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Beneficiamento da casca de coco verde (página 2)

Morsyleide de Freitas Rosa

INFORMAÇÕES MERCADOLÓGICAS:

A fibra pode ser usada na confecção de diversos produtos de utilidade para a agricultura, indústria e construção civil, em substituição a outras fibras naturais e sintéticas.

A fibra, tecida em forma de manta é um excelente material para ser usado em superfícies sujeitas à erosão provocada pela ação de chuvas ou ventos, como em taludes nas margens de rodovias e ferrovias, em áreas de reflorestamento, em parques urbanos e em qualquer área de declive acentuado ou de ressecamento rápido.

Compósitos reforçados com fibras naturais podem ser uma alternativa viável em relação aqueles que usam fibras sintéticas como as fibras de vidro. As fibras naturais podem conferir propriedades interessantes em materiais poliméricos, como boa rigidez dielétrica, melhor resistência ao impacto e características de isolamento térmico e acústico.

Na indústria de embalagens existem projetos para a utilização da fibra de coco como carga para o PET, podendo gerar materiais plásticos com propriedades adequadas para aplicações práticas e resultando em contribuição para a resolução de problemas ambientais, ou seja, reduzindo o tempo de decomposição do plástico.

A indústria da borracha é receptora também de grande número de projetos envolvendo produtos ecológicos diversos, desde a utilização da fibra do coco maduro e verde na confecção de solados de calçados, até encostos e bancos de carros.

Utilizada há várias décadas como um produto isolante em diversas situações, a fibra de coco tem hoje uma diversidade de aplicações, pelas características que apresenta. Devido às suas excepcionais performances acústicas, a fibra de coco verde e maduro contribui para uma redução substancial dos níveis sonoros, quer de impacto, quer aéreos, sendo a solução ideal para muitos dos problemas na área acústica, superando largamente os resultados obtidos com a utilização de outros materiais.

Ademais, a crise energética mundial das últimas duas décadas tem motivado o desenvolvimento de pesquisas sobre o fibro-cimento ou ou fibro-concreto devido ao fato de a fabricação de cimento exigir menor demanda de energia comparada com a necessária à fabricação do aço ou dos plásticos. Assim, no Brasil, a utilização da fibra de coco verde na construção civil pode criar possibilidades no avanço da questão habitacional, através da redução do uso e do custo de materiais, envolvendo a definição de matrizes que inter-relacionam aspectos políticos e sócio-econômicos.

Além dos usos já citados a fibra da casca de coco verde pode ser utilizada na confecção de vasos, placas e bastões para o cultivo de diversas espécies vegetais. Além de substituirem os produtos tradicionais a base de barro, cimento e plástico, também substituem os subprodutos extraídos do samambaiaçu, espécie vegetal da mata atlântica ameaçada de extinção. Desta forma a comercialização de vasos, placas e bastões de fibra da casca de coco verde, busca a inserção no nicho de mercado ocupado hoje pelo xaxim que é um produto de exploração cada vez mais restrita pela legislação brasileira.

A confecção de artesanatos variados também representa uma importante forma de aproveitamento da fibra da casca de coco verde, haja vista que o Brasil tem sido cada vez mais um importante destino para os turistas de outros países, grandes consumidores deste tipo de produto.

Os principais estados potenciais consumidores deste tipo de produto são São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.

Assim como a fibra o pó da casca de coco verde também pode ser utilizado na confecção de artesanato, compondo uma massa moldável que pode originar uma grande gama de produtos.

A parte fibrosa do coco maduro, ao ser beneficiada, produz fibras e uma considerável quantidade de pó. Esse material (pó de coco) é amplamente utilizado em diferentes partes do mundo como substrato para plantas. O substrato obtido a partir dos frutos maduros do coco tem se mostrado como um dos melhores meios de cultivo para a produção de vegetais, principalmente em função de sua estrutura física vantajosa, que proporciona alta porosidade e alto

potencial de retenção de umidade, conferindo a esse substrato características adequadas ao cultivo agrícola.

O pó de coco é um meio de cultivo 100% natural utilizado para germinação de sementes, propagação de plantas em viveiros e no cultivo de flores e hortaliças. Como o preço da turfa está cada vez mais elevado e as extratoras de turfas foram fechadas, o pó da casca de coco verde surge como uma alternativa que evita a aplicação de substratos que produzem impactos ambientais negativos (turfas, areia, entre outros).

Assim como a fibra o pó da casca de coco verde também pode ser utilizado na confecção de artesanato, compondo uma massa moldável que pode originar uma grande gama de produtos.

As características de absorção de líquidos do pó também possibilita seu uso em derramamentos de óleo e como cama para animais de estimação e laboratório.

Por fim, comprimido o pó se transforma em um bricket que substitui a madeira em fornos de pizzarias, padarias, siderúrgicas e outros.

INFRA-ESTRUTURA NECESSÁRIA:

A implantação de uma unidade de beneficiamento de casca de coco verde pode assumir uma grande diversidade de formas. Tal variação é fruto do produto final pretendido. No caso de uma unidade para a produção de substrato agrícola e fibra bruta, é necessário um galpão para processamento de 200 m² e uma área de armazenamento de igual tamanho. Considerando o custo por metro quadrado de área construída de R$ 350,00, tem-se um investimento em obra civil da ordem de R$ 140.000,00. Soma-se a este valor o investimento em equipamentos da ordem de R$ 50.000,00.

Uma unidade deste porte tem capacidade para beneficiar mais de 5.500 toneladas de cascas de coco por ano, produzindo 250 toneladas de fibra e 485 toneladas de pó. O tempo de retorno esperado para o investimento é de um ano.

As informações acima foram retiradas do site:

http://www.cnpat.embrapa.br/home/portfolio/tecnologia.php?id=10

Aproveitamento agroindustrial da casca de coco ainda é reduzido

Brasília - Com baixo aprovetamento agroindustrial a casca de coco já causa sérios problemas ambientais

Brasília, 04 (Agência Brasil - ABr) - Buscando o aproveitamento da casca de coco verde, cujo volume descartado no meio ambiente já causa poluição e impacto negativo, a Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza (CE), realiza estudos objetivando seu aproveitamento de maneira a gerar fonte de receita para o agronegócio do coco. Segundo a pesquisadora Morsyleide de Freitas, o aumento do consumo e da industrialização de água-de-coco verde só contribui para o agravamento dos problemas de disposição final do resíduo gerado.

A técnica afirma que cerca de 85% do peso bruto do coco verde representam lixo. As cascas levam aproximadamente oito anos para se degradar, causando problemas principalmente nos grandes centros urbanos onde esse material é de difícil deposição, sendo enviado para lixões e aterros sanitários. `O descarte desse resíduo representa um adicional de custo, já que as indústrias processadoras são incluídas no rol dos chamados grandes geradores de lixo`, diz.

Morsyleide informa que o pó da casca do coco maduro já é utilizado como substrato agrícola, por apresentar uma estrutura física vantajosa proporcionando alta porosidade, alto potencial de retenção de umidade e por ser biodegradável. A Embrapa busca opções para a utilização do coco verde como substrato agrícola, o que encontra restrições nos produtores devido a alta umidade e às características da fibra. `A fibra de coco verde não apresenta as mesmas características desejadas daquelas obtidas a partir do coco maduro. Por isso, não é beneficiada e, geralmente, é descartada`, explica a pesquisadora.

A pesquisadora destaca que a casca de coco é constituída por uma fração de fibras e outra de pó, que se apresenta agregado às fibras. `O pó da casca é o material residual do processamento da casca de coco maduro para obtenção da fibra`, diz. Ela ressalta que já são conduzidos estudos para verificar a potencialidade da casca de coco verde. Segundo diz, o substrato agrícola foi obtido por uma seqüência de etapas que inclui a dilaceração, moagem, classificação, lavagem e secagem.

O pó obtido também já é testado em hortaliças, flores e fruteiras e, segundo Morsyleide, será experimentado em outros cultivos durante esse ano. Ela garante que é um meio de cultivo 100% natural e também é indicado para germinação de sementes e propagação de plantas em viveiros.

A casca do coco, porém, já tem outro aproveitamento. A montadora de veículos DaimlerChrysler já emprega fibras de coco nos encostos de cabeça e para-sóis dos caminhões da marca Mercedes-Benz. Este ano também serão usadas para estofamento dos bancos e dos sofá-camas dequeles veículos, além do automóvel da marca Classe A, que a Mercedes produz em Juiz de Fora (MG). Estes componentes serão fornecidos pela Poematec - Fibras Naturais da Amazônia, empresa recém-fundada e localizada em Ananindeua, no Pará.

A fábrica, que fornece produtos de fibras de coco e borracha natural, foi criada como uma alternativa para evitar a destruição da Floresta Amazônica. A DaimlerChrysler aderiu a essa idéia com intuito de equipar o máximo possível os veículos com componentes locais, gerando empregos na região, bem como utilizar materiais compatíveis com o meio ambiente, que sejam recicláveis. Além disso, a companhia visa diminuir os custos, uma vez que os componentes feitos de fibras naturais são mais fáceis de serem decompostos que os convencionais - geralmente produzidos com derivados de petróleo -, além de serem mais baratos.

Para atender o fornecimento de matéria-prima para a Poematec, foram instaladas em oito municípios do Pará unidades de beneficiamento de fibra com capacidade para processar 100 toneladas por mês. Os próprios moradores, organizados em cooperativas, serão responsáveis pela extração das fibras e transformação em cordas, atividades que empregam um contingente de cinco mil pessoas.

Neste estágio inicial de atividade são produzidas mensalmente sete toneladas de componentes prontos, confeccionados com quatro toneladas de fibras de coco e três de borracha natural. Espera-se que, até o final deste ano, a produção aumente para trinta toneladas. Quando os turnos de trabalho alcançarem sua capacidade total, por volta do final de 2002, a Poematec consumirá por mês 45 toneladas de fibra de coco para fabricar 80 toneladas de componentes finalizados.

Assentos, encostos e apoios de cabeça para bancos de veículos serão fabricados pela Poematec. Alguns produtos também serão feitos para aplicação na agricultura, nas indústrias de móveis, artesanato, na construção civil e jardinagem. Tudo utilizando-se a casca de coco. Nos estofados, a fibra de coco tem a vantagem de ser resistente, durável, reciclável e biodegradável, além de ser ergonomicamente correta. Sua vida útil, quando manufaturada, é de 90 anos.

O país que mais utiliza fibra de coco em estofamentos de veículos é a Alemanha, por meio da DaimlerChrysler. Ela foi uma das primeiras montadoras a empregar fibras naturais em componentes para veículos, que, todavia, já são utilizadas pela indústria automobilística desde o início do século passado. Agora, a empresa alemã estuda a possibilidade de transferir essa tecnologia para a fábrica do Classe C, na África do Sul. O objetivo é seguir o exemplo dos modelos da marca Mercedes-Benz, que, em todo o mundo, utilizam fibras naturais em alguns de seus componentes. (Isadora Lionço/Fotos: Victor Soares)

Leia também:

www.radiobras.gov.br/ct/2000/materia_050500_8.htm

www.radiobras.gov.br/ct/2000/materia_110200_8.htm

As informações acima foram retiradas do site:

http://www.radiobras.gov.br/ct/2001/materia_040501_4.htm

Fortaleza ganha primeira unidade de beneficiamento de casca de coco verde do Nordeste

A primeira unidade de beneficiamento de casca de coco verde do Nordeste é resultado do projeto "Uso da casca de coco verde como forma de conservação da biodiversidade", apresentado no programa de competição global Development Marketplace do Banco Mundial pela Embrapa Agroindústria Tropical (Fortaleza/CE), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A inauguração aconteceu no dia 2 de julho, em Fortaleza (CE), contando com a presença do diretor-presidente da Embrapa, Silvio Crestana, e de outras autoridades federais, estaduais e municipais.

A unidade de beneficiamento está instalada na estação de triagem e transbordo de resíduos sólidos de Fortaleza, no bairro do Jangurussu, em uma área de 3.000 m², e vai fabricar produtos a partir do pó e das fibras extraídas da casca, com capacidade para processar 30 toneladas de casca/dia. Cerca de 1.600t/ano de pó serão produzidos para utilização como substrato agrícola e composto orgânico e as 530t/ano de fibra bruta geradas pela unidade vão servir como matéria-prima para a fabricaç

ão de 27.600 peças de derivados da fibra, como placas, vasos e bastões e 25.000 peças de artesanatos diversos. A fábrica também vai abrigar um espaço para a confecção dos produtos derivados da casca de coco verde.

O projeto, que tem a parceria da Associação dos Barraqueiros da Beira Mar (ABBMar), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Secretaria do Trabalho e Empreendedorismo do Estado do Ceará, da Prefeitura de Fortaleza, da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), da Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e da Faculdade Christus, recebeu US$ 245 mil do Banco Mundial, gerando cerca de 130 empregos diretos e indiretos nas comunidades envolvidas no processo, que inclui a coleta seletiva da casca de coco verde na orla de Fortaleza.

O chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical, Lucas Leite, destaca o caráter inovador dessa unidade de beneficiamento, "porque utiliza uma tecnologia ambiental e socialmente apropriada na congregação de parcerias que se complementam na solução problemas ambientais e na criação de condições reais de inclusão social". Ele também destaca o caráter multiplicador do projeto, que poderá ser implementado em outras regiões do país.

Aproveitamento

O aproveitamento da casca de coco verde vem sendo estudado há seis anos pela Embrapa Agroindústria Tropical e pode se tornar uma prática ambientalmente sustentável. Segundo a pesquisadora responsável pelo estudo, Morsyleide de Freitas Rosa, é possível desenvolver diversos produtos derivados da casca de coco verde, inclusive substituindo o uso da samambaiaçu na fabricação de vasos e substratos agrícolas para plantas. "A samambaiaçu está na lista oficial das espécies brasileiras ameaçadas de extinção, em razão da sua intensa exploração para fins e jardinagem e floricultura", explica Morsyleide.

De acordo com a pesquisadora, esses estudos também estão abrindo várias linhas de atuação complementares, como a caracterização e a apl

icação do substrato à base de casca de coco verde em culturas agrícolas, em parceira com a Universidade Politécnica de Valência (Espanha); pesquisas na área de bioprocessos, em parceria com a Embrapa Solos, Universidade Federal do Ceará, Centro de Tecnologia Mineral e Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; desenvolvimento de novos materiais a partir da utilização dos resíduos agroindustriais oriundos do processamento da casca do coco verde, em parceria com a Embrapa Instrumentação Agropecuária e Universidade Federal do Ceará; pesquisa para utilização da fibra indústria automotiva, em parceira com a iniciativa privada, e, mais recentemente, foi aprovado um projeto em parceria com a Universidade Federal do Paraná e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro para o desenvolvimento e construção de um sistema de geração autosustentável de energia elétrica a partir de biomassa residual de fibra de coco e outras fontes.

Inovação

A água-de-coco verde vem despontando como um produto bastante promissor no mercado brasileiro, com crescimento de mercado estimado em 20% ao ano. O problema, no entanto, é que o aumento no consumo da água-de-coco está gerando cerca de 6,7 milhões de toneladas de casca/ano, transformando-se em um sério problema ambiental, principalmente para as grandes cidades. Só para se ter uma idéia, cerca de 70% do lixo gerado no litoral dos grandes centros urbanos do Brasil é composto por cascas de coco verde, material de difícil degradação e que, além de foco e proliferação de doenças, vem diminuindo a vida útil de aterros sanitários. Em Fortaleza, nos meses de alta estação, só na Avenida Beira-Mar e na Praia do Futuro, são geradas 40 toneladas por dia do resíduo.

Equipamentos

O desenvolvimento do maquinário para o processamento da casca de coco verde também foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Embrapa, em parceira com a iniciativa privada. A estrutura básica consiste de uma máquina trituradora da casca do coco; uma prensa rotativa e uma máquina classificadora, que faz a separação entre pó e fibra.

 

PESQUISADOR:

Morsyleide de Freitas Rosa

morsy[arroba]cnpat.embrapa.br

www.cnpat.embrapa.br



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