Heroína a próxima epidemia de drogas no Brasil?

Enviado por Ronaldo Laranjeira


Resumo

Nos últimos vinte anos existiu uma tendência do consumo de drogas ilícitas mudar constantemente no Brasil. Devemos nos perguntar qual seria a próxima mudança que deverá ocorrer entre nós. Como existe uma tendência, já notada há alguns anos, de internacionalização do use da heroína, e, além disso, como alguns países andinos estão plantando ópio, uma das possibilidades é que a heroína seja a próxima droga de abuso que surgirá no Brasil. Descrevemos um caso clínico que buscou ajuda num serviço público a que consumiu heroína até tornar-se dependente. As possíveis implicações deste caso são discutidas.

Unitermos: heroína; nova droga; epidemia; Brasil; política de drogas

Summary

Heroin: the next drug of abuse in Brazil?

Over the last twenty years in Brazil, there has been a constant tendency for the pattern of consumption of illicit drugs to change. We need to be ever ready to ask what will be the next change. As there has been a trend for the internationalization of heroin as a drug of abuse, indeed some Andian countries are now known to be planting the opium poppy, raising the possibility that heroin will become the next drug of abuse in Brazil. We describe a clinical case of heroin dependency that recently presented for treatment at a public clinic in São Paulo. The implications of this case are discussed.

Uniterms: heroin; new drug; epidemic; Brazil; drug policies

 

O padrão de consumo de drogas tem mudado constantemente a de uma forma dramática nos últimos vinte anos no Brasil(1). Até o começo dos anos oitenta praticamente não tínhamos use de cocaína, pois o acesso desta droga era restrito às pessoas muito ricas ou com ligações muito especiais no mundo das artes a negócios. Esta situação mudou rapidamente a substancialmente por vários fatores. Em primeiro lugar, passou-se a plantar maiores quantidades de coca nos países andinos, visando o mercado americano. Em segundo, os traficantes passaram a utilizar a mesma rede de distribuição que já existia para a maconha a portanto, com maiores possibilidades de atingir um maior número de consumidores. Em terceiro lugar a relacionado com os fatores anteriores, o preço da cocaína caiu muito. Em quarto lugar, no caso especial do Brasil, viramos um país importante na rota do tráfico a por isto, uma parte substancial da droga acaba transbordando para o nosso mercado interno.

Esse fatores contribuíram para a grande mudança do padrão de consumo das drogas nos anos oitenta a começo dos anos noventa. Foi quando aumentou extraordinariamente o consumo de cocaína a as complicações do seu uso. No começo houve um predomínio do padrão de use da cocaína aspirada, mas em seguida um grande número de usuários passou a injetar-se, o que ocasionou uma das maiores tragédias no campo das drogas no Brasil nas últimas décadas(2). Milhares de usuários acabaram ficando infectados pelo HIV, muitos deles já morreram ou acabaram infectando suas parceiras a filhos.

A partir do começo dos anos noventa, principalmente em São Paulo, uma nova forma de padrão de use da cocaína passou a ficar mais freqüente, que foi a cocaína fumada ou crack(3). Este novo padrão ofereceu um novo desafio em termos de prevenção a tratamento pois acabou atingindo um novo tipo de usuário, mais jovem e inexperiente a morador da periferia das Grandes Cidades.

A grande pergunta que devemos nos fazer no momento é: qual seria a próxima mudança no padrão de consumo de drogas que inevitavelmente se instalará no Brasil? O que será que poderíamos fazer para não repetirmos o sentimento de paralisia com que temos sentido durante os últimos anos em relação às políticas de drogas? Como prevenir os eventuais danos dessas novas drogas que inevitavelmente surgirão? Vários fatores podem estar contribuindo para que a heroína seja a próxima droga que produzirá danos sociais no país. Em primeiro lugar, existe uma tendência à internacionalização dessa droga, dela expandir-se para além dos mercados tradicionais europeus, norte americanos e asiáticos. Em segundo lugar, existem evidências de que começou-se a plantar ópio em vários países andinos. Em terceiro lugar, muito provavelmente a mesma rota de distribuição da cocaína será usada para a heroína, a portanto com muitas chances de transbordar para o mercado brasileiro.

Em São Paulo já há muito tempo sabia-se que uma parte da comunidade oriental que habita uma região central da cidade consumia heroína, muito embora fosse um consumo bastante localizado a somente em indivíduos dessa comunidade. Uma outra fonte de eventuais pacientes consumidores de heroína que chegavam aos serviços de usuários de drogas ou nos consultórios particulares eram de indivíduos que haviam ido para a Europa ou EUA a ficado dependentes de heroína nesses países. Nunca havia chegado ao nosso conhecimento pacientes que faziam use regular de heroína fora dessas duas condições descritas acima. Abaixo descreveremos o primeiro caso identificado de um usuário de heroína que ficou dependente de heroína em São Paulo, que não fazia parte da comunidade oriental, nunca havia saído do país e buscou ajuda profissional num serviço público.

 


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