O princípio unificante da filosofia e da ciência oriental



  1. Introdução
  2. A Ordem Iniológica
  3. Referenciais Iniológicos
  4. As Trocas de Movimento
  5. A "Mutação Sem Fim"
  6. A Conservação do Movimento
  7. A Complementaridade
  8. A Polarização Espacial Macroscópica
  9. Complexos Iniológicos
  10. A Relatividade Iniológica
  11. Extremos Iniológicos

1) Introdução

O princípio unificante da filosofia oriental é um conjunto de doze afirmações, chamadas teoremas, onze das quais complementam a primeira que admite um Universo essencialmente polarizado iniologicamente. Ou seja, todos os fenômenos universais podem ser classificados em categorias polares, com polos yin e yang; e mesmo categorias diversas se interelacionam através de uma ordem comum. Por exemplo, coisas aparentemente diferentes, como peso (leve = yin e pesado = yang) e calor (frio = yin e quente = yang) têm algo em comum. O princípio unificante tem uma função orientadora no estabelecimento de relações entre variáveis de significados nem sempre aparentados à primeira vista.

Trata-se de uma filosofia essencialmente monista e que graças à classificação dicotômica de suas unidades chega a ser erroneamente considerada dualista. O dicotomismo é pura e simplesmente uma maneira útil de compararmos o teor de um caráter em dois objetos diferentes. Assim, ao dizermos que um corpo é yang e outro é yin, no que diz respeito à sensação térmica, nada mais estamos dizendo que a temperatura de um é maior do que a do outro. Não existem duas coisas diferentes (dualismo) pois quente (yang) e frio (yin) refletem sensações subjetivas e relativas a um mesmo caráter (temperatura). Em reforço a esta idéia, lembro que um corpo quente (yang) em relação a outro, pode ser frio (yin) em relação a um terceiro mais quente que o primeiro. Poderíamos, quando muito, dizer que existe uma dualidade interpretativa, relativa e momentânea a se relacionar a como os objetos e/ou fenômenos manifestam-se a nós, mas a retratar uma unicidade ou monismo filosófico por detrás dessa interpretação.

O dicotomismo, o monismo, o relativismo e o interelacionamento entre variáveis deve ser analisado com muito cuidado. Nunca é demais repetir que o princípio unificante é essencialmente metafísico e, como tal, orienta o raciocínio científico. Embora nos auxilie até mesmo na utilização da lógica transcendental e na previsão de ocorrências, jamais será capaz de criar um coelho no interior de uma cartola, ainda que consiga em certas circunstâncias "trazer a montanha até Maomé". Assemelha-se, sob certos aspectos, com o princípio da causalidade ou com o princípio de Le Chatelier que, em ciência, são encarados mais como regras absolutas do que propriamente princípios.

O princípio unificante é freqüentemente comparado, e de uma maneira bastante feliz, com uma bússola: a bússola é um objeto único que se manifesta através de dois polos e, por seu comportamento, orienta os navegadores. Pois o princípio unificante é uma filosofia monista que se manifesta dicotomicamente e nos orienta no estabelecimento de um contato íntimo e sadio com a natureza.

2) A Ordem Iniológica

O primeiro teorema é bastante simples mas, como encerra dois conteúdos de uma só vez, chega a ser mal compreendido numa primeira leitura. Apresentarei, e com a finalidade didática, duas versões equivalentes do mesmo pois, em cada uma delas, um dos conteúdos se torna mais evidente.

Teorema Ia: O Universo desenvolve-se segundo a ordem iniológica (Ia = Primeira versão do Teorema I).

Isto é quase o mesmo que dizer que "tudo na natureza ou no Universo pode ser encarado como que constituído por antagônicos complementares". Este aspecto já foi discutido na introdução e podemos então passar para o outro conceito que está embutido na expressão "ordem iniológica" e que não significa pura e simplesmente uma dicotomização.

Teorema Ib: A Infinidade Una manifesta-se em tendências complementares e antagônicas, yin e yang, em sua mutação sem fim (Ib = Segunda versão do Teorema I)

Não há nada de místico nem de incompreensível nesta afirmação. A "Infinidade Una" pode ser pensada como o elemento primordial do Universo, ou seja, a matéria em sua expressão mais simples. E como tal é a única que não é yin nem yang mas manifesta-se através de seus polos em "mutação sem fim" [Ou podemos também pensar como sendo o caráter essencial e último a ser considerado, dentro dos limites que pretendermos impor ao problema a ser estudado -- Nota acrescentada a esta versão de maio/2000].


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