Relatório de estágio: Minicurso de Português - UniRitter



Partes: 1, 2, 3

  1. Resumo
  2. Introdução
  3. Dados de identificação do projeto
  4. A função da escola
  5. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos
  6. O ensino de língua portuguesa
  7. Projeto de estágio
  8. Planos de aula
  9. Conclusão
  10. Referências
  11. Anexos

A educação das crianças, dos jovens e dos adultos tem uma importância muito grande na formação do homem novo e da mulher nova. Ela tem de ser uma educação nova também, que estamos procurando pôr em prática de acordo com as nossas possibilidades. Uma educação completamente diferente da colonial. [...] Uma educação que dê valor à ajuda mútua e não ao individualismo, que desenvolva o espírito crítico e a criatividade, e não a passividade. Uma educação que se funde na unidade entre a prática e a teoria [...] (FREIRE, 2001).

O presente relatório de estágio, parte do currículo obrigatório do Curso de Letras, apresenta as atividades desenvolvidas na prática de ensino de língua materna. O projeto "Minicurso de Português: Produção do Texto Acadêmico", desenvolvido na Universidade Ritter dos Reis, busca atender a estudantes recém chegados na universidade, consequentemente, recém saídos do ensino médio. Reconhecido o propenso fracasso do ensino como aí esta, nossa proposta parte de uma abordagem lingüística que propicia o desenvolvimento da habilidade de usos da língua, tanto na produção de textos orais, quanto na produção de textos escritos. Nossos planos de aulas estão em comunhão com os Referenciais Curriculares do RS, e corroborados pelas teorias da educação, voltadas ao ensino de Língua Portuguesa, apontadas por autores como Antonio Marcuschi, Márcia Mendonça e Angela Kleiman. Pensando em adotar uma metodologia condizente com a "nova escola" e cientes de que mais do que mudar é preciso saber o que mudar, partimos da reflexão crítica acerca da função da escola e suas diferentes tendências filosóficas de interpretação do papel da educação na sociedade, reflexões embasadas à luz de teóricos como Dermeval Saviani e Juan Delval. Também traremos algumas concepções teóricas acerca do processo de ensino e aprendizagem, observando as metodologias de ensino recorrentes nas salas de aula, apontados por Fernando Becker. O corpus do trabalho está, então, dividido em três blocos: a parte teórica – reflexão crítica a cerca do ensino; o projeto de ensino – sua estrutura e objetivos; e os planos de aula – suas especificidades e aplicação.

Palavras-chave:

Educação; ensino e aprendizagem; função da escola; modelos epistemológicos; modelos pedagógicos; escola contemporânea; ensino língua portuguesa; análise lingüística.

Um dos temas polêmicos hoje é a escola e seu propenso fracasso enquanto instituição de ensino. Educadores, pedagogos e profissionais da área da educação divergem quanto a posições e crenças acerca da função da escola e quanto às concepções sobre a aquisição de conhecimento. Os modelos de ensino e as metodologias pedagógicas adotadas por esses profissionais, também não representam um conjunto de ações lineares ou coerentes com a contemporaneidade. Figuram, logo, o resultante de conjunturas desencontradas, reproduzidas às cegas, de modo irracional, o que mais têm contribuído para o fracasso do que pra o sucesso do ensino.

Em vista dessa realidade e cientes de que a soma de pequenas ações a fim de transformar um todo, assim como a adoção de uma postura crítica e reflexiva sobre a educação, são os primeiros passos para se pensar "transformações", o presente projeto de ensino objetiva, primeiro, colaborar de forma singela, mas significativa, com a prática crítico-reflexiva. Tal se dá à medida que investiga e apresenta os pressupostos pedagógicos que permeiam as escolas. Qual a função da escola? Quais são as concepções teóricas nas quais estão edificadas as práticas e os métodos de ensino adotados pelo professor? Buscamos respostas a essas questões em teóricos como Dermeval Saviani, em Escola e Democracia; Juan Delval, em Crescer e Pensar; e em Fernando Becker, em Educação e Construção do Conhecimento. O corpus deste trabalho está, então, dividido em três blocos: a parte teórica – reflexão crítica a cerca do ensino; o projeto de ensino – sua estrutura e objetivos; e os planos de aula – suas especificidades e aplicação.

Para falarmos de reforma do ensino, primeiro propomo-nos a uma reflexão crítica sobre a função e o papel que a escola ocupa na sociedade contemporânea. A escola como instituição, historicamente se confunde com a sociedade e seus interesses, consequentemente, o ensino foi por séculos privilégio das classes dominantes. A escola se punha, então, a serviço da manutenção social, cuidando para preservar os valores e os fins da sociedade, garantindo que cada indivíduo ficasse limitado a ocupar as posições sociais em que nasceram. Com o Iluminismo, no século XVIII, passa-se a pensar em igualdade entre os homens e, consequentemente, em um ensino ao alcance de todos, mas somente com a revolução industrial, atendendo aos seus interesses, a democratização do ensino começa a tomar forma. A escola, com tempo, passa a ter a função de preparar os jovens para a mão de obra industrial, depois para o mercado de trabalho e, em sequência, para as demandas tecnológicas. Destarte, a escola configurou, desde seus primórdios, um sistema condicionado as demandas sociais, cuja função de servir aos propósitos do intelecto e do conhecimento se ofusca diante da subserviência aos propósitos sociais dominantes.

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