Estrangeirismos: por que proibi-los?

Enviado por Graziela Alves


  1. Resumo
  2. Introdução
  3. Língua e linguagem
  4. Estrangeirismos
  5. Considerações finais
  6. Referências

RESUMO

Há muito vem se discutindo o uso dos estrangeirismos no Brasil, principalmente após o deputado Aldo Rebelo ter criado o projeto de lei nº 1676/99, que proíbe o uso de qualquer expressão ou palavra de origem estrangeira, tendo como argumentos à promoção, a defesa e o uso da língua portuguesa, querendo dessa forma reforçar que os brasileiros possuem uma língua pura e única, e que esta seria a representante da "nossa" identidade nacional. A cada dia, várias análises têm sido feitas por estudiosos da língua, e cada vez mais se percebe os diversos equívocos cometidos pelo redator do referido projeto, que por sua vez é baseado apenas no senso comum. Assim, essas e outras questões serão abordadas ao longo deste artigo que visa esclarecer alguns mitos que giram em torno do uso de estrangeirismos no Brasil.

Palavras-chave: Estrangeirismos - Língua Portuguesa - Leis

ABSTRACT

For a long time it's been discussing the use of the foreign expressions in Brazil, mainly after deputy Aldo Rebelo had created the law no. 1676/99, that prohibit the use of any expression or word of foreign origin, tends as arguments to the promotion, the defense and the use of the Portuguese language, so that trying to reinforce that the Brazilians have a pure and unique language, and that this would be the representative of "our" national identity. Every day, several analyses have been made by specialists of the language, has been noticed the several misunderstandings made by the editor of the referred project, that is just based on the common sense. This way, those and other subjects will be approached along this article that tries to clear up some myths that sorround the uses of foreign expressions in Brazil.  

Key-words: Foreign Expressions - Portuguese Language - Laws

1 INTRODUÇÃO

O uso de estrangeirismos no Brasil tem sido fruto de muitas discussões nos últimos anos. E essas discussões, não se dão apenas entre os lingüistas, mas acabam por se tornarem um problema público, político, sendo criado até mesmo um projeto de lei que o proíbe.

Entende-se por estrangeirismos o uso de palavras e expressões de línguas estrangeiras utilizadas cotidianamente em um país onde a língua oficial é outra, como no caso do Brasil, o uso do inglês, francês, espanhol, etc "misturado" com a Língua Portuguesa. (FARACO, 2001)

é preciso deixar claro que não se pretende criticar e nem é objeto de estudo do presente artigo, o ensino de línguas estrangeiras no Brasil, a pesquisa reduzir-se-á ao estudo do uso dos estrangeirismos, os preconceitos, proibições e críticas ao seu uso, procurando de certa forma, mostrar que quem critica o uso de estrangeirismos está equivocado e que o projeto de lei do deputado Aldo Rebelo não tem argumentos suficientes para proibir as pessoas de usarem essas palavras ou expressões estrangeiras, até porque se trata de uma questão muito complexa a sua proibição, existindo assim, questões mais urgentes para serem tratadas no Brasil, principalmente na área da educação.

O artigo, que ora se apresenta, pretende trabalhar com a idéia de desmistificação de crítica ao preconceito do uso dos estrangeirismos no Brasil.

Partindo das discussões desse "problema", que é atual e de interesse de todos, mas particularmente do meu interesse como profissional da área de Letras, é que esse artigo se justifica.

é mister deixar-se evidente, que esse assunto não é fechado, ele ainda está engatinhando no contexto social brasileiro, ele era mais discutido entre os lingüistas, agora é que passou a ser mais difundido e analisado por outras pessoas, portanto não é um estudo fechado, pois quando se lida com a língua, com elementos que são mutáveis, não se pode chegar a uma conclusão única, pois o que hoje pode ser o mais conveniente, amanhã pode não ser, o que não se pode é querer refrear um processo que é natural.

Na verdade as pesquisas lingüísticas não são muito difundidas entre a população, esse conhecimento científico é muito restrito ainda a estudiosos da língua, aos centros acadêmicos, etc, o que faz com que pessoas sem o mínimo de conhecimento da língua, baseados apenas no senso comum, queiram administrar o uso da língua, e esses como têm mais acesso a grande massa (população) acabam sendo os que prevalecem, os que são ouvidos. Deve-se lutar também, para uma maior democratização dos conhecimentos técnicos/científicos, mas para isso é preciso que se oportunize espaços para que isso aconteça,

(...) a lingüística (e aqui nos interessa discutir só o caso brasileiro), diferente de outras ciências, não conseguiu ainda ultrapassar minimamente as paredes dos centros de pesquisa e se difundir socialmente de modo a fazer ressoar o seu discurso em contraposição aos outros discursos que dizem a língua no Brasil (...)


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