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O processo de aprendizagem do aluno com paralisia cerebral no complexo de educação especial André Vidal De Araujo (página 2)


A interdependência e a mais íntima e indissolúvel conexão entre todos os aspectos de cada fenômeno (a história desvendando sempre novos aspectos), uma interconexão da qual resulta um processo de movimento único e universal, com leis imanentes (TRIVIÑOS, 1995, p.53).

As técnicas de pesquisa aplicada baseiam-se na documentação direta intensiva (através de observações sistemáticas, observação da vida real, entrevistas), extensiva (através de questionários) e na documentação indireta (através de pesquisa bibliográfica). Tem-se por meta nesse trabalho, analisar a questão da Educação Especial através da realidade vivida pelos alunos com Paralisia Cerebral.

O local de pesquisa escolhido foi o Complexo Municipal de Educação Especial André Vidal de Araujo, localizado à Rua da Penetração s/n, Vila Amazonas, bairro Parque 10 de Novembro, zona Centro-Sul. A escola foi indicada por ser uma instituição especializada no atendimento à crianças e adolescentes com alguma deficiência ou síndrome. Os sujeitos da amostra foram alunos com PC da Educação Infantil, entre 8 e 16 anos.

Entre os instrumentos de medidas utilizados na pesquisa estão: entrevistas, questionários para levantamento de dados, e informações a respeito do ensino por eles recebido na referida instituição. Também foram feitas observações em sala de aula por um período de aproximadamente dois meses, com o intuito de observar e analisar as condições de aprendizagem desses alunos na sua realidade escolar.

5 CAPÍTULO I

DIAGNÓSTICO DA ESCOLA

O Complexo Municipal de Educação Especial André Vidal de Araujo foi criado através da lei 1138, em 17 de agosto de 2007 e tem por finalidade a educação de crianças com necessidades educacionais especiais. Nela os alunos recebem acompanhamentos educacionais, médicos e psicológicos, participam de eventos sociais e alguns deles produzem produtos para comercialização, peças teatrais e apresentações de danças nas oficinas de arte ou em eventos para a comunidade.

Segundo a diretora Irisilda Crisóstomo de Carvalho, a escola atende 495 alunos entre Educação Infantil, Ensino Fundamental (até a 4ª série) e Educação de Jovens e Adultos – EJA, e funciona nos três períodos, com 19 turmas no período matutino, 21 no vespertino e 4 no noturno.

A estrutura física compreende uma área de 5.271 m2, com 23 salas de aula climatizadas, 12 banheiros, sendo 8 adaptados, oficina pedagógica, biblioteca, ludoteca, refeitório, laboratórios de informática, quadra esportiva e piscina (utilizada principalmente pelos alunos com Paralisia Cerebral nas aulas de Educação Física). Esses espaços são adequados para a locomoção dos alunos.

No prédio principal e na entrada existem rampas que são de extrema importância para alunos cadeirantes. Além dos espaços acima citados há também o núcleo clínico, que oferece serviços de fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos, psicopedagogos e outros profissionais que atendem voluntariamente, formando uma equipe multidisciplinar.

A escola segue uma rotina similar a das escolas regulares, com algumas mudanças em relação ao atendimento no núcleo clínico. As turmas são formadas de acordo com as necessidades especiais dos educandos, que são: deficiência auditiva (DA), deficiência visual (DV), paralisia cerebral (PC), deficiência mental (DM), síndrome de autismo (SA) e deficiências múltiplas, tendo entre 4 e 8 alunos por turma, porém dependendo do grau da deficiência há turmas com 10 alunos, e as turmas de EJA chegam a ter 15 alunos.

Pelo fato do Complexo existir a apenas um ano, ainda não existe histórico nem projeto político-pedagógico, afirma a diretora. O currículo utilizado é o tradicional / funcional, pré-determinado pela Secretaria Municipal de Educação - SEMED, a escola adota o modelo de seriação. As metodologias adotadas no processo ensino-aprendizagem variam de acordo com a necessidade do aluno, sendo que os portadores de DA utilizam a Linguagem Brasileira de Sinais – Libras e recursos visuais, os alunos com DV são alfabetizadas através do Braille, auto-relevo e ampliação, e os alunos com PC, DM e SA desenvolvem-se através de atividades que envolvam repetição e rotina.

Os recursos didáticos utilizados no processo ensino-aprendizagem são materiais específicos, vídeos e livros didáticos adaptados, pois segundo a professora Roseneire Silva, não é possível trabalhar os livros didáticos utilizados pelos alunos de escolas regulares, e alguns materiais como lápis e giz de cera devem ser reforçados para facilitar o manuseio dos alunos, em especial os de PC. As metodologias aplicadas nas aulas de Educação Física são desenvolvidas de acordo com as necessidades dos alunos, que são acompanhados por fisioterapeutas diariamente.

Os professores do Complexo possuem curso superior completo ou em curso, e todos recebem formação continuada na Gerência de Formação do Magistério da SEMED. O planejamento é realizado quinzenalmente, com todo o corpo docente e administrativo da escola, para tratar de assuntos diversos como datas comemorativas, projetos educacionais, eventos e informações gerais, sendo adaptado conforme as necessidades dos educandos . A avaliação é aplicada de maneira contínua.

Em geral a relação professor-aluno é amigável, com exceção das crises comportamentais naturais de cada deficiência como agressões físicas ou verbais. Por esses motivos há necessidade auxiliares para ajudar o docente a lidar com alguns alunos, em especial os de PC, SA e DM. Em relação à motivação, os professores procuram, dentro do possível, explorar o interesse dos alunos através de músicas, dramatizações, histórias e as festividades do calendário escolar, como Festa Junina, Semana da Pátria e Dia da Criança, entre outros.

A diretora finalizou a entrevista dizendo que relação entre os pais e a escola em geral é positiva, porém alguns não aceitam as limitações dos filhos ou os tratam com cuidados excessivos, por essas razões a escola oferece alguns cursos, palestras e reuniões para os pais, com profissionais qualificados, visando uma melhor interação destes com os filhos no ambiente escolar.

6 CAPÍTULO II

ASSENTAMENTO TEÓRICO

6.1 Processos de Aprendizagem

Não há um conceito definido para aprendizagem, uma vez que existe certa complexidade no estudo, sendo necessárias maiores investigações sobre o tema. Existem assim várias definições, iremos citar algumas delas:

De acordo com a teoria conexionista, a aprendizagem é "um processo de associação entre uma situação estimuladora e a resposta". (CAMPOS, p. 28). Já a teoria funcionalista defende a adaptação do individuo ao ambiente.

Outra definição atribuída por Gagné diz que "aprendizagem é uma modificação na disposição ou na capacidade do homem, modificação esta que pode ser anulada e que não pode ser simplesmente atribuída ao processo de crescimento".

Atualmente o conceito mais utilizado provém da concepção Construtivista, que se baseia na idéia de interação recíproca entre o indivíduo e o meio. Essa teoria vê "a aquisição do conhecimento como um processo construído pelo individuo durante toda a sua vida, não estando pronto ao nascer nem sendo adquirido passivamente graças as pressões do meio" (DAVIS, p.36), partindo da idéia de que o homem responde aos estímulos externos agindo sobre eles para construir e organizar o seu próprio conhecimento de forma cada vez mais elaborada.

6.1.1 Jean Piaget

Piaget é considerado o principal precursor da corrente construtivista. Seus estudos tinham por finalidade investigar a construção do conhecimento humano através da interação com o meio. Para isso, observou o desenvolvimento da inteligência infantil, sendo essa uma diferença entre seu trabalho e o de outros teóricos. Para ele as estruturas cognitivas não eram inatas, ou seja, todo conhecimento provém de ações, assim, aplicou testes em várias fases da lógica infantil para verificar como esta se transforma em lógica adulta.

Piaget concebeu, então, que a criança possui uma lógica de funcionamento mental que difere – qualitativamente – da lógica de funcionamento mental do adulto. Propôs-se conseqüentemente a investigar como, através de quais mecanismos, a lógica infantil se transforma em lógica adulta. Nessa investigação, Piaget partiu de uma concepção de desenvolvimento envolvendo o processo continuo de trocas entre o organismo vivo e o meio ambiente. (DAVIS, pg. 37)

Seu trabalho baseou-se na abordagem do desenvolvimento da inteligência e na construção do conhecimento. Batizou sua teoria de Epistemologia Genética - epistemologia por ser o estudo do conhecimento e genética por se referir a evolução da inteligência do indivíduo.

A questão norteadora da teoria Piagetiana é de que maneira o homem constrói o conhecimento. Para Piaget, a inteligência pode ser definida como função e como estrutura. Enquanto função, a inteligência é tida como adaptação, ao passo que estrutura vem a ser o processo de organização das idéias, pois o crescimento não se dá pelo acúmulo de informações, mas sobretudo pela reorganização destas.

Para alcançar o desenvolvimento cognitivo, o indivíduo utiliza dois mecanismos para assim construir um novo conhecimento. O primeiro é chamado de assimilação, no qual o organismo interpretar a informação adquirida, retirando do objeto de conhecimento as informações relevantes para ele. E o outro consiste na acomodação, onde "o organismo e impelido a se modificar, a se transformar para se ajustar as demandas impostas pelo ambiente" (DAVIS, 2001, pg. 38).

Esses mecanismos apesar de distintos e opostos, ocorrem ao mesmo tempo no processo de desenvolvimento cognitivo, mesmo assim, um pode se sobrepor ao outro. Eles contribuem para que o indivíduo alcance a equilibração majorante, ou seja, para atingir o estágio de equilíbrio com o meio através da superação dos conflitos com a informação adquirida.

Ainda na teoria piagetiana o desenvolvimento da inteligência não é linear, pois atravessa vários estágios específicos, caracterizados por mudanças na forma do raciocínio. Nesse sentido, Piaget classificou três estágios definidos de acordo com a faixa etária:

  • Sensório-motor – 0 a 2 anos

  • Pré-operatório – 2 a 7 anos

  • Operatório-Concreto – 7 a 13 anos

  • Operatório-Formal – A partir dos 13 anos

  • SENSÓRIO-MOTOR – 0 a 2 anos

Fase do desenvolvimento humano que não utiliza a fala, apenas as percepções (sensório) e suas ações (motor). "O bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio" (LOPES, 1996). Nessa fase não existe percepções temporal de passado ou futuro, para a criança há apenas o presente.

Nesse estágio inicia-se a estruturação de conceito complexo, formulados a partir de esquemas sensórios-motores, que são construídos através das reflexões inatas do bebê, ou seja, no recém nascido as funções mentais limitam-se exclusivamente em percepções sensoriais, como por exemplo o movimento dos olhos e a sucção.

Exemplo: o bebê pega o que está em sua mão; "mama" o que é posto em sua boca; "vê" o que esta diante de si. Aprimorando estes esquemas, é capaz de vê um objeto, pegá-lo e levá-lo à boca.

A criança vai aperfeiçoando tais movimentos e adquirindo habilidades progressivamente até chegar ao final do período sensório-motor, já sendo capaz de construir noções de objetos, tempo, espaço, causalidade, que a permite descobrir novas formas de lidar com o meio.

Dentre as principais aquisições do período sensório-motor, destaca-se a construção da noção de "eu", através da qual a criança diferencia o mundo externo do seu próprio corpo. O bebê o explora, percebe suas diversas partes, experimenta emoções diferentes, formando a base do seu autoconceito [...]. Ao longo dessa etapa a criança irá elaborar a sua organização psicológica básica, seja no aspecto motor, no perceptivo, no afetivo, social e no intelectual. (DAVIS, 2001, pg. 40 )

Também ocorre gradativamente o aparecimento da função simbólica na criança, que será de grande importância para a ampliação da sua percepção temporal, o que alterará a concepção do eu e do universo, preparando-a para fase pré-operatória.

  • PRÉ-OPERATÓRIO – 2 a 7 anos

Nessa fase constata-se o desenvolvimento da linguagem oral, permitindo que a criança socialize sua inteligência e inicie a conceitualização de ações e objetos através de símbolos e representações, utilizando-se de esquemas de ações construídos no estágio anterior, pois "não se pode atribuir à linguagem a origem da lógica, que constitui o núcleo do pensamento racional" (Coll e Gillièron, 1987).

A criança deste estágio geralmente apresenta comportamento egocêntrico, pois ainda não consegue se colocar abstratamente, no lugar do outro em função da ausência de esquemas conceituais. Nesta etapa ocorre também o aparecimento do animismo, ou seja, a criança atribui sentimento e emoções a objetos inanimados. "Assim, é freqüente ouvi-la dizer que a mesa é "má" quando nela machuca sua cabeça" (DAVIS, 2001 p.42)

O pensamento na fase pré-operatória é marcado pela dependência da percepção imediata, ou seja, a criança formula suas idéias a partir do que vê sem fazer maiores análises. Para Piaget, a criança nesse período não tem noção de conservação. "Para ela, mudando-se a aparência do objeto, muda também a quantidade, o volume, a massa e o peso do mesmo" (DAVIS, 2001, p.43).

  • OPERATÓRIO-CONCRETO – 7 a 13 anos

Essa fase é marcada pelo aparecimento da inteligência lógica e reversível, ou seja, a criança já consegue retornar, mentalmente, ao ponto de partida, e começa a refletir sobre pontos de vista diferentes do seu. Assim, ela vai se tornando menos egocêntrica, "capaz de construir um conhecimento mais compatível com o mundo que a rodeia" (DAVIS, 2001, p.43). O pensamento vai adquirindo maior maleabilidade, e a criança já consegue fazer distinção entre o real e o imaginário.

Nessa fase a criança desenvolve novos conhecimentos, "noções de tempo, espaço, velocidade, ordem e casualidade, já sendo capaz de relacionar diferentes aspectos e abstrair dados da realidade" (LOPES, 1996). Ela também começa a realizar operações mentalmente, sem estar presa a uma representação imediata. "O pensamento agora se baseia mais no raciocínio que na percepção" (DAVIS, 2001, p.44).

No entanto, este estágio é denominado concreto porque a criança ainda depende de exemplos reais para formular conceitos e desenvolver sua inteligência, "[...] tanto os esquemas conceituais como as ações executadas mentalmente se referem, nesta fase, a objetos ou situações passíveis de serem manipuladas ou imaginadas de forma concreta" (TERRA, 2006).

  • OPERATÓRIO-FORMAL – A partir dos 13 anos

Essa fase se caracteriza pela presença do raciocínio abstrato, independente. É o estágio das operações formais, a partir dos 13 anos, a criança inicia sua transmissão para o modo adulto de pensar, sendo capaz de pensar sobre idéias abstratas, libertando-se assim das limitações da realidade concreta.

O raciocínio hipotético-dedutivo é introduzido nesta etapa da construção do pensamento, permitindo o individuo alcançar o mais elevado grau do seu desenvolvimento cognitivo, ou seja, adquire a sua forma final de equilíbrio, o padrão intelectual que persistirá por toda sua vida.

A teoria piagetiana delimita faixas etárias para cada estágio, no entanto, vale ressaltar que essas etapas não são rigidamente marcadas, ela dependem da maturação individual de cada um. Davis afirma assim:

Piaget reconhece que, a despeito de preponderar em determinadas faixas etárias uma forma especifica de pensar e atuar sobre o mundo, podem existir atrasos ou avanços individuais em relação à norma do grupo. Essa variação pode ser devida, em grande parte, à natureza do ambiente em que as crianças vivem. (2001, p. 46)

Conforme as características e ordem cronológica, as etapas do desenvolvimento que foram apresentadas não são reversíveis. O individuo não pode "pular" de uma fase para outra, uma vez que a seqüência delas é invariável, nem pode retornar a fase anterior, já que ao construir uma capacidade mental não pode perdê-la.

Para Piaget, existem quatro fatores básicos responsáveis pela transição de uma etapa para outra – a maturidade do sistema nervoso, a interação social, a experiência física, e a equilibração – no entanto, para ele o de menos peso é a interação social. Dessa forma, a educação – a aprendizagem – possui, no âmbito da teoria piagetiana, uma menor influência no desenvolvimento intelectual.

Desenvolvimento cognitivo e aprendizagem não se confundem: o primeiro é um processo espontâneo, que se apóia predominantemente no biológico. Aprendizagem, por outro lado, é encarada como um processo mais restrito, causado por situações especificas (como a freqüência a escola) e subordinado tanto a equilibração quanto a maturação. (DAVIS, 2001, p.46)

6.2 PARALISIA CEREBRAL

  • Histórico

Encontram-se relatos da Paralisia Cerebral (PC) em civilizações muito antigas. Em Esparta, crianças com deficiência eram consideradas subumanas (PESSOTTI apud TABAQUIM, 1984).

A primeira descrição de PC foi apresentada em 1843, por um ortopedista inglês chamado William John Little. Ele fez relatos de uma enfermidade que afetava crianças nos primeiros anos de vida, caracterizada por rigidez muscular, associando esta à hipoxia perinatal – insuficiência de oxigênio no cérebro. Em 1862, Little publicou um trabalho a respeito da sua pesquisa (LEITAO, 1983).

Em 1897, ao estudar a Síndrome de Little, Sigmund Freud empregou o termo "Paralisia Cerebral" (Die infantile cerebral lahmung), que foi universalmente aceito (TABAQUIM, p. 24). Freud discordou de Little ao observar que crianças com paralisia cerebral geralmente apresentavam outros problemas (CÃNDIDO, 2004).

Mais tarde, Phelps generalizou o termo Paralisia Cerebral a fim de diferenciá-lo do termo Paralisia Infantil, a poliomielite, que consiste em paralisias flácidas, porém alguns autores consideram esse termo insatisfatório, por dar ênfase ao aspecto motor, deixando em segundo plano os aspectos sensoriais e intelectuais.

Em 1958, o Little Club de Oxford formulou um conceito sobre PC como sendo um distúrbio motor qualitativo persistente devido à interferência não progressiva no desenvolvimento cerebral.

Em virtude da má colocação verbal na identificação desta deficiência, alguns especialistas têm adotado o termo "Incapacidade Motora Cerebral - IMC", procurando evitar associação do termo com julgamento da capacidade mental da pessoa. Atualmente a terminologia "distúrbios neuromotores" vem sendo a mais utilizada nos meios especializados (CHUN, 1991).

  • Conceitos

A deficiência física é definida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – Adaptações Curriculares (PCNs) como:

Uma variedade de condições não-sensoriais que afetam o indivíduo em termos de mobilidade, coordenação motora geral ou de fala, como decorrência de lesões neurológicas, neuromusculares e ortopédicas, ou ainda, de malformações. (BRASIL, 1999, p.26)

Nesse sentido, a Paralisia Cerebral, enquanto forma de deficiência física, apresenta conceitos distintos, segundo diferentes autores. No entanto, há uma discussão a respeito desse termo, que é considerado por muitos inadequado, uma vez que significaria a parada total das atividades físicas e mentais, o que não corresponde ao caso.

Paralisia Cerebral é uma perturbação do controle da postura e movimento que resulta de uma anomalia ou lesão não progressiva que atinge o cérebro em desenvolvimento (APCC, 2007).

Desde 1958, o Little Club de Oxford conceitua:

Paralisia Cerebral é uma seqüela de uma afecção encefálica, que se caracteriza primordialmente por um transtorno persistente, mas não invariável do tônus, da postura e do movimento, que aparece na primeira infância e que não somente é diretamente secundária a essa lesão não evolutiva do encéfalo, como devido também a influência que tal lesão exerce sobre a maturação neurológica. (TABAQUIM, 1996, p. 24)

De acordo com Fischinger, a Paralisia Cerebral "é um distúrbio sensorial e senso- motor causado por lesão cerebral, a qual perturba o desenvolvimento normal do cérebro; tem caráter não progressivo e acarreta perda da sensibilidade motora" (1984, p.15)

A definição usada pela Associação Mundial de Paralisia Cerebral em 1988 é "um distúrbio de postura e movimento persistente, porém não imutável, causado por lesão no sistema nervoso em desenvolvimento, antes ou durante o nascimento ou nos primeiros meses da lactância" (Griffiths & Clegg, 1988).

Atualmente, tem-se utilizado o termo Encefalopatia Crônica Não Progressiva ou Não Evolutiva para deixar bem claro seu caráter persistente mas não evolutivo, apesar de as manifestações clínicas poderem mudar com o desenvolvimento da criança e com a plasticidade cerebral.

  • Causas Mais Freqüentes

Para a Organização Mundial de Saúde (OMS), a paralisia cerebral ocorre na primeira infância, onde o cérebro está em plena maturação, porém muitos autores discutem essa idade-limite (TABITH, 1980).

As causas da PC podem ocorrer:

. Antes do parto (pré-natais);

Uso de drogas, álcool ou medicamentos; ameaças de aborto; exposições a raios-x; doenças infecciosas (rubéola, sífilis); mãe diabética ou hipertensa.

. Durante o parto (perinatais);

Falta de oxigênio no cérebro, ocasionando lesões nos neurônios (fato ocasionado muitas vezes por negligência médica); partos muito longos ou prematuros; uso incorreto do fórceps; hemorragia cerebral causada por estreitamento da bacia (TAVARES FILHO, 2005).

. Após o parto. (pós-natais)

Infecções (Meningites, Encefalites); Traumatismo craniano; Acidente cérebro-vascular; asfixia; ingestão de veneno; insuficiência/parada respiratória; inflamações ou abscessos no cérebro. ()

Gráfico 1

Monografias.com

  • Principais Variações/Tipos

Pessoas afetadas pela Paralisia Cerebral podem apresentar diversas variações dessa deficiência. De acordo com Tabaquim (1996), os tipos mais freqüentes são:

Espasticidade, caracterizada por um aumento do tônus muscular com limitação da capacidade de relaxamento muscular da região envolvida.

Atetose, caracterizada pela presença de movimentos e posturas involuntários. Os sintomas podem piorar em situações de tensão emocional e podem ir embora durante o sono.

Ataxia, caracterizada pela perturbação da coordenação e do equilíbrio.

Tabela 1

Classificação da Paralisia Cerebral, segundo MINEAR (1956), com tipos de disfunções motoras e topografia dos prejuízos

Tipo

Disfunção Motora

Topografia

1

Espático

- Diplegia

- Quadriplegia

- Hemiplegia

- Dupla hemiplegia

- comprometimento maior dos membros inferiores;

- prejuízo equivalente aos quatro membros;

- comprometimento de um domínio corporal;

- membros superiores mais comprometidos.

2

Deiscinética

- Hipercinética ou Coreoatetóide

- Distônica

- movimento involuntário com presença de movimentação associada;

- tônus muscular variável induzido por movimentos voluntários.

3

Atáxica

- Dissinergia

- tremor intencional;

- dificuldades na manutenção do equilíbrio.

4

Mista

-Quadros associados

- predomínio do prejuízo motor com a presença de outras alterações

Fonte: TABAQUIM, 1996

  • Principais Efeitos e Deficiências Associadas

Segundo Schuwartzman (1993), para que o rótulo PC seja empregado adequadamente, e necessário que certas condições sejam atendidas, como por exemplo: a causa deverá ser fixa; estar presente nos dois primeiros anos de vida; manifestar desordem do movimento e da postura.

Sendo a Paralisia Cerebral uma condição causada por uma lesão no encéfalo imaturo, de caráter não progressivo, os sinais e sintomas dependem da área lesada do cérebro e da extensão da lesão e se expressam em padrões anormais de postura e de movimentos, interferindo no desenvolvimento normal do cérebro. (TABAQUIM, 1996, p. 25)

De acordo com Tavares Filho (2005), os principais efeitos da PC são:

- alterações do controle da postura e dos movimentos do corpo;

- Desordens da sucção, mastigação e deglutição;

- Distúrbios Ortopédicos (falta de equilíbrio ao caminhar);

- Dificuldades para falar e andar;

- Dependências para atividades cotidianas;

- Movimentos involuntários (leves ou acentuados);

Podem ocorrer também deficiências associadas a PC, como Epilepsia, deficiência mental, deficiência visual, estrabismo, dificuldades de aprendizagem. Nas formas quadriplégicas são ainda comuns dificuldades alimentares, perturbações nutricionais e infecções respiratórias (APCC, 2007).

7 CAPÍTULO III

ESTÁGIO NA ESCOLA DE EDUCAÇAO ESPECIAL

7.1 OBSERVAÇÕES EM SALA DE AULA

O Complexo de Educação Especial André Vidal Araujo, foi a instituição escolhida para observação no Estágio Supervisionado II. Tivemos duas semanas para visitar a escola, porém na primeira isso não foi possível, pois devido às comemorações da Semana da Pátria, os alunos se encontravam fora da sala de aula ensaiando para desfile cívico. Nossa presença na escola estendeu-se por mais semanas que o combinado a princípio, pois além das intervenções de datas comemorativas, precisávamos coletar mais informações sobre a aprendizagem dos alunos. A visita foi realizada em duas turmas de alunos com PC, sendo que cada turma é composta por oito estudantes, ministrada por professoras diferentes, e todas elas têm uma professora - auxiliar. Chamaremos a primeira turma de A, e a segunda de B, por motivos éticos.

08 de setembro de 2008

Era uma segunda feira e nos dirigimos a turma A, chegamos às 13 horas para o inicio da aula. A professora passou uma atividade de pintura (pintar um morango, a fruta de vermelho e a folha de verde), até esse momento haviam apenas dois alunos na sala, então perguntamos se eles sabiam falar, a auxiliar respondeu que apenas um deles sabia se comunicar através da fala.

A atividade seguinte proposta pela professora era relacionada ao conceito matemático comprido/curto, consistia em desenhos de tamanhos diferentes onde o aluno deveria identificar o objeto mais comprido e pintá-lo. Verificamos que o aluno teve dificuldade em realizar a atividade. Nesse dia não podemos ficar até o final da aula, pois havia um simulado do Exame Nacional do Desempenho do Estudante - ENADE na Universidade Federal do Amazonas – UFAM, e saímos às 15h.

09 de setembro de 2008

Chegamos à escola e fomos informadas de que a professora da turma A estava ausente, fomos então remanejadas para a turma B. Antes do início da aula tivemos uma breve conversa com a professora, ela nos contou que apenas uma aluna está em fase de alfabetização, os outros estão desenvolvendo aspectos motores, como coordenação fina e ampla, há ainda os que estão progredindo com o currículo funcional, que consiste em "facilita o desenvolvimento de habilidades básicas e essenciais à participação em uma grande variedade de ambientes integrados" (ALMEIDA, 2008).

Segundo LeBlanc (1992), um currículo ideal está baseado primordialmente na investigação das variáveis que influenciam na aprendizagem. De maneira geral, a proposta deste Currículo Funcional e Natural está baseada na funcionalidade das habilidades a serem adquiridas e na manutenção destas através de contingências naturais de aprendizagem. Abrange todos os contextos nos quais os alunos convivem escola, comunidade, família e trabalho.

É um trabalho que se apóia no repertório de entrada do aluno, no conhecimento de seu meio e nas relações recíprocas entre eles. No geral o currículo funcional procura selecionar procedimentos de ensino compatíveis com as capacidades dos alunos especiais, objetivando torná-los independentes e produtivos.

A professora informou que alguns alunos apresentam deficiências múltiplas, como paralisia cerebral e deficiência mental, porém eles continuam na turma de Paralisia Cerebral - PC por questões de locomoção, já que estes andam em cadeira de rodas, uma vez que na turma de Deficiência Mental - DM todos podem andar sem auxilio de cadeiras.

O trabalho pedagógico é aplicado individualmente por causa da variação cognitiva e motora dos alunos. Durante a aula, a professora estava ensinando a aluna Renata[1]a formar palavras com atividades lúdicas, utilizando como recurso sílaba em círculos de isopor, (ver anexo pág. 59) onde a aluna podia forma nomes próprios e substantivos comuns, também ensinou ao aluno Fábio o conceito matemático dentro/fora, através de exemplificação (colocava e retirava objetos de uma sacola para ilustrar o conceito), após a explicação concreta, ela transportou o conceito para o abstrato, oferecendo o desenho de dois círculos para ele pintar somente dentro deixando o lado fora sem pintura.

Na hora do lanche, a professora e sua auxiliar nos levaram para sala de DM, pois era aniversário do professor daquela turma. A aluna Renata não quis se alimentar na frente dos outros alunos, suspeita-se do motivo ser a timidez em decorrência da sua pouca coordenação, então a auxiliar levou o lanche para lhe oferecer na sala de aula. Voltamos para a sala e fizemos uma entrevista com questões objetivas com a professora, ao final da aula ela nos emprestou uma apostila sobre tecnologia assistida, para enriquecer nossa pesquisa.

10 de setembro de 2008

Neste dia a professora da turma B havia faltado, então fomos novamente para a turma A. A professora iniciou a aula passando um questionário com três itens sobre linguagem. O aluno Giovane apresentava dificuldades de atenção e não tinha motivação para resolver o exercício, então a professora e sua auxiliar passaram outra atividade, no entanto ele continuou desatento e passou a apresentar atitudes agressivas, jogando objetos pela sala e nas pessoas. Em seguida, a professora propôs uma atividade de matemática, que consistia em contar tampinhas de garrafa de um a dez. O aluno João não mostrou-se interessado pela atividade, então nós tentamos aplicar uma metodologia diferente, onde separamos as tampinhas por cores e fomos perguntando quantas tampinhas de cada cor havia; aos poucos o aluno foi se interessando pela atividade, e conseguiu contar até cinco.

Na hora do lanche a professora trouxe a alimentação dos alunos para a sala, o aluno Giovane continuou a apresentar atitudes agressivas, jogando biscoitos no chão e batendo na mesa; o aluno Marcelo não quis tomar o iogurte e tentou morder uma das estagiárias. Após o lanche chegaram os estudantes da oficina pedagógica, e todos começaram a ensaiar dança para uma apresentação extra classe, então perguntamos se ainda haveria aula, a professora respondeu que não, resolvemos ir embora uma vez que a dança não era uma atividade referente à aula.

Nessa semana de observação foi possível notar que as professoras adotam metodologias diferentes quanto ao processo ensino-aprendizagem com alunos especiais. A professora da turma A demonstra ter pouca paciência, e didáticas não apropriadas para trabalho com essas crianças, além disso, ela passa atividades que não apresentam objetivos específicos e adequados à limitação motora e temporal dos alunos, e que também não estimulam o desenvolvimento do raciocínio lógico, sendo que algumas vezes ela dá a resposta do exercício e segura na mão do aluno para responder e até mesmo pintar. Em contrapartida, a professora da turma B demonstra maior dedicação com o magistério, estimulando o raciocínio e dando autonomia para os alunos, utilizando o currículo funcional. Com relação às crianças, podemos ver que elas necessitam de atendimento individualizado, pois apresentam diferentes níveis de PC, e algumas tem outra deficiência ou síndrome associada.

Observação da reunião pedagógica e planejamento

15 de setembro de 2008

Neste dia não houve aula, pois foi realizada uma reunião com os professores e o corpo administrativo da escola para o período de 15.09.08 à 14.10.08. A reunião iniciou-se às 13 h 25 min, com a leitura de um texto para reflexão sobre o respeito para com a pessoa portadora de deficiência.

O primeiro item da pauta foi sobre a semana do deficiente. Alguns professores comentaram a incompatibilidade de horários das apresentações dessa semana, uma vez que as escolas municipais, estaduais e instituições de apoio à deficiência estariam realizando eventos simultaneamente para celebrar essa festividade, o que os deixavam impossibilitados de comparecer a todos os compromissos ao mesmo tempo. O segundo argumento a ser debatido foi sobre a semana da pátria, o professor de Educação Física sugeriu que no futuro fosse feita angariação de dinheiro para compra de novos instrumentos de percussão, além da formação de uma fanfarra.

O próximo assunto discutido era a respeito da 1ª Feira da Pessoa com Necessidades Especiais, que aconteceria nos dias 19, 20 e 21 de setembro de 2008, no Centro Social Urbano – CSU do Parque Dez de Novembro. Nesse evento haveria várias práticas desportivas, como torneio de natação, basquete de cadeirantes e futebol de cegos. A diretora apontou algumas dificuldades relacionadas ao comparecimento dos alunos à feira, pois seria à noite e muitos deles moram distante do local; também foi apontado o fato de a SEMED ter comunicado o evento numa data tão próxima.

Em seguida, a diretora informou a respeito um Congresso sobre Autismo, que seria realizado no Rio de Janeiro. Os professores ficaram interessados, porém não poderiam ir por motivos financeiros, uma vez que terão que arcar com todas as despesas. A Semana do Sorriso era argumento seguinte, que seria realizada em novembro, a diretora alegou que o assunto precisava ser abordado nesse dia, pois ela necessitava organizar e redigir o calendário de atividades deste evento até o dia 19 de setembro. Seguindo o roteiro da pauta, foi discutido sobre a organização para a festa do Dia das Crianças, e o conselho decidiu que cada professor receberia 10 rifas para vender até o dia 7 de outubro, como meio de angariar fundos para a festividade.

Após tais decisões, a professora de informática comunicou que o novo laboratório estava pronto para uso, porém ela requisitou que outros professores levassem somente os alunos que pudessem desenvolver aprendizados de informática. O corpo docente da escola organizou as atividades previstas para a comemoração do Dia do Surdo, que aconteceu no dia 26 de setembro. Por fim, foi escolhido o tema gerador da reunião "Abra um sorriso para a vida", bem como os objetivos gerais do planejamento deste período. Ao fim da reunião conversamos com a diretora para determinarmos em qual sala ficaríamos fazendo estágio, e de comum acordo decidimos continuar a observando as aulas na turma B.

29 de setembro de 2008

Retomamos a observação neste dia. Chegamos às 13h e somente o aluno Marcelo estava presente na sala, então a professora nos convidou para visitar a turma de autismo. A professora desta turma estava desenvolvendo atividades de desenho, e um de seus alunos estava montando um quebra-cabeça. Passado algum tempo, retornamos para sala de aula.

A professora da turma B levou alguns alunos com DM para ficar na sala conosco, a fim de conhecermos características educacionais desses alunos e auxiliar o professor deles. Ela passou algumas atividades de pintura e traçado para aqueles estudantes.

Os alunos da turma de DM são praticamente todos adolescentes, a não apresentam qualquer característica visível da deficiência, podendo passar despercebidos por alunos sem limitações. A maioria deles é interessada em auxiliar as crianças com PC, e o convívio social deles tem características comuns de adolescentes sem deficiência, praticam esportes, tem relacionamentos afetivos e círculos de amigos. A sua real limitação está ligada ao tempo que levam para desenvolver-se cognitivamente, e tendo a metodologia e recursos adequados a essa finalidade podem alcançar os objetivos propostos ao seu nível educacional.

30 de setembro de 2008

Antes de iniciar a aula, conversamos um pouco com a professora a respeito da realidade de cada aluno. Ela nos contou, por exemplo, que a maioria dos alunos tem dificuldades como sugar e soprar, e que alguns sofreram regressão no aprendizado devido a problemas familiares. Para auxiliar os que não conseguem soprar ela criou um recurso divertido para eles: uma latinha de plástico com bolinhas de isopor, presas por uma tela, (ver recursos pág. 59) quando o aluno consegue soprar vê as bolinhas voando pela lata, o que causa sensação de alegria e satisfação neles. Com os alunos que sofreram regressão por problemas familiares, ela trabalha a estimulação e afetividade entre crianças e professores.

A professora iniciou a aula trabalhando aspectos motores com a aluna Esmeralda, colocou uma luva com uma calha de apoio para auxiliá-la a manter a mão aberta. Um tempo depois chegaram a mãe da Maria e a irmã da Esmeralda para ajudar a professora. Foi proposta uma atividade de pintura para Esmeralda, que por sinal é a única aluna que pode segurar lápis sem apoio ou acessórios, mesmo assim não estava motivada a realizar a tarefa, mas depois de muita insistência concluiu a atividade.

Após o lanche, a professora e uma das estagiárias encenaram a clássica histórinha de Chapeuzinho Vermelho, com a narração de um CD e acessórios como perucas, fantoches e etc. Esse tipo de atividade estimula bastante os alunos, pois eles demonstram muita alegria e entusiasmo com a encenação, sorriem e apresentam reações que até a um tempo atrás não eram externadas.

Em seguida foi aplicado o currículo funcional com o aluno Bernardo, a professora estava ensinando e estimulando-o a se alimentar sozinho e a mastigar alimentos, da seguinte maneira: colocava bombons em cima da mesa para que Bernardo os pegasse e levasse a boca, ele não tem total controle total sobre as mãos ficando difícil pegar o alimento na mesa, passou então a colocar o bombom na palma de sua mão, assim ele conseguiu levar o doce a boca. Para que esses procedimentos tenham maiores resultados é necessário parceria dos pais com os docentes, pois não vai haver progresso se o aluno for motivado a adquirir autonomia na escola e em casa ser dependente dos pais ou responsável.

1° de outubro de 2008

Nessa aula estavam presentes três alunos, com tal oportunidade a professora trabalho somente o currículo funcional. Com os alunos Marcelo e Maria o condicionamento era de não colocar a mão na boca, para isso prendeu um saco com bolinhas nas mãos deles (ver recursos pág. 60), fazendo peso e ao mesmo tempo os distraindo como se fossem brinquedos. Já com Bernardo, continuou propondo atividades que o estimulasse a alimentar-se sozinho.

Depois do lanche foi aplicada uma atividade lúdica, com o objetivo de incentivar a coordenação motora e lateralidade, a professora pôs um CD para as crianças ouvirem e as colocou no chão para brincarem com bola e carrinhos. Os alunos mostraram-se bastante motivados, desenvolveram cada um sua habilidade.

A aluna Maria já consegue rolar no chão, no entanto não senta sozinha e nem permanece se for colocada nessa posição, por esse motivo a professora fazia exercícios que mantivesse sua coluna reta. Marcelo, que antes não apresentava reação emocional alguma, hoje já reage com sorrisos, gestos como "dar tchau" e até mesmo gritos para demonstrar alegria e satisfação, neste dia passou um bom tempo brincando com carrinhos e uma ambulância de brinquedo no chão.

Já o aluno Bernardo tem melhor desenvolvimento motor dos braços, pega a bola, joga para longe e vai buscá-la engatinhando, chega até a descer da cadeira de rodas sozinho para brincar no chão, várias vezes tivemos que soltá-lo, pois ficava preso entre a mesa e a cadeira.

06 de outubro de 2008

Estavam presentes nessa aula os alunos Maria, Renata e Marcelo. A proposta inicial era de que fossemos realizar atividades na piscina, no entanto a maioria dos alunos não trouxe roupa de banho, então a aula continuou em seu lugar habitual.

Nós trabalhamos atividades alfabetizadoras com a aluna Renata, o exercício consistia em observar uma figura, mostrar como se escreve, e em seguida orientar a aluna montar a palavra com letras de um alfabeto móvel, uma vez que ela não consegue segurar o lápis sem apoio. Para as atividades de alfabetização não serem cansativas para ela, utiliza-se atividades como essa proposta. Enquanto isso, a professora trabalhava condicionamento com Maria e Marcelo, colocando objetos ou brinquedos em suas mãos para que eles não as coloquem na boca.

Ao fim do lanche fomos para o laboratório de informática, a aluna Renata mostrou-se totalmente interessada e motivada com os jogos do computador, observamos ela concluir dois ou três deles, como quebra-cabeça, os de pintura e os de associação de objetos e seus nomes. Marcelo e Maria ainda não possuem condições motoras de movimentar o mouse e o teclado, por isso ficaram assistindo alguns vídeos do Caderno Toquinho e Vinícius de Moraes.

07 de outubro de 2008

A aula nesse dia tinha somente a presença de dois alunos e uma estagiária. A professora iniciou as atividades com condicionamento para Marcelo, amarrando sacos com bolinhas em suas mãos. Como Maria tem dificuldades em segurar objetos, a professora realizou atividades para desenvolver sua coordenação com o auxilio de uma bola.

Quando terminaram o lanche, os alunos foram para sessões com fonoaudiólogos e fisioterapeutas. Acompanhamos Maria em suas sessões, na sala da fonoaudióloga, foram realizados exercícios faciais para deixar o rosto dela mais maleável. Em seguida fomos para o consultório do fisioterapeuta que fez atividades na barra para fortalecer as pernas de Maria, pois a aluna ainda não consegue andar. Ao final do exercício a professora comentou que o médico suspeita que Maria tenha alguma síndrome por causa de sua aparência de senhora.

21 de outubro de 2008

Bernardo, Fábio e Esmeralda foram estimulados a desenvolver e aprimorar a coordenação motora através de uma atividade que tinham de amassar pedaços de papel formando bolinhas com as mãos. Esmeralda foi quem apresentou mais dificuldades em concluir a tarefa, por isso a professora propôs que ela abrisse e fechasse as mãos, várias vezes para estimular a movimentação. Feitas as bolinhas foram orientados a realizar uma atividade de colagem, onde deveriam colar as bolinhas dentro de círculos maiores, trabalhando assim o conceito dentro/fora e coordenação motora fina.

O aluno Hugo estava com dificuldades para manter a cabeça reta na cadeira, então a professora passou uma fita adesiva ao redor de sua cabeça para servir de apoio, mas retirava momentos depois para que ele pudesse se esforçar em manter a cabeça reta, e colocava novamente a fita, repetindo esse procedimento durante toda a aula.

22 de outubro de 2008

A professora colocou um DVD com músicas infantis e educativas para os alunos ouvirem enquanto trabalhava a coordenação motora de Esmeralda, que estava com os músculos do braço e da mão muito enrijecidos, sua mãe tentou puxá-los aplicando muita força, o que ocasionou dor na estudante e a fez chorar. Outro aluno que não estava bem nessa aula era Hugo, que estava com dor de ouvido e chorou também, sua mãe trouxe o remédio e aplicou, aparentava estar muito cansada e com pouca paciência.

Nessa aula tiramos as dúvidas com a professora sobre como apresentaríamos os assuntos escolhidos para regência, os recursos disponíveis e quais atividades os alunos eram capazes de realizar. Ela nos auxiliou nesses itens e ainda orientou no que deveríamos ou não apresentar. Escolhemos e "ensaiamos" as músicas para o dia da nossa aula supervisionada.

7.2 PRÁTICAS DE REGÊNCIA

7.2.1 Prof.ª Samanta A. Freire

No dia 06 de novembro foi o dia das regências. O tema da aula foi Os Meios de Transporte e o Homem. Cheguei ao Complexo André Vidal às 13h30min e fui organizar a sala para a aula supervisionada, separei o material didático que iria usar, e pedi ajuda da professora da turma para colar alguns cartazes, pois tenho paralisia cerebral e minha coordenação motora é limitada.

A orientadora do estágio chegou às 14h então dei início à regência. Primeiramente expliquei aos alunos qual seria o assunto da aula, e fiz alguns questionamentos sobre os meios de transporte a título de sondagem, pois conforme os PCNs, é dever do docente levar em conta o conhecimento prévio do aluno. Neste momento, a aula foi interrompida pelo motorista da escola, que entrou eufórico na sala de aula pedindo papel e caneta para anotar um endereço.

Passado este contratempo, continuei a regência explicando sobre o conceito e as várias utilidades dos meios de transporte, em seguida pedi para a professora da turma – que no momento também era aluna – ler um texto. Depois da leitura, apresentei um cartaz e falei sobre a evolução dos meios de transporte. O próximo tópico da aula abordava a história dos meios de transporte no Brasil, desde os tempos coloniais até os dias de hoje.

Em seguida os alunos ouviram uma música sobre os transportes aéreos, terrestres e aquáticos como forma de interdisciplinaridade, depois estes conceitos foram reforçados através do lúdico (brinquedos). O próximo passo foi trazer o tema para a realidade dos alunos, então eles foram induzidos a analisar sobre os transportes utilizados em nossa cidade e na escola, e para contextualizar o tema, eles ouviram outra música que falava sobre as utilidades do ônibus.

Ao final da aula foram passadas algumas atividades, e foi possível constatar que os alunos tiveram aproveitamento cognitivo satisfatório, porém devido ao grau de dificuldades motoras de alguns deles, foi necessário fazer adaptações, como no caso da Renata, que ainda não apresenta coordenação suficiente para pegar no lápis, mas ao adaptar a atividade para a forma oral, ela conseguiu responder todas as perguntas corretamente.

7.2.2 Prof.ª Karina Rodrigues

Cheguei à escola por volta das 14h 20 min, a colega Samanta estava regendo a turma. Ao finalizar a aula dela, fizemos uma pausa para o lanche das crianças.

O tema escolhido para minha regência foi matemático, resolvi trabalhar os números naturais para que as crianças pudessem ter um melhor contato com eles. Utilizei como recursos, cartazes, músicas, peças de emborrachado e os próprios alunos e professores.

Iniciei a aula com a apresentação de cartazes contendo o número e sua representação quantitativa – ex. número 2 e o desenho de dois índios, primeiro distribui os cartazes entre os alunos que conseguem segurá-los e os professores presentes. Contamos as pessoas presentes na sala, a principio havia onze pessoas na turma, no entanto um aluno precisou se ausentar para atendimento no complexo clinico, ficaram então dez pessoas.

Após contarmos com o auxilio dos cartazes – cada pessoa presente tinha um, cantamos a música dos dez indiozinhos, uma das alunas gostou tanto da música que a repetimos algumas vezes. Como a maioria dos alunos tem dificuldade de fala não alcancei o objetivo especifico de pronunciar corretamente os números naturais, mesmo assim o objetivo geral foi alcançado, alunos em fase de alfabetização reconheceram todos os números e alguns outros também.

Feita essa etapa da aula, passei para as atividades individuais com as alunas Renata e Esmeralda. Ambas têm condições cognitivas de resolvê-las, no entanto foi constatado durante as observações em sala de aula, que a Esmeralda apresenta dificuldades de concentração, logo nessa atividade não foi diferente, pequenos movimentos na sala a deixavam dispersa, atrasando assim o andamento dos exercícios.

Já com a aluna Renata as limitações são simplesmente motoras, ela é dotada de uma incrível inteligência, às vezes chega a ser diligente na conclusão de suas tarefas, conta os números e reconhece as quantidades, tem pouca paciência na demora da colega na contagem.

7.3 ANÁLISE E DISCUSSAO DOS DADOS COLETADOS

Depois de feitas às devidas pesquisas teóricas e as observações do cotidiano escolar do aluno com PC, iremos analisar os resultados obtidos para entendermos como se dá o processo de aprendizagem desses discentes na Educação Infantil. Para isso precisamos responder algumas questões. "Quais as características observadas nas crianças com PC?"; "O desenvolvimento cognitivo dessas crianças está de acordo com a faixa etária?"; "Que fatores afetam o processo de aprendizagem dos alunos com PC?";

Observamos, através de entrevistas, que a maioria dos alunos teve Paralisia Cerebral depois do nascimento, devido convulsões, e somente dois alunos obtiveram paralisia durante o parto. Em nossas pesquisas, vimos que isso ocorre por falta de oxigenação no cérebro, que ocasionam lesões nos neurônios, quando a paralisia é mais prolongada, pode ocorrer a diplegia. Os alunos dessa escola, com exceção de um, apresentam diplegia, por isso eles usam cadeira de rodas. Além disso, muitos apresentam outras dificuldades associadas a PC, como por exemplo, deficiência mental ou déficit de atenção.

Piaget classifica as etapas do processo do desenvolvimento cognitivo de acordo com a faixa etária, no entanto ao se tratar de turma especial, percebemos que não há homogeneidade referente à idade cronológica dos alunos, uma vez que a divisão da turma se dá a partir do tipo de deficiência, desconsiderando o grau da mesma e a idade dos alunos.

Fazendo uma analogia com a teoria piagetiana, podemos constatar que boa parte da turma observada está no estágio sensório-motor, visto que eles apresentam diversas características dessa etapa, como a ausência da linguagem, da percepção temporal e limitam-se exclusivamente às percepções sensoriais. Somente alguns alunos estão na fase operatório-concreta, uma vez que apresentam o domínio da linguagem e já possuem o pensamento lógico e reversível.

Observamos durante as visitas à escola que três principais fatores afetam o processo de aprendizagem desses alunos. Um deles consiste na diferença acentuada no grau de deficiência entre os alunos, que exige um processo de aprendizagem diferenciado para cada um. Além disso, a escola também não dispõe de recursos didáticos apropriados e necessários para trabalhar pedagogicamente com os alunos, sendo que a professora gasta boa parte do seu tempo produzindo materiais específicos para desenvolver diversas atividades e o currículo funcional.

Outro fator que influencia o processo de aprendizagem dessas crianças diz respeito às suas próprias limitações, pois analisando com base no referencial teórico, as crianças apresentam desordens da sucção, mastigação e deglutição, dificuldades para falar e andar; dependências para atividades cotidianas, como por exemplo, ir ao banheiro e comer sozinho, isso acontece porque além da Paralisia Cerebral, eles apresentam outras deficiências associadas.

Respondidas nossas questões, vimos que o aprendizado dessas crianças se dá de forma lenta e sem grandes perspectivas, uma vez que há uma heterogeneidade nos graus de PC, resultando em vários estágios cognitivos na mesma turma. Além disso, não há recursos adaptados na escola, o que limita ainda mais o tempo da professora, tempo este que poderia ser melhor utilizado no desenvolvimento cognitivo destas crianças.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Consideramos nosso trabalho de importante relevância, uma vez que ele pode servir de apoio e referência para educadores e mães de crianças com PC, que poderão verificar como se dá a aprendizagem dessas crianças, e se utilizar dos recursos e métodos para obter resultados satisfatórios, para não passar pelas dificuldades explanadas nessa obra, visto que observamos diariamente uma turma de alunos com PC e podemos estar mais próximos à realidade educacional deles.

Verificamos as dificuldades e os sucessos adquiridos pelos alunos no decorrer do processo de aprendizagem. As dificuldades já foram abordadas ao longo do trabalho, logo suas vitórias também merecem serem apontadas, podemos constatar que no início do estágio um dos alunos não apresentava qualquer reação emocional, era indiferente a estímulos apresentado a ele, e em mais ou menos três semanas já demonstrava reações diversas como felicidade, ansiedade, ciúmes, entre outras.

Ao tratar do currículo funcional, os alunos mostram um desenvolvimento lento, mas progressivo. Se os alunos fossem divididos conforme o grau da deficiência e não somente pelo tipo, esse trabalho teria resultados muito mais significativos, pois eles estariam no mesmo nível e a professora poderia aplicar esse currículo com maior espaço de tempo e em melhor qualidade.

Quanto à alfabetização desses discentes, podemos constatar que o processo de aprendizagem se dá na mesma velocidade que o desenvolvimento do currículo funcional. Apesar de ser um processo lento, podemos notar bons resultados na aprendizagem em alunos que não tem outra dificuldade associada a PC, assim ao final de nossas visitas, verificamos que eles já conheciam o alfabeto, montava palavras e contava os numerais.

Assim, para um melhor desenvolvimento do processo de aprendizagem desses indivíduos, concordamos com a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional - LDB (Lei nº. 9394/96) em manter prioritariamente o ensino inclusivo em escola regular, ressalvando apenas os casos em que não há condições de inclusão por motivos físicos e/ou cognitivos, uma vez que vimos na turma observada que existem alunos capacitados para inclusão escolar.

REFERÊNCIAS

ASSOCIAÇAO DE PARALISIUA CEREBRAL DE COIMBRA. O que é Paralisia Cerebral. Disponível em: Acesso em 02 dec 2008.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: história e geografia. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

CAMPOS, Dinah Martins de Souza. Psicologia da Aprendizagem. 30 ed. Petrópolis: Vozes, 2000.

COSTA, Marcelo. Paralisia Cerebral. Disponível em: Acesso em 29 nov 2008.

DAVIS, Claudia Oliveira. Psicologia da Educação. São Paulo: Cortez, 2001.

FURASTÉ, Pedro Augusto. Normas Técnicas para o Trabalho Científico.14ª ed. Porto alegre: s.n., 2008.

HOUAISS, Antonio. Diccionario Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

JEAN PIAGET. Produzido por Yves de la Taille. Atta Midia d Educacao. Dvd, 57:24min.

LOPES, Josiane. Jean Piaget. Nova Escola: a revista de quem educa, São Paulo, ago, 1996.

NOVA ESCOLA: a revista de quem educa. Edição Especial. São Paulo: Abril, n. 11, out. 2006.

SANTOS, Izequias Estevão dos. Manual de Métodos e Técnicas de Pesquisa Científica. 5ª ed. Niterói: Impetus, 2005.

TABAQUIM, Maria de Lourdes Merighi. Paralisia Cerebral: ensino de leitura e escrita. Bauru: EDUSC, 1996. p. 23-33.

TAVARES FILHO, Thomé Eliziário. Marginalidade e Inclusão Escolar. Rio de Janeiro: FEUFF, 2005.

TERRA, Márcia Regina. O Desenvolvimento Humano na Teoria de Piaget. Disponível em:

>. Acesso em 02 dec 2008.

TRIVIÑOS, Augusto N.S. Introdução à Pesquisa em Ciência Sociais: A pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1995.

APÊNDICES

APÊNDICE A – PLANO DA PROF.ª KARINA RODRIGUES

ESCOLA: Complexo de Educação Especial André Vidal de Araújo.

PROFESSORA: Karina Rodrigues da Silva.

SÉRIE: 1º. Ano do 1º. Ciclo (alunos com P.C.)

TURMA: A Turno Matutino

DURAÇAO: 30 min.

COMPONENTE CURRICULAR: Matemática; Língua Portuguesa; Artes.

CONTEÚDO: números naturais de 0 a 9.

OBJETIVO GERAL: reconhecer os números naturais de 0 a 9.

OBJETIVOS ESPECIFICOS:

  • Pronunciar corretamente os números 0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9.

  • Reconhecer os numerais e suas respectivas quantidades.

  • Traçar os números naturais.

PROCEDIMENTOS

  • Leitura de cartazes com numerais e figuras, repetindo cada um deles coletivamente.

  • Associação da quantidade de objetos concretos e os respectivos numerais.

  • Fazer a contagem dos alunos da sala.

  • Traçar números grandes em folhas A4, com cola colorida, logo após colar bolinhas de papel crepom no contorno.

  • Dramatizar a música dos dez indiozinhos.

ATIVIDADES

  • Contar os "indiozinhos" no palito de picolé.

  • Desenhar "indiozinhos", associando o número escrito com a quantidade representada pelos desenhos.

  • Dramatizar a música dos dez indiozinhos, cada aluno e professoras serão índios e um jacaré. Cantar a música e simular o movimento do barco.

RECURSOS: cartazes, palitos de picolé, indiozinhos feitos de emborrachado, alunos, papel A4, papel crepom, cola colorida, CD, aparelho de som.

AVALIAÇAO: verificar desempenho dos alunos na contagem e pronuncia dos números; observar quais alunos desenharam a quantidade correta para cada número; observar o desenvolvimento da dramatização, bem como a motivação e interesse.

OBSERVAÇÕES EM SALA:

__________________________________________________________

MÚSICA

OS 10 INDIOZINHOS

cUm, dois, três, indiozinhos.

Quatro, cinco, seis, indiozinhos.

Sete, oito, nove, indiozinhos.

Dez num pequeno bote.

Iam navegando pelo rio abaixo,

Quando um jacaré se aproximou,

E o pequeno bote dos indiozinhos

Quase, quase virou...

Mas não virou!!

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ATIVIDADE

  • 1. CONTE QUANTOS ÍNDIOS HÁ EM CADA BARCO, E ESCREVA NO QUADRO AO LADO, CONFORME O EXEMPLO:

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  • 2. DESENHE QUANTOS INDIOS SE PEDE EM CADA QUADRO.

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RECURSOS USADOS NA REGÊNCIA

PROF.ª KARINA RODRIGUES

BRINQUEDOS

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Figura 4: alfabeto móvel

CARTAZES

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APÊNDICE B – PLANO DA PROF.ª SAMANTA FREIRE

1. DADOS DA IDENTIFICAÇAO:

1.1. Escola: Complexo de Educação Especial André Vidal de Araujo

1.2. Professora: Samanta Araujo Freire

1.3. Série: Educação Infantil (alunos com PC)

1.4. Tema da aula: Os Meios de Transporte e o Homem.

1.5. Tempo de aula: 30 min.

1.6. Turno: Vespertino

2. COMPONENTE CURRICULAR: Geografia, História e Artes

3. CONTEÚDO: Os Meios de Transporte

4. OBJETIVOS

4.1. Geral

. Compreender a importância dos meios de transporte na vida do homem.

4.2. Específicos

. Reconhecer a utilidade dos meios de transporte no cotidiano;

. Compreender como a evolução dos meios de transporte ocorreu

no Brasil.

. Diferenciar os meios de transporte aéreos, terrestres e aquáticos;

. Identificar os meios de transporte utilizados na nossa cidade;

. Reconhecer os transportes utilizados no cotidiano escolar dos alunos.

5. PROCEDIMENTOS

5.1. Explanar sobre o que vai ser ministrado na aula;

5.2. Perguntar aos alunos se eles sabem o que são meios de transporte;

5.3. Comentar com os alunos o conceito e a utilidade dos meios de transporte;

5.4. Pedir para um aluno ler o texto "Passando a perna nas distâncias";

5.5. Comentar sobre a evolução dos meios de transporte;

5.6. Contar uma historinha sobre os meios de transporte no Brasil;

5.7. Perguntar aos alunos que meios de transportes eles conhecem;

5.8. Apresentar a música "Meios de Transportes", da Eliana e mostrar as figuras conforme a música;

5.9. Comentar e exemplificar com cartazes os transportes utilizados na terra, no ar e na água;

5.10. Perguntar aos alunos se na nossa cidade existe os três tipos de meios de transportes, e comentar sobre este assunto;

5.11. Perguntar aos alunos que meios de transporte eles usam para chegar à escola;

5.12. Apresentar a música "Onibus", da Xuxa;

5.13. Verificar, no contexto dos alunos, o funcionamento do transporte escolar;

5.14. Fazer uma revisão do assunto, utilizando brinquedos;

5.15. Aplicar atividades para estimular a coordenação e o raciocínio dos alunos.

6. ATIVIDADES

6.1. Escolher a figura que representa o meio de transporte escolar e traçar uma linha até a figura que representa a escola.

6.2. Circular as figuras que representam os meios de transporte.

6.3. Pintar o transporte aéreo de amarelo, o terrestre de marrom e o aquático de azul.

7. RECURSOS

7.1. Humanos: Professor e alunos.

7.2. Materiais: Figuras, cartazes, textos, brinquedos, música.

8. AVALIAÇAO

. Observar o interesse por parte dos alunos.

. Participação – Os alunos serão estimulados a interagir nas aulas através de perguntas ou respostas.

. Verificar se os alunos tiveram alguma dificuldade no desenvolvimento das atividades (motora e / ou cognitiva).

9. REFERÊNCIAS

BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇAO. Parâmetros Curriculares Nacionais: história e geografia / Secretaria da Educação Fundamental. 2 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000.

GONDIM, Maria da Salete Alves. Lápis na mão: educação infantil: alfabetização. V. 4. São Paulo: FTD, 2003.

AMAZONAS, SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇAO E CULTURA. Manaus: estudos sociais. 1º grau. Manaus, 1989.

acessado em 02 de novembro de 2008.

acessado em 02 de novembro de 2008.

acessado em 02 de novembro de 2008.

10. OBSERVAÇÕES

_____________________________________________

Música 1

Meios de Transporte (Eliana)

Eu vou viajar de avião, de avião, de aviãoé um meio de transporte pelo arEntão vou voarVou viajar, vou de navio,de navio, de navioÉ um meio de transporte pelo marEu vou navegar!

Eu vou viajar eu vou de trem, vou de trem,vou de trem

É um meio de transportepelo chãoEu vou no vagão Eu vou viajar de avião, de avião, de aviãoé um meio de transporte pelo arEntão vou voar

Eu vou viajar, eu vou tremCh! Ch! Ch! Ch! Ch! Ch! Ch! Ch!É um meio de transportepelo chãoEu vou no vagão

Música 2

O ônibus (Xuxa)

A roda do ônibus roda, roda, roda, roda, roda, rodaA roda do ônibus roda, roda pela cidade

A porta do ônibus abre e fecha, abre e fecha, abre e fechaA porta do ônibus abre e fecha pela cidade

O passageiro sobe e desce, sobe e desce, sobe e desceO passageiro sobe e desce pela cidade

O neném faz uéim uéim uéim uéim uéim uéim uéim uéim uéim uéim O neném faz uéim uéim uéim uéim pela cidade

A mamãe faz shh shh shh shh shh shh shh shh shh shhA mamãe faz shh shh shh shh pela cidade

A buzina faz bi, bi, bi, bi, bi, bi, bi, bi, bi, biA buzina faz bi, bi, bi, bi pela cidade, pela cidade, pela cidade...

Texto - Passando a Perna nas Distâncias

Quanto mais a gente anda, mais chão tem pela frente... Como o homem sempre foi bicho curioso, louco para conhecer novos lugares e ampliar seu próprio mundo, logo as pernas ficaram curtas. Ops! Isso não significa que elas diminuíram de tamanho, não. Mas que foi preciso inventar maneiras mais rápidas de chegar aos lugares, sem gastar tanta energia e tanta sola de sapato.

Os transportes foram criados conforme as necessidades do homem. Dá pra imaginar a vida sem o carro, sem a bicicleta, sem o navio e sem o avião?

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ATIVIDADES

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RECURSOS USADOS NA REGÊNCIA

PROFª. SAMANTA A. FREIRE

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BRINQUEDOS

CARTAZES

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Figura 22: cartaz

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Figura 25: cartaz da história dos meios de transportes.

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Figura 26: cartaz história dos meios de transportes.

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Figura 25: cartaz dos tipos

DEDICATÓRIA

Dedico esse trabalho aos meus pais, pelo amor, paciência e incentivo, Creuza e Virgilio, os senhores são meu amor e meu porto seguro.

E a André Luiz e Adam, por serem minha motivação e a família mais linda que construí. Amo vocês.

DEDICATÓRIA

À minha querida mãe, que é uma batalhadora, lutou muito por mim, me deu amor, carinho e incentivo para que eu chegasse até aqui.

Ao meu pai, que sempre esteve ao meu lado, dando-me apoio e me guiando, literalmente, pelos caminhos difíceis da vida.

AGRADECIMENTO

Acima de tudo, a meu Deus que é amoroso e fiel, a Ele agradeço por mais uma vitória conquistada.

A minha querida Samanta que fez esse trabalho ser menos difícil.

Aos meus pais e a Agrícia e Roldson, que foram minha fonte de apoio, sem o auxilio de vocês esse trabalho não haveria sido finalizado.

A meu marido lindo, que teve paciência quando precisei me ausentar, que me deu força quando pensei em desistir, amarei você sempre.

Aos meus vários e queridos amigos, vocês tornam minha vida muito mais feliz.

A Rosineire, ou melhor, a Neire, pela dedicação e colaboração, o mundo precisa de profissionais competentes como você.

AGRADECIMENTO

À professora Ana Maria Derzi, pelos preciosos ensinamentos que me ajudaram a desenvolver o senso crítico.

À minha orientadora Ana Maria Nascimento, pela paciência e dedicação com que sempre me acolheu.

Às minhas monitoras Samara, Alessandra e Karina, que foram meus anjos da guarda nessa trajetória.

E a todas as outras pessoas que, direta ou indiretamente, me ajudaram a conquistar mais essa vitória.

 

 

Autor:

Samanta Araujo Freire

samanta_araujofreire[arroba]yahoo.com.br

Karina Rodrigues Da Silva

Orientadora: Ana Maria Silva do Nascimento

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS – UFAM

FACULDADE DE EDUCAÇAO – FACED

Manaus - Amazonas

2008


[1] O nome dos alunos foram modificados por motivos éticos.



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