Simulação de transformação nas paisagens de mineração de ferro a céu aberto – Metodologia de análise e simulação de gestão de paisagens



  1. Abstract
  2. Introdução
  3. O conceito de paisagem
  4. Metodologia de interpretação da paisagem por eixos visuais e navegação virtual
  5. Metodologia de simulação de intervenção na paisagem
  6. Conclusões
  7. Referências

Abstract:

The study of geoprocessing resources applied to landscape planning and heritage management, focusing on mining activities in the state of Minas Gerais, in examples of open pit iron ore mining. It develops a methodological plan on the application of studies on visual axis, virtual navigation, and simulation of landscape transformations. It focuses on the use of the fourth dimension, the time dimension.

Palavraschave: Virtual Navigation, graphic treatment of the information, simulation of landscape transformations, navegação virtual, tratamento gráfico da informação, simulação de transformações da paisagem.

1. Introdução

As transformações na paisagem em função da mineração fazem parte do cotidiano e dos mapas mentais do mineiro que vive na região do Quadrilátero Ferrífero, pois a ocupação do território sempre esteve atrelada a esta atividade. Reconhecendo o território como um palimpesto de formas que registram a passagem do homem sobre a Terra, não se pode dizer que uma época da história seja mais importante que outra, mas o conjunto deve manter os registros dos diferentes olhares que fizeram parte da ocupação mineira. Diante da importância de atuar na paisagem com consciência, para que ela seja um livro de registros de valores de diferentes épocas, podemse utilizar recursos de geoprocessamento para construir as simulações de intervenção na paisagem e atuar em estudos preditivos desta transformação.

Diante do exposto, o presente artigo tem como objetivo relatar um roteiro metodológico desenvolvido para a construção de simulações de intervenções na paisagem, com o apoio de técnicas de captura, tratamento e representação de dados digitais sobre o ambiente. A questão norteadora foi a consideração de olhar do usuário, do ponto de vista de posicionamento no território e de elaboração de produtos de forte apelo de comunicação gráfica. Assim, foram incorporados recursos de cartografia digital 3D e Navegação Virtual, para que o usuário se sentisse imerso no ambiente representado e recebesse como veículo de comunicação representações mais próximas de seus mapas mentais sobre o território.

Os estudos de simulação de intervenção na paisagem para áreas urbanas já foram amplamente detalhados e publicados por Moura (2003) em trabalhos anteriores, sobretudo em testes na cidade histórica de Ouro Preto, Minas Gerais. Contudo, o presente trabalho enfrentou o desafio de aplicar a metodologia em áreas de paisagem natural e transformada, com ênfase nas intervenções promovidas pela mineração a céu aberto em Minas Gerais. Como áreaspiloto para teste da metodologia desenvolvida, são apresentados os estudos de caso de Capão Xavier e da Mina do Pico do Itabirito, ambas pertencentes à empresa MBR – Minerações Brasileiras Reunidas, que faz parte do grupo Caemi, controlada integral da CVRD.

Localizada nas margens da BR040, que liga Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, e nas proximidades do bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, a mina de Capão Xavier é considerada a última grande reserva de minério de ferro de alta qualidade no entorno da capital mineira. A mina entrou em operação em junho de 2004, precedida por complexos estudos de impactos ambientais, entre os quais se abordou a questão da transformação da paisagem. O objetivo era construir clara visão do que seriam as etapas de transformação da paisagem, assim como promover estudos que apoiassem as escolhas sobre localização de atividades e de recuperação da cava paralelamente ao processo de exploração.

Localizada no município de Itabirito, próximo à rodovia BR356, que liga Belo Horizonte a Ouro Preto, na borda leste do Sinclinal de Moeda, a mina do Pico se encontra aos pés do Pico do Itabirito, importante referência geográfica, histórica e econômica para Minas Gerais. Tombado como patrimônio nacional desde 1962, e pelo patrimônio estadual desde 1989, o pico está fortemente vinculado à paisagem mineira desde a chegada dos primeiros bandeirantes na região, que se deslocavam no território usandoo como marco referencial de localização. Além da função de orientação, o pico se incorporou à paisagem como valor de mineiridade, pois está associado, nos mapas mentais, à região das minas de ouro. Segundo Rosière et all (2005), o valor do minério extraído do pico foi tão expressivo que dele veio o nome "itabirito", pois inicialmente a região se chamava Itabira do Campo.

2. O conceito de paisagem


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