Enviado por Dejalma Cremonese

"O maior mal do mundo não é a pobreza dos desafortunados, mas a inconsciência dos privilegiados"
Padre Lebret
Cabe-nos analisar, neste trabalho, as principais idéias do padre Louis-Joseph Lebret expostas na obra Economia e Humanismo, bem como tratar da influência das suas teorias nas Ciências Sociais do Brasil. Lideranças sociais e políticas, como Plínio de Arruda Sampaio, Marco Maciel, Betinho, Franco Montoro, Francisco Whitaker, Darcy Passos, entre outros, tiveram, na sua formação, a influência das idéias de Lebret, a qual permanecera durante a militância social e política até o fim de suas vidas (para os que partiram) e até nossos dias para os que ainda estão entre nós...
Mais especificamente, este trabalho investiga a trajetória intelectual e a contribuição religiosa e social de Mario Osorio Marques no município de Ijuí. Mario Osório, além de absorver a teoria de Lebret, soube como ninguém aplicá-la na realidade. É com esse espírito que surgiram no município movimentos sociais e instituições que trazem consigo tal influência. Dentro deste contexto podemos citar o Movimento Comunitário de Base (MCB) e a FAFI/FIDENE.
Por último apresentaremos uma breve entrevista inédita com Plínio de Arruda Sampaio feita através de e-mail, alem de apresentar alguns depoimentos de intelectuais e lideranças políticas que foram influenciados pelas idéias de Lebret.
Louis-Joseph Lebret nasceu em Saint Malo, França, de uma família marítima, em junho de 1897 e faleceu no dia 20 julho de 1966, com 69 anos. Foi frei dominicano e teve como itinerário intelectual conhecimentos técnicos e humanos, dentre eles, conhecimentos teológicos, sociológicos e econômicos. Foi na condição de católico e oficial da Marinha francesa que conheceu o mundo, suas misérias e possibilidades. Começou por estudar os pescadores franceses que perderam, com a crise de 1929/30, em massa, suas condições de vida e trabalho.
Seus primeiros escritos, a partir de 1932, versam sobre "os problemas marítimos". Do mar saltou a terra, analisou com profundidade a crise de 1929 e a Segunda Guerra mundial. Em 1942, com a colaboração de outros intelectuais, publicou o Manifesto de Economia e Humanismo, no qual estabeleceu as concepções teórico-metodológicas daquilo que se converterá, através das Encíclicas dos papas João XXIII e Paulo VI, na nova doutrina social da Igreja e guia de ação de suas organizações e entidades religiosas e leigas.[1] Sobre o compromisso e a missão pessoal de cada indivíduo, assim se expressou Lebret: "Nós estamos (...) preocupados ao mesmo tempo com a economia e com o homem. Cada um de nós considera que seu mestre é o fato, cada um de nós tem o cuidado da vida humana das massas, cada um de nós é impulsionado por suas pesquisas e por suas experiências voltadas às perspectivas da vida comunitária (Lebret et al, 1942, p.4, apud Belato, p. 73).
Lebret, logo após a II Guerra Mundial, viajou pelo mundo fazendo contatos e criando equipes de trabalho orientadas pelo método da pesquisa-reflexão-ação. Lebret dedicou especial atenção à América do sul, especialmente ao Brasil, onde permanece de 1952 a 1958, estudando os problemas do desenvolvimento do Nordeste, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná. Lebret organizou ainda equipes de estudos no Uruguai, Chile e Colômbia e assessorou bispos e padres interessados na criação de pastorais sociais.
Foi fundador do Movimento Economia e Humanismo, e, igualmente, o primeiro a ocupar-se da teologia do progresso de toda a pessoa. Lebret dedicou toda a sua vida a promover em muitas nações, sobretudo no Terceiro Mundo, a civilização do progresso humano. No Concílio Vaticano II, foi conselheiro privilegiado de Paulo VI, e quem declarou o progresso como o novo nome da paz. Este era o lema do Pe. Lebret que participou também da elaboração da Encíclica Populorum Progressio e da Mater et Magistra. Suas idéias também podem ser encontradas no documento Gaudium et Spes.
O período de sua existência coincide com um momento de mudanças e transformações na história da humanidade e também da Igreja. Duas guerras mundiais, grandes inovações e descobrimentos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Concílio Vaticano II, a concentração de riqueza e poder nos países do Norte, o sonho de descolonização e desenvolvimento para todos os países, a divisão do mundo em dois blocos ideológicos e políticos antagônicos e a marcha do neoliberalismo, com a mundialização e a globalização.
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