Notas sobre a teoria do uso do solo urbano a partir de categorias analíticas marxianas



  1. Resumo
  2. Teorias de uso do solo de caráter intra-urbano
  3. Bases da teoria do uso do solo urbano: uma abordagem radical
  4. Considerações finais
  5. Referências bibliográficas

RESUMO:

Análise da gênese das principais teorias de uso do solo de caráter intra-urbano. Teorização sobre o uso do solo urbano a partir de categorias análíticas marxianas. Possibilidades do método e restrições. Implicações metodológicas da Teoria do Valor em Marx e suas aplicações no que tange ao solo urbano. Críticas e caminhos de superação análítica.

Palavras Chave: Uso do solo urbano. Geografia Urbana. Análise Maxiana do Urbano.

ABSTRACT:

Analysis from the genisis of the moust important theories from use of the soil of an intra-urban carater. Theorization about the use of the urban soil from the analytic marxian categories. Possibilities from the method and restrictions. Methodological connotations from the Marxian Value Theory and it"s aplication when talking about urban soil. Criticism and ways of analytic superable.

Key Words: Used of the urban soil. Urban Geography. Marxian Analysis of the Urban.

I - TEORIAS DE USO DO SOLO DE CARÁTER INTRA-URBANO

O presente artigo visa delinear as linhas mestras da Teoria do Uso do solo Urbano, a partir do processo de valorização do solo, no que concerne à categorias analíticas marxianas.

Para tanto, cabe nesta introdução apresentar as várias abordagens utilizadas pelos geógrafos urbanos na tentativa de uma compreensão no que tange a ocupação do espaço intra-urbano, ou seja, a estrutura interna da cidade.

Na procura de uma classificação das principais teorias relativas ao tema encontramos como estudos mais relevantes, BAILLY(1973), BASSET & SHORT (1980) e CLARK (1985).

Segundo BAILLY (1973), podemos considerar três linhas básicas nas teorias de organização do espaço intra-urbano:

(i) Os modelos teóricos morfológicos ou descritivos que preocupam-se principalmente com a estrutura e a regularidade do fenômeno urbano. Podemos considerar os trabalhos de BURGESS e HOYT como principais destaques nesta área.

(ii) Os modelos teóricos explicativos que visam a obtenção de respostas aos resultados revelados na organização urbana, apropriam-se freqüentemente de modelos matemáticos analíticos, probabilísticos e de simulação. Destacam-se os estudos de PARK e HURD.

(iii) Os modelos teóricos normativos que fazem propostas de organização do espaço urbano que consideram melhor, em sua análise, a categoria sociedade. Assim como verificamos nos trabalhos de HOWARD.

Outra classificação, mais abrangente, agrupa as teorias em várias abordagens analíticas baseado no estudo de BASSET e SHORT (1980):

(i) A abordagem ecológica que toma por base a ecologia humana, destacando-se os estudos de disputa pelo espaço. Como autores principais podemos citar PARK (1916 ) e MACKENZIE (1971).

(ii) A abordagem no âmbito da Economia neoclássica, preocupado com o melhor aproveitamento na utilização do solo e a licitação de renda. Neste âmbito a base são os estudos de THÜNEN ( 1826 ).

(iii) A abordagem em termos sociais relacionados ao processo de urbanização, SHEVKY e BELL (1955).

(iv) A abordagem da Ecologia fatorial, fundamentada na análise fatorial, preocupa-se com o estudo de padrões espaciais e sociais na cidade. Destacamos os estudos de BERRY (1971).

(v) A abordagem fundamentada na sociologia de WEBER atinente aos arranjos de poder e conflitos sociais. Nesta órbita podemos considerar os trabalhos de PAHL (1975) e COX (1976).

A abordagem marxiana, não é devidamente considerada por BASSET & SHORT, com fundamentos no materialismo histórico dialético. Neste caso, destacamos as teorizações sobre o uso do solo urbano a partir da valorização do espaço conforme apresentadas por HARVEY (1973) em sua obra A Justiça Social e a Cidade.

Os modelos clássicos sobre o uso do solo urbano enquadrados na classificação de BAILLY como modelos teóricos explicativos e descritivos foram utilizados em larga escala pelos geógrafos urbanos, sob auspícios do movimento neopositivista da "New Geography".

Dentro desta esfera funcional destacamos:

(i) A Teoria das Zonas Concêntricas desenvolvidas pela escola de Geografia de Chicago e que mantém a base organicista q dos modelos biológicos que remontam a Darwin. Elaborada por BURGESS consiste em uma quase adaptação da Teoria dos Anéis Centrais ou do Estado Isolado de THÜNEN para a realidade urbana.

(ii) A Teoria dos Setores, desenvolvida a partir da crítica à Teoria das Zonas Concêntricas e da análise empírica de várias cidades norte-americanas. Desenvolvida por HOYT com inspiração nos estudos de HURD. Constata, HOYT, que os eixos rodoviários proporcionam uma organização setorial do espaço urbano.


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