Experiências de educação ambiental em áreas de Manguezal: Buscando a superação da dicotomia sociedade/natureza no rio Ceará - Ce, Brasil



  1. O manguezal do Rio Ceará e o sujeito ecológico
  2. A Educação Ambiental em áreas de manguezal no mundo
  3. A Educação Ambiental em áreas de manguezal no Brasil
  4. A Educação Ambiental em áreas de manguezal no Ceará
  5. Possibilidade de superação através da educação ambiental
  6. Referências

O manguezal do Rio Ceará e o sujeito ecológico

O Rio Ceará é um dos principais rios do estado e está situado entre os municípios de Fortaleza e Caucaia, localizado a 03°44" S e 038°39" W. O manguezal nesta região possui uma área de aproximadamente 1000 ha, e apresenta uma diversificada fauna e flora. Existem exuberantes árvores de mangue vermelho (Rhizophora mangle (L.)) com mais de 15 metros de altura, que abrigam búzios, ostras, caranguejos e siris. A medida que o bosque se estende terra adentro, encontramos árvores de mangue preto ( Avicennia ssp.,(Stapf & Leechmanwere)), de 12 metros ou mais, dividindo o espaço com árvores de mangue branco (Laguncularia racemosa, (L.)) protegendo a costa e compondo um ambiente extremamente fértil, de transição entre o mar, o rio e a terra. No setor mais elevado, onde o solo já se torna hipersalino e a vegetação fica mais escassa, formam-se os apicuns[1]encontramos nessa região o mangue de botão (Conocarpus erectus) e alguns carangueijos mão-no-olho e chama-maré.

O solo dos manguezais é característico por ser lamacento, pobre em oxigênio e com grande quantidade de matéria orgânica sendo decomposta. As árvores de mangue são as únicas plantas capazes de sobreviverem neste ambiente com variações que acompanham o ritmo das marés e das mudanças atmosféricas, abrigando uma fauna composta de moluscos, crustáceos, peixes, aves e mamíferos (incluindo os humanos). A relação dos humanos com o manguezal é um ponto chave na manutenção da natureza, em um estado equilibrado, e saudável para todas as espécies. Segundo Soffiati (2011), os manguezais sempre foram usados pelos habitantes humanos da América intertropical, e desde o início a ocupação de tal ecossistema visou explorar a sua alta produtividade biológica. Porém, a partir de uma transformação nas necessidades humanas, as ações antrópicas passaram a interferir na natureza, lenta e gradualmente mais e mais, gerando a ilusão de domínio (SCHACON, 2003). Uma visão compartimentada do complexo estuarino motivou um ataque antrópico aos manguezais e distanciou a relação humano/manguezal de sua origem. O manguezal deixou de ser sinônimo de fartura de alimento, e passou a ser tratado como ambiente insalubre, perigoso. Desde então os territórios dos manguezais têm sido invadidos, transgredido e transformado pela ocupação humana, que de diferentes maneiras converteu seus territórios em um outro sistema de reprodução do capital, causando danos ambientais muitas vezes irreversíveis .

A Educação Ambiental surge em um terreno marcado por uma tradição naturalista e promove uma nova orientação às ações do ser humano, . Essas ações exigem um esforço de superação da dicotomia entre natureza e sociedade impregnadas no paradgima atual de desenvolvimento humano, para poder ver as relações de interação permanente entre a vida humana social e a vida biológica natural (CARVALHO, 2004). Na natureza, ao longo de mais de três bilhões de anos de evolução, os ecossistemas se organizaram de modo a maximizar sua sustentabilidade, por isso devemos observar e aprender a maneira como a natureza se organiza, para desta maneira, desenvolvermos nossas relações sociais e econômicas , e não desequilibrar os fluxos de matéria e energia existentes nos espaços naturais. (CAPRA, 2008). A Educação Ambiental deve ser incorporada como mediadora importante na construção social de uma prática político-cultural, portadora de uma nova sensibilidade e postura ética. A constituição de uma campo ambiental bem como a idealização de um sujeito ecológico configuram amplo processo de transformação das relações entre sociedade e ambiente (CARVALHO, 2004).

A Educação Ambiental em áreas de manguezal no mundo

O ser humano é uma peça chave na cadeia de relações que existem no mundo natural, por isso é importante uma visão complexa do ambiente reconhecendo suas dimensões sociais e culturais. Dahdouh-guebas et al. (2008) destaca a importância de estudos transdisciplinares na construção de uma visão complexa do ambiente manguezal, entendendo que os processos naturais que moldam os ambientes no mundo inteiro acontecem além da capacidade de observação do tempo presente. As interações ocorrem numa escala de tempo e espaço maiores do que a passagem de uma vida humana na Terra, em eras geológicas e avanços e recuos dos oceanos que estão continuamente moldando a zona costeira e todos os elementos que a constituem. Nessa perspectiva ressalta-se a importância e relevância dos conhecimentos dos povos tradicionais, passados de gerações em gerações sobre a sobrevivência e a utilização dos recursos naturais. Por isso, o conhecimento sobre os serviços e funções prestados pelos manguezais devem ir além de um entendimento técnico e científico do ecossistema. Deve-se agregar a esse conhecimento dados relevantes à historia daquele ambiente, as relações humanas que se estabelecem naquele local e as ações culturais que são desenvolvidas.


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