sido redigido o périplo) e, como tal, na fase final da preponderância tartéssica na política peninsular. Com o posterior acréscimo de importância advirá o estreitamente com o mundo oriental " e com ele a designação toponímica?.

Se aceitarmos esta possibilidade de trabalho, aliada ás propostas de Torres Ortiz, põe-se a questão sobre que tipo de pujança económica/comercial este «reino» ainda manteria numa fase dita de declínio, para presecutar «colonizações» no extremo ocidente peninsular, ou mesmo se esta «colonização» (a ter tido lugar) não será antes um reflexo de uma «decadência» que se procurava combater através da ampliação das áreas de influência económica, e da ocupação e controle de locais estratégicos na costa atlântica e no hinterland - á semelhança dos exemplos expansionistas da esfera do Egeu e restante próximo oriente ocorridos no mesmo período. Cabe agora perguntar se os movimentos dos Cempses para oeste, que como vimos, a Ora Marítima atribui a disputas bélicas, não serão um reflexo das instabilidades políticas sentidas na transição para o mundo turdetano?

De qualquer modo, todos estes raciocínios levam-nos a afastar de imediato qualquer propósito de fundação ex-nihilo.

3 Interpretações

3.1 " O núcleo original

A ocupação da Idade do Bronze na encosta de Santana é uma realidade que demonstra o interesse destas comunidades pelos terrenos adjacentes á colina do Castelo já na segunda metade do segundo milénio a. C. Mas o modo como se processou a deslocação destas comunidades do vale para a colina nos cerca de quatro séculos que antecipam a designada primeira Idade do Ferro mantém-se ainda por esclarecer. A fertilidade dos terrenos, a facilidade de obtenção de recursos e a posição geográfica que facilitaria o comércio regional e a navegação durante o Bronze Final não nos permitem pensar num simples desinteresse destas populações pela colina. Não obstante, não se conhece até á data qualquer tipo de estruturas ou mesmo níveis preservados em toda a encosta para que se possam validar de imediato estas presunções.

O povoado da Tapada da Ajuda é de momento a estação que nos oferece os melhores paralelos para compreendermos o espaço de Olisipo durante este período. Encontrava-se instalada numa encosta suave, com boa visibilidade a sul (sobre o rio), com bons terrenos agrícolas e aquíferos disponíveis (junto a um curso de água com foz no Tejo). As quatro campanhas aí realizadas na década de 80 permitiram calcular que o povoado se tenha desenvolvido numa extensão de 100 x 200 m, as últimas campanhas puseram a descoberto o embasamento de uma grande cabana de planta elipsoidal, uma estrutura de combustão e uma área de despejos domésticos24. À excepção da cota do povoado (entre 100 e 115 m absolutos), são óbvias as suas relações com a encosta de Santana, bem como com outras tantas estações deste período, o que segundo estes autores poderá indiciar uma continuidade do sistema económico entre o Bronze Pleno e o Final, cujas diferenças (para além das características estilísticas e tipológicas do registo arqueológico) se deverão procurar na ascensão de uma classe dirigente que se encontrará plenamente afirmada numa fase derradeira do Bronze Final. A proeminência da encosta do castelo como centro económico regional durante a Idade do Bronze Final foi também já admitida como hipótese por João Luís Cardoso e Inês Silva no seu estudo sobre as cerâmicas da Tapada.

 Os estudos equivalentes para a encosta de Santana encontram-se num estado ainda incipiente, mas os dados apresentados deixam no ar (sempre considerando o estado preambular dos estudos) que as cerâmicas, quer pelas tipologias quer pelos aspectos decorativos, poderão denunciar uma cronologia já integrada na Idade do Bronze Final25.

Confirmando-se esta situação, até que ponto ficará nos limites do admissível que uma ocupação do Bronze Final, independentemente ou não da sua dimensão, poderá afastar-se dos paralelos conhecidos, nomeadamente, povoados constituídos em altura e dotados de sistemas defensivos, que indiciam (mais que autonomia) um carácter de proeminência regional!? Não obstante, não podemos novamente deixar de sublinhar a inexistência de elementos integrados no Bronze final na colina do Castelo desassociados de elementos culturalmente integráveis num arcaísmo orientalizante.

Esta mesma apreciação já tinha sido apresentada no estudo referente ao n.º 15 da Rua de São Mamede ao Caldas, em que nos foi dada a oportunidade de observar que a convivência de formas de produção manual (e que já nos fizemos referência supra) se sobrepõem ás formas cerâmicas de torno rápido, e inclusive sem a presença de formas de torno lento, (que poderia indicar alguma espécie de transição tecnológica entre métodos de produção cerâmica).

Esta convivência convém ser sublinhada, pois temos de ter presente que as principais estações conhecidas na região estremenha e sua periferia apresentam uma sobreposição do povoado sidérico ao povoado indígena, dado que suporta parcialmente a teoria de colonização defendida por Torres Ortiz26.

Uma reflexão debruçada sobre a instalação do povoado na encosta do castelo deve considerar três pontos fundamentais do registo arqueológico:

- A inexistência de estruturas (positivas ou negativas) e mesmo níveis arqueológicos unicamente relacionáveis com cronologias atribuíveis ao Bronze Final em toda a encosta do castelo, considerando o número de intervenções já aí realizadas.

- A convivência de espólio do Bronze Final com cerâmicas integráveis no século VIII a. C., tendo em conta o número de produções manuais.

- A possível existência de um povoado datado do Bronze Final na encosta de Santana.

De momento (e tendo em conta as discrepâncias entre as cronologias tradicionais obtidas entre a Rua de São Mamede ao Caldas e as laboratoriais obtidas para o povoado de Almaraz (séc. VII, séc. VI)27, importa sublinhar a existência de um núcleo primordial na margem norte do Tejo.

3. 2 " De novo Almaraz

Novamente Almaraz tem de ser revisto á luz dos novos dados do seu povoado sobranceiro no Tejo.

As formas dos pratos e taças deste povoado encontram paralelo nos povoados do Guadalquivir e Levante, quer ainda em estabelecimentos fenícios, e mesmo em povoados indígenas, tornando-se desnecessário lembrar a sua produção no território peninsular.

Já o aproveitamento de líticos provindos de lastros e sua utilização nas estruturas do povoado, embora perfeitamente plausível, pouco mais demonstra do que uma situação de comércio marítimo, que poderia funcionar apenas a nível regional.

Relativamente á metalurgia do ferro, e como os próprios autores fazem questão de lembrar, «encontra-se deficientemente documentada nos estabelecimentos fenícios»(Barros, Cardoso, Sabrosa  1993).

Neste ponto alude-se o facto de recentemente se ter demonstrado a utilização do ferro já em momentos do Bronze Final anteriores ao séc. IX a. C., com cronologias sustentadas por análises de carbono 14. O estudo apresentado por Raquel Vilaça28 faz avaliação de 28 registos e seus contextos, em particular os localizados na região das Beiras. Este estudo põe em relevo a precocidade da introdução deste metal na península, o seu carácter de interioridade face ao litoral e a sua ocorrência em habitats indígenas. Tal situação, a demonstrar-se, correcta, levanta de imediato duas questões: se a concentração em contextos de interior não estará relacionada com a ligação a bases económicas agrícolas por oposição a comerciais e piscatórias, e até que ponto poderemos considerar o ferro como matéria exótica, símbolo de «relevo na economia regional».

Almaraz deverá ser interpretado, a nosso ver, mais como um reflexo do desenvolvimento que Olisipo já teria atingido durante o séc. VII a. C. - patente na sua área ocupada - cuja dinâmica comercial polarizou de modo a possibilitar o desenvolvimento de povoados paralelos. Tal também é visível no número de estações deste período em redor de Lisboa e em ambas as margens: Fundo de Cabana (Pragal), Quinta do Percevejo (Caparica), Pêra de Baixo, Trafaria, Almaraz, Cacilhas, Quinta do Marcelo (Almada)29" na margem sul; Freiria, Moinhos da Atalaia, Outorela I, Outorela II na margem norte.

é neste sentido que recuamos com cautela perante correspondências imediatas de qualquer estação com feitoria.

Mesmo considerando outras situações no litoral português como o caso de Abul, que poderão remeter de imediato para práticas orientais mais ligadas ao mundo fenício, não podemos deixar de pesar o importante factor da aculturação nem deixar de lembrar-nos das recentes apreciações que Jimenez Avilla faz sobre Cancho Roano e monumentos equivalentes, sobre o seu carácter rural e indígena30.

Mas no caso particular de Almaraz, nem mesmo as apreciações anteriores invalidam a sua utilidade como entreposto comercial, e temos de admitir que nos inclinamos para esta possibilidade. Tal convicção não se prende apenas com a importância que Olisipo terá adquirido a nível regional (que não terá escapado aos interesses económicos orientais que teriam procurado explorar através da fixação de entrepostos), mas também com a improbabilidade de existência de dois pólos comerciais deste género em tão curta proximidade. Muito embora não tenhamos conhecimento de nenhum estudo acerca das densidades populacionais dos territórios da fachada atlântica, parece-nos, que a criação de um povoado na margem sul, dotado de muralha e fosso, com uma área superior a 3 hm2, sobranceiro a um preexistente, se prende mais com alguma espécie de autonomia do que propriamente com questões demográficas. E é por este prisma que actualmente nos parece que Almaraz deverá ser encarado .

Actualmente podemos pensar em contactos entre o mediterrâneo central e as populações do extremo ocidente peninsular, já mesmo durante o Bronze Final Atlântico. E em Olisipo, como já vimos, as influências orientalizantes sentem-se no séc. VIII a. C.

Tal não implica necessariamente a possibilidade da presença de individualidades orientais na fachada atlântica e os seus contactos com as populações locais que certamente ocorreram, mesmo em momentos muito precoces. Sendo mesmo provável que tenha sido este o caso " o que justificará a aparente rápida introdução de formas de importação e produções de torno rápido no registo arqueológico, em detrimento de produções manuais e mesmo de torno lento que simplesmente se reduzem a uma insignificância estatística ou simples inexistência para níveis do séc. VII a.C.. Isto pelo que nos foi dado observar do espólio das intervenções em Alfama, e que reforçam as observações efectuadas pelos investigadores em Almaraz e Sé de Lisboa.

Cabe neste ponto relembrar a discussão em torno do monumento funerário da Roça do Casal do Meio em Sesimbra, que, para além da sua singularidade no contexto arquitectónico estremenho e mesmo peninsular, apresenta entre o seu espólio uma fíbula e um pente de marfim cujos paralelos encontram semelhanças no mediterrâneo central e mais concretamente na Sicília31. Do mesmo modo importa referir um espeto articulado, de tipo de Alvaiázere, recolhido em ambiente funerário em Amathus, no Chipre32. Tal poderá indicar no mínimo, a existência de rotas e contactos a longa distância pelo menos desde o Bronze Final. Estes elementos surgem já em número que nos permite pensar na existência de contactos mais que ocasionais e cuja frequência funcionaria nos dois sentidos - novamente considerando o espeto do tipo de Alvaiázere identificado em Chipre. Mas é esse mesmo número - ainda demasiado reduzido - que não nos permite falar de contactos regulares e directos com regiões tão afastadas.

Esta apreciação encontra-se reforçada se levarmos em conta os géneros transaccionados que indicam preferência por elementos vulgares nas comunidades levantinas, mas raros no extremo ocidente (como os oenochoé de bronze), que, tendo em conta as dimensões dos mesmos, poderão indicar escolhas selectivas de produtos directamente relacionados com as facilidades de transporte ou meras curiosidades e, como tal, indicativas da periferia da faixa atlântica em contraponto com as regiões do estreito, cujos produtos de importação com características mais imponentes (como os Temytheria) encontram maior divulgação.

Por estes motivos parece-nos mais sensato considerar antes uma ligação mais directa e culturalmente dependente mais dependente do mundo tartéssico do que propriamente com o mundo fenício, embora admitamos que a existência de tais contactos, nesta fase inicial, sejam mais o resultado da interligação de rotas que permitiriam o afluxo de alguns elementos mais «exóticos», do que propriamente o fruto de movimentos exploratórios sistemáticos semitas.

A isto não podemos deixar de acrescentar a descoberta de hipogeus em Tavira, cuja interpretação como bothroi, em todos os aspectos credível, é ainda (e a nosso ver, até ao momento), o mais fiável indicador de uma presença fenícia efectiva no actual território português, reforçado pela recolha nesta mesma cidade de uma medalha de prata associada ao culto de Astarté33.

3.3 " O espaço urbano

A dispersão das intervenções ao longo de toda a encosta, que apresentam vestígios da idade do ferro desde o Castelo ao Chafariz d"El-Rei e da frente ribeirinha á Rua dos Correeiros, abarcam uma área de ocupação equivalente á Medina e Alcáçova islâmica, e embora seja demasiado pretensioso ou mesmo absurdo pensar em paralelismos no número de habitantes entre os dois períodos ou mesmo entre momentos imediatamente posteriores ao período em causa, não podemos deixar de relembrar que algum tipo de pressão deve ter existido para que se tenha efectuado no numero 15 da Rua de São Mamede ao Caldas uma consolidação das aréolas (a confirmar-se ser essa a função principal da estrutura efectuada com margas). De qualquer modo, essa «pressão» em nada seria comparável com os períodos subsequentes, e a dispersão dos locais intervencionados demonstra-se meramente enganosa, pois, como já observámos, nem todas as estações apresentam as mesmas cronologias, o que poderá implicar diferentes critérios ou mesmo preferências distintas pelas condições do espaço ocupado. Se quisermos forçar alguma espécie de sequência, á laia de modelo para o modo como a ocupação se processou, apenas com apoio nas cronologias disponíveis, então podemos pensar:

1º - uma ocupação inicial da encosta meridional, nascente e zona ribeirinha junto á praia de Alfama (Rua de São Mamede ao Caldas, Sé de Lisboa e Travessa do Chafariz d'el-Rei);

2º" a edificação de um Oppidum na actual freguesia de Santa Cruz se não num momento subsequente aos contactos do séc. VIII a. C., pelo menos num período não muito dilatado destes;

3º" um desenvolvimento do aglomerado urbano para poente junto ao esteiro da Baixa (Rua dos Douradores e BCP).

No entanto a fragilidade deste raciocínio demonstra-se pelo número e dispersão das intervenções e pela falta de esgotamento do potencial estratigráfico em algumas delas.

Apenas podemos especular sobre o impacto que o declínio de Tartesso teve no ocidente peninsular, cerca do séc. VI a. C. Mas a crer nos dados arqueológicos não existem indícios de grande ressentimento económico. O que poderá reflectir o carácter periférico de Olisipo: importante entreposto da fachada atlântica, mas, não obstante, periférico, pelo menos o suficiente para sobreviver a colapsos de mercado (se foi realmente esse o resultado da desagregação do sistema politico do referido «reino»).

Sem aparente ruptura as importações ânforicas demonstram a continuidade e preferência pelos mercados do Estreito e da baía de Cádis, alargando inclusive as áreas de contacto para levante, como por exemplo a zona de Málaga e mesmo da Sardenha.

As estruturas no Núcleo Museológico dos Correeiros parecem indicar também que a cidade, ao invés de um retrocesso, encontrava-se em processo de crescimento, visto que já se encontrava urbanizada junto ao Chafariz d"El-Rei desde o séc. VII a. C. e agora novas estruturas surgem junto ao antigo do esteiro do Tejo. Embora também elas de funcionalidade desconhecida, não está afastada a possibilidade de se encontrarem relacionadas com equipamentos portuários, mas, tal como no Palácio do Marquês de Angeja (TCR), as provas que sustentam esta hipótese em pouco mais se apoiam do que na proximidade da linha de costa. Não podemos neste ponto deixar sem referência a passagem da Ora Marítima que alude ao porto de Namnacio: «Depois, o porto de Namnacio arqueia-se desde a planície marinha, próximo á cidadela dos masienos e, ao fundo desta enseada, ergue-se com as suas muralhas a cidade de Masiena». Embora situações como o porto de La Caleta em Cádis, cuja identificação se deve exactamente á presença de elementos arquitectónicos e afeiçoamentos da rocha, induzam á associação de porto com complexo edificado34, tais situações não são necessariamente uma prática geral, e importa referir que Vasco Mantas35 já havia notado que, por porto (relativamente ao período romano), não se deve entender necessariamente um complexo edificado, mas também qualquer simples linha de costa que possibilite a atracagem em segurança. Se tal se verifica como verídico para a época romana, mais se aplicará ao período sidérico. Neste aspecto, Lisboa apresentaria dois locais privilegiados: a praia junto á foz da Regueira em Alfama e as margens junto ao esteiro do Tejo, que sem qualquer espécie de repulsa da nossa parte poderiam funcionar simultaneamente.

A par de produtos alimentares, outros bens mais relacionados com prestígio começam agora a afluir a Olisipo. Embora apenas menos de três fragmentos de cerâmica grega se encontrem publicados, estes não devem, a nosso ver, reflectir de modo algum a realidade arqueológica, pelo menos para o séc. IV a. C.

é um dado adquirido que as importações do Egeu têm aportado á península desde o séc. VIII a. C.: Localizam-se em Huelva os elementos mais antigos que correspondem a fragmentos datados do Geométrico Médio ou Recente e como tal de um momento ainda arcaico no desenvolvimento das cerâmicas gregas. No final deste mesmo século, Málaga e Granada tornam-se também centros importadores.

Em finais do séc. VII e inícios do século seguinte chegam as cerâmicas proto-coríntias a Almuñecar  e Morro de Mezquitilla e um aryballos do Coríntio Médio foi recolhido na ria de Huelva36. Estes são apenas alguns exemplos (que não correspondem de modo algum á totalidade de sítios) onde foram recolhidos cerâmicas gregas e que atestam a precocidade com que estes elementos começam a aceder á península.

Em Portugal existe um fragmento coríntio de figuras negras proveniente do Castelo de Castro Marim e datado de entre o último quartel do séc. VII e o primeiro do séc. VI a. C., e em Alcácer do Sal existe um fragmento de cerâmica ática de figuras negras a anunciar o início do período clássico.

As cerâmicas de figuras vermelhas e verniz negro do séc. IV a. C. são de longe o género melhor representado no nosso território.

No Castelo de Castro Marim foi recolhida uma importante colecção, que já foi alvo de uma monografia37, mas destacam-se outros conjuntos que importam também pela sua posição geográfica. é o caso de Santo Estêvão da Facha em Ponte de Lima; do Castelo de Faria em Barcelos; do Castro de Santa Olaia na Figueira da Foz; de Conímbriga; da Alcáçova de Santarém; do Castro de Chibanes em Palmela; do Castro da Azougada em Moura; do Castelo de Serpa; de Beja; do Monte Beirão em Almodôvar e de muitos outros sítios do interior e litoral, com destaque para a Necrópole do Olival do Senhor dos Mártires em Alcácer do Sal, que constitui a mais impressionante colecção proveniente de escavações existente em Portugal.

Esta breve resenha e os seus exemplos servem para demonstrar que a introdução de cerâmicas gregas no nosso território é mais do que uma mera ocasionalidade, surgindo em contextos de litoral e interior.

Olisipo não poderia de modo algum ficar á margem de tal consumo. A realidade é que existem ainda poucos locais com estruturas habitacionais escavadas, e os dados materiais da alcáçova do Castelo de São Jorge (onde se localizaria o pólo principal do Oppidum) ainda se encontram - á data de redacção - por publicar. Por outro lado é ainda desconhecida a localização da necrópole, que a exemplo de Alcácer do Sal e de outras necrópoles do sul de Espanha são os principais fornecedores, em contexto arqueológico, deste tipo de espólio. A isto não está obviamente alheio o facto de estes objectos terem adquirido um papel de prestígio perante as comunidades indígenas e ainda a absorção de rituais funerários orientais, como é o caso da prática do simposium e depósito em silicernium, muito embora estes apenas se encontrem documentados no país vizinho, como é exemplo o conhecido caso de La Hoya (prova da marginalidade atlântica face aos interesses económicos helénicos).

Se tomarmos novamente Alcácer do Sal como exemplo, devemos procurar a implantação da necrópole a este do esteiro da Baixa. A encosta de Santana oferecia boas hipóteses para a sua implantação, e a seu favor detinha ainda o facto de a necrópole romana com núcleo principal na Praça da Figueira sugerir ainda a possibilidade de, á semelhança de Alcácer, manter, ocupar ou desenvolver-se em torno de locais tradicionais de necrópoles anteriores.

Mas se as intervenções aí realizadas, puseram a descoberto uma área mais periférica da necrópole romana, em nada adiantaram sobre qualquer ocupação sidérica deste espaço, sendo inexistentes quaisquer vestígios deste período. E as intervenções na Praça da Figueira demonstram a instalação da necrópole apenas em época alto-imperial, sendo que em momento republicano ela teria provavelmente um núcleo instalado sobre os depósitos e estruturas sidéricas da Baixa lisboeta, segundo o que nos é dito pela sequência estratigráfica da Rua dos Correeiros.

A encosta entre São Roque e São Francisco apresenta-se como uma boa alternativa, muito embora os trabalhos desenvolvidos nesta zona também nada tenham revelado neste sentido. Estamos a referir-nos concretamente ás intervenções que estiveram afectas á recuperação dos antigos Armazéns Grandela e ás efectuadas defronte ao adro gótico do convento do Carmo. Na Rua do Ouro, as intervenções efectuadas pelo Dr. António Marques, da DMP-CML apenas revelaram unidades estratigráficas da época medieval e moderna, muito embora tenham em determinados pontos atingido níveis de substrato geológico38. Ainda recentemente e também sob a direcção do Dr. António Marques (agradece-se a facilitação de dados)  tivemos a possibilidade de escavar junto á cabeceira da Igreja do Convento do Carmo, e mesmo tendo em conta as perturbações produzidas na encosta pelo estaleiro  medieval, não deixa de ser desencorajador a insignificância a que se reduz o número de fragmentos recolhidos: um bordo de pythos.

De qualquer modo tudo isto são meras suposições e sabendo nós que modelos são guias e não regras, não podemos deixar de recordar que cada escavação é uma caixa de surpresas e ainda existe muito por escavar...

Em forma de conclusão

No nosso entender, na fase terminal do Bronze final Atlântico, já existiriam contactos através de redes comerciais conectadas, não implicando esforços exploratórios de índole político-económica entre o mediterrâneo Oriental e central e o extremo ocidente.

No decorrer (durante meados do séc. VIII a. C.) do estabelecimento de colónias ou feitorias agregadas a interesses próximo - orientais, a relação entre os interesses já afirmados no estreito e na costa levantina, reforçam a aproximação da identidade cultural entre o mundo tartéssico e o extremo Atlântico, documentados seguramente desde o séc. VII a. C.

Tendo em conta as lacunas de observação do périplo e a existência de um núcleo urbano prévio á sua redacção, podemos sugerir, modestamente, que a familiarização do topónimo Olisipo apenas pode ser considerada com relativa segurança desde finais do séc. VI ou inícios da centúria seguinte. Tal topónimo reflecte a curta relação do povoado tagano com os povoados homófonos do vale do Bétis, embora recusemos qualquer propósito exógeno de fundação. Tal relação poderá encontrar reflexo na instalação de um interposto em Almaraz.

À semelhança de Ana Arruda (2002), aceitamos que as relações entre o Extremo ocidente peninsular e as economias do Estreito se enquadram mais num panorama de continuidade do que propriamente de ruptura, na transição das designadas 1ª e 2ª Idade do ferro, sobrepondo-se a vocação mediterrânea ás novas influências celtizantes, patentes e mais característicos das estações do interior.

Olisipo exerceria a função de principal pólo urbano regional e, ao que antevemos, talvez mesmo da fachada atlântica. Actuando como centro dinamizador económico inter-regional, cujo sucesso se encontra demonstrado pela área ocupada e pelo número de povoados satélites que se desenvolveram na sua dependência.

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NOTAS

1 BARROS, L.; CARDOSO, J. L.; SABROSA, A. (1993)

2 AMARO, C. (1993)

3 ARRUDA. A. (2000)

4 CABRAL, J. M. P.; GOUVEIA, M. A.; ALARCÃO, A. M.; ALARCÃO, J. (1983)

  CABRAL, J. M. P.; WAERENBORGH, J. C.; FIGUEIREDO, M. O.; MATIAS, P. H. M. (1986); ALARCÃO, A.; CORREIA, V. H. (1994)

5 DIOGO, A.M. D. e FARIA, J. C. (1990)

6 BUGALHÃO, J. (2001)

7 PIMENTA J. CALADO M. LEITÃO M. (2005)

  LEITÃO M., PIMENTA, J., CALADO, M. (s/d)

8 As intervenções foram dirigidas pela Dr.ª Manuela Leitão e Dr. Vasco Leitão da DMP - CML, a quem se agradece a cedência de dados, e contou com a colaboração pontual do autor. Esta sondagem efectuada com a amável autorização dos proprietários teve como finalidade esclarecer alguns dados relativos á construção da muralha romana, que ficaram pendentes desde a intervenção da Rua de São João da Praça, nomeadamente as reformas sofridas em período baixo-imperial. Actualmente e também com a preciosa colaboração dos proprietários, encontra-se instalado no rés-do-chão do actual restaurante um pequeno núcleo expositivo relativo a estas duas intervenções e a Alfama em geral.

9LEITÃO, M.; FILIPE, V.; CALADO M. (s/d)

10 PIMENTA, J.; CALADO M.; SILVA, R.,(s/d)

11 As intervenções foram dirigidas pela Dr.ª Lídia Fernandes da DMP - CML, a quem se agradece a cedência de dados. O espólio encontra-se actualmente em fase de estudo por esta investigadora em colaboração com o autor e o Dr. João Pimenta.

12  GOMES et alli (2003)

13 AMARO (2002)

14 AMARO, C. (1994); AMARO, C. (1983)

15 MURALHA, J.; COSTA, C.; CALADO, M. (2002); ANGELUCCI, D.; COSTA, C.; MURALHA, J. (2004)

16 MANTAS (1999)

17 SOUSA (1948)

18 idem.

19 FABIÃO (1992), p. 155

20 TORRES ORTIZ (2005)

21 Utilizamos aqui a proposta feita por Jorge Alarcão em O Domínio Romano em Portugal e que se apoia no Itinerário Antonino.

22 TORRES ORTIZ (2005)

23 ALARCÃO (2001), p 322

24 CARDOSO, J.; SILVA, I. (2004)

25 Informação oral prestada pelo Dr. Vasco Leitão e que desde já agradecemos.

26 TORRES ORTIZ (2005)

27 BARROS, L. e SOARES, A. M. (2004)

28 VILAÇA R.(2006)

29 BARROS, L. (1998)

30 JIMéNEZ ÁVILA (1997)

31 FABIÃO (1992); ALMAGRO-GORBEA (1998)

32 KALB (1998)

33 MAIA, M.; SILVA, L. (2004) - «O culto de Baal en Tavira», HUELVA ARQUEOLÓGICA 20, Actas do III Congresso Español de Antiguo Oriente Próximo, Diputación Provincial de Huelva, p 171-194

34 VALLESPÍN GOMEZ, O. (2000)

35 MANTAS (1999)

36 ARRUDA  (1997)

37  idem.

38 Informações prestadas pelo Dr. António Marques, a quem se agradece os esclarecimentos.

 

 

 

Autor:

Marco Calado

marcocalado1[arroba]hotmail.com 



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