Universidade, políticas públicas e novas tecnologías aplicadas a educacao a distancia

Este artigo tem como objetivo discutir o crescimento dos usos da Educação a Distância - EAD - pelas Instituições de Ensino Superior - IES, e as estratégias das universidades públicas no desenvolvimento de novas tecnologias educacionais de código aberto (softwares livres) dirigidas à democratização digital e à ampliação da escala social de suas ações educacionais.

Segundo Lobo Neto, as primeiras experiências precursoras do surgimento da EAD remontam a 1728. Em geral, estas experiências estão vinculadas às iniciativas de alguns professores nos EUA, com o ensino por correspondência. A institucionalização da EAD ocorreu em 1856, com a fundação da primeira escola de línguas por correspondência, em Berlim. Mas só no início do século XX ocorreu a consolidação e a expansão da educação a distância. Países e inúmeras instituições adotaram a EAD, através do ensino por correspondência.

No Brasil, a EAD tem-se tornado uma modalidade de ensino em franco processo de expansão e uso nas instituições públicas e privadas de Ensino Superior e também nas empresas educacionais. Ela não é uma modalidade de ensino nova, já que, desde 1923, com Edgard Roquette Pinto3, criador da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, hoje rádio MEC, são conhecidas iniciativas voltadas para sua disseminação. Estas iniciativas, procurando novas tecnologias de comunicação que aproximassem a escola do público sem escola, utilizaram o rádio, com o Instituto Rádio Monitor em 1939; o correio, com o Instituto Universal Brasileiro em 1941 (Nunes, 1994); e mais, recentemente, o vídeo, a TV e o computador, com o Telecurso do 2o Grau e os programas: TV Escola, Programa Nacional de Informática na Educação - Proinfo, FUST, Programa de Apoio à Pesquisa em Educação a Distância - PAPED, programas estes da Secretaria de Educação a Distância - SEED.

Um fator que contribuiu para a expansão da EAD nas IES foi o notável crescimento, em meados dos anos 90, da rede mundial de computadores, a internet, que se transformou no meio principal de convergência de todas as tecnologias educacionais de informação e do conhecimento por serem digitais e síncronas (on line). As primeiras experiências de uso da EAD passaram a ser difundidas a partir de iniciativas de educadores e professores das instituições públicas de Ensino Superior. Simultaneamente às transformações comunicacionais, ainda na segunda metade dessa década perdida, as Universidades Públicas foram condenadas à estagnação na escala de atendimento das demandas sociais de formação profissional e de educação (número de alunos), por medidas neoliberais de "ajuste" e de cortes orçamentários - orientadas por um longo receituário das instituições financeiras multilaterais (FMI, Banco Mundial); estas políticas provocaram drasticamente a redução deliberada da participação do Estado na democratização do acesso à educação pública e gratuita. Atualmente, mais de 63% (Folha de São Paulo, 08/07/2001) dessas demandas são atendidas por IES privadas que estão querendo, também, oferecer outras alternativas como a EAD.



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Hindenburgo Francisco Pires
hindenburgo[arroba]uerj.br

 
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