Da rotina à flexibilidade: análise das características do fordismo fora da indústria



  1. Resumo
  2. Introdução
  3. O Fordismo e o Taylorismo
  4. O sistema produtivo flexível
  5. O sistema produtivo e o mercado de trabalho na sociedade atual
  6. O "Fordismo" fora da indústria
  7. Considerações finais
  8. Referências bibliográficas

Resumo

Este artigo trata da transição do "fordismo" ao "pós-fordismo", ou seja, da produção em massa para a produção flexível, e das mudanças no mundo do trabalho. Dentre essas transformações temos o aumento do desemprego e do trabalho informal, além da expansão do emprego no setor de serviços. O que proponho demonstrar é que características do fordismo passam a ser verificadas, no mercado de trabalho atual, no setor de serviços e no setor informal da economia; para usar conceitos de Bauman, determinadas características da modernidade sólida passam a fazer parte da modernidade líquida, mas em outros setores que não mais o da indústria.

Palavras-chave: Fordismo, Taylorismo, Toyotismo, mercado de trabalho, flexibilização do emprego, trabalho informal e setor de serviços.

 

1.      Introdução

O tema que desejo abordar neste artigo são as mudanças provocadas no mundo do trabalho por conta da transição da produção em massa para a produção flexível, e a expansão do setor informal e de serviços. Mas, mais do que isso, o ponto principal da minha argumentação é de que as características do fordismo estão presentes na sociedade atual, em parte do setor informal e de serviços. Procuro tomar o cuidado de respeitar as devidas proporções de se estar comparando um modo de produção com um modo de venda. Quero deixar claro que não estou dizendo que o modelo fordista se verifica atualmente no setor terciário da economia, mas algumas de suas características.

Em primeiro lugar, eu retomo a época taylorista e fordista para caracterizar esses modos de produção e as suas características, importantes organizadores da indústria até meados da segunda metade do século passado. Em segundo lugar, mostro as transformações na organização da produção no final do século XX e início do XXI, com o advento do sistema produtivo flexível. Além de caracterizar as mudanças no mercado de trabalho como um todo. Em terceiro lugar, em meio ao mercado de trabalho atual, demonstro o retorno às características do fordismo, agora empregadas no setor de serviços e no setor informal, usando como exemplos, o Mc Donald's e a venda de balas e confeitos em sinais de trânsito.

2.      O Fordismo e o Taylorismo

O conjunto de práticas produtivas cunhado de fordismo é característico da modernidade sólida ou do capitalismo pesado, para usar expressões de Bauman, sendo importante para a organização da produção até meados dos anos 70 do século passado. "Entre os principais ícones dessa modernidade estavam a fábrica fordista, que reduzia as atividades humanas a movimentos simples, rotineiros e predeterminados, destinados a serem obediente e mecanicamente seguidos, sem envolver as faculdades mentais e excluindo toda espontaneidade e iniciativa individual " (Bauman, 2001: 33/34).

O fordismo, método de racionalização da produção em massa, teve início na indústria automobilística Ford, nos Estados Unidos, onde esteiras rolantes levavam o chassi do carro e as demais peças a percorrerem a fábrica enquanto os operários, distribuídos lateralmente, iam montando os veículos. Esse método integrou-se às teorias do engenheiro norte-americano Frederick Winslow Taylor, que ficaram conhecidas como taylorismo. Ele buscava o aumento da produtividade através do controle dos movimentos das máquinas e dos homens no processo de produção. O empregado, seguindo o que foi determinado pelos seus superiores, deveria executar uma tarefa no menor tempo possível.

Ford fez um acordo geral que aumentou o salário nominal de 2,5 para 5 dólares ao dia. Mas o que Ford pretendia ao dobrar o salário de seus trabalhadores? É claro que a explicação não vem de uma das suas famosas frases "quero que meus trabalhadores sejam pagos suficientemente bem para comprar meus carros", já que eles eram responsáveis por uma fatia muito pequena das suas vendas. O five dollars day acabava com a alta rotatividade dos trabalhadores. Para que continuassem recebendo o salário duplicado, os operários faziam de tudo para permanecerem na Ford Motor Company. Com isso, as funções na linha de produção tinham fixas a elas trabalhadores que ficavam por mais tempo na empresa, aumentando a prática em determinada função e diminuindo o tempo de cada movimento. Além disso, ao impedir a alta rotatividade dos trabalhadores, economizava-se dinheiro gasto em sua preparação e treinamento.


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