Enviado por Luiz Alberto Moniz Bandeira
"Este será um governo republicano e militar. Entre les deux mon coeur halance sem saber qual o pior. A Wall Strect será o Estado-Maior. A reação virá para o mundo destas duas forças conjugadas no maior poderio já alcançado por um povo e na hora mais incerta e insegura para a vida de todos os povos. 0 capitalismo no poder não conhece limitações, sobremodo as de ordem internacional. 0 esforço para voltar à ordem mundial é o espetáculo que iremos assistir. A nova ordem, que se iniciava pela libertação dos povos do regime colonial, vai sofrer novos embates. Mas acabará por vencer. mesmo porque este povo. ao que me parece, não está unido no sentido de apoiar esta volta violenta a um passado internacional, que levará inevitavelmente o país à guerra com quase todos os demais povos". (Oswaldo Aranha - 1952)
Em 1933, agentes da Gestapo induziram Marinus van der Lubbe, doente mental e fichado como comunista a empreender o incêndio do Reichstag (Parlamento alemão), conforme a idéia de dois próceres do nazismo, Joseph Goebbels e Hermann Goering, fato esse que permitiu a Adolf Hitler obter poderes extraordinários e implantar a ditadura, legalmente, sem revogar uma linha sequer da Constituição de Weimar . Em 25 de outubro de 1939, pouco antes de invadir a Polônia, Adolf Hitler, falando ao Alto Comando da Wehrmacht, disse: "Darei uma razão propagandística para começar a guerra, não importa se é plausível ou não.Ao vencedor não se pergunta depois se ele disse ou não a verdade" . Ele sabia que uma propaganda para ser efetiva necessita de feitos. E para provar que a Polonia não aceitava suas propostas de paz, ordenou a Himmler-Operation: alemães das SS e Gestapo, fardados como soldados poloneses, atacaram uma estação de radio em Gleiwitz, fronteira de Alemanha. Ai estava a "razão propagandística".Seu grandioso projeto era estender o domínio da Alemanha do Atlântico aos Urais e de Narvik ao Suez, transformar em realidade o refrão do hino nacional - Deutscheland über Alles - e construir o Grande Império Germânico - III Reich – para durar pelo menos um milênio.

Quase 70 anos depois, George W. Bush ganhou a presidência dos EUA, mediante um golpe judicial. O atentado terrorista contra o World Trade Center e o Pentágono (11/09/2001), que a CIA e o FBI, apesar de ter informações nada fizeram para impedir, permitiu que seu governo se legitimasse e ele, seis dias depois (17/09/2001), assinou um documento de duas páginas e meia, classificado como Top Secret, no qual delineou a campanha no Afeganistão, como parte da guerra global contra o terrorismo, e ordenou ao Pentágono que iniciasse o planejamento de opções militares para a invasão do Iraque. Em seguida, não só solicitou e obteve do Congresso poderes para fazer a guerra contra o terror, que começou com o bombardeio e a ocupação do Afeganistão, como tratou montar, gradualmente, um sistema repressivo, violando os direitos civis nos EUA. Após esses fetos, George W. Bush ordenou ao Pentágono a elaboração de planos de contingência para o uso de armas nucleares contra sete países, não somente a Rússia e os que denominou como "eixo do mal" – Iraque, Irã e Coréia do Norte – mas também a China, Líbia e Síria. Em abril de 2002, proclamou então seu propósito de derrubar Saddam Hussein e mudar o regime político no Iraque, em aberrante desrespeito ao princípio de não-intervenção nos assuntos internos de outros países, acordado no Tratado de Westphalia, de 1648. E, no de 1 de junho, falando aos cadetes de West Point, anunciou a mudança na estratégia de segurança nacional dos EUA, substituindo a doutrina de "containment and deterrence" pela de "preemptive attacks", ou seja, de ataques preventivos e, se necessário, unilaterais, contra grupos terroristas ou países percebidos como ameaça, o que viola o direito internacional moderno, que apenas autoriza o uso da força em defesa própria, para combater ameaças reais, não potenciais, mas não como ação preventiva e antecipada. "The war on terror will not be won on the defensive"- George W. Bush declarou . De fato, ele deixou claro que seu projeto era ampliar e consolidar a hegemonia dos EUA, sobre todas as regiões, remodelando os países, conforme seus interesses econômicos e políticos, ao declarar pretendia estender a paz, evidentemente a pax americana, encorajando "free and open societies on every continent", e, para não deixar a menor dúvida, acrescentou: "The requirements of freedom apply fully to Africa and Latin America and the entire Islamic world" .
Página seguinte ![]() |