Nutrição e alimentação do recém-nascido prematuro

Enviado por Joel Alves Lamounier


  1. Introducao
  2. Qual alimento a ser oferecido?
  3. Quando iniciar a alimentacao?
  4. Como oferecer a dieta?
  5. Com que frequencia oferecer a dieta?
  6. Quanto de dieta deve ser oferecido?
  7. Tecnica do Cuidado Mae Canguru no Prematuro e Aleitamento Materno
  8. Conclusao
  9. Referencias bibliograficas

RESUMO: A alimentação representa contínuo desafio para os responsáveis pela nutrição dos neonatos, principalmente daqueles prematuros ou de baixo peso ao nascer. Técnicas alimentares específicas e tipos variados de alimentos podem influenciar no desenvolvimento, na morbidade e na mortalidade dos recémnascidos. Assim, existem mais controvérsias do que consensos sobre qual o melhor alimento, qual a época ideal para o início da nutrição enteral, de que forma realizá-la, com que freqüência oferecer e com qual volume iniciar e incrementar o aporte nutricional. O presente artigo tem por objetivo propor, após revisão da literatura, uma atualização nos conhecimentos e otimizar a nutrição e a forma de se oferecer alimentação aos recém-nascidos prematuros.

Palavras chave: nutrição infantil, métodos de alimentação, recém-nascido prematuro, aleitamento materno.

Introdução

O manejo nutricional do prematuro constitui uma área cheia de controvérsias, especialmente pela falta de estudos com metodologia adequada. Em caso de prematuros com doenças, os conhecimentos científicos ficam ainda mais esparsos. O nascimento de uma criança prematura representa uma urgência nutricional. Essas crianças apresentam reservas nutricionais para poucos dias e quanto menor o peso ao nascer, menor é a reserva nutricional A alimentação e nutrição do recém-nascido pré-termo representa um desafio, em especial considerando-se os de muito baixo peso, ou seja inferior a 1500 gramas de peso. Técnicas alimenta-res específicas e tipos variados de alimentos podem influenciar no desenvolvimento, na morbidade e na mortalidade dos recém-nascidos de uma maneira geral, e particularmente nos prematuros1. (Martinez e Camelo Jr, 2001). As conseqüências nutricionais e metabólicas decorrentes das deficiências podem ser a curto prazo e também a longo prazo. Neste último caso, são significativas pelas desnutrição e repercussão no desenvolvimento cerebral, como a redução das células cerebrais, déficit de aprendizado, déficit de memória.

Outro aspecto importante com relação aos prematuros é o aumento das taxas de sobrevivência. Como exemplo citamos o trabalho de Lansky2, realizado em Belo Horizonte no qual ficou demonstrado que a taxa de mortalidade perinatal evoluiu de 32,9 em 1993 para 21,6 em 99, isto é, em 6 anos houve uma redução de 34,3%. Com isto, torna-se necessário um aprimoramento das técnicas de cuidado com os prematuros que sobrevivem aos períodos críticos do início da vida, incluindo a otimização do manejo nutricional.

As necessidades nutricionais, a dinâmica de crescimento e a formação do vínculo mãe-filho têm no período pós-natal um momento crítico com possíveis implicações a curto e a longo prazo3, 4, 5, 6, 7, 8. Avaliações recentes evidenciam que os pré-termos alimentados com leite humano agregam melhor qualidade em sua saúde, nas funções gastrointestinais e no desenvolvimento neurológico. Esses conhecimentos podem modificar conceitos sobre crescimento adequado, taxa de acréscimo de nutrientes e os índices bioquímicos de nutrientes atribuídos como de baixo conteúdo do leite humano quando comparado com fórmulas para prematuro7.

Qual alimento a ser oferecido?

Já é quase consensual que o leite humano é o alimento de escolha para ser oferecido ao recém-nascido de qualquer peso e idade gestacional. Pode ser adicionado de nutrientes, quando necessário, mas deve ser substituído somente em casos de contra-indicação ao aleitamento tanto em situações relacionadas à mãe quanto à criança.

Até as décadas de 1940 ou 1950, a assistência ao parto e ao recém-nascido eram domiciliares e assistidos em sua absoluta maioria por parteiras. A criança permanecia ao lado de sua mãe e a amamentação respeitava a sabedoria de uma pratica cultural milenar. Por influência norte-americana iniciou-se uma moderna prática da assistência ao parto no ambiente hospitalar com novas rotinas no cuidado e na alimentação das crianças na unidade neonatal. A incorporação dos novos conhecimentos da alimentação artificial foi acompanhada de crescente índice de desmame precoce. A adoção de rotinas rígidas favoreceu esta mudança e dificultou a crítica da pratica que estimularia a busca de novos conhecimentos.

Hoje há um consenso de que devem ser abolidos os rituais hospitalares que interferem com o adequado estabelecimento e a continuidade da lactação do recémnascido, tanto a termo quanto prematuro. Entre estes estão a separação das crianças de suas mães, o esquema rígido de horários nos cuidados com o recém-nascido, na alimentação, a suplementação láctea e hídrica. Por outro lado, as práticas hospitalares que favorecem a amamentação merecem ser estimuladas: primeira sucção na sala de parto, abolição de dietas pré-amamentação, livre demanda de alimentação, mãe e filho juntos durante toda a permanência hospitalar. Finalmente, na década de 90, os conhecimentos científicos da relação do leite humano com os aspectos nutricionais, imunológicos e de modulação do crescimento, alcança a difícil e desafiadora nutrição dos recém-nascidos prematuros de muito baixo peso, isto é inferior a 1500 gramas9.

A decisão de alimentar os recém-nascidos de muito baixo peso com leite humano ou fórmulas é complexa, tanto nutricionalmente e imunologicamente quanto por razões práticas. Estudos recentes de metodologia adequada e controlada fornecem evidências científicas amplamente aceitas do uso do leite da própria mãe para nutrição destes recém-nascidos7,10, 11. Observa-se que no leite humano, a qualidade da proteína e o conteúdo lipídico são ajustadas e adequadas ao recém nascido prematuro. Também, componentes específicos como IgAs, lactoferrina, oligossacarídios, fatores de crescimento e componentes celulares estão em maior quantidade no leite de mães de recém-nascidos prematuros. No entanto, estes componentes altamente necessários e benéficos para o prematuro somente são disponíveis quando o leite humano é administrado cru.


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