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Alimentação de codornas com milho moído e ração de postura no período pós-jejum urante a muda (página 2)

E. A. García; A. A. Mendes; C. C. Pizzolante; N. Veiga; T. K. Mattos

 

Ingram & Hebert (1989) utilizaram, após o jejum, dieta contendo 16% de proteína bruta e 3000 kcal/kg de energia me

olizável por 12 dias. A dieta foi oferecida de quatro modos: ad libitum, 95, 90 e 85% do oferecido ad libitum. Os autores não encontraram efeito da restrição alimentar sobre a produção de ovos, a gravidade específica dos ovos e o peso corporal das aves durante o período de produção.

A utilização de diferentes níveis de proteína na dieta (16%, 13% e 10%) com e sem a adição de metionina (0,15%) durante o verão, outono e inverno foi motivo de estudo de Koelkebeck et al. (1991). Os autores evidenciaram que os mais altos níveis protéicos proporcionaram maior recuperação do ganho de peso, retorno mais rápido à produção, maior peso e produção de ovos no verão e no outono, não havendo efeito da adição de metionina sobre os parâmetros analisados nesses períodos. Durante o inverno, não foi constatado efeito do nível protéico sobre a produção de ovos. Entretanto, a adição de metionina promoveu aumento no tamanho dos ovos.

O processo de muda convencional em poedeiras, com jejum e posterior alimentação com ração de muda, foi comparado à alimentação ad libitum, ração diariamente restrita (45,5 g) e ração restrita oferecida em dias alternados por Rolon et al. (1993). Os autores observaram que as aves que receberam ração ad libitum produziram mais ovos que as demais durante o período de muda. A gravidade específica, produção e massa de ovos foram semelhantes entre os tratamentos para o período de 26 semanas do experimento.

Garcia et al. (1996), utilizando ração de baixa densidade (2600 kcal de EM/kg, 14% de PB, 1% de Ca e 0,53% de fósforo disponível) por 0, 5, 10 e 15 dias para poedeiras semi-pesadas após o jejum, não encontraram efeitos de tratamento sobre a percentagem de postura, o peso médio dos ovos, a massa de ovos, o consumo de ração, a conversão alimentar, a percentagem de ovos quebrados e a qualidade dos ovos. Contudo, as aves alimentadas com ração de produção, após o jejum, atingiram 50% de produção em tempo significativamente menor que as alimentadas com ração de baixa densidade.

As eventuais diferenças existentes entre as linhagens de poedeiras comerciais parecem não influenciar os resultados obtidos com a muda forçada. Assim, Hurwitz et al. (1998) verificaram haver uma resposta similar à muda forçada para a produção e peso de ovos entre 4 linhagens estudadas.

Cantor & Johnson (1984) foram os pioneiros a trabalhar com muda forçada em codornas poedeiras. Os autores compararam três tratamentos: a) jejum alimentar; b) ração de aves de postura acrescida de 1,5% de zinco na forma de óxido e, c) ração de aves de postura fornecida na mesma quantidade da dieta das aves que receberam adição de zinco. Os resultados mostraram que as aves que sofreram jejum alimentar apresentaram elevada perda de peso e mortalidade. Foi demonstrado que as aves submetidas ao jejum e à dieta contendo zinco cessaram a produção mais rapidamente que aquelas que receberam a dieta de postura. A produção de ovos, 49 dias após o início do experimento, foi melhor para as aves que receberam a dieta com zinco e ração de postura, comparativamente às que sofreram jejum.

Hussein et al. (1988) realizaram três experimentos para estudar muda forçada em codornas, através da adição de elevados níveis de alumínio e zinco à dieta. Foi utilizada uma dieta basal com 2900 kcal de EM/kg, 19% de PB, 2,5% de Ca, e 0,35% de fósforo disponível. No Experimento 1, adicionaram à dieta basal 0,3% de alumínio na forma de sulfato de alumínio para o tratamento 1, e 1,5% de zinco na forma de óxido de zinco para o tratamento 2, por sete dias, mantendo o fotoperíodo em 16 horas de luz e 8 horas de escuro. Os autores constataram que o consumo de alimento durante o período experimental passou de 24,5 g no grupo controle para 10,6 g no tratamento 1 e 8,6 g no tratamento 2. A produção de ovos foi de 77,40; 18,38; e 8,38 g, respectivamente, para os tratamentos controle, 1 e 2. O peso das aves foi reduzido em 24,10 e 28,60% ao final da primeira semana do experimento, respectivamente para os tratamentos 1 e 2. A recuperação da produção de ovos ocorreu na terceira semana e a recuperação do peso vivo ocorreu na quarta semana após o início do período experimental para ambos os tratamentos.

No Experimento 2, utilizaram os mesmos tratamentos que no Experimento 1, mas por um período de quatro dias, porém o fotoperíodo foi reduzido por 14 dias para oito horas de luz e 16 horas de escuro. Nesse experimento, a produção de ovos caiu a zero no terceiro dia para o tratamento 3 e no quinto dia para o tratamento 2. As aves permaneceram fora de produção por 4 semanas e a produção de ovos foi similar entre os dois tratamentos durante o período experimental.

Os autores utilizaram durante o Experimento 3 a mesma dieta basal dos experimentos anteriores, adicionada de 0; 0,10 e 0,15% de alumínio na forma de sulfato de alumínio por 28 dias. Observaram que os tratamentos com 0,10 e 0,15% de sulfato de alumínio promoveram redução significativa do consumo apenas durante a primeira semana, ao passo que o peso corporal foi reduzido significativamente durante as quatro semanas de tratamento. A produção de ovos foi reduzida de 88,50% no grupo controle para 69,20% no tratamento com 0,15% de sulfato de alumínio na dieta.

A indução da muda forçada em codornas poedeiras através da redução do fotoperíodo de 18 para 8 horas de luz por dia foi também conseguida por Hall et al. (1993).

A utilização de jejum alimentar para a indução de muda forçada em codornas poedeiras foi pesquisada por Zamprônio et al. (1996) que submeteram um grupo de aves após um ano de produção a um jejum alimentar de três dias, sendo um dia também de jejum hídrico; um segundo grupo recebeu jejum alimentar por seis dias, sendo um dia também de jejum hídrico. Constataram no tratamento 1 uma perda de peso de 31,8% do peso vivo e mortalidade de 23,24%, e no tratamento 2 perda de peso de 43,61% e mortalidade de 25,44%. Os autores não encontraram efeitos benéficos da muda sobre o desempenho e a qualidade dos ovos.

Poucas pesquisas comparando os métodos de muda forçada, os programas de alimentação pós-muda e seus efeitos sobre a produção de ovos de codornas poedeiras têm sido realizados. Portanto, objetivou-se com este trabalho avaliar os efeitos da alimentação com milho moído ou ração de postura por sete dias, após o período de jejum da muda forçada, sobre as características de desempenho de codornas japonesas.

4. Material e métodos

Utilizaram-se 288 codornas em produção, com 50 semanas de idade no início do experimento, alojadas em uma estrutura metálica medindo 1,00 m de comprimento, 1,76 m de altura e 1,10 m de largura, contendo seis andares e 12 gaiolas metálicas medindo 96 cm de comprimento, 16 cm de altura e 38 cm de profundidade divididas em três compartimentos cada uma, onde foram alojadas oito aves por compartimento, totalizando 24 aves por gaiola.

O método de muda utilizado foi constituído de um período de jejum de três dias, após o qual procedeu-se uma adaptação das aves ao arraçoamento por 2 dias, em que estas receberam 10 e 15 gramas da dieta experimental (milho moído ou ração de postura) por ave por dia, respectivamente, no primeiro e segundo dias após o período de jejum. A partir daí, as dietas experimentais foram fornecidas à vontade por um período de sete dias (período de repouso), a partir do qual todas as aves passaram a receber ração de postura (Tabela 1), com controle de consumo durante as 20 semanas do período experimental.

Durante o período de jejum e por sete dias após, as aves tiveram redução no fotoperíodo de 17 horas para cerca de 13,30 horas de luz por dia. Após esse período, iniciou-se novo programa de luz no qual as aves receberam 14 horas de luz durante a primeira semana e, a seguir, aumentos semanais de 30 minutos, até que o fotoperíodo atingisse novamente 17 horas de luz por dia

As aves foram submetidas aos tratamentos após o jejum, por um período de sete dias (período de repouso) e foram constituídos por diferentes períodos de fornecimento de ração de postura ou milho moído, conforme segue: tratamento A, ração de postura por 7 dias; tratamento B, ração de postura por três dias e milho moído por quatro dias; e tratamento C, sete dias de fornecimento de milho moído. Após esse período, todas as aves passaram a receber ração de postura (Tabela 1), até o término do período experimental que foi de 20 semanas.

Utilizou-se um delineamento experimental inteiramente casualisado, com três tratamentos (ração de postura por sete dias, ração de postura por três dias e milho moído por quatro dias, e milho moído por sete dias), com 4 repetições de 24 aves por parcela.

Os resultados foram avaliados através da análise de variância, de acordo com Zar (1984). A comparação entre pares de médias foi efetuada através do teste de Tukey. Os dados de natureza descontínua foram analisados através das estatísticas para dados não paramétricos, utilizando-se o método de Kruskal-Wallis (Zar, 1984).

5. Resultados e discussão

A produção média de ovos obtida durante as seis primeiras semanas após a muda forçada pode ser verificada na Tabela 2.

Pode-se constatar que a produção média de ovos nas seis semanas iniciais do período de produção pós-muda das aves que receberam apenas ração de postura durante os sete dias após o jejum da muda forçada (tratamento A) foi maior do que daquelas que receberam milho moído por quatro dias (tratamento B) e sete dias (tratamento C), durante as seis semanas iniciais de produção.

O desenvolvimento da produção de ovos dos tratamentos ao longo do período experimental pode ser verificado na Figura 1. Constata-se que o tratamento A apresentou maior produção inicial de ovos que os tratamentos B e C, contudo, essa diferença foi se reduzindo ao longo do tempo, desaparecendo na sexta semana. Essa eventual diferença na produção inicial, provavelmente, ocorreu devido ao maior aporte protéico da ração de postura em relação ao milho. Todavia, essa diferença foi compensada ao longo do tempo pelos demais tratamentos, de modo que ao final do período de seis semanas não se observaram diferenças (p>0,05) na produção média dos tratamentos experimentais.

Esses resultados são compatíveis aos observados por Capella & Creger (1978), Koelkebeck et al.(1993) e Garcia et al. (1996), que verificaram que aves alimentadas com milho, sorgo moído ou ração de baixo valor protéico após o período de jejum da muda forçada demoraram mais tempo para iniciar a produção de ovos e, por isso, apresentaram menor produção inicial de ovos. Zimmermann & Andrews (1987) não encontraram diferenças significativas no número de dias necessários para a ave atingir 50% de postura, na percentagem de postura galinha/dia, no peso dos ovos, na conversão alimentar e na mortalidade, quando compararam dietas contendo 3100 kcal/kg, 14,6% PB, e 0,8% de Ca à dietas com 2900kcal/kg, 15,5% PB, e 2,0% de Ca. Isso, possivelmente, ocorreu devido à proximidade entre o valor nutricional das dietas utilizadas.

Na Tabela 3 observa-se os resultados médios dos parâmetros produtivos obtidos, durante 20 semanas de produção de codornas poedeiras submetidas aos tratamentos experimentais durante a muda forçada. Não houve efeito (p>0,05) dos tratamentos sobre a produção de ovos, o peso médio dos ovos, o consumo de ração, a massa de ovos produzida e a conversão alimentar às 20 semanas de produção.

Quando se considera períodos de produção superiores a seis semanas, os efeitos iniciais do tipo de dieta utilizada no período pós-jejum e, por conseguinte, os efeitos do nível protéico sobre a produção de ovos passam a ser diluídos e podem desaparecer, não havendo, portanto, a médio ou longo prazo, diferenças significativas na produção de ovos entre aves alimentadas com baixo ou médio nível protéico na dieta, segundo dados apresentados por Len et al. (1964), Brake et al. (1979), Harms (1983), Andrews et al. (1987), Koelkebeck et al. (1991), Bell & Kuney (1992), Garcia et al. (1996), Fukuma & Ishibashi (1997) e Ramos et al. (1999).

6. Conclusões

Os resultados deste estudo sugerem que, a alimentação de codornas com milho moído por quatro e sete dias após a muda forçada (método jejum) diminuiu a produção de ovos durante as seis primeiras semanas de produção, não afetando, porém, os parâmetros de produção às 20 semanas.

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Garcia EA1 Mendes AA2 Pizzolante CC3 Veiga N4 Mattos TK5 - arielmendes[arroba]fca.unesp.br

1Profº Adjunto do Depto. de Produção e Exploração Animal – FMVZ/UNESP, Botucatu

2Profº Titular do Depto. de Produção e Exploração Animal – FMVZ/UNESP, Botucatu

3Pesquisador Científico do Instituto de Zootecnia – EEZ de Brotas

4Profº Ass. Doutor do Depto. de Produção e Exploração Animal – FMVZ/UNESP, Botucatu

5Zootecnista - FMVZ/UNESP, Botucatu.



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