O aluno portador de visão subnormal na escola regular: ¿desafio para o professor?



1. Resumo

Objetivo: 1) Verificar a auto avaliação do preparo e a necessidade de orientações entre professores do sistema regular de ensino, para atuarem junto a alunos portadores de visão subnormal; 2) Obter informações para subsidiar treinamento de professores do sistema regular de ensino na área da deficiência visual.

Métodos: Realizou-se levantamento entre professores do ensino fundamental de escolas públicas municipais e estaduais da cidade de Campinas / SP, que atuavam com alunos portadores de visão subnormal em 1999. Foram incluídas neste estudo 11 escolas municipais e 9 escolas estaduais, respectivamente 79,0% e 90,0% das unidades existentes. Foi utilizado questionário auto - aplicável como instrumento de coleta de dados.

Resultados: A amostra foi composta por 50 professores. O tempo médio de magistério foi de 20 anos. A maioria (94,0%) não relatou formação específica na área da deficiência visual. Somente 18 (36,0%) professores declararam ter recebido informações/orientações para atuar com seus alunos portadores de visão subnormal, embora todos tivessem manifestado o desejo de receber informações. Entre as informações solicitadas, destacaram-se: ampliação de materiais (66,0%), desempenho visual (50,0%), doença ocular (50,0%), acuidade visual / campo visual (46,0%).

Conclusão: Os professores do ensino regular referiram pouco ou nenhum preparo para atuar com alunos deficientes visuais; a maioria dos professores não recebeu informações para lidar com o aluno portador de visão subnormal, mas manifestou desejo de recebê-las.

Palavras-chave: Visão subnormal; Inclusão; Saúde do escolar; Professor.

2. Summary

Purpose: 1) Check self knowledge and needs on orientation among regular class teachers working with low vision students; 2) Gather information to subsidiate the training on visual deficiency of regular class teachers.

Method: A survey was conducted for the academic year of 1999 among those teachers working in public schools, at the town of Campinas / SP / Brazil, being 11 municipal and 9 state schools, abridging respectively 79,0% and 90.0% of this universe. A self-administered questionnaire was used as the data collection instrument.

Results: The sample was composed by made of 50 teachers showing of regular class experience averaging 20 years. Most of them, 94.0%, said having no specific preparation in the area of low vision. Only 18 teachers declared to have received some kind of information/orientation in order to work with their low vision students and from those only 15 teachers mentioned the kind of orientation received. The whole group of 50 declared interest in receiving information. >From the information/orientation requested 66,0% mentioned amplified working class materials, 50,0% the visual performance and eye disease of their students and 46,0% the visual acuity/visual field.

Conclusion: It was detected that teachers of regular class received none or little information about their low vision students but demonstrated interest in having that, it was also demonstrated those teachers are not prepared to work with visually impaired.

Keywords: Low vision; Inclusion; School health; Teacher.

3. Introdução

O funcionamento visual de um indivíduo portador de visão subnormal está relacionado com a maior ou menor capacidade para utilizar o resíduo visual na realização de tarefas cotidianas. A avaliação do funcionamento visual determina como um indivíduo usa a visão residual 1. Deve indicar a implicação de aspectos emocionais e cognitivos junto à baixa visual no desempenho escolar, nas atividades profissionais e na vida cotidiana 2.

A experiência mostra que indivíduos portadores de visão subnormal se diferenciam na habilidade de utilizar a visão. A habilidade visual depende não apenas da doença ocular, mas também, da eficácia do uso da visão. Por esse motivo não há "receitas" de atuação e nem é possível fazer generalizações na avaliação desses indivíduos.

No que diz respeito aos alunos portadores de visão subnormal, a avaliação funcional deverá ser realizada inicialmente de modo informal, observando-se o desempenho visual e recolhendo todas as informações que a família e os professores possam fornecer. De posse dessas informações, deverá ser realizada a avaliação formal com a utilização de métodos clínicos 3. O resultado dessa avaliação funcional vai fornecer as informações essenciais à inclusão do deficiente visual no sistema regular de ensino. A atual política nacional de educação está baseada nos princípios da inclusão e igualdade de condições para o acesso e permanência do aluno portador de deficiência na escola comum4.

Ao freqüentar a escola comum, o escolar portador de visão subnormal pode encontrar dificuldades no processo educativo pelo fato de não existirem recursos materiais e humanos apropriados. Os materiais convencionais para a escrita e leitura nem sempre suprem as necessidades visuais. A não utilização de contrastes, bem como a ausência ou excesso de iluminação, podem ser fatores prejudiciais ao desempenho visual, gerando fadiga visual. Como conseqüência dessas situações, o escolar não recebe estímulo para a utilização do potencial visual e poderá estar fadado ao fracasso escolar 5.

Faz-se necessário, portanto, realizar a avaliação clínica-educacional do portador de visão subnormal e seus resultados devem ser transmitidos aos professores, norteando sua atuação junto a esses alunos.

Em geral, professores do ensino fundamental não recebem em seus currículos de formação preparo especial para lidar com alunos deficientes visuais. Por essa razão, sentem-se despreparados e, na prática, solicitam informações sobre a capacidade visual e necessidades do escolar portador de visão subnormal.

Considerando essa problemática, foi realizada pesquisa junto a professores do ensino fundamental de escolas públicas municipais e estaduais da cidade de Campinas, com os objetivos de verificar auto avaliação do preparo e a necessidade de orientações entre professores do sistema regular de ensino, para atuarem junto a alunos portadores de visão subnormal e obter informações para subsidiar treinamento de professores do sistema regular de ensino na área da deficiência visual. Os dados obtidos podem subsidiar o planejamento de ações interativas, referente à inclusão efetiva desses alunos em escola comum.

4. Métodos

Foi realizado levantamento entre professores do ensino fundamental de escolas públicas municipais e estaduais da cidade de Campinas / SP que atuam com alunos portadores de visão subnormal. No município de Campinas, durante o ano letivo de 1999, havia 75 professores que atendiam esses alunos, distribuídos em 14 escolas municipais e 10 escolas estaduais. Foram incluídas neste estudo 11 escolas municipais e 9 escolas estaduais, representando, respectivamente, 79,0% e 90,0% do total de escolas que aceitaram a. realização da pesquisa.

As escolas municipais foram selecionadas mediante indicação dos coordenadores do Programa de Educação Especial da Secretaria de Educação da Prefeitura Municipal de Campinas, por informações contidas no cadastro do Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação "Prof. Dr. Gabriel Porto" (CEPRE) e no cadastro do Serviço de Visão Subnormal, ambos da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Para a composição da amostra das escolas estaduais, o critério de inclusão baseou-se na presença de professores especializados em deficiência visual na unidade, pelo fato desses profissionais fornecerem assistência aos alunos portadores de visão subnormal. Além disso, obteve-se indicação de escolas estaduais por meio de serviços da comunidade e informações constante em registros dos serviços retro-mencionados.

Mediante estudo exploratório realizado com professores do ensino fundamental de escolas estaduais de municípios próximos a Campinas, elaborou-se questionário auto-aplicável como instrumento de coleta de dados, que foi aplicado aos professores em dezembro de 1999, nas escolas em que atuam com os alunos portadores de visão subnormal6.

O questionário foi entregue aos professores, contido em envelope juntamente com carta de instruções para o preenchimento na presença do pesquisador (Anexo 1). Foram investigadas as seguintes variáveis: Idade do professor; Tempo de formado; Formação especializada na área da deficiência visual; Tempo de atuação com alunos portadores de visão subnormal; Auto-avaliação do conhecimento pedagógico; Informações recebidas, a fonte e especificação das informações e também as informações/orientações necessárias para a atuação com o escolar portador de visão subnormal (Anexo 2).

Após o preenchimento individual, o professor colocava o questionário em envelope, lacrando-o, assegurando-se dessa forma anonimato e sigilo das informações.

Os dados foram processados utilizando-se o sistema Epi Info.


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