Estetização da política vs. formação da opinião pública: uma aporia da razão comunicacional?



  1. Resumo
  2. Considerações iniciais
  3. A tese de estetização da política
  4. A antítese de politização da arte
  5. Notas conclusivas
  6. Referências

Aesthetization of politics vs. public opinion formation: an wasteland of communicational reason?

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RESUMO:

Quando Benjamin debate a tese de estetização da política, feita pelo fascismo, introduz um problema importante para o agir comunicacional. Ao escrever A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica, ele termina apontando para

o comunismo como uma entidade capaz de ainda se contrapor ao movimento fascista, acenando com a resposta de politização da arte. No entanto, no momento em que feneceram as esperanças escatológicas depositadas no comunismo, como superar o eclipseda política pela sua transformação em mero espetáculo? É nesse contexto que pretendo debater o encobrimento da política tornado fim em si mesmo, que se reflete fora de si apenas enquanto preocupação com a imagem, e a alternativa de formação da opinião pública proposta pela razão comunicacional.

Descritores – Estetização da política; agir comunicacional; opinião pública.

ABSTRACT:

When Benjamin debates the aesthetization of politics, done through fascism, he introduces an important problem to the communicational act. By writing A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica, he goes on to point towards communism as an entity still capable of opposing against the fascist movement, waving with the answer of politicization of art. However, in the moment in which the expectations posted in communism revealed themselves failed, how do we overcome the political eclipse by its transformation in mere spectacle? It is in this context the I intend to debate the eclipse of politics turning end in itself, which reflects outside itself only as worry over the image, and the alternative of formation of public opinion proposed by communicational reason.

Key words – Aesthetization of politics; communicational act; public opinion.

Considerações iniciais

"Hoje [...] o estético ultrapassou suas restrições, e, embora seja ainda um traço da obra de arte, estendeu sua atividade a vários domínios da vida. Podemos dar conta dessa imprevisível expansão do estético em novos territórios da existência humana, incluindo a política?" (ISER, 2001, p. 46). A pergunta de Wolfgang Iser nos permite debater o tema da imbricação entre estética e política, tomando como ponto de partida a obra de Walter Benjamin. Ora, quando Benjamin critica a tese de estetização da política, feita pelo fascismo, introduz um problema importante para o agir comunicacional. Ao escrever A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica, termina apontando para o comunismo como um movimento capaz de ainda se contrapor ao fascismo, acenando com a resposta de politização da arte. Na interpretação de Wellmer,

essa politização da estética teria que distinguir-se com toda nitidez da estetização da política pelo fascismo: esta significa a destruição do político por expropriação das massas degradadas à condição de comparsas em um espetáculo posto em cena com todo cinismo; aquela, pelo contrário, por suas mesmas potencialidades significa a apropriação da política por parte das massas burladas (1993, p. 48).

No entanto, a distinção entre diagnóstico e proposta passou a não ser mais tão evidente no seu acontecer histórico. As confusões provocadas no mundo da cultura atualmente são de tal ordem que não se tem mais clareza conceitual sobre as fronteiras entre arte, não-arte, espetáculo ou artifício. Na verdade, as fronteiras tendem a desaparecer. Um exemplo sugestivo nesse sentido pode ser referido à polêmica posição assumida pelo músico alemão Stockhausen[1]um ícone da música cult, sobre o 11 de Setembro, considerada, segundo ele, a maior obra de arte que já existiu na história da humanidade. Um outro exemplo consta no artigo intitulado Esporte – visto esteticamente e mesmo como arte?, no qual o seu autor, Wolgang Welsch, da Universidade de Iena, defende o argumento de que, nas atuais transformações fenomenais e conceituais por que estamos passando, existe a possibilidade e a admissibilidade de o esporte ser visto esteticamente como arte.

Nesse contexto, surgem as seguintes indagações: no momento em que feneceram as esperanças escatológicas depositadas no comunismo, como superar o eclipse da política por sua transformação em espetáculo? Ou melhor, como uma razão que age no domínio público pode enfrentar a tarefa de pensar o agir político no momento em que ele se distanciou doDireito e da Ética, e se rendeu à Estética? A atitude de voltar-se para a discussão da esfera pública, como faz Habermas, por exemplo, não seria um passo atrás, como se houvesse um referente sólido, quando todos os sólidos foram liquefeitos? Tendo presente essas questões, pretendo debater o eclipse da política tornado fim em si mesmo, o qual se reflete fora de si apenas enquanto preocupação com a imagem, e a alternativa de formação da opinião pública proposta pela razão comunicacional. Busco discutir o assunto, confrontando algumas teses de Benjamin, Adorno e Habermas principalmente, procurando recuperar o chão hermenêutico que lhes deu origem.

A tese de estetização da política


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