Espaço de representação: uma categoria chave para a análise cultural em geografia



  1. Resumo
  2. Introdução
  3. O espaço de representação
  4. Espaço de representação em lefébvre
  5. Considerações finais
  6. Referências bibliográficas

Resumo

Este ensaio delineia uma epistemologia possível do espaço de representação como conceito chave para análise cultural em geografia. Outrossim, representa proposições operacionais de análise através da desconstrução teórica do conceito. As experiências do cotidiano remetem à tese de Moscovici, que demonstra as representações como tudo aquilo que se propõe a tornar algo ou alguém não-familiar em algo ou alguém familiar. Esta é a tentativa de conceber um universo consensual em contrapartida a um universo reificado; o jogo de forças entre o opus proprium e opus alienum, que representa a divisão profunda do conhecimento da realidade. Sob o âmbito consensual de sociedade existem a equanimidade e a liberdade de representar o grupo devido a determinadas circunstâncias complexas e ambíguas em mundos institucionalizados. Todavia, um universo reificado é intrinsecamente desigual, constituído de classes de papéis. A competência é determinada de acordo com o mérito atribuído e o direito de exercer determinada função. O propósito do primeiro é estabelecer uma gama de forças, objetos e eventos independentes de nossos desejos, onde reinariam a imparcialidade e a objetividade da precisão intelectual. Já as representações remetem à consciência coletiva, que explica o que é de interesse imediato e acessível a qualquer um. Seria a realidade prática, apreendida através da apropriação comum da linguagem e da imagem, e de sua veiculação de idéias. O espaço de representação é o reino da esfera consensual, e a expressão da esfera reificada da consciência coletiva, o momento em que o atributo de ser uma coisa se torna típica da realidade objetiva. Sua prática cotidiana é a própria representação, e sua expressão é o condicionamento do poder exercido. O espaço de representação é um espaço vivo com ligações culturais, locus da ação e das situações vivenciadas. É relacional em percepção, diferencialmente qualitativo e dinâmico e de natureza simbólica. Na leitura de E. Soja sobre Lefébvre, o espaço de representação contém tanto os espaços reais como os imaginários. Sob vários aspectos o espaço de representação interage com as práticas espaciais e as representações do espaço. Esta tríade articulada entre as categorias da espacialidade perfaz um trajeto rumo a uma compreensão mais relacional e menos morfofuncional da realidade.

O mundo é minha representação. – Esta proposição é uma verdade para todo o ser vivo e pensante, embora só o homem chegue a transformar-se em conhecimento abstrato e refletido. A partir do momento em que é capaz de o levar a este estado, pode dizer-se que nasceu nele o espírito filosófico. Possui então a inteira certeza de não conhecer nem um sol nem uma terra, mas apenas olhos que vêem este sol, mãos que tocam esta terra; em uma palavra, ele saber que o mundo que o cerca existe apenas como representação, na sua relação com um ser que percebe, que é o próprio homem. Se existe uma verdade que se possa afirmar a priori é esta, pois ela exprime o modo de toda experiência possível e imaginável, conceito muito mais geral que os de tempo, espaço e causalidade que o implicam. (SCHOPENHAUER (2001, p. 09).

INTRODUÇAO

A representação é uma forma de conhecimento. Mesmo que tempo e espaço gerem determinadas formas de representação, é na dualidade sujeito e objeto que reside o denominador comum que pode conceber toda forma de representação. No dizer de SCHOPENHAUER (2001), se tudo o que existe está para o sujeito e depende do sujeito, então o mundo é uma representação. A partir desta reflexão, uma teoria das representações não é só possível, mas absolutamente necessária.

A teoria das representações sociais tem seu ponto de partida no trabalho de MOSCOVICI (1961), que sob a perspectiva da Psicologia Social se aproxima da sociologia e da antropologia. Segue, pois, a necessidade do enfrentamento de tendências que visam separar os aspectos psicológicos dos sociológicos. A base de aproximação dos trabalhos de MOSCOVICI está na idéia de representações coletivas de DURKHEIM.

DURKHEIM (1994) atribui às representações coletivas uma autonomia dos parâmetros puramente psíquicos de sua gênese. As representações sociais seriam a própria trama da vida social, possuindo um caráter relacional tanto entre indivíduos como entre grupos sociais. Deste modo, são os fenômenos sociais que revestem as representações do seu caráter concreto e inteligível. As representações coletivas são o modo pelo qual os grupos pensam nas suas relação como os objetos que os afetam.


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