Estimativas de consumo do capim-elefante (Pennisetum purpureum Schum), fornecido picado para vacas lactantes utilizando a técnica do óxido crômico

Enviado por Rui da Silva Verneque


  1. Introducao
  2. Material e metodos
  3. Resultados e discussao
  4. Conclusoes
  5. Literatura citada

RESUMO: O consumo de matéria seca (CMS) de vacas mestiças Holandês-Zebu, fistuladas no rúmen, em lactação, foi medido pela diferença de peso do alimento oferecido e das sobras e estimado com auxílio do óxido crômico (Cr2O3) pela produção fecal (PF) e indigestibilidade do alimento. O delineamento experimental foi em três quadrados latinos (3x3) e os tratamentos consistiram de capim-elefante cortado nas idades de 30, 45 e 60 dias. A digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS) foi determinada nas amostras do capim-elefante e estimada a partir do consumo medido diretamente e pela produção fecal obtida com o Cr2O3. A produção fecal foi também calculada (PFc) a partir dos valores do consumo (direto) e da DIVMS e foi estimada pela relação do indicador administrado/indicador excretado. Foram observadas diferenças entre os CMS obtidos nas três idades de corte do capim-elefante pelos dois métodos avaliados. Os CMS médios obtidos pelo método direto foram de 8,00; 10,00 e 11,02 kg/vaca/dia, respectivamente, para o capim cortado com 30, 45 e 60 dias. Os CMS estimados com auxílio do Cr2O3 foram de 9,00; 11,10 e 12,00 kg/vaca/dia, para os mesmos tratamentos. As estimativas de consumo utilizando o Cr2O3 foram superestimadas em 9,25% em relação aos resultados obtidos pelo método direto.

Palavras-chave: capim-elefante, consumo, digestibilidade, óxido crômico

ABSTRACT: Dry matter intake (DMI) of nine Holstein x Zebu lactating fistulated cows was measured through difference of offered and refuse feed weight and estimated with aid of the chromium oxide (Cr2O3) for the fecal production (FO) and indigestible of the grass. The experiment was in a three Latin Squares design (3x3) and treatments constituted the supply of elephantgrass with 30, 45 and 60 days of growth. The in vitro dry matter digestibility (IVDMD) was determined in the samples of the elephantgrass and estimated directly from the measured intake and the fecal production (PF) obtained with the Cr2O3. Fecal production was also calculated (FPc) from the values of the intake (direct method) and IVDMD, as well as it was estimated by the administrated marker /excreted marker relation. Significant differences were observed among DMI obtained in the three elephantgrass growing ages by the two appraised methods. The average DMI obtained by the direct method were 8.00; 10.00 and 11.02 kg/cow/day, respectively, for the grass with 30, 45 and 60 days of growth. DMI esteemed with aid of the Cr2O3 were of 9.00; 11.10 and 12.00 kg/cow/day for the same treatments. The DMI estimates using the Cr2O3 was overestimated in 9.25% in relation to the results obtained by the direct method.

Key words: chromium oxide, digestibility, elephantgrass, voluntary intake

Introdução

Várias técnicas experimentais têm sido desenvolvidas para estudar a quantidade de forragem consumida por ruminantes em pastejo (Minson, 1990). Entretanto, algumas destas metodologias são mensuradas em curto intervalo de tempo, impossibilitando seguras extrapolações para períodos mais extensos, e outras são mais apropriadas para estudos comportamentais (Moore & Sollenberger, 1997).

Os métodos mais apropriados para estudos da estimativa de consumo de ruminantes em pastejo, embora apresentando alguma variabilidade entre animais, são aqueles baseados nas estimativas da produção diária de fezes (PF) e da digestibilidade in vitro (DIVMS) da forragem ingerida, a partir da fórmula: (consumo = PF/ 1-DIVMS), em que a produção fecal pode ser estimada com o auxilio de indicadores externos (Aroeira et al., 2001).

O óxido crômico (Cr2O3) é um dos vários compostos com características de indicador inerte, sendo usado freqüentemente nas estimativas de produção fecal. O composto é praticamente insolúvel em água, álcool e acetona, mas ligeiramente solúvel em ácido e álcali. Os alimentos, em geral, contêm pouquíssimo cromo, menos que 0,1 µg/g (Saliba, 1998).

Os indicadores externos são usualmente fornecidos por meio de infusões contínuas, administrações diárias ou pela utilização de dosagem única (Pond et al., 1989). O óxido crômico pode ser administrado em cápsulas, impregnado em papel, ou misturado no concentrado. Segundo Saliba, (1998) recomenda-se um percentual de 0,5% da MS ingerida para ovinos e bovinos.

Geralmente, as coletas de amostras de fezes para estimativa de produção fecal com auxílio do óxido crômico são realizadas duas vezes ao dia. Essa metodologia tem sido amplamente utilizada pela conveniência de reunir os animais para o fornecimento de suplementação no cocho. Além disso, segundo Hopper et al. (1978), com as amostragens nos horários de fornecimento de ração, é minimizada a variação na excreção diurna de cromo, pois as amostras são coletadas em pontos eqüidistantes e um pouco abaixo dos pontos de inflexão da curva padrão de excreção de cromo, descrita em vários trabalhos (Prigge et al., 1981; Pereira et al., 1983; Rodriguez et al., 1994).


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