A origem e a implementação do neoliberalismo no mundo e no Brasil

Enviado por Dejalma Cremonese

  1. A gênese do neoliberalismo – Friedrich A. Hayek
  2. Hayek diverge de John Maynard Keynes
  3. A planificação estatal leva ao "Caminho da Servidão"
  4. As idéias neoliberais implantadas no mundo
  5. Consenso de Washington: revisão do neoliberalismo
  6. Idéias neoliberais implantadas no Brasil
  7. Conseqüências das políticas neoliberais no Brasil
  8. Qual globalização?

Este capítulo procura discutir as transformações do Estado brasileiro nos últimos oito anos. A intenção é demonstrar, ao mesmo tempo, as conseqüências das políticas neoliberais nos países de economia emergentes, no caso o Brasil, essencialmente no que se refere às questões sociais e econômicas. Para isso, procurou-se entender a origem da ideologia político-econômica do capitalismo denominada neoliberal (globalização do mercado), a partir da leitura da obra O caminho da servidão, de Friedrich Won Hayek e a sua discordância com as teorias keynesianas.

4.1. A gênese do neoliberalismo – Friedrich A. Hayek

Tem-se na pessoa de Friedrich Won Hayek um dos principais teóricos das idéias liberais do século XX.[1] Tendo como formação básica a Economia, Hayek ganhou, em 1974, o Prêmio Nobel de Economia, porém, seus escritos se estendem para além dessa ciência.

Sua obra é extensa, conta com 130 artigos e 25 livros que falam desde economia técnica, psicologia teórica, filosofia política, antropologia legal, filosofia da ciência, até a história das idéias. De todos esses referidos temas Hayek tinha conhecimento e falava com autoridade sobre cada assunto. A contribuição do pensamento de Hayek é fundamentada em três campos diferentes: a) a intervenção governamental (Estado); b) o cálculo econômico sob o socialismo e c) o desenvolvimento da estrutura social.

De nacionalidade austríaca, Hayek nasceu de uma família de intelectuais em Viena, no dia 8 de maio de 1899. Doutorou-se pela Universidade de Viena (1921-1923). Sofreu influência do pensamento da Escola Austríaca de Economia, onde os princípios de economia de Menges (1871) eram aplicados. Tais teorias foram refinadas e redefinidas por Eugênio Boehm Bawerk, por seu cunhado Friedrich Wieser e por Ludwig von Mises. Hayek assistiu algumas aulas de Mises na Universidade de Viena, porém achou que a posição anti-socialista de Mises era demasiada. Hayek via com maior simpatia as idéias de Wieser, que era um socialista fabiano, e em 1922 tornou-se seu discípulo. Porém, ironicamente, foi Mises, através de sua devastadora crítica ao socialismo, quem afastou definitivamente Hayek das teorias do socialismo fabiano.

A partir dessa drástica mudança, Hayek passou a ser um grande analista do sistema elaborado por Mises, o qual defendia a cooperação social. Hayek soube responder a todas as interrogações de Mises, explicitou o que estava obscuro, reafirmou o que havia sido esboçado. O que aproximou Mises de Hayek foi o problema do socialismo e a originalidade de Hayek derivou da análise do socialismo que permeou toda a sua obra, desde os ciclos dos negócios até a origem da cooperação social.

Durante cinco anos, Hayek trabalhou com Mises em uma oficina do governo. Em 1927 transformou-se em diretor do Instituto para investigação dos ciclos econômicos, que ele e Mises haviam organizado. O instituto dedicava-se ao exame teórico e prático dos ciclos econômicos. O primeiro livro de Hayek, Teoria monetária e o ciclo comercial (1929), analisou os efeitos da expansão do crédito na estrutura do capital de uma economia. Com o livro, Hayek passou a fazer conferências na Escola de Economia de Londres. Logo após, foi editado o segundo livro, intitulado A Teoria austríaca do ciclo comercial, preços e produção (1931), que foi mencionada pela comissão do Prêmio Nobel em 1974. As conferências de Hayek (1930-31), na Escola de Londres, garantiram para o mesmo, aos 32 anos, o sucesso e o reconhecimento, alcançando o ápice de sua carreira de economista.

4.1.2. Hayek diverge de John Maynard Keynes

Pouco depois da chegada a Londres, Hayek polemizou com John Maynard Keynes, que era um destacado membro do serviço civil britânico e trabalhava, então, para o Comitê de Finanças e Indústria do governo, sendo autor de importantes livros de economia. O debate entre Hayek e Keynes foi, talvez, o mais importante sobre economia monetária que havia se dado no século XX. Começando com seu ensaio O fim do laissez-faire (1926), Keynes apresentou sua demanda de intervencionismo na linguagem de um liberalismo pragmático clássico. Foi assim que Keynes foi aclamado como "O Salvador do Capitalismo", em vez de ser reconhecido como o que era: um defensor da inflação e da intervenção do Estado.


Página seguinte 

As opiniões expressas em todos os documentos publicados aqui neste site são de responsabilidade exclusiva dos autores e não de Monografias.com. O objetivo de Monografias.com é disponibilizar o conhecimento para toda a sua comunidade. É de responsabilidade de cada leitor o eventual uso que venha a fazer desta informação. Em qualquer caso é obrigatória a citação bibliográfica completa, incluindo o autor e o site Monografias.com.