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Percepção dos desastres ambientais climáticos em Jaraguá do Sul - SC (página 2)


Com uma localização privilegiada o município de Jaraguá do Sul (Figura 1), obteve um grande crescimento, econômico e populacional, porém o município não estava preparado para uma expansão territorial urbana, se expandindo então em áreas de grande vulnerabilidade ambiental, como encostas de morros, áreas de baixada que são propensas a inundações, ou seja, áreas que já são vulneráveis naturalmente sem a intervenção humana, sendo agravada com a ocupação antrópica, que propicia além do agravamento dessa vulnerabilidade, o risco de desastre ambiental natural e humano, colocando sua população em risco iminente.

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Figura 1: Articulação do Município de Jaraguá do Sul, a Nível Estadual e Nacional – SC

Fonte: IBGE

Segundo Bertoli (2006), a ocupação das áreas de risco eclode em distintas formas de ajustamentos individuais à situação que visam à diminuição das perdas e que são as responsáveis pelo surgimento de outros embates. Ainda, os eventos danosos e suas conseqüências não são interpretados da mesma forma pelos distintos grupos sociais que ocupam a área. A busca de soluções que diminuam a vulnerabilidade dos locais, bem como a aceitação das perdas está estritamente atrelada a fatores culturais e variam também segundo as condições econômicas dos afetados.

O evento climático extremo no último trimestre de 2008 em Santa Catarina proporcionou uma elevada precipitação, e devido à sua concentração e continuidade provocou enchentes em áreas de declividade e movimentação de massa nas encostas. Segundo Silva Dias (2009), entre 20 e 24 de novembro ocorreu a maior precipitação do Estado. Desmatamentos, ocupações irregulares em encostas de montanhas, habitações à beira de rios, rodovias mal planejadas, um solo morfologicamente frágil somados às chuvas concentradas, contribuíram diretamente a essa catástrofe; entre os anos de 2000 e 2005 no Estado de Santa Catarina desmatou-se uma área equivalente à cidade de Florianópolis e boa parte ocorreu em encostas e morros (REVISTA ÉPOCA, 2008).

Não havia registro de um novembro tão chuvoso nessa região como observado em 2008 quando diversos recordes históricos foram quebrados no triângulo Jaraguá do Sul, Blumenau e Joinville. Os totais do mês ficaram em torno de 1000 mm (SILVA DIAS, 2009); as chuvas registradas no Vale do Itajaí foram classificadas na maior parte do tempo como moderadas, mas com poucas horas sem precipitação, ocasionando um elevado volume de precipitação, saturando o solo da região e inundando áreas.

As chuvas intensas que ocorreram no Vale do Itajaí incluindo o município de Jaraguá do Sul foram causadas por um bloqueio atmosférico no Oceano Atlântico, acompanhado por um vórtice ciclônico em altitude entre 4000 m e 5000 m, localizado entre o leste de Santa Catarina e o leste do Paraná, que favoreceu a ascensão do ar úmido ao longo do mar (SILVA DIAS, 2009). A combinação desses dois fatores favoreceu a intensificação das chuvas sobre essa região e a persistência do bloqueio fez com que o evento fosse mais agravado ainda, resultando nos grandes volumes de chuva registrados.

O último trimestre de 2008 em Santa Catarina e, especificamente, no Município de Jaraguá do Sul, demonstrou, mais uma vez a vulnerabilidade dessa região. No Estado, segundo a Defesa Civil Estadual, esse desastre afetou 60 municípios e mais de 1,5 milhões de pessoas, com 133 mortes, 22 desaparecidos e mais de 78.000 mil habitantes forçados a deixarem suas casas. Em Jaraguá do Sul, segundo a Defesa Civil Municipal, foram 13 vítimas fatais, sendo 12 vítimas por desmoronamento e 1 vítima por afogamento, além de 147 feridos e aproximadamente 40 famílias desalojadas.

Em janeiro de 2011, o município de Jaraguá do Sul, em um curto período de tempo, voltou a ser atingido com uma grande quantidade de precipitação, novamente a vulnerabilidade já característica do município aliado a esse evento, trouxe uma nova catástrofe a sua população, menor que a de 2008, porém com danos ao município e a sua população.

A área de estudo foi escolhida por localizar-se, em um vale da Serra do Mar que apresenta vulnerabilidade a processos naturais de desnudação que, dadas as condições climáticas, geológicas, geomorfológicas e de ocupação antrópica aumentam o risco de ocorrências de desastres naturais como inundações e movimentos de massa. A percepção sobre desastres ambientais climáticos é essencial para entender, como a população se encontra frente a esses fenômenos, como o município está preparado para esses eventos extremos, bem como a Defesa Civil e os demais órgãos públicos.

Ao compreender a percepção e a interpretação da paisagem sob perspectivas psicossociais, devem-se considerar as diferentes realidades culturais responsáveis pela construção/desconstrução das paisagens, assim como pela manutenção dos processos conservacionistas e preservacionistas. Pois a cultura abrange conjuntos de regras interiorizadas, nas quais se destacam saberes e práticas de um determinado grupo, delineando um modo de ser e de vive e, conseqüentemente, de relacionar-se com e desenvolver leituras sobre a paisagem (GEERTZ, 1973).

Grande parte da população atingida por algum tipo de desastre não considera que vive em uma área de vulnerabilidade, muitas acham que o problema ocorre em determinadas épocas, e medem sua vulnerabilidade da forma como um desastre acontece individualmente, levando em consideração suas perdas e suas mudanças. A maioria das pessoas tem uma percepção frente a um desastre, mas sempre levam em conta o lugar onde moram, os vêem como um lar, com amigos, família, vida social, e assim se ver em uma área de risco muitas vezes foge a sua percepção.

A percepção envolve aspectos culturais, onde estímulos de reação e a cognição constituem os valores dos elementos culturais, portanto o observador apreende mais detalhadamente objetos familiares, que remetem a significados dentro de seu repertório sócio-cultural. Desta forma, a cultura resulta de diferentes formas de percepção, isto é, a peculiaridade da percepção individual sobre o mundo, que decorre de uma seleção e ordenação dos elementos apreendidos. Neste ponto, pode-se considerar a correlação entre a percepção ambiental e a fenomenologia, que, por sua vez, tem como base a essência que os objetos apresentam para os indivíduos, assim como a experiência de vida. Lynch (2006) estabelece que:

A paisagem também desempenha um papel social. O ambiente conhecido por seus nomes é familiar a todos oferece material para as lembranças e símbolos comuns que unem o grupo e permitem que seus membros se comuniquem entre si. [...] A organização simbólica da paisagem pode ajudar a diminuir o medo e a estabelecer uma relação emocionalmente segura entre o homem e seu ambiente total (LYNCH, 2006, p.143-144).

De acordo com Nascimento, Del Rio e Oliveira (1999), o cotidiano das pessoas pode ser significativamente alterado a partir das suas interpretações perceptuais, influenciando, assim, seus princípios morais, éticos, sociais, filosóficos e culturais. Para esses autores, a percepção determina o envolvimento do indivíduo com o ambiente, por meio de processos tanto individuais, especialmente sensoriais e cognitivos (HARDT, 2000; 2004), quanto coletivos, resultantes da interação e da socialização (CISNEIROS, 1998).

2 - PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Como nos capítulos 3 e 5, serão efetuadas discussões teórico metodológicas sobre, Riscos e Desastres Naturais, e sobre Percepção, Interpretação e Valoração Ambiental, optou-se neste capitulo a restringir-se apenas aos procedimentos metodológicos operacionais para o desenvolvimento da monografia.

A presente monografia tem como objetivo maior a analise da percepção da população de Jaraguá do Sul – SC, frente aos desastres climáticos ambientais, que assolam o município ao longo dos anos, especificadamente foi estudado os desastres do ano de 2008 e 2011.

Para o entendimento e assimilação desse assunto, foi efetuado levantamento e discussão da literatura relevante, sobre desastres ambientais climáticos, eventos climáticos extremos, conceituação de risco, desastre natural e desastre antrópico, e elaboração do referencial teórico de analise, balizado na percepção, interpretação e valoração ambiental.

Para auxiliar na espacialização dos desastres climáticos, foi elaborado após levantamento cartográfico o mapa base da cidade de Jaraguá do Sul.

Foram elaborados e aplicados 100 (cem) questionários amostrais, em 5 (cinco) áreas do município que foram afetadas por algum tipo de desastre em 2008 e 2011, que constitui aproximadamente 1% do total de domicílios atingidos pelos desastres climáticos em 2011, questionários foram aplicados na segunda semana de fevereiro de 2011, das 8:00 as 12:00 e da 14:00 as 18:00 horas. Sendo 20 (vinte) questionários para cada área escolhida, Figura 02, o local de aplicação dos questionários foram praças e lugares movimentados das áreas escolhidas, os questionários que eram compostos de 12 (doze) perguntas, foram respondidos voluntariamente, Anexo 01.

Foi utilizada a ferramenta Corel Draw, para a construção dos mapas que compõe esta monografia, e os seus dados foram tirados da malha nacional, estadual e municipal contidas no bando de dados geográficos disposto do programa Spring, e para a formatação dos mapas foi recolhido dados junto à defesa civil municipal de Jaraguá do Sul e a defesa civil estadual de Santa Catarina.

Foi utilizado o programa Word, uma câmera digital, um GPS, o programa Excel, e dados bibliográficos e webgráficos.

3 - RISCOS E DESASTRES AMBIENTAIS

3.1. Definições de Desastre Ambiental Natural

Os desastres naturais ambientais podem ser provocados por diversos fenômenos, tais como, inundações, escorregamentos, erosão, terremotos, tornados, furacões, tempestades, estiagem entre outros. Além da intensidade dos fenômenos naturais a intensidade da urbanização verificada nas últimas décadas, em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, levou ao crescimento das cidades, muitas vezes em áreas impróprias à ocupação, aumentando as situações de perigo e de risco a desastres naturais. Além disso, diversos estudos indicam que a variabilidade climática atual, com tendência para o aquecimento global está associada a um aumento de extremos climáticos. Nesta situação, os eventos de temporais, de chuvas intensas, de tornados ou de estiagens severas, entre outros, podem tornar-se mais freqüentes, aumentando a possibilidade de incidência de desastres naturais.

Desastres são resultantes de eventos adversos que causam grandes impactos na sociedade, a Defesa Civil no Brasil, obedecendo às normativas da Política Nacional de Defesa Civil, classifica os desastres como naturais, humanos e mistos. Basicamente, a diferença nessa conceituação está na participação direta ou não do homem. Portanto para simplificar a analise, os desastres podem ser distinguidos como humanos e naturais (MARCELINO, 2007).

Nas últimas décadas, o número de registro de desastres naturais em várias partes do mundo vem aumentando consideravelmente. Isto se deve, principalmente, ao aumento da população, a ocupação desordenada e ao intenso processo de urbanização e industrialização. Dentre os principais fatores que contribuem para desencadear estes desastres nas áreas urbanas destacam-se a impermeabilização do solo, o adensamento das construções, a conservação de calor e a poluição do ar. Enquanto que nas áreas rurais, destaca-se a compactação dos solos, o assoreamento dos rios, os desmatamentos e as queimadas. Sendo assim, estes desastres que tanto influenciam as atividades humanas vêm historicamente se intensificando devido ao mau gerenciamento das bacias hidrográficas, especialmente pela falta de planejamento urbano. Além disso, o aquecimento global tem aumentado a freqüência e a intensidade das adversidades climáticas, como precipitações extremas, vendavais, granizos entre outros, o que acarreta no aumento da incidência de desastres naturais (KOBIYAMA, at. al., 2006).

Deslizamentos de encostas ocorrem naturalmente, mas cada vez mais estão se expandindo e colocando em risco a própria vida humana, pois o homem em tão pouco tempo conseguiu transformar e extinguir paisagens, exterminando grupos inteiros gerados e especializados ao longo dos milhões de anos. O homem então gera impactos ambientais, ou seja, conseqüências indesejadas ou que comprometem o equilíbrio e o estado existente de um ambiente, em virtude do tipo, da intensidade e da velocidade de promover mudanças por meio de suas atividades. Muitas vezes, basta olhar as condições em que se encontra um território, os tipos, a estrutura e a forma de manejo das atividades humanas que facilmente conduzimos a interpretação dos impactos existentes.

Inundação, deslizamento, estiagem, etc., são fenômenos naturais, observados com freqüência na natureza. Quando estes fenômenos ocorrem em locais onde o ser humano atua, como, por exemplo, em cidades, próximo a vilas ou casas, eles provocam danos materiais e humanos à sociedade. Neste caso são tratados como desastres naturais. Além disso, o aquecimento global aumenta a freqüência e a intensidade de eventos de chuva, contribuindo no aumento da incidência de desastres naturais. São exemplos de desastres naturais: inundações, deslizamentos (ou escorregamentos), estiagem, erupções vulcânicas, furacões, vendavais, granizo, incêndio florestal, terremotos, raios, e tempestades (KOBIYAMA, at. al., 2006).

Os desastres naturais podem ser conceituados, de forma simplificada, como o resultado do impacto de um fenômeno natural extremo ou intenso sobre um sistema social, causando sérios danos e prejuízos que excede a capacidade dos afetados em conviver com o impacto (TOBIN e MONTZ, 1997; UNDP, 2004).

Os desastres naturais, como um todo, são distinguidos principalmente em função de sua origem, isto é, da natureza do fenômeno que o desencadeou. De acordo com as normativas da Política Nacional de Defesa Civil, existem três tipos de desastres: naturais, humanos e mistos (CASTRO, 1998).

De acordo com Quarantelli (1998), um desastre é um evento concentrado no tempo e no espaço, no qual uma comunidade experimenta severo perigo e destruição de seus serviços essenciais, acompanhado por dispersão humana, perdas materiais e ambientais, que freqüentemente excedem a capacidade dessa comunidade em lidar com as conseqüências do desastre sem a ajuda externa.

3.2. Definições de Risco Ambiental

Risco é um conceito importante porque nos permite pensar em termos de probabilidade tanto no que se refere à freqüência quanto aos lugares de ocorrência. Permite, portanto, promover o planejamento a partir de um olhar prospectivo. Evidentemente, disso depende um amplo conhecimento da dimensão contextual da produção do perigo, seus danos potenciais, incidência e distribuição (MARANDOLA JR; HOGAN, 2004).

Segundo Bertoli (2006), quando nos preocupamos com a dimensão contextual da das condições de enfrentamento deste evento, os conceitos de vulnerabilidade, resiliência e adaptação aparecem como fundamentais. Eles nos permitem pensar em termos de impactos e de condições de responder aos danos potenciais dos perigos. Nesse contexto, podemos pensar o evento, tendo se realizado ou não, do ponto de vista de como grupos populacionais, lugares ou instituições poderão suportar os impactos do perigo, absorvendo os impactos, recuperando-se ao estado pré-evento ou alterando comportamentos, normas ou o próprio ordenamento territorial.

Segundo o geólogo Rodolfo J. Anglo, Risco ambiental é a maior ou menor probabilidade que ocorra dano ou catástrofe social num determinado local ou região devido à ação de um processo natural (Jornal o Globo).

Para Thouret (2007), os riscos naturais e suas conseqüentes catástrofes, nos países em desenvolvimento, estão principalmente correlacionados à urbanização acelerada e não controlada, à degradação ambiental, à fragilidade da capacidade de resposta e à pobreza. No que tange à gestão de risco no Brasil, apenas nos últimos 5 anos se tem percebido maiores preocupações com o tripé da gestão de risco: proteção, previsão e prevenção (Figura 2). O que se fez em relação aos desastres naturais no Brasil se concentrou na denominada gestão de urgência e gestão de crise, ou seja, ações engendradas após a ocorrência de sinistros. Também pouco se tem feito (apesar de iniciativas pontuais em algumas regiões do país) no sentido de criar entre os brasileiros uma cultura de risco pautada no conhecimento, na consciência e na memória de risco.

Para Smith (2001), o conceito de risco diz respeito à percepção de um indivíduo ou grupo de indivíduos da possibilidade de ocorrência de um evento danoso ou causador de prejuízo. Portanto, o conceito de risco é uma noção humana (ou social) que apenas existe se houver pessoas que o percebam e/ou que sejam passíveis de sofrer com a ocorrência de um evento danoso. Nesse sentido, a gestão de risco é a gestão da possibilidade de ocorrência de um sinistro ou evento perigoso, causador de dano ou prejuízo; ou seja, fica implícito que essa perspectiva abrange a gestão de algo que não aconteceu e requer a sua previsão e prevenção.

Monografias.comFigura 2 - Tripé da Gestão de Risco.

Fonte: Thouret (2007).

Observa-se, no entanto, que as pessoas em geral confundem a noção de risco com a noção do próprio evento que causa ameaça ou perigo, o que dificulta a sua percepção e sua gestão. Assim, a noção de perigo, que é diferente da noção de risco, tem a ver com a possibilidade ou a própria ocorrência de um evento causador de prejuízo.

Para Smith (2001), o perigo é uma inelutável parte da vida e é uma das componentes do risco. Para o autor, perigo é uma ameaça potencial para as pessoas e seus bens, enquanto risco é a probabilidade da ocorrência de um perigo e de gerar perdas. De forma explicativa, Smith cita o exemplo dado por Okrent (1980), quando este considera duas pessoas cruzando um oceano, uma num transatlântico e outra num barco a remo. O principal perigo (águas profundas e grandes ondas) é o mesmo em ambos os casos, mas o risco (probabilidade de naufrágio e afogamento) é muito maior para o indivíduo do barco a remo.

No Brasil, o enfoque de gestão de risco é descentralizado. Os municípios devem coordenar a responsabilidade da redução de risco. As disposições administrativas e a legislação propõem somente um marco legal para a redução dos riscos de desastres. A exclusiva aplicação da política nacional de defesa civil, leis e regulamentos pertinentes por parte das entidades oficiais não é suficiente para diminuir a vulnerabilidade das pessoas expostas ao risco de ameaças (EIDR, 2007, p.3).

3.3. Classificações Quanto à Origem dos Desastres

Quanto à origem ou causa primária do agente causador, os desastres podem ser classificados em: naturais ou humanos. Desastres Naturais são aqueles causados por fenômenos de desequilíbrios da natureza que atuam independentemente da ação humana. Em geral, considera-se como desastre natural todo aquele quem tem como gênese em fenômeno natural de grande intensidade, agravado ou não pela atividade humana. Exemplo: chuvas intensas provocando inundação, erosão e escorregamentos; ventos fortes formando vendaval, tornado e furacão; etc. Desastres Humanos ou Antropogênicos são aqueles resultantes de ações ou omissões humanas e estão relacionados com atividades do homem, como agende ou autor. Exemplos: acidentes de trânsito. Incêndios urbanos, contaminação de rios, rompimento de barragens, etc. (KOBIYAMA et. al., 2006).

Os desastres naturais podem ser ainda originados pela dinâmica interna e extrema da Terra. Os decorrentes da dinâmica interna são terremotos, maremotos, vulcanismo e tsunamis. Já os fenômenos da dinâmica externa envolvem tempestades, tornados, inundações, escorregamentos, entre outros. No glossário da Defesa Civil Nacional desastre é tratado como sendo:

[...] resultado de eventos adversos, naturais ou provocados pelo homem, sobre um ecossistema (vulnerável), causando danos humanos materiais e/ou ambientais e conseqüentes prejuízos econômicos e sociais. A intensidade de um desastre depende da interação entre a magnitude do evento adverso e o grau de vulnerabilidade do sistema receptor afetado [...] (CASTRO, 1998, p.43).

No Brasil, os principais fenômenos relacionados a desastres naturais são derivados da dinâmica externa da Terra, tais como, inundações e enchentes, escorregamentos de solos e/ou rochas e tempestades. Esses fenômenos ocorrem normalmente associados a eventos pluviométricos intensos e prolongados, nos períodos chuvosos que correspondem ao verão na região sul e sudeste e ao inverno na região nordeste (CASTRO, 1998).

4 - RISCOS E DESASTRES AMBIENTAIS NA REGIAO SUL DO BRASIL

Os desastres naturais que ocorrem no Brasil são, na sua maioria, de origem atmosférica. A precipitação, seja em excesso ou escassez, é o elemento atmosférico que mais contribuem para a ocorrência de desastres na região Sul do Brasil. Uma das conseqüências mais drásticas da ocorrência de chuvas intensas sobre uma determinada região são as inundações que ainda podem ser agravadas por outros fenômenos como ventos fortes, granizos entre outros (TEIXEIRA e SATYAMURTY, 2004).

Por outro lado, os baixos índices de precipitação são responsáveis pelas secas que ocasionam elevados prejuízos para diversos seguimentos da economia, afetando diretamente a sociedade. Dentre tais prejuízos destacam-se a deficiência no fornecimento de água para abastecimento urbano, perdas na agricultura, indústria e produção de energia hidroelétrica (SANTOS, 1998).

Vários fatores afetam a variabilidade da precipitação na região Sul do Brasil podendo ser responsáveis por anomalias positivas e negativas, entre os quais se destacam o El Niño e a La Niña que causam impactos na circulação atmosférica regional e global. Na região Sul do Brasil, Berlato e Cordeiro (2005) ressaltam que esses fenômenos geram precipitação pluvial superior e inferior a média climatológica. Entende-se que a análise do comportamento da precipitação pode auxiliar no diagnóstico de eventos extremos, como inundações e estiagens, e também servir de subsídios na prevenção dos impactos dos desastres.

De acordo com Herrmann (2006) a circulação atmosférica regional predominante no Estado de Santa Catarina tem como características a repercussão de adversidades atmosféricas caracterizadas por elevados totais pluviométricos, prolongados meses de estiagem ou tempestades intensas, que segundo a autora desencadeiam vendavais, granizos, tornados e marés de tempestades, distribuindo-se estes por todo o território catarinense ao longo do ano.

4.1. Movimentos de Massa e Inundações

O principal elemento causador dos movimentos de massa e das inundações é a hidrometeorologia, que controla esses eventos diretamente através da precipitação pluviométrica. As águas das precipitações atmosféricas sobre os continentes, nas regiões não geladas, podem seguir três caminhos: evaporação imediata, infiltração e escoamento. Os movimentos de massa e as inundações estão diretamente ligados ao destino das águas pluviais sobre os continentes (MARCELINO, 2006).

A relação entre essas três possibilidades, assim como das respectivas intensidades quando ocorrem em conjunto, o que é mais freqüente, depende de vários fatores tais como clima, relevo, cobertura vegetal, além da permeabilidade e porosidade do solo e do substrato rochoso. Em regiões de relevo muito acidentado (altas altitudes, grande extensão e declividade das encostas) como na Serra do Mar, a tendência maior é de escoamento imediato das águas para riachos e rios, o que causa as inundações. A cobertura vegetal desempenha papel importantíssimo na diminuição do escoamento imediato das águas pluviais auxiliando o solo na tarefa de absorção pela infiltração lenta e eficiente (MARCELINO, 2006).

Segundo Marcelino, 2006, enchente é um fenômeno natural que ocorre nos cursos de água em regiões urbanas e rurais. Ela consiste na elevação dos níveis de um curso de água, seja este de pequena (córrego, riacho, arroio, ribeirão) ou de grande (rio) dimensão, podendo causar inundações, ou seja, o transbordamento de água do canal principal. Não existe rio sem ocorrência de enchente. Todo tem sua área natural de inundação e esse fenômeno não é necessariamente, sinônimo de catástrofe. Quando o homem ultrapassa os limites das condições naturais do meio em que vive então as inundações passam a ser um problema social, econômico e/ou ambiental.

Assim, a inundação torna-se um evento catastrófico quando a área inundável não apresenta uma ocupação adequada como construção de residências nas áreas ribeirinhas. Ela pode ser provocada devido ao um excesso de chuvas ou uma obstrução que impediu a passagem da vazão de enchente, como por exemplo, um bueiro mal dimensionado ou entupido, Figura 3.

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Figura 3: Enchente com inundação marginal do rio Itajaí, no verão de 2008, em Itajaí-SC

FONTE: TALLINI, R. (Nov., 2008).

A corrida de massa é um movimento caracterizado pela presença de uma superfície impermeável dentro do solo ou no embasamento rochoso, responsável pela saturação em água do regolito, causando a movimentação dos detritos que cobrem toda a superfície da encosta, Figura 4. A supersaturação da massa encharcada causada por chuvas de intensidade elevada pode levá-la a, sob ação gravitacional, comportar-se como um fluido altamente viscoso e a deslocar-se rapidamente, com velocidades de metros por segundo, ao longo das linhas de drenagem na forma de corridas de massa. (OBREGON, 2003).

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Figura 4: Movimentação de Massa e Quebra de Barreira, na BR 101-SC, entre Jaraguá do Sul e Massaranduba, no verão de 2008

Fonte: WAG CBJR (Dez., 2008)

O relevo pode determinar modificações profundas no clima local. Uma corrente de ar saturado de umidade vinda do oceano obrigada a ascender por conta de uma barreira orográfica, como uma montanha, resfria-se devido à expansão que se dá graças à queda de pressão atmosférica, e esse resfriamento faz com que o ar condense e forme a nebulosidade que poderá dar origem a precipitações. Muitos desertos têm a sua origem relacionada a esse fenômeno por se localizarem atrás de cadeias montanhosas que barram a umidade vinda do mar. No Brasil, a Serra do Mar é um exemplo desse tipo de barreira. (EMBRAPA, 1999).

Segundo Augusto Filho, 1992, o termo genérico deslizamentos engloba uma variedade de tipos de movimentos de massa de solos, rochas ou detritos, encosta abaixo, gerada pela ação da gravidade, em terrenos inclinados. Também referenciados como escorregamentos, os deslizamentos constituem-se em fenômenos que ocorrem naturalmente na superfície da terra como parte do processo de modelagem do relevo, resultantes da ação continua do intemperismo e dos processos erosivos. Alem disso, podem ser observados em locais onde as ações humanas alteraram as características naturais do terreno, modificando as condições de equilíbrio existentes em um determinado tempo e local, ou gerando novas formas nas encostas, com geometria menos estável do que nas condições originais

Os deslizamentos podem afetar não apenas encostas naturais, mas também taludes artificiais produzidos ou construídos pelo homem, como, por exemplo, cortes e aterros associados a obras diversas de Engenharia. Da mesma forma, os deslizamentos podem se ocorrer em depósitos de materiais lançados e/ou armazenados em superfície tais como lixo, entulho e pilhas de rejeitos derivados de mineração, Figura 5.

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Figura 5: Deslizamento de Encosta com construções prediais, no verão de 2008, em Blumenau – SC

Fonte: WAG CBJR (Dez., 2008).

5 - CONDIÇÕES CLIMÁTICAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA.

A região Sul é a única do país marcada exclusivamente pelo clima subtropical, que é uma mistura de clima tropical, vigente nas demais regiões do país, e temperado, sob o qual a Argentina sofre maior influência. Isto explica as temperaturas mais baixas em Santa Catarina, que levam à ocorrência de geada e neve em cidades como São Joaquim e Urubici, por exemplo. Os ventos característicos do sul também são indicativos influenciadores. No verão predominam ventos que provocam uma alta nas temperaturas e fortes chuvas. No inverno, o popular vento sul, formado por massas frias vindas do Pólo Sul, causa sensação de frio mais intenso, principalmente nas cidades gaúchas. Este encontro geográfico dos ares quentes e frios ajuda a entender as distinções entre o clima dos estados sulinos, por exemplo, e nortistas, já que cada região apresenta suas especificidades e manifestações climáticas (TEIXEIRA, 2011).

Apesar do esclarecimento científico, os números ainda assustam. Dados da Defesa Civil de Santa Catarina indicam que, entre 1975 e 2008, ocorreram 43 tornados no Estado (SILVA DIAS, 2008). Dentro deste levantamento estão incluídas também as trombas d"água, que são os redemoinhos formados sobre superfície aquosa – no mar ou em rios. Segundo Gabriel Brito Costa, meteorologista do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, Santa Catarina localiza-se em uma região subtropical, que tem o clima controlado por penetrações e choques de duas massas de ar – a massa de ar tropical marítima e a massa de ar polar marítima, de origens e propriedades físicas diferentes (SILVA DIAS, 2008). "O choque entre estas massas causa desequilíbrio no tempo, tornando-o instável e suscetível à geração de várias intempéries", explica. Então, o quadro climático catarinense é de certa forma, esperado. "Relevo e altitude, quando há o predomínio de muitas serras e regiões montanhosas, por exemplo, e a distribuição de terra e água são os principais fatores de interação com sistemas atmosféricos em Santa Catarina, e muitas vezes determinantes para a ocorrência destes eventos extremos".

Em novembro de 2008, o Vale do Itajaí registrou período de quatro meses de chuva contínua. Rios transbordaram e afetaram sessenta cidades, matando 135 pessoas e causando deslizamentos de terra, danos no sistema de energia e água, destruição de casas e plantações e doenças decorrentes do contato com a água suja, como a leptospirose. No caso de Itajaí, as construções irregulares dificultaram o escoamento da água da enchente. Além disso, existe a impermeabilização do solo (que faz com que a água chegue com mais força em certos lugares). Juntando esses fatores com uma chuva intensa, os problemas vão se somando e resultando em tragédia (CRUZ, 1998).

Um solo já saturado por um excesso iminente de precipitação recebe ainda um evento climático extremo, como o de uma frente estacionaria que permaneceu no estado por um tempo, tornando um solo já instável, totalmente vulnerável, tanto para desmoronamentos, movimentações de massa como para enchentes e inundações.

Na ocasião, uma série de fatores provocou a enchente: um aquecimento histórico do Oceano Atlântico Sul, a influência do La Niña e a passagem de frente fria pelo Estado, que se transformou numa frente estacionária no sudeste. Mas é preciso tomar cuidado com as generalizações. O "Niño" constitui fenômeno climático que influencia diretamente a temperatura do Oceano Pacífico, provocando aquecimento ou resfriamento das águas. Ele afeta diretamente o comportamento climático, causando conseqüentes alagamentos, deslizamentos de encostas e enchentes, mas segundo Araújo, isso acontece em várias regiões do Brasil. "O El Niño poderá trazer forte estiagem na Amazônia, por exemplo, assim como La Niña trouxe fortes chuvas no ano passado e início desse ano na mesma região" (ARAÚJO, 2009).

Araújo (2009) afirma ainda que o aquecimento global nada tenha a ver com os últimos acontecimentos climáticos: "A nossa situação agora está ligada ao El Niño e a La Niña. Pode ser que, lá na frente, façam uma correlação com o aquecimento global, e que tenhamos esses fenômenos mais severos, mas por enquanto não há nenhuma relação com os desastres". Estes efeitos devem ser sentidos sim, mas na prática só daqui a alguns anos. Um exemplo disso é o estudo divulgado por pesquisadores da Universidade de Cambridge, em outubro, afirmando que, em 10 anos, o Pólo Norte deve descongelar quase que completamente. A previsão é a de que ¼ da população mundial seja afetada por inundações.

Ainda segundo Araújo (2009) é natural que, na iminência de catástrofes ambientais impactantes, um medo em comum floresça no inconsciente coletivo de quem vivencia este tipo de experiência. Afinal, como se comportará o clima em Santa Catarina daqui para frente, Os tornados, enchentes e movimentações de massa são os fenômenos de maior incidência, e irão certamente continuar ocorrendo. Ultimamente, vêm sendo freqüentes as cidades catarinenses que decretam estado de emergência em decorrência de danos causados por eles. Já as médias e grandes enchentes dependem de fenômenos climáticos.

[...] Qualquer passagem de sistema frontal que traga chuva em maior intensidade poderá ocorrer pela estrutura que nossas cidades apresentam hoje: grande impermeabilização do solo, problemas com drenagem, ocupação de áreas de risco [...] (ARAUJO, 2009).

As condições que propiciam a ocorrência destes eventos extremos sempre existiram no Estado, assim como os próprios eventos. A mudança está, sim, nos prejuízos e na repercussão. O crescimento desordenado das cidades, principalmente na região sul e suldeste do país, por serem mais desenvolvidos, concentraram uma rápida expansão, e pela falta de planejamento encontrada, vários problemas surgem ao longo dos anos, uma expansão inadequada muitas vezes em áreas de vulnerabilidade ambiental, como encostas de morros, e fundos de vale.

O Estado de Santa Catarina tem sua paisagem altamente acidentada, tornando vários locais instáveis, e com a expansão urbana fica claro que a áreas disponíveis para esse crescimento serão na maioria das vezes áreas de risco.

5.1. Eventos climáticos extremo em novembro de 2008 no Estado de Santa Catarina.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE (SILVA DIAS, 2008), Não há registro de um novembro tão chuvoso nas regiões da Grande Florianópolis, Vale do Itajaí e Litoral Norte, como observado em 2008, quando diversos recordes históricos foram quebrados. Em Blumenau e Joinville, os totais do mês ficaram em torno de 1.000 mm (equivalente a 1.000 litros/m²), para uma média climatológica mensal de aproximadamente 150 mm.

As informações destacadas na Figura 6 mostram os totais acumulados em novembro em alguns municípios da Grande Florianópolis, Vale do Itajaí e Litoral Norte, comparados com os maiores registros obtidos em anos anteriores para o referido mês, com seus respectivos valores e ano de ocorrência. Como exemplo, a estação meteorológica da Epagri/FURB, localizada em Blumenau, registrou do dia 1º até o dia 30 de novembro de 2008, um total de 1002 mm, sendo que o recorde anterior obtido nesta estação era de 167,2 mm, e pela estação da Agência Nacional de Águas (ANA) era de 281,8 mm, registrados em 2006 e 1961, respectivamente.

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Figura 6: Recordes de novembro e respectivos anos de ocorrência, nas estações da Epagri e ANA, na primavera de 2008.

Fonte: Epagri 2008.

A Figura 7 apresenta os valores diários máximos registrados em novembro de 2008 (todos obtidos entre os dias 22 e 23) em alguns municípios da Grande Florianópolis, Vale do Itajaí e Litoral Norte, comparados com os maiores registros (recordes) obtidos em anos anteriores para novembro, com seus respectivos valores e data de ocorrência. Como exemplo, a estação da Epagri/FURB, localizada em Blumenau, registrou no referido mês 283,1 mm em apenas 24 horas, sendo que, o recorde anterior obtido pela estação da Epagri/FURB era de 74,9 mm e pela estação da Agência Nacional de Águas (ANA) era de 110,9 mm, registrados no dia 3 de novembro de 2007 e 1º de novembro de 1961, respectivamente.

Monografias.comFigura 7: Recordes diários de novembro e respectivas datas de ocorrência, nas estações Epagri e ANA, na primavera de 2008

Fonte: Epagri 2008.

As previsões climáticas sazonais do INPE/CPTEC para os totais pluviométricos no trimestre outubro-novembro-dezembro de 2008, no Sul do Brasil, indicavam tendência a chuvas de normal a abaixo da média. De fato, com exceção das chuvas acima da média em outubro sobre grande parte da Região Sul e chuvas acima da média no litoral de Santa Catarina em novembro, partes do Rio Grande do Sul, norte da Argentina e Uruguai vêm enfrentando pronunciada estiagem, consistente com o quadro climático de grande escala observado desde julho de 2008.

É notável, contudo, que o litoral de Santa Catarina vem registrando anomalias pluviométricas acima da média durante praticamente todo o ano de 2008, à exceção dos meses de maio, junho, julho e dezembro. Desta maneira, o evento extremo de Santa Catarina foi conseqüência de um padrão de longa duração que culminou com as precipitações intensas no final de novembro e que não pode ser facilmente enquadrado num modo de variabilidade climática conhecida. (INPE/CPTEC, 2008).

6 - PERCEPÇAO, INTERPRETAÇAO E VALORAÇAO DOS DESASTRES AMBIENTAIS CLIMÁTICOS.

A consciência dos problemas ambientais aparece como um ponto importante a respeito do crescimento material e econômico e da qualidade de vida. A qualidade de vida para alguns é obtida pela limitação das produções materiais e para outros, ao contrário, ela é proporcional à abundância dos produtos.

De acordo com Nogueira; Medeiros e Arruda (1998), a função de utilidade de uma pessoa não está restrita somente aos bens e serviços que ele pode consumir, mas também às variáveis características de determinados recursos ambientais. Dessa forma, as pessoas estão dispostas a pagar algum valor monetário pelo fato de reconhecerem a função física, social e de existência dos recursos ambientais.

O meio ambiente é valorado quando alguém se dispõe a pagar determinada tarifa para ter acesso a áreas de desfrute e lazer ecológico. A qualidade ambiental está embutida no valor adicional do preço de um imóvel que proporcione ao comprador maior sensação de bem-estar pelo usufruto de certa amenidade ambiental existente em sua localização. Valora-se o meio ambiente quando determinada atividade econômica modificadora da paisagem é preterida em favor da manutenção de suas características naturais. E torna-se ainda mais necessária quando surgem demandas específicas como arbítrio do valor de multa por infração ambiental ou fixação de montante necessário à compensação por dano causado ao meio ambiente em transações judiciais (MUNHOZ, 1989).

A valoração ambiental é matéria nova e envolve conceitos que tendem a mensurar para resguardar o equilíbrio ecológico e os recursos ambientais, tendo como referência o Desenvolvimento social e econômico, ainda não muito relacionado com o Sustentável. Algumas reflexões merecem ser realizadas, iniciando pelos próprios métodos empregados e as críticas a eles endereçadas. Jacobs (1995) faz um balanço de críticas à abordagem neoclássica que embasa os métodos de valoração.

Diante da complexibilidade e mutação permanente da paisagem, sua percepção é peculiar a cada observador, variando com sua escala de observação, deslocamento, hierarquia e seleção de observação. Esta apreensão também se vincula à experiência individual, assim como a fatores culturais e à relação do indivíduo com os locais da paisagem, que, por sua vez, espacializa lembranças e experiências cotidianas. Para Berque (1998):

Do ponto de vista da geografia cultural, que procura, ao contrário, definir essa relação, não é suficiente (embora seja necessário) explicar o que produziu a paisagem enquanto objeto. É preciso compreender a paisagem de dois modos: por um lado ela é vista por um olhar, apreendida por uma consciência, valorizada por uma experiência, julgada (e eventualmente produzida) por uma estética e uma moral, gerada por uma política, etc. (BERQUE, 1998, p.86).

Portanto, a percepção compreende visão, experiência anterior do observador e memória. O conjunto de imagens individuais constitui o imaginário coletivo sobre a paisagem, desenvolvendo a identidade social e noção de lugar na sociedade. A identificação desta imagem coletiva expressa à forma como a população se relaciona com determinados trechos da paisagem. Emídio (2006) afirma que:

Contudo, a paisagem possui uma identidade visual, contendo espaços e tempos distintos: o passado e o presente relacionando-se também a categoria de lugar. Sentir-se parte de um determinado território e da sua paisagem significa tanto torná-lo o seu lugar de vida, como estabelecer uma identidade com eles, construindo laços afetivos referências e valores pessoais (EMÍDIO, 2006, p. 42-43).

A percepção ambiental se relaciona à expressão da identidade do indivíduo e como este interage com o espaço, ou seja, qual a importância da paisagem para seu usuário, e como este a compreende. Com relação à identidade sócio-espacial, constata-se que o conjunto de imagens individuais sobre determinado lugar da paisagem constitui, como já citado anteriormente, a imagem coletiva, remetendo ao que Lynch denomina de imaginabilidade da paisagem, para o autor:

Pode haver uma imagem pública de qualquer cidade que é a sobreposição de muitas imagens individuais. Ou talvez exista uma série de imagens públicas, cada qual criada por um número significativo de cidadãos. Essas imagens de grupo são necessárias sempre que se espera que um indivíduo atue com sucesso em seu ambiente e coopere com seus cidadãos. Cada imagem individual é única e possui algum conteúdo que nunca ou raramente é comunicado, mais ainda assim ela se aproxima da imagem pública que, em ambientes diferentes, é mais ou menos impositiva, mais ou menos abrangente (LYNCH, 2006, p.51).

A percepção é a captação, seleção e organização das informações ambientais, orientada para a tomada de decisão que torna possível uma ação inteligente e que se expressa por ela. A percepção do ambiente permite atuar. Adquiri-se ao mesmo tempo em que se atua e modifica-se em função dos resultados da atuação. Ou seja, a percepção do meio ambiente é aprendida e está carregada de afetos que traduzem juízos acerca dele. Estão juntos o cognitivo e o emocional, o interpretativo e o avaliativo. Portanto a percepção ambiental é aprendida e aparece nos juízos que formamos sobre o meio ambiente e nas intenções modificadoras que empregamos. É resultante tanto do impacto objetivo das condições reais sobre os indivíduos quanto da maneira como sua interveniência social e valores culturais agem na vivência dos mesmos impactos.

Entretanto risco é um aspecto da percepção da qualidade ambiental. São os fatores de risco que influenciam as pessoas a se darem conta de sua existência e ser consciente da vulnerabilidade, o que vai determinar a noção de cuidado/cautela. O risco em si não se constitui num desastre, mas sim um fator que propicia a iminência de um desastre. Por exemplo, a região sul do Brasil, é considerada uma área de risco devido à possibilidade de se formarem ciclones extratropicais (perturbações comuns de ocorrerem no oceânico atlântico, próximos a costa catarinense, podendo causar ressacas, chuvas e ventos fortes). Entretanto o fator risco pode ser maior ou menor de acordo com o tipo de ocupação territorial da população, ou seja, morar em encostas em condições anormais como as favelas tornam o risco mais contundente, constituindo-se o ciclone num alto fator de risco para aquela população. De igual forma e mais comum, as chuvas com elevado índice pluviométrico elevam a possibilidade de deslizamento de terra e pedras. O número de perdas humanas e materiais são maiores em regiões de concentração de população miserável. Como bem adverte Tamminga (BBC BRASIL, 2003, p.79):

"É certo que a pobreza e a falta de acesso a serviços públicos, como os de saúde, e as políticas de desenvolvimento, contribuem para criar riscos e vulnerabilidades diante de um desastre natural ou diante de outra situação que ameaça a dignidade humana".

Ao contrário de parte da população de poder aquisitivo maior, os desastres quando afetam uma população de baixa renda é ainda mais destrutivo, são populações que moram em áreas de risco, muitas vezes por não terem a opção de morar em um lugar melhor, ocupando principalmente áreas de encostas.

7 - DESASTRES AmbientaIS NO Município de Jaraguá do Sul

O município de Jaraguá do Sul – SC vem sofrendo com desastres ambientais ao longo dos anos, mas os desastres de 1985, 2008 e 2011 são os mais fortes já registrados no município de acordo com sua defesa civil, a grande vulnerabilidade natural desse município somado ao uso e ocupação do solo, agrava sua situação tornando o mais vulnerável.

Os Desastres Naturais constituem um tema cada vez mais presente no cotidiano das pessoas, independentemente destas residirem ou não em áreas de risco. Ainda que em um primeiro momento o termo nos leve a associá-lo com terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas, ciclones e furacões, os Desastres Naturais contemplam, também, processos e fenômenos mais localizados tais como deslizamentos, inundações e erosão, que podem ocorrer naturalmente ou induzidos pelo homem.

O desenvolvimento não pode ser medido apenas por valores econômicos, sobretudo por disponibilização de saúde, segurança, qualidade de vida e qualidade ambiental (MORET, 2006).

A falta uma ação coletiva, uma unificação dos diferentes órgãos públicos e entidades para dar respostas mais rápidas às famílias atingidas nestes desastres ambientais. Fruto disto é a própria formatação do estado brasileiro que em situações de emergência a efetividade das ações não ocorre no tempo ideal, em função dos trâmites burocráticos. Enquanto isto a sociedade paga caro pela ineficiência do estado.

7.1. desastres AMBIENTAIS DE 2008.

Em Jaraguá do Sul, deslizamentos, desmoronamentos e enchentes, são freqüentes pelas características físicas da paisagem e potencializados pela estrutura social e pelos eventos climáticos extremos (Figura 8 e 9). Enquanto o Estado desenvolve poucas ações para evitar os desastres, a comunidade se restringe às medidas estruturais e individuais; aquelas de caráter coletivo são lembradas, mas não executadas. Correr o risco tem sido a solução encontrada para se ter onde morar, que somadas às relações sociais são importantes na identificação do lugar.

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Figura 8: Portal de entrada da cidade de Jaraguá do Sul – SC, mostrando ao fundo a morraria e a cidade localização no fundo do vale aplainado.

Fonte: (Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul – SC (s/d)).

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Figura 9: Vista aérea de Jaraguá do Sul

Fonte: Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul.

Sua paisagem urbana apresenta distinções que evidenciam a segregação territorial e social, acessos, técnicas construtiva, infra-estrutura básica, repercutindo em diversos níveis de qualidade de vida. Os locais ocupados pelas populações de baixa renda são o que apresentam maior incidência de deslizamentos e desmoronamentos em Jaraguá do sul, no município esses bairros são o Santo Antônio, Três Rios do Norte, Três Rios do Sul e Nereu Ramos que de acordo com a defesa civil esses quatro bairros estão entre os mais vulneráveis do município, e são topos de morro (Figura 11) e por isso existe a incidência de deslizamentos e desmoronamentos nessa região, além da própria característica física já propensa a desastres, a condição social e de uso e ocupação do solo nessa região agrava a sua vulnerabilidade.

Já os bairros Vila Lalau, Ilha da Figueira e Centenário, são considerados vulneráveis, mas, por se localizarem em uma área de fundo de vale, diferentes dos bairros vulneráveis que estão no topo de morro do município. Os bairros que estão no fundo de vale não são considerados de baixa renda, são bairros mais centralizados, com uma população de nível mais elevado, com construções legalizadas e sua parte urbana bem estruturada, nesse caso é essencialmente sua paisagem que torna essa região vulnerável, principalmente a enchentes (Figura 10).

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Figura 10: Foto parcial do bairro vila lalau e centenário localizados na cidade de Jaraguá do Sul – SC, Maio 2011

Fonte: Fernando Aguiar.

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Figura 11: Bairros considerados de risco pela Defesa Civil de Jaraguá

Fonte: Defesa Civil de Jaraguá do Sul - SC

Tem-se constado que as áreas de risco aumentam concomitantemente ao crescimento populacional, conforme analisa Macedo (2001). Em Jaraguá do Sul, assim como na maior parte das cidades brasileiras, o crescimento urbano ocorreu a partir da década de 1970, quando os riscos de deslizamentos tornaram-se mais evidentes, principalmente no setor sul e oeste, onde o relevo é mais acidentado e a ocupação mais densa.

A semelhança do que ocorre com as demais cidades brasileiras de médio a grande porte, as áreas de exclusão social, pela sua localização preferencial em encostas, são locais altamente suscetíveis a deslizamentos, como aponta Farah (2003). Para esse mesmo autor, apesar da avaliação dos riscos naturais serem mais qualitativa que quantitativa, pode-se caracterizar que, enquanto as enchentes causam mais danos materiais, os deslizamentos originam um maior número de vítimas fatais no Brasil.

O mapeamento dos bairros atingidos na catástrofe de 2008, com base nas informações da Defesa Civil Municipal, mostrou que todas as áreas anteriormente apontadas como vulneráveis foram afetadas e, também, que algumas áreas que não eram propícias a desastres naturais foram afetadas (Figura 14). As áreas onde se localizam os bairros Tiffa Martins, Vila Lenzi e Jaraguá Esquerdo, não foram apontadas como vulneráveis, mas, por estarem localizadas numa baixada, entre dois morros, acabaram por sofrer inundações, em 2008.

Outra área, onde se localiza o bairro Barra do Rio Cerro antes não considerada vulnerável, foi à área mais afetada de toda a cidade, ocorrendo movimento de massa, enchentes e rios transbordados, foi à área com mais mortes e desabrigados da cidade. Uma área da cidade que ficou totalmente isolada foi a do bairro Barra do Rio Molha após a queda de uma ponte que ligava o bairro aos demais da cidade: ocorreram inundações e deslizamentos de terra, deixando moradores totalmente isolados, sem energia elétrica e sem comunicações (Figura 12 e 13).

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Figura 12: Bairro Barra do Rio Molha. Jaraguá do Sul – SC. Isolado após evento climático extremo em 2008

Fonte: Lucio Sassi, Diário Catarinense.

Monografias.comFigura 13: Bairro Barra do Rio Molha. Jaraguá do Sul – SC. Ponte Baixa, Rio Itapocu, queda de parte da ponte e inundação

Fonte: Marisa Beseke, Diário Catarinense.

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Figura 14: Bairros atingidos por desastres em 2008 na cidade de Jaraguá do Sul – SC.

Fonte: Defesa Civil Municipal de Jaraguá do Sul - SC

8 - desastres AMBIENTAIS DE 2011.

Em 2011, foram atingidos todos os bairros que foram atingidos em 2008, incluindo os bairros, Vila Nova (Figura 17), São Luiz, Baependi, Nova Brasília e Centro, (Figura 18). De acordo com a Defesa Civil Municipal esses bairros sofreram com enchentes e alagamentos, deixando milhares de pessoas desabrigadas e desalojadas. Nos bairros que foram reincidentes, houve praticamente os mesmos problemas de 2008 (Figura 15).

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Figura 15: Porcentagem dos bairros que foram afetados por enchentes e alagamentos, em janeiro de 2011

Fonte: Defesa civil, prefeitura municipal, fev.2011.

Os problemas ambientais em Jaraguá do Sul são diversos, sua área de instabilidade natural, é agravada pela ocupação irregular de encostas de morros, e em áreas de risco, como fundos de vales e áreas não legalizadas pela prefeitura do município. O município está localizado em uma área de fundo de vale, que por si só já está vulnerável a enchentes e alagamentos, aliados a uma política que não prioriza a preparação dessa área a eventos climáticos extremos, agravam esse quadro.

A conformação do relevo de Jaraguá do Sul, fortemente acidentado, determina que apenas 42 % de sua área total não sejam constituídas de encostas e que somente 21,3 % de sua área urbana, até meados da década de 90, fossem considerados urbanizáveis (BUTZKE, 1995). Com o escasso espaço superficial plano e livre de inundações, a cidade possui forte crescimento populacional e conseqüente demanda por moradia, o que tem levado à ocupação das encostas tanto pelas classes de baixa como de alta renda.

Em Janeiro de 2011 os bairros, São Luiz, Barra do Rio Cerro, Barra do Rio Molha, Jaraguá Esquerdo, Nereu Ramos, Três Rios do Norte e Três Rios do Sul, foram atingidos com desmoronamentos e movimentações de massa, sendo o bairro Nereu Ramos o mais atingido com 17 % do bairro como área que sofreu com desmoronamento/movimentação de massa (Figura 16)

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Figura 16: Porcentagem dos bairros que foram afetados por desmoronamentos em janeiro de 2011

Fonte: Defesa civil, prefeitura municipal, fev 2011.

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Figura 17: Foto do bairro Vila Nova atingido por enchentes em Janeiro de 2011 em Jaraguá do Sul – SC

Fonte: Prefeitura Municipal.

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Figura 18: Foto do centro de Jaraguá do Sul - SC, Ponte sobre o rio Itapocu, foto de Janeiro de 2011

Fonte: Prefeitura Municipal.

9 - PERCEPÇAO DOS DESASTRES AMBIENTAIS CLIMÁTICOS EM JARAGUÁ DO SUL – SC.

A utilização do termo desastre reporta-se a um acontecimento, ou uma série de acontecimentos, que altera o modo de funcionamento rotineiro de uma sociedade. Este tipo de acontecimento é provocado por uma grande variedade de agentes naturais, ou são derivados do funcionamento da sociedade humana. Entre os exemplos mais comuns de desastres podem ser citados: terremotos, inundações, furacões, explosões e derrames de produtos tóxicos em sistema naturais. De acordo com Kreps (1984), desastres podem ser estudados a partir de aspectos que envolvem, por exemplo, a sua duração (onde são normalmente comparadas as reações sociais nos diversos grupos de fenômenos), e seus aspectos físicos. A partir desta dualidade, o conceito de desastre evoca uma relação específica entre sociedade e natureza.

Os problemas relatados por aqueles que reconhecem problemas na ocorrência de enchentes e desmoronamentos são diferenciados pelo impacto efetivo que as mesmas podem ter, visto que, nos lugares mais baixos o problema principal refere-se à entrada de água dentro das residências, nas partes altas há uma combinação de problemas que não são citados pelos habitantes das partes baixas, incluindo-se a questão do abastecimento de água. Estes resultados apontam para uma situação interessante na definição do que vem a ser risco, pois as enchentes e desmoronamentos tendem a afetar todos os habitantes, visto o caos que tende a se instalar no cotidiano da cidade. No entanto, o que parece ocorrer é a que a definição de risco está, de certa forma, condicionada aos impactos percebidos no nível individual. Se esta inferência estiver correta, o principal problema seria identificar quais fatores são determinantes para a geração de risco ao nível do indivíduo, visto os problemas essencialmente coletivos que estão ligados a desastres naturais ou acidentes industriais.

Uma hipótese para se definir como é gerada a percepção de risco ao nível individual é a de que esta está ligada ao nível de organização social e política de um dado grupo social. No presente caso, os resultados indicam que o grau de associativismo é muito baixo nas duas áreas em que a amostra foi dividida, ainda que haja um nível de participação política entre os moradores da margem.

Para SANTOS (1994), em seus aspectos formais, a paisagem aparece tanto como produto, ou seja, manifestação de interações (processos de construção do ambiente), de relações (processos sociais) e de significações (processos culturais), quanto como meio, ou seja, base para obtenção de identidades (referências espaciais), de transformações (desenho dos espaços) e de qualidades (apropriações e valores).

A falta de controle da qualidade ambiental urbana muitas vezes resulta em impactos locais mais relevantes, gerando pressões ambientais cada vez mais significativas, ao mesmo tempo em que decai a qualidade de vida. Esses fatos também estão relacionados à degradação da paisagem urbana (HARDT, 2004).

9.1. Análise e Interpretação dos Questionários aplicados com a população de Jaraguá do Sul – SC.

Para a análise da percepção e da interpretação da população de Jaraguá do Sul sobre os desastres ambientais, foram condicionados questionários de campo, baseados em VIEIRA e FURTADO, que propiciou a base para a elaboração e interpretação do questionário (em anexo), estes foram testados e ajustados em fevereiro de 2011. Foram aplicados 100 (cem) questionários, em 5 (cinco) áreas do município (Tabela 1). As áreas foram escolhidas de acordo com os bairros atingidos pelos desastres ambientais de 2008 e 2011, o levantamento dos bairros atingidos só foi possível através da coleta de dados na defesa civil municipal.

Tabela 1: Áreas de Jaraguá do Sul – SC, escolhidas para a aplicação do questionário, população estimada de cada área/bairroÁreas de Jaraguá do Sul – SC, escolhidas para a aplicação do questionário, população estimada de cada área/bairro.

Área 1

População estimada

N. Questionários

Centro

19.000

Vila Nova

6.000

20

Nova Brasília

8.000

Área 2

Tiffa Martins

5.000

Vila Lenzi

7.000

20

Jaraguá esquerdo

9.000

Área 3

Nereu Ramos

4.000

Santo Antônio

3.000

Três rios do norte

3.500

20

Três rios do sul

4.000

Área 4

Vila lalau

8.000

Centenário

7.000

20

Ilha da figueira

13.000

Área 5

Rio da luz

17.000

São Luiz

4.000

Barra do rio cerro

2.500

20

Barra do rio molha

2.000

O questionário relevou que 42% dos entrevistados foram atingidos por algum tipo de desastre ambiental no ano de 2008, e 58% em 2011, o que mostra bem a abrangência e magnitude das catástrofes no município. De acordo com a Defesa Civil Municipal 35% da população foi atingida por algum tipo de desastre no ultimo trimestre de 2008 e 65% pelo desastre de janeiro de 2011, como mostrado na Figura 19, o que dá credibilidade a pesquisa, pois o questionário aplicado não fugiu das proporções, mensurada pelos dados da defesa civil municipal.

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Figura 19: Gráfico da porcentagem da população atingida por algum tipo de desastre, em 2008 e 2011

Fonte: Defesa Civil de Jaraguá do Sul-SC

A principal causa dos deslizamentos, segundo 63% dos entrevistados, é a chuva, a grande responsável pelo processo, 28% dos entrevistados acha que a causa é natural e agravada pelas ações antrópicas de desmatamento e os cortes/aterros e 9% não quiseram ou não souberam responder.

Pela percepção do entrevistado 83% não consideram morar em uma área de risco, mesmo tendo sofrido algum tipo de impacto dos desastres ao longo dos anos. Burton et. al. (1978) salienta que as pessoas têm uma capacidade de aprender a viver com eventos de perigo e, contanto que o impacto não seja grande, elas podem preferir viver com isto, em vez de agir em relação ao problema.

Para LYNCH (1997), a imagem mental dos cidadãos, impregnada a partir de aspectos visuais dos núcleos urbanos, é de suma importância para o reconhecimento e organização das partes da cidade (legibilidade), de forma coerente (referências), permitindo sensações de segurança e resultando no conforto e rapidez de deslocamentos. Como atributo fundamental da paisagem urbana ressalta a necessidade do estabelecimento de identidade, determinada por características próprias e/ou exclusivas; de estrutura, formada pela relação espacial e formal entre observador e objeto; e de significado, definido em um sentido prático ou afetivo.

Em Jaraguá do Sul, é comum ver casas luxuosas construídas em plena montanha, com seus alicerces "firmes" e "seguros", de acordo com quem mora, o querer e o prazer dessas pessoas em morarem em um lugar alto com uma vista panorâmica da cidade, e paisagem em torno, muitas vezes faz com que não se leve em conta o tipo de lugar, principalmente se esse for um local de vulnerabilidade, como o topo de um morro.

Apesar do conhecimento do risco de deslizamento por aqueles que moram a mais tempo nessas áreas consideradas vulneráveis, pouco se tem feito para reduzi-lo, priorizando-se medidas sempre individuais e estruturais como a construção de muro de arrimo, e para os moradores indagados sobre as enchentes e os alagamentos a maioria diz que uma maneira de se evitar esse acontecimento, é construir suas casas sobre um aterro mais alto que o nível da rua. Ações de caráter coletivo como o controle das construções, a preservação ou reposição da vegetação, bem como a canalização das águas, são soluções citadas pelos moradores, porém, geralmente não colocadas em prática. Embora revegetar seja uma das prioridades, pode-se constatar que alguns moradores retiram a vegetação, como sinônimo de limpeza ou para implantar novas edificações.

Dessa forma, as pessoas estão dispostas a pagar algum valor monetário pelo fato de reconhecerem a função física, social e de existência dos recursos ambientais. Visto que a construção em encostas e muito mais onerosa do que nas regiões mais planas, contudo a vista e a interação com a natureza é menos, bem como os riscos ambientais de eventos perigosos são maiores quanto maiores às declividades dos terrenos.

Frente à ocorrência de um deslizamento na área alguns entrevistados não sabiam qual a melhor atitude a ser tomada, demonstrando falta de definição quanto às ações e um baixo grau de organização local em relação aos desastres. Para a maior parte dos entrevistados, as ações se reduzem à saída da casa durante o evento, contato com a Defesa Civil, e posterior limpeza do terreno.

Em comparação os anos de 2008 e 2011, podemos notar com base no questionário aplicado, que o município sofreu muito mais com enchentes do que com movimentações de massa, principalmente em 2011, comparando com 2008, nesse ano 25% dos entrevistados sofreram com enchentes, já no ano de 2011, esse percentual foi de 55% ou seja, um aumento de 30% da população atingida por enchentes. Já sobre os deslizamentos e desmoronamentos houve uma diminuição em 2011 com relação a 2008 que atingiu 16% dos entrevistados e em 2011 atingiu 11% dos entrevistados como mostra a figura 20.

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Figura 20: Gráfico comparativo dos anos 2008 e 2011 com relação à população atingida por enchente e desmoronamento

A absorção do perigo é definida pela capacidade que cada comunidade tem de permanecer inalterada no acontecimento de um desastre, sendo capaz de absorver o impacto (VIEIRA e FURTADO, 2005).

Durante as entrevistas realizadas no município de Jaraguá do Sul, foi questionado se as pessoas continuariam morando no lugar após os deslizamentos de terra, enchentes e alagamentos a maioria respondeu que sim, especialmente se a casa não fosse atingida. Perguntou-se também para aqueles que já foram vítimas desses tipos de desastres se eles continuariam morando naquele lugar após a incidência de outro evento. A grande maioria respondeu positivamente.

Os entrevistados na sua maioria não têm condições financeiras de se realocarem em um local não considerado de "risco", e afirmam em sua maioria que o poder público não agiu para mitigar os riscos de um novo desastre, de acordo com 78% dos entrevistados não houve mudança na parte do poder público em seus bairros após a catástrofe de 2008, e 84% não vem perspectiva de mudança após o recente desastre de 2011.

Frente às questões ambientais, os entrevistados se mostraram favoráveis a educação ambiental, 92% acreditam que com uma educação ambiental, frente às percepções ambientais sobre se instalar em áreas de risco, sobre poluição dos rios, e vias públicas, galerias pluviais, etc. iriam conscientizar a população jaraguaense sobre a vulnerabilidade do município e atuaria como prevenção frente a um possível novo desastre.

As formas individuais e coletivas dos moradores em relação aos riscos variam de acordo com valores individuais. Para Burton e Kates (1972) as pessoas com mais experiências com desastres e que tiveram uma relação de perda econômica tendem a perceber os riscos como problemas ambientais, salientando, entretanto, que a possibilidade de negação de uma ameaça é maior quanto mais próximo os moradores estiverem dela.

Outros fatores que influenciam na percepção, conforme Burton et al. (1978), é a freqüência e duração do desastre; assim os deslizamentos, por serem rápidos e muitas vezes não ocorrem nos mesmos locais, parecem não fazer parte do cotidiano. A tolerância dos moradores é bastante grande, especialmente daqueles que com muita luta conseguiram construir o pouco que possuem.

Nesse sentido, a valoração do meio ambiente constitui-se em um conjunto de métodos e técnicas que têm por finalidade estimar os valores para os atributos ambientais, que por sua própria natureza, são considerados como "bens públicos", portanto, disponíveis para todos. (SANTOS e MORET, 2009). As belezas cênicas de Jaraguá do Sul constituem patrimônio natural, que deva ser valorado, devido sua importância histórica, cultural e ambiental que possui para a população local, que as vê como belo e não como risco a sua própria sobre vivencia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados do presente estudo demonstram que os desastres ambientais climáticos que atingiram Jaraguá do Sul - SC teve impactos diretos sobre a população. No entanto, os resultados demonstram que, em função de uma separação sócio-econômica existente em seus habitantes, a percepção acerca de suas causas e impactos não foi tão homogênea quanto se esperaria em função da dimensão catastrófica que o evento teve sobre o cotidiano de toda a área urbana.

Desse modo, os resultados demonstram que a segregação parece produzir também noções distintas na percepção do risco ambiental, visto que, apesar de toda a cidade ter sido afetada pelo caos logo após o período e eventos climáticos extremos, tanto em 2008 como em 2011, os moradores das partes elevadas da cidade tenderam a naturalizar o ocorrido, muitos acham que morar nas partes elevadas tem certo "status" e muitas vezes ignoram os riscos contidos nessas áreas vulneráveis. Contudo, os desastres de 2008 e 2011, apesar de causar impactos sócio-ambientais até os dias atuais, parecem no esquecimento da maioria da população, independente de sua localização geográfica dentro da área urbana. Esta postura pode ser decorrência do fato de que não ficou demonstrado um nível significativo de confiança na capacidade do poder público em garantir iniciativas de mitigação das conseqüências, dos prejuízos e principalmente da prevenção, e preparação do município para esses possíveis eventos no futuro.

Mas a sociedade precisa enfrentar a catástrofe fisicamente, socialmente e psicologicamente. O comportamento humano antes, durante e depois de uma ocorrência vem pouco a pouco sendo foco de análise da ciência psicológica. Existem modelos desenvolvidos para analisar o comportamento humano em cada uma destas etapas e que variam segundo a ênfase atribuída aos fatores cognitivos e atitudinais ou perceptivos (COELHO, 2006).

As medidas de mitigação ou de prevenção de riscos devem necessariamente levar em conta a percepção, o conhecimento e aceitação do risco pela população. Portanto se a redução da vulnerabilidade é possível, ela não será eficaz se não for apropriada pelos indivíduos ou grupos envolvidos. Esta apropriação passa pela compreensão dos fenômenos, mas também pelas relações relativas e próprias do território em questão.

Com base na análise dos questionários, na interpretação e tabulação dos dados, juntamente com todo o levantamento bibliográfico e webgráfico feito, e possível constatar que a população de Jaraguá do Sul – SC não está preparada psicologicamente para um novo desastre, e que o município também não está preparado para suportar um novo evento climático extremo, e por conta os órgãos públicos parecem não se interessar em mitigar os efeitos de um possível novo desastre, e muito menos de trabalhar juntamente com a comunidade para prevenir e preparar o município para um novo desastre, para que possa no mínino ser reduzido o risco da vida humana.

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ANEXOS

Anexo I: Questionário aplicado a população de Jaraguá do Sul – SC, sobre a percepção da mesma frente aos desastres ambientais climáticos de 2008 e 2011. Data de aplicação: Segunda semana de Fevereiro de 2011.

Questionário sobre a percepção da população frente aos desastres em Jaraguá do Sul – SC (Ocorridos em 2008 e 2011)

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Geografia bacharelado – CPTL – UFMS

Felipe Amaro da Silva

Bairro: _________________________________________________________

Entrevistado: _______________________Profissão_____________________

1- De 2008 para 2011 em sua opinião, a cidade estava preparada para o desastre ocorrido?

( ) Sim ( ) Não

2- Comparando o desastre de 2008 com o de 2011, houveram mais áreas atingidas em 2011. Você acha que o poder público poderia ser responsabilizado por essa estatística

( ) Sim ( ) Não

3- Em 2088 sua residência foi atingida por algum desastre? Se sim qual?

( ) Sim ( ) Não

( ) Enchente ( ) Desmoronamento

4- Em 2001 sua residência foi atingida por algum desastre? Se sim qual?

( ) Sim ( ) Não

( ) Enchente ( ) Desmoronamento

5- Após o desastre de 2008 houve alguma mudança no seu bairro da parte do poder público que pudesse ter evitado ou amenizado o desastre de 2011?

( ) Sim ( ) Não

6- Em sua opinião, se o poder público investir em uma reestruturação urbana, com prioridades para preparar a cidade para eventos climáticos extremos, amenizaria um possível desastre?

( ) Sim ( ) Não

7- Em sua opinião qual desses problemas o poder público ter urgência em resolver?

( ) Enchente ( ) Desmoronamento

8- A atividade Humana em sua opinião agrava os desastres naturais?

( ) Sim ( ) Não

9- Você acha que a Defesa Civil, correspondeu corretamente a sua função, de precaver, orientar, suprir as necessidades imediatas, da população frente ao desastre ocorrido?

2008 2011

( ) Sim ( ) Não ( ) Sim ( ) Não

10- Você considera que mora em uma área de risco?

( ) Sim ( ) Não

11- Você mudaria da sua residência se sua área fosse considerava de risco?

( ) Sim ( ) Não

12- Sobre o meio ambiente, você acha que com uma correta educação ambiental, é possível a população se conscientizar? Ex: sobre se instalar em áreas de risco, sobre poluição dos rios e vias públicas e galerias pluviais, etc.

( ) Sim ( ) Não

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, por toda força e coragem recebidas nesses quatro anos de jornada universitária.

Agradeço a Fundação Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no qual passei esses quatro anos da graduação, e onde me tornei Geógrafo.

Agradeço a minha banca, composta pelo meu orientador Professor Dr. André Luiz Pinto, pelo Professor Dr. José Luiz Lorenz Silva e pela Mestranda Patrícia Milani, tenho certeza de que acrescentarão muito ao meu trabalho.

À minha avó Maria José da Silva, ao meu avô José Amaro da Silva, por subsidiar minha jornada acadêmica ao longo desses quatros anos, sem eles o fim dessa jornada não seria possível.

À minha irmã Fernanda Amaro da Silva, por me aconselhar, apoiar e estar presente sempre nas horas difíceis.

Ao meu pai Jaredis Amaro da Silva, a minha madrasta Márcia Carmo da Silva e as minhas irmãs Damaris Amaro da Silva e Jacqueline Carmo da Silva, pelos votos de sucesso, que mesmo distantes chegaram até mim.

A todos os meus tios, tias, primos e primas pelo carinho e atenção a mim prestados.

Ao meu professor orientador André Luiz Pinto, por toda amizade, interesse, atenção e dedicação a mim concedidos, principalmente nessa última etapa de minha graduação.

A todos os educadores que tive durante os quatro anos da minha graduação, que me concederam a base para a realização desse trabalho, principalmente a educadora Luiza Luciana Salvi, pelos conhecimentos transmitidos e pelos conselhos prestados.

Aos meus colegas de graduação Gabrielli Pereira, Agnes Dias, Aline Cristina, Camila Alves e Raphael Oliveira, pela companhia, pela atenção, pelos quatros anos de entretenimento e aprendizados mútuo, sem eles não conseguiria chegar até o fim.

Aos amigos que conheci na vida acadêmica, Cristovão Henrique, Juliana dos Santos e Patrícia Milani, obrigado pelos momentos de felicidade.

Ao meu amigo Hélio Henrique S. dos Anjos, pela companhia, pela paciência nas minhas horas difíceis, pelo carinho e incentivo, pelo total apoio a mim prestado ao longo de nossa amizade e por alegrar os meus dias e o amigo Eduardo Queiroz, pelos momentos bons e agradáveis.

Aos meus amigos, Anderson do Nascimento, Marcelo Butske, Fernando Aguiar e Douglas Aguiar, que mesmo distantes almejaram o sucesso da minha trajetória acadêmica.

Ademais, agradeço a todos que direta ou indiretamente colaboraram para a construção deste trabalho monográfico, em especial à população de Jaraguá do Sul que se dispôs a responder voluntariamente meu questionário.

 

Autor:

Felipe Amaro Da Silva

Monografia apresentada à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – UFMS no Campus de Três Lagoas, Departamento de Ciências Humanas, como exigência parcial para obtenção do título de bacharel em Geografia.

Professor Dr. André Luiz Pinto (UFMS – TRÊS LAGOAS)

Professor Dr. José Luiz Lorenz Silva (UFMS – TRÊS LAGOAS)

Mestranda Patrícia Milani (UFMS – TRÊS LAGOAS)

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL

CAMPUS DE TRÊS LAGOAS - MS

2011

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