Vygotsky e a criação artística infantil



  1. As bases histórico-culturais do aproveitamento pedagógico da criatividade na educação escolar
  2. Vygotsky e o teatro de vanguarda russo-soviético
  3. Segundo V.V. Davydov e V.P. Zinchenko, psicólogos russos:
  4. A psicologia das artes segundo Vygotsky
  5. A criação artística na educação escolar
  6. Citações
  7. Referências Bibliográficas

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Lev Semenovich Vygotsky

(1896-1934)

As bases histórico-culturais do aproveitamento pedagógico da criatividade na educação escolar

O papel da criatividade na formação escolar do educando ganhou destaque com o processo de escolarização em massa que caracterizou a democratização do ensino laico ao longo do século XX. Uma possível explicação para isso é que a criatividade teria ido ao encontro das exigências impostas à instrução formal pela industrialização da produção de bens e concorrência crescente entre as empresas.

De acordo com esse ponto de vista, a economia internacional teria passado a solicitar da escola a formação de pessoal minimamente qualificado para ocupar os postos de trabalho disponíveis no Mercado - que se caracterizava então pela modificação constante das técnicas de produção e por uma "necessidade permanente de invenções" (Ponce, 1995).

Essa demanda crescente de novas invenções teria trazido ao terreno pedagógico, entre o final do século XIX e início do século XX, a discussão da importância da criatividade para o desenvolvimento tecnológico dos novos equipamentos necessários à indústria e para o aperfeiçoamento do design dos seus produtos.

Paralelamente a esses fatores de ordem econômica, as concepções relativas à infância estavam sendo radicalmente modificadas nesse período em função dos resultados obtidos com a afirmação da Psicologia como ciência. Considerada importante aspecto da inteligência humana - e via para potencializar a capacidade de resolução de problemas - a criatividade deveria então ser estimulada na educação escolar.

A atividade criadora ou criatividade foi conceituada por Vygotsky como "toda realização humana criadora de algo novo, quer se trate de reflexos de algum objeto do mundo exterior, quer de determinadas construções do cérebro ou do sentimento, que vivem e se manifestam apenas no próprio ser humano" (1982:7). Segundo ele existem dois tipos básicos de impulsos na conduta tipicamente humana: 1) o impulso reprodutor ou reprodutivo e 2) o impulso criador ou combinador. O primeiro estreitamente vinculado à memória e o segundo intimamente relacionado à imaginação.

Vygotsky esclarece que é exatamente a atividade criadora das mulheres e dos homens que faz com que a espécie humana possa projetar-se no futuro, transformando a realidade e modificando o presente. Imaginação ou fantasia é como ele denomina esta atividade do cérebro humano que se baseia na combinação.

Vygotsky explica que a Psicologia atribui a estas palavras um significado diferente daquele que o senso comum costuma lhes emprestar. Geralmente, imaginação e fantasia estão associadas ao irreal, a tudo aquilo que não se ajusta à realidade e que carece de qualquer valor prático. No entanto, para a Psicologia, a imaginação – base de toda atividade criadora – se manifesta em todos os aspectos da vida cultural, possibilitando a criação artística, científica e técnica.

De acordo com Vygotsky, absolutamente tudo que nos rodeia e que foi criado pela mão do ser humano, ou seja, todo o mundo da cultura, ao contrário do mundo natural, todo ele é produto da imaginação e da criação humana baseada na imaginação: "Todos os objetos da vida diária, sem excluir os mais simples e habituais, vem a ser algo assim como fantasia cristalizada" (1982:10).

Mas a representação cotidiana e habitual da criatividade não enquadra suficientemente o seu sentido científico, conforme fora explicitado por Vygotsky. Quase sempre, a criatividade é concebida como propriedade privada de uns poucos eleitos (gênios, talentosos, artistas, inventores e cientistas).

"Existe criação não apenas onde têm origem os acontecimentos históricos, mas também onde o ser humano imagina, combina, modifica e cria algo novo, por insignificante que esta novidade possa parecer se comparada com as realizações dos grandes gênios. Se somarmos a isso a existência da criação coletiva que reune todas essas pequenas descobertas insignificantes em sí mesmas da criação individual, compreenderemos quão grande é a parte de tudo o que foi criado pelo gênero humano e que corresponde à criação anônima coletiva de inventores desconhecidos." (1982: 11)


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