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Cristo Redentor de Sergipe (página 2)

Thiago Fragata

No ermo da colina São Gonçalo o Cristo Redentor sergipano divide a paisagem com duas torres metálicas de telefonia, o que é um absurdo. A Carta de Atenas (1931), documento-base da orientação á salvaguarda do patrimônio arquitetônico, em seu parágrafo III, ao tratar da valorização dos monumentos, recomenda "a supressão de qualquer publicidade, da presença abusiva de postes ou fios telegráficos, de todas as indústrias ruidosas, e mesmo de chaminés altas na proximidade de monumentos artísticos ou históricos".[5] Certamente que a retirada das horrendas torres dependerá da interpretação do parecer solicitado pelo Ministério Público ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Outro desdobramento possível do importante documento será uma pesquisa arqueológica para estudar as fundações na colina São Gonçalo. Sabe-se que o Cristo Redentor foi erigido sobre as ruínas de uma antiga construção. Teria sido a capela São Gonçalo ou São Cristóvão? O local foi uma missão jesuítica ou mais um sítio da ex-capital?[6] Somente a intervenção de peritos da arqueologia histórica poderá desenterrar a resposta para tais hipóteses.

A preservação do Cristo Redentor de São Cristóvão depende do seu tombamento, mas que não seja literal. Assim, aguardemos as providências do Governo Federal, Estadual e Municipal. A iniciativa do Ministério Público atenta para um princípio ausente nos programas das instituições de cultura e turismo. Para Sergipe divulgar Sergipe é preciso antes conhecer, conhecer porque não se valoriza e divulga um patrimônio cultural ignorado.

*Artigo publicado no JORNAL DA CIDADE. Aracaju, 19/08/2008.

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Cartilha do Tombamento. Pró-Memória, s/d.
[2] Conhecer Sergipe: Cristo Redentor de São Cristóvão. Cinform. Aracaju, ed. 1065, 8-14/9/2003, p. 10.
[3] PORTO, Fernando de Figueiredo. Alguns nomes antigos do Aracaju. Aracaju: Gráfica e Ed. J. Andrade, 2003, p. 38.
[4] BARRETO, Luiz Antônio. Graccho Cardoso: vida e política. Aracaju: Instituto Tancredo Neves, 2003, p. 81.
[5] PRIMO, Judite (Org.) Museologia e Patrimônio: documentos fundamentais. Cadernos de Sociomuseologia. São Paulo, 1999, N. 15, p. 79.
[6] WYNNE, Pires. História de Sergipe. Rio de Janeiro: Pongetti, 1972, p. 53.

 

 

 

Autor:

Thiago Fragata

thiagofragata[arroba]gmail.com

Pós-graduando em História Cultural (UFS) e sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGS).

http://www.thiagofragata.blogspot.com/



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