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Adaptações utilizadas no programa "Informática na educação especial". O projeto é do CRPD, Centro de (página 2)

Teófilo Alves Galvão Filho

Outras adaptações simples que podem ser utilizadas dizem respeito ao próprio posicionamento do hardware. Por exemplo, nosso aluno Mércio, que digita utilizando apenas uma mão, em certa etapa de seu trabalho e com determinado software que exigia que ele pressionasse duas teclas simultaneamente, descobriu ele mesmo que, se colocasse o teclado em seu colo na cadeira de rodas, ele poderia utilizar também a outra mão para segurar uma tecla (tecla Ctrl), enquanto pressionava a outra tecla com a outra mão.

Já o aluno Raimundo está começando agora a conseguir utilizar o mouse para pequenos movimentos (utilização combinada com um simulador de teclado) com a finalidade de escrever no computador, colocando o mouse posicionado em suas pernas, sobre um livro ou uma pequena tábua. E assim, diversas variações podem ser feitas no posicionamento dos periféricos para facilitar o trabalho do aluno sempre, é claro, em função das necessidades específicas de cada aluno.

Além dessas adaptações de hardware que utilizamos, existem muitas outras que podem ser encontradas em empresas especializadas, como acionadores especiais, mouses adaptados, teclados especiais, além de hardwares especiais como impressoras Braile, monitores com telas sensíveis ao toque, etc. (ver outros endereços no final).

3- SOFTWARES ESPECIAIS DE ACESSIBILIDADE

Um dos recursos mais úteis e facilmente disponível, mas muitas vezes ainda desconhecido, são as "Opções de Acessibilidade" do Windows (Iniciar - Configurações - Painel de Controle - Opções de Acessibilidade). Através desse recurso, diversas modificações podem ser feitas nas configurações do computador, adaptando-o a diferentes necessidades dos alunos. Por exemplo, um aluno que, por dificuldades de coordenação motora, não consegue utilizar o mouse mas pode digitar no teclado (o que ocorre com muita freqüência), tem a solução de configurar o computador, através das Opções de Acessibilidade, para que a parte numérica á direita do teclado realize todos os mesmos comandos na seta do mouse que podem ser realizados pelo mouse.

Além do mouse, outras configurações podem ser feitas, como a das "Teclas de Aderência", a opção de "Alto Contraste na Tela" para pessoas com dificuldades visuais, recurso utilizado por nosso aluno Filipe e outras opções.

Outro exemplo de Software Especial de Acessibilidade são os simuladores de teclado e de mouse. Todas as opções do teclado ou as opções de comando e movimento do mouse podem ser exibidas na tela e selecionadas, ou de forma direta, ou por meio de varredura que o programa realiza sobre todas as opções. Para as necessidades de nossos alunos, encontramos na Internet o site do técnico espanhol Jordi Lagares, no qual ele disponibiliza para download diversos programas freeware por ele desenvolvidos. Tratam-se de simuladores que podem ser operados de forma bem simples, além de serem programas muito "leves" (menos de 1 MB).

Através desse simulador de teclado e do simulador de mouse, o aluno Raimundo, com 37 anos, pôde começar a trabalhar no computador e pode, agora, expressar melhor todo o seu potencial cognitivo, iniciando a aprender a ler e escrever. Raimundo, que é tetraplégico, só consegue utilizar o computador através desses simuladores que lhe possibilitam transmitir seus comandos no computador somente através de sopros em um microfone. Isto lhe tem permitido, pela primeira vez na vida, escrever, desenhar, jogar e realizar diversas atividades que antes lhe eram impossíveis. Ele começa, agora, a tentar usar o mouse sobre as pernas para pequenos movimentos.

Esses simuladores podem ser acionados não só através de sopros, mas também por pequenos ruídos ou pequenos movimentos voluntários feitos por diversas partes do corpo, e até mesmo por piscadas ou somente o movimento dos olhos.

Existem outros sites na Internet que disponibilizam gratuitamente outros simuladores e programas especiais de acessibilidade, como o site da Rede SACI.

Como softwares especiais para a comunicação, existem as versões computadorizadas dos sistemas tradicionais de comunicação alternativa como o Bliss, o PCS ou o PIC.

Para pessoas com deficiência visual existem os softwares que "fazem o computador falar". Também os cegos já podem utilizar sistemas que fazem a leitura da tela e de arquivos por meio de um alto-falante; ou teclados especiais que têm pinos metálicos que se levantam formando caracteres sensíveis ao tato e que "traduzem" as informações que estão na tela ou que estão sendo digitadas e impressoras que imprimem caracteres em Braille." (Freire, Fernanda M. P. "Educação Especial e recursos da informática: superando antigas dicotomias". Textos PROINFO/MEC). Para os cegos existem programas como o DOSVOX, o Virtual Vision, o Bridge, e outros.

Além de todos estes recursos de acessibilidade que apresentamos, existem outros tipos e dimensões de acessibilidade que também são pesquisados e estudados por outros profissionais, como as pesquisas sobre Acessibilidade Física, que estuda as barreiras arquitetônicas para o portador de deficiência e as formas de evitá-las (por exemplo, a Comissão Civil de Acessibilidade, aqui mesmo de Salvador). Outra conceito novo é o conceito de Acessibilidade Virtual, que estuda as melhores maneiras de tornar a Internet acessível a todas as pessoas (Rede SACI).

É importante ressaltar que as decisões sobre os recursos de acessibilidade que serão utilizados com os alunos, têm que partir de um estudo pormenorizado e individual, com cada aluno.

Deve começar com uma análise detalhada e escuta aprofundada de suas necessidades para, a partir daí, ir optando pelos recursos que melhor respondem a essas necessidades. Em alguns casos é necessária também a escuta de outros profissionais, como terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas, antes da decisão sobre a melhor adaptação. Todas as pesquisas, estudos e adaptações que fomos construindo ou captando em nosso Programa ao longo dos anos, partiram das necessidades concretas dos nossos alunos.

Referências bibliográficas e alguns links relacionados

- LéVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo, Ed. 34, 1999.
- VYGOTSKY, L. A formação social da mente. S.P., Martim Fontes, 1987.
- Comunicação Alternativa: http://www.c5.cl/ieinvestiga/actas/ribie98/111.html
- Comissão Civil de Acessibilidade de Salvador: http://encontro.virtualave.net/cca.htm
- DOSVOX: http://caec.nce.ufrj.br/~dosvox/index.html
- PROINESP/MEC: http://www.mec.gov.br/seesp/informatica.shtm
- PROINFO/MEC- textos: http://www.proinfo.gov.br/ Softwares Especiais- Rede Saci: http://www.saci.org.br/kitsaci.html
- Softwares Especiais: http://www.qsnet.com.br/imagovox.htm
- Tecnologia Assistiva: http://www.saci.org.br/pesquisa/veredas.html
- Tecnologia Assistiva: http://www.geocities.com/to_usp.geo/principalta.html
- Tecnologia Assistiva: http://www.clik.com.br/
- Tecnologia Assistiva: http://www.bauru.unesp.br/fc/boletim/eduespec/construt.htm

 

 

 

Autores:

Luciana Lopes Damasceno

É professora do Programa "Informática na Educação Especial" do CRPD, pedagoga e Especialista em "Projetos Educacionais e Informática" (ludamasceno[arroba]e-net.com.br).

Teófilo Alves Galvão Filho

É professor e coordenador do Programa "Informática na Educação Especial" do CRPD, Mestrando em Educação pela UFBA, Especialista em "Informática na Educação" e Engenheiro.

teofilo[arroba]infoesp.net

teogf[arroba]ufba.br

www.galvaofilho.net



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