Filosofia da educação a partir do diálogo contemporâneo entre analíticos e continentais



  1. Resumo
  2. Habermas versus Rorty
  3. Últimas Considerações
  4. Referências Bibliográficas

Resumo :

O trabalho aborda questões bastante discutidas na contemporaneidade, buscando uma maior compreensão do pensamento filosófico na educação. Na tentativa de propor um entendimento da problemática em que se voltou a Filosofia da Educação, o estudo analisa as discussões controversas entre analíticos e continentais, reconhecendo em Habermas e Rorty a possibilidade de abandonar o pensamento idealista e subjetivo da tradição filosófica. O objetivo é refletir sobre as abordagens teóricas e metodológicas utilizadas nessas discussões, identificando as contribuições que a hermenêutica, o pragmatismo e a filosofia da linguagem podem viabilizar à educação, assinalando a necessidade de desenvolver mudanças nos modos de se pensar e gerir a formação. Em defesa de uma produção semântica para o estudo filosófico no processo de formação de professores, o texto demarca algumas críticas à filosofia da educação por estar voltada apenas para a filosofia continental (antes da virada lingüística), relatando a pretensão de redescobrir o sujeito educativo na linguagem. O estudo, voltado às discussões filosóficas mais atuais do mundo ocidental, pretende incitar a concretização das propostas de grandes aportes teóricos do pensamento, possibilitando repensar o modelo da pedagogia tradicional à luz de novos critérios de avaliação, desenvolvendo através da linguagem, um novo espírito para o estudo da filosofia da educação. Essa reabertura, permite repensar a imagem da filosofia contemporânea e suas implicações educacionais, facilitando a ultrapassagem dos limites conceituais das teorias filosóficas dogmáticas, presas ao historicismo, reconstruindo o cenário teórico baseado no entendimento pragmático e hermenêutico da situação atual.

Palavras chaves: Filosofia da Educação, Pedagogia, Pragmatismo, Linguagem, Hermenêutica.

A relação da filosofia com a educação existe desde o mundo grego. Os filósofos gregos, em busca da arete humana, foram os que deram início às discussões sobre a filosofia da educação e seu sentido no mundo. Viam na educação um meio necessário para o alcance de uma cultura ideal e de uma alma purificada, capaz de elevar o homem ao conhecimento inteligível, apostando na busca de um ideal artístico de cultura. A busca pela educação ideal é representada por Platão na metáfora da "alegoria da caverna", no momento em que um dos homens presos no fundo de uma caverna consegue se libertar do conhecimento da doxa, enxergando a luz da verdadeira realidade. "O caminho da Filosofia, para Platão, era o de conhecer a realidade por conceitos, até perceber que a própria realidade é, ela mesma, o mundo das idéias, dos conceitos puros, ou mais exatamente, das formas puras"(Ghiraldelli, 2001, p.32-33). Na visão platônica, a filosofia deveria transcender a contingência histórica, contribuindo para o processo de esclarecimento da verdadeira sabedoria, na superação das falsas crenças, lançando a idéia de uma educação para a virtude, uma educação perfeita, com a qual o homem se torna culto e erudito.

E, nessa expectativa, a educação acabou tornando-se objeto de estudos e reflexão da filosofia desde os tempos gregos. Pode-se dizer que a filosofia da educação surgiu do forte vínculo entre a filosofia e a pedagogia estabelecido no decorrer dos anos, pois a filosofia, preocupada com as formas do conhecimento perfeito, orientou o homem segundo a razão, inferindo um pensamento pedagógico que busca a perfeição. Assim, percebe-se a disciplina sendo marcada pela história do pensamento filosófico, com fundamentos e objetivos voltados aos entendimentos da tradição.

Entretanto, a filosofia da educação dos últimos tempos, procurou transcender seus limites conceituais, aventurando-se nas discussões filosóficas contemporâneas que propiciam a articulação entre diferentes perspectivas teóricas. A disciplina, antes restrita a filosofia do continente, passou experimentar as vantagens e as desvantagens das transformações filosóficas americanas, envolvendo-se na discussão analíticos versus continentais. A filosofia analítico-pragmática foi difundida sobretudo nos Estados Unidos, na Holanda e na Grã-Bretanha, sendo apresentada, inicialmente, com uma fundamentação lógica e relacionada com a ciência, e a filosofia continental difundida na Europa, ligada a pensadores hermeneutas, fenomenólogos, existencialistas e frankfurtianos, com uma fundamentação voltada aos estudos históricos.

Presente na dicotomia e na relação que parece animá-la, a filosofia da educação da segunda metade do séc. XX, tematiza o contraste entre cultura científica e cultura humanística. A diversificação, bastante clara nos últimos anos, permeia de um lado a filosofia de cunho descritivo e, de outro, a filosofia de tipo histórico e ontológico. Pode-se dizer que as correntes se desenvolvem de forma paralela, com momentos de encontro e desencontro de princípios e estilos. E, na ambigüidade, os mal-entendidos são inevitáveis. As múltiplas designações da tarefa do filósofo, explanadas pelas tradições, têm dificultado a compreensão do papel da filosofia na educação, provocando incompatibilidades no ensino acadêmico da disciplina. Muitos professores ainda não entenderam claramente o que trata cada tradição, utilizando-se das teorias de forma paradoxal. Ora seguem um método de filosofar investigativo, ora simplesmente repassam verdades filosóficas. E ainda há os professores que assumem utopicamente uma ou outra linha filosófica, iluminando pensamentos alheios às necessidades atuais. Sem dúvida, o reconhecimento não elucidado das discussões filosóficas tem demonstrado no campo teórico e prático, uma convivência conflituosa na atividade da disciplina.


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